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24 de novembro de 2014

O passado a espreitar

Foi há quase um ano e meio que se deu uma grande mudança na minha vida, a saída de um emprego onde estava há uns dez anos e onde já não me sentia feliz, para outro onde tenho muito mais autonomia e de que continuo a gostar como nos primeiros dias. No emprego anterior, deixei uma equipa que durante muito tempo foi o que me deu força para continuar, 10 pessoas que choraram comigo no dia em que saí. Este fim de semana cruzei-me com o postal que me improvisaram e que me deram nesse dia. E não nego que as lágrimas me vieram aos olhos.

30 de julho de 2014

O Tollan

Hoje de manhã, na M80, o Nuno Markl trouxe-me à memória algo que encheu a minha imaginação na infância: o Tollan. O Tollan era um navio porta-contentores inglês que, em pleno rio Tejo, colidiu com um cargueiro sueco a 16 de fevereiro de 1980, tendo-se afundado e ficando com o casco virado para cima até 3 de dezembro de 1983, quando finalmente foi removido.

Lembro-me bem de o ver no Tejo, ao largo do Terreiro do Paço, uma silhueta que na altura me parecia sinistra e que dava asas à minha imaginação.

Quem se lembra do Tollan?



25 de junho de 2014

Das recordações escondidas

Saí de casa dos meus pais (agora da minha mãe) há uns 12 anos. E de vez em quando, muito de vez em quando, passo lá uma noite. Como quando a Loba foi operada, para estar mais perto se fosse preciso. Ou como um dia destes, em que lá fiquei para levar a minha mãe cedo à partida para uma viagem. O meu quarto lá em casa era enorme, talvez o dobro do que tenho agora, mas curiosamente a janela também ficava à esquerda da cama e a porta à direita.

Já em minha casa, e dois dias seguidos, quando acordei pensei estar lá, no meu quarto antigo, e ainda saí da cama um pouco baralhada (o contrário nunca aconteceu). Há coisas que não têm explicação.

18 de março de 2014

Cartas ao passado

Presidiários escrevem a si próprios enquanto jovens, avisando-os dos erros que não deviam ter cometido. Dá muito que pensar.







17 de janeiro de 2014

Do bullying: antigamente e nos dias de hoje


Há muitos anos, andaria eu no 7.º ano (teria portanto uns 12 anos), mudávamos de sala entre cada aula, por isso as mochilas acumulavam-se no pátio a cada intervalo. Um dia alguém abriu um dos bolsos laterais da minha mochila e encontrou lá dentro um penso higiénico. Não contente com isso, toca de o mostrar a toda a gente, de brincarem com o dito, de o passarem de mão em mão.

Ser uma miúda de 12 anos já menstruada é uma coisa normal. Mas na adolescência, e no meu caso particular, tinha vergonha. E os meus colegas perceberam isso. Seguiram-se semanas de sufoco, em que chegava à escola e a primeira coisa que ouvia era «penso higiénico!». Hoje, à distância, julgo que vindo de alguns era até uma espécie de vingançazinha, por ser boa aluna. Diziam-no alguns rapazes e também algumas raparigas, como se não fôssemos iguais. Até nas aulas por vezes me bichanavam isso. Eu, que na altura era bastante tímida, era um alvo fácil, calava-me, corava e ficava com lágrimas nos olhos.

Nunca contei nada em casa. Mais uma vez, por ter vergonha da situação. Mas o tempo passou, devem ter-se metido as férias pelo meio, e o assunto ficou esquecido, ou outro mais interessante para os adolescentes terá vindo à baila.

Mas na altura não havia telemóveis. Nem e-mail. Nem Facebook. O que significa que eu na escola passava um mau bocado mas que a coisa ficava por ali. Em casa tinha o meu ninho garantido, e isso ninguém me tirava.

Agora imaginemos uma situação parecida nos dias de hoje, com SMS de gozo e até, quem sabe, insultos e imagens no Facebook. Não sei como teria sido. Não ter paz e ter sempre alguém a rir-se à minha custa.

A adolescência é uma fase tramada. Por isso, por muito que custe aos pais, devem estar mais atentos do que nunca ao comportamentto dos filhos. Às pessoas com quem se dão. Às suas mudanças de humor. E até, com toda a polémica sobre privacidade que isto pode gerar, aos seus telemóveis e amigos no Facebook e outras redes do género. É que daí podem vir os sinais, e assim evitar-se uma tragédia.

31 de dezembro de 2013

Presentes de Natal: memorabilia

O 28 em madeira para montar, uma reprodução de um desenho de João Abel Manta e um dos meus chocolates em pó de infância, o Coqui. Tudo oferecido pelo meu maninho, que me conhece como ninguém.


26 de dezembro de 2013

Presentes de Natal: lego

Há que tempos que sonhava com uma destas miniobras da Lego, e foram algumas as vezes em que concorri a algumas no Quiosque do Ken. E várias vezes estive para comprar uma delas. Ora esta, a Casa da Cascata de Frank Lloyd Wright, que para mim é a melhor por vários motivos (pela obra que retrata, pelo número de peças, pelas dimensões), veio cair-me ao colo na noite de 24. Obrigada, maninho.

11 de dezembro de 2013

18 anos de sorte

Foi há 18 anos, por volta das 10h da noite que, depois da defesa de um trabalho final perante um professor um tanto ou quanto sádico, terminei o meu curso. Em casa esperavam-nos há horas (a minha e à Mary) os nossos pais, os meus avós, os meus irmãos, num orgulho que se transformou em ansiedade com o passar do tempo. Mas lá chegou a hora.

Depois, foi a entrada relativamente rápida no mundo do trabalho, numa época em que ainda havia lugar para quem tinha o sonho de ser jornalista ou outra coisa qualquer. Passei por um grande jornal diário e depressa cheguei à conclusão de que a minha realização não era aquela. Eu gostava de escrever, sim, mas não sempre sobre a mesma coisa, todas as semanas, todos os dias, todas as horas. Com alguns ziguezagues pelo caminho acabei por ir parar ao mundo editorial, de onde desde há mais de 10 anos não voltei a sair.

Pelo meio, e durante todo este tempo, estive apenas 6 meses desempregada, o que não significa sem trabalho, porque isso nunca estive. Esforcei-me bastante, sem dúvida, mas admito que tive também muita sorte. Até ao dia de hoje, 11.12.13, que se não fosse a minha mãe não me lembraria do que comemorava. Este ano a minha vida mudou mais um bocadinho, ao passar de uma grande editora para uma bem mais pequena, onde me sinto muito mais feliz. Esforcei-me, claro, mas a sorte esteve também sempre do meu lado. Isso e a medalha que no dia 11.12.95 os meus avós maternos me ofereceram. Algo tão simples quanto isto mas que significa tudo aquilo que todos os dias tento melhorar e alcançar.


22 de novembro de 2013

Acerca dos russos

Há uns 10 anos estive em Moscovo, e vim de lá o mais mal impressionada possível. Não pela monumentalidade da Praça Vermelha (apesar de me parecer mais pequena do que tinha no imaginário), dos edifícios do Kremlin, dos luxuosos centros comerciais, da quantidade de automóveis e jipes topo de gama e de casinos. Mas pela brutalidade da própria população, que em nenhum momento (nem mesmo quando lá fiquei uns dias sozinha) fez o mínimo para me ajudar quando era preciso. 

Basta-me narrar um episódio para se perceber do que falo. Uma noite fomos à ópera no Teatro Bolshoi, e um dos meus colegas dinamarqueses começou a sentir-se mal, também fruto da ansiedade por a medicação para a tensão ter ficado perdida algures com a sua bagagem. Num dos intervalos, um dos colegas russos ofereceu-se para o levar até ao hotel. E eu fiquei descansada. No dia seguinte, quando perguntei ao dinamarquês se tinha chegado bem, qual não foi o meu espanto quando me disse que, ao saírem do teatro, o russo lhe tinha admitido que se tinha oferecido para o ajudar para poder ir para casa mais cedo. E encaminhou-o para o metro, para que sozinho e maldisposto se desenrascasse até ao hotel (é importante sublinhar que o metro em Moscovo é um labirinto, em que é uma sorte um estrangeiro conseguir na estação certa). Felizmente o dinamarquês lá se aguentou e ao chegar ao hotel até já tinha a bagagem à espera. Mas o que lhe teria acontecido se se tivesse sentido mal a sério no metro? Num local totalmente desconhecido e onde ninguém o entendia?

Outras situações contribuíram para esta minha má impressão, muitas que não vale a pena contar. Mas há dias deparei com este vídeo, em que uma série de russos demonstram uma humanidade que eu não conhecia.


Talvez os de Moscovo sejam diferentes. Talvez a vida horrível que levam os obrigue a procederem assim.

21 de outubro de 2013

São professores? Gostam de ensinar? E de contar histórias?

Então este concurso pode ser para vós.

Um concurso em que o que têm de fazer é escrever uma história que vos tenha acontecido enquanto profissionais da educação, com um número de caracteres que está no regulamento e com direito a um prémio que, não sendo material, é muito gratificante: a publicação em e-book das 30 melhores histórias. Já lá li umas bem giras. Para saber mais, clicar aqui ou sobre a imagem.

9 de setembro de 2013

Missão cumprida

Já quase fora de época, mas este ano não podia deixar de ir nem que fosse uma única vez à minha Adraga. Que saudades dos verões inteiros lá passados.

9 de maio de 2013

Recordações do Dia da Espiga


Quando andava na Primária, este dia nunca nos passava ao lado. Porque era o dia em que todas as turmas saíam para os campos com as professoras para apanharem os seus raminhos: com papoilas, espigas, malmequeres e uma outra erva que não fazíamos ideia do que era...

Depois atávamos tudo com um cordelinho e levávamos o ramo para casa, onde deveria ficar pendurado atrás da porta da despensa até ao próximo ano, como talismã de abundância durante todo o ano. Não me lembro se alguma vez o raminho durou um ano. Pelo menos comida nunca nos faltou.

Desta vez tive de o comprar. Já está pendurado atrás da porta da cozinha.

5 de maio de 2013

Carta da minha mãe à minha avó

(Mamã, espero que não te importes de a reproduzir aqui, mas acho que num dia como o de hoje as mães das mães também têm de ser lembradas. E a nossa Babá mais do que todas.)

Olá, bom dia Mãezinha.
Como eu gostava de lhe dar um beijinho, e de lhe desejar um Bom Dia da Mãe!
Mas a Mãezinha sabe que isso não é possível.
Mas eu hoje não quero chorar.

Vamos «fingir» que está aqui, ao meu lado;
- Bom Dia da Mãe, Mãezinha.
Se eu hoje lhe pudesse dar uma prenda, oferecia-lhe um computador.
Era para a Mãezinha se entreter a ler as minhas «histórias» e se rir; mas se calhar, aí «onde a Mãezinha está» não é preciso; já devem conseguir saber TUDO o que se «passa cá em baixo».
Se vir «por aí» a avózinha Madalena, a avó Lisa e a avó Nanda, diga-lhes que eu, o João e o Zé Paulo, também lhes desejamos um Bom Dia da Mãe, e lhes mandamos muitos beijinhos.

Ah, é verdade, já me esquecia!
Desculpe...
A Rita, a Inês e o Miguel pediram-me que lhes enviasse (a si e ao Paizinho) os mesmos mimos a que os habituaram.


Obrigada, Mãezinha.
Até qualquer dia.
Mil beijinhos da sua Lenita.

16 de abril de 2013

O meu quarto era assim

O meu avô materno era uma das pessoas mais metódicas que conheci. Registava todos os gastos que fazia, legendava minuciosamente os milhares de fotografias que tirava e, uns meses antes de morrer, deixou-nos uma carta em que dava conta de todos os seus bens e distribuía tudo de modo claríssimo.

Por isso, as fases da casa onde morei mais de metade da minha vida estão muito bem documentadas. Da sua construção, no final dos anos 60, temos um dossiê muito completo, com fotografias desde as fundações até aos últimos acabamentos. E já no final dos anos 90, aquando de novas obras de fundo para a modernizar, nada falhou no registo do antes e do depois.

Por isso, devo ao meu Vovô e às sua etiquetas cuidadosamente coladas em cada imagem poder relembrar o meu quarto de adolescente e, mais tarde, o meu quarto de entrada na idade adulta. Querem espreitar?

A confusão total: paredes cobertas de cartazes, uma guitarra que era da minha mãe e que nunca toquei (e acho que ela também não), autocolantes colados na cama, os meus livros de Vergílio Ferreira na cabeceira, uma gato enroscado sobre o pijama (julgo que o meu querido Ropi) e outro na bancada da janela (o Freak ou a Malhinhas),
A cama desenhada por mim, paredes bastante mais nuas, uma fotografia da loba Aurora do CRLI,
a estante desenhada pelo meu avô paterno e que está agora no consultório do meu pai,
a coleção de mochos a manter-se lá ao fundo ao pé da janela.
De novo o caos. Até latas eu tinha coladas nas paredes... Um roupão pendurado na parte de trás da porta,
uma fotografia do meu maninho colada à esquerda, um relógio «tipo» Swatch pendurado na parede
(porque os originais eram um balúrdio), um cartaz de Versalhes onde continuo a nunca ter ido.
A estante que estava esquecida na garagem, toda lixada e recuperada por mim e pelo meu pai,
os livros de Vergílio Ferreira já no meio de tantos outros, o chão sem alcatifa e com a madeira bem afagada.
Que dizer? Caos novamente. Aqui vê-se melhor o relógio e a serigrafia de Vergílio Ferreira,
que hoje está cá em casa. A fotografia do navio Creoula e da loba Aurora junto à janela, e na cadeira,
no meio da confusão, a samarra alentejana que era do meu pai e que hoje ainda por vezes uso.  
Cono já não estudava, deixou de ser necessária uma mesa tão grande e apareceu uma camilha. Por cima
da estante, ramos de oliveira que trouxe de Florença e uma fotografia do dia em que terminei o curso.
Mais uma coisa: este quarto, um dos maiores da casa, já tinha sido dos meus pais e, depois de eu ter saído, passou a ser do meu irmão. As voltas que uma casa leva com as reviravoltas de uma família...

6 de abril de 2013

Hoje, novo encontro nostálgico

De novo com a nossa professora primária de há 30 anos, que vamos levar a conhecer o Pavilhão Chinês, e com a educadora de infância do meu irmão.

3 de abril de 2013

Os quadros do Avô João

Há uns dias, publiquei aqui uma imagem de Lisboa concentrada, com uma série de locais simbólicos da cidade todos concentrados num único cenário. Na altura disse que o meu avô paterno tinha, no início dos anos 80, feito algo do género mas a tinta-da-China e para mim com muito mais valor. Ei-lo, então. Aquilo que o meu pai chama «O meu objeto mais valioso»:


Nele podemos ver Alfama, a Sé, as ruínas do Carmo, o aqueduto das àguas Livres, o Panteão, o Terreiro do Paço, o castelo de S. Jorge, a Casa dos Bicos, a ponte 25 de Abril, uma sugestão de edifícios modernos... E outros símbolos de Lisboa, como a calçada portuguesa, os azulejos na parede, as roupas estendidas, as escadinhas, as igrejas, um cacilheiro, o Santo António e até uma quadra de Camões («E tu nobre Lisboa / Que no mundo, / Fàcilmente das outras / És princesa.».) Reparem ainda no pormenor no canto superior direito, em que se vê um delicioso Sol um tanto ou quanto psicadélico.

E não resisto ainda a publicar este, representando a tomada de Lisboa por D. Afonso Henriques, em que no canto inferior esquerdo já se vê um estudo do que veio a ser depois o quadro lá de cima:

























Já disse que gostava de ter conhecido muito melhor este meu avô? Sim, já disse.

25 de março de 2013

E em dia de recordações...

... a ligação direta ao blogue Uns têm filhos, nós temos avós, onde os avós da Vespinha tiveram ontem lugar de destaque:

De recordar


O meu pai não gosta de ver fotografias antigas, nem mesmo de nós em crianças, porque apercebe-se de que são tempos que já não voltam. E eu, às vezes, também não gosto, depende dos dias e se estou para aí virada

Mas a verdade é que são um dos poucos meios que temos para poder voltar a ver aqueles que já não estão aqui ao nosso lado. E como eu gostava de ainda poder sentir o seu cheiro e de ouvir as suas vozes...

6 de março de 2013

Olh´ó meu antigo carrinho já à venda!


Mais pormenores e o preço aqui, na Estorilmotor, de onde trouxe o C30. Confesso que me assaltou uma certa nostalgia, mas continuo contente com o novo.

15 de fevereiro de 2013