1 de setembro de 2015

Quando o feitiço se vira...


Durante uns dois anos, passei uns maus bocados com as noites dos meus vizinhos do lado. Posso adiantar que eram barulhos humanos vindos do quarto, e não é preciso acrescentar mais nada para se perceber o que era. Só uma diplomática carta na caixa de correio, depois de muitas tentativas com batidas na parede (que gerava do outro lado gargalhadas gozonas e batidas para o lado de cá), acalmou os ânimos.

Pois agora percebo porquê. Estavam a treinar. Da casa do lado vem muitas, muitas vezes, o choro de um bebé, daqueles que têm uns bons pulmões mas que, apesar de tudo, não me incomoda. E ouço-os às vezes um bocado desesperados a tentar acalmá-lo. Claro que tenho pena do bebé, que deve andar com cólicas ou coisa parecida. Mas não tenho pena das noites mal dormidas deles. Atirem-me as pedras que quiserem, mas a verdade é que me fizeram a vida um bocado negra.

5 comentários:

Anónimo disse...

Bater na parede há-de ser das coisas mais desrespeituosas de se fazer que eu me posso lembrar.

Ok, estavam a fazer sexo e poderiam até estar a fazer imenso barulho, mas bater na parede é absurdo.

Pessoalmente já tive esse infortúnio. Estava no quarto a ver qualquer coisa, ria-me mais alto, batiam-me na parede. Isso aconteceu várias vezes e isso era um "mood killer". Não posso agora estar em paz na minha casa? E se fosse sexo, seria a mesma coisa. Porque nem toda a gente tem a leveza de espírito desses vizinhos de bater de volta e rir.
Finalmente, num dia em que a minha namorada estava doente e com tosse, o mongoloide do lado decidiu bater na parede, não uma, não duas mas sim TRÊS VEZES como se a tosse fosse parar porque este parasita da sociedade decidiu bater na parede.

A festa só acabou no dia seguinte quando lhe perguntei se tinha algum problema e lhe disse que esperava bem que fosse a última vez que se atrevesse a bater-me na parede, de contrário acordarei a vizinhança toda quando o volta a fazer e resolvemos a questão com o senhorio.

Portanto, resumindo, se há algum problema, o melhor é sempre falar no momento adequado em vez de batidas na parede que nada resolvem e que, em circunstâncias piores, podem servir para acirrar ânimos, o que normalmente, não dá bom resultado.

Vespinha disse...

Olá anónimo. A meu ver, seria desrespeitoso se, tal como disseste, não tivesse já havido não uma mas duas vezes em que lhes falei do muito barulho que se ouvia na minha casa. Eu falei com ele antes. Uma coisa é tosse, ou um bebé a chorar, que é incontrolável, outra é sexo, em que se pode tentar fazer menos barulho. É que só se tivesses estado na minha pele é que perceberias, a maneira como ela gritava e as noites que eu passava.

Como bem dizes, é claro que se pode e deve poder estar em paz em casa, o que implica algum sossego e respeitar a paz na casa dos outros, sobretudo durante a noite, em que por lei o silêncio deve ser respeitado.

No dia seguinte às batidas escrevi-lhes uma carta a pedir desculpa pelas batidas mas a justificá-las, dizendo que tinha sido um caso extremo depois de tantos avisos. E só assim se resolveu.

Anónimo disse...

Ok. Ainda bem que se resolveu tudo a bem. Só estava a desabafar também acerca da minha situação e a tua situação comprova a minha teoria. Bater na parede, de nada adianta.

Cumprimentos,

Sérgio S disse...

Eu uso um método mais eficaz: quando fui viver para a minha casa as obras que fiz incluiram uma segunda "parede" de um material isolante, nas paredes em comum com o vizinho. Na prática é uma cena para aí com uns 2 cms que isola o som e que depois de pintado nem se nota. E os meus vizinhos são um casal de velhotes que grande parte do tempo nem moram alí...

Vespinha disse...

Isso é boa ideia! Se bem que com esses vizinhos não deves ter muitos problemas... ;)