Há uma semana,
esta história de Maria João Bastos comoveu e revoltou quem, como eu, adora animais. Segundo a atriz, uma simples destartarização à sua cadela acabou em morte, por motivos ainda inexplicáveis mas que apontam para negligência veterinária.
Não estou aqui para comparar negligência médica com negligência veterinária, estou aqui para falar desta última. Porque é negligência na mesma, mau tratamento ou tratamento descuidado de um ser vivo cuja vida e bem-estar depositámos nas mãos de alguém. Alguém esse que não só não se preocupou quando o caso se agudizou como não assumiu responsabilidades. Alguém esse que trabalha numa clínica especializada e que se faz pagar bem.
Não posso deixar de falar do Hospital Veterinário Vasco da Gama, onde a situação ocorreu, porque também eu tenho um caso para contar, substancialmente menos grave mas que poderia ter tido péssimas consequências.
O ano passado recorri a este hospital para fazer análises às minhas gatas, uma vez que como tinha um seguro para elas me ficaria um pouco mais barato. Fez-se as análises e trouxe-as, para depois as mostrar à minha veterinária que as tinha pedido. Mas antes, em casa, lembrei-me de as comparar com as do ano anterior, e nas da TT encontrei um valor igual. E depois outro. E outro ainda. Verifiquei então que as análises, apesar de terem uma data atualizada, se referiam todas a 2014. Liguei para lá e, com a maior leveza, só me explicaram que tinha havido um engano na impressão e que iriam imprimir as atualizadas. Agora pergunto-me:
- como é que se imprime análises de 2014 com data de 2015?
- e se eu não tivesse feito a comparação e tivesse simplesmente confiado nos valores que me entregaram?
- e se os verdadeiros valores revelassem algum problema e nunca disso nos apercebêssemos?
Lidar com animais não pode ser só um negócio, mas algumas clínicas ainda pensam que sim. Que se se enganarem, paciência. Que é só um bicho. Que não podem ser responsabilizados por não estarem a lidar com pessoas. Mas podem e devem. Todos devemos ser responsabilizados pelas nossas ações. E quando se trata de seres vivos mais ainda.
Nota: Não posso terminar sem agradecer o acompanhamento veterinário que os meus bichos têm já há uns anos, na
Clínica do Animal. Onde há seres humanos a tratar de seres vivos, preocupando-se todos os dias.