14 de setembro de 2017

O que sabemos do amor, de Raymond Carver

Este livro é a versão integral de outro mais conhecido, De que falamos quando falamos de amor. Nesse, mais de cinquenta por cento do original dos 17 contos tinha sido cortado pelo editor, e a verdade é que esses cinquenta por cento deviam fazer falta, pois nesta versão não se sente que haja nada a mais.

Ao seu estilo, Carver retrata em cada conto vidas de pessoas normais com problemas normais, mas sempre com um toque de bizarria e sempre vivendo em tristes subúrbios norte-americanos. Pescadores, pessoas que bebem por lazer ou por necessidade, jogadores de bingo e tantos, tantos outros anónimos. Há conversas, muitas, e relativamente poucos acontecimentos, mas necessários, porque dão origem às ditas conversas.

Carver morreu muito novo, com apenas 50 anos, não tendo tipo para escrever além dos contos, mas teria muita curiosidade em saber como seria um romance escrito por ele. É que cada conto tem pano para mangas.

12 de setembro de 2017

Pedra branca, o produto milagroso

Graças a uma amiga, descobri este produto maravilhoso que tenho de partilhar. Chama-se pedra branca, vende-se em boiões de 500 g ou 900 g (e também em baldes de 3,5 kg) e é uma espécie de pasta rija. Retira-se um bocado com um pano húmido e limpa-se o que se pretende. É milagroso.

Eu limpei pratas (imagens abaixo), a borracha de uns ténis, calcário do inox e ainda a placa vitrocerâmica que tinha algo agarrado que não saía por nada. Tudo num abrir e fechar de olhos.


11 de setembro de 2017

Ser mãe de gémeas é... #39

... descobrir dois novos dentes na Maria, ir verificar a boca da Luísa e encontrar os mesmos dois dentes a despontar.

8 de setembro de 2017

Tão pequeninas e já começam com isto

Sobretudo o primeiro caso. Quando estão zangadas, basta uma tocar na outra para começar um berreiro desgraçado.


6 de setembro de 2017

The girl before, de JP Delaney

Jane encontra a sua casa de sonho, uma casa hiper minimalista, com assinatura de arquiteto, mas que exige o cumprimento de uma longa lista de regras para quem a alugar, como a total ausência de livros, almofadas, fotografias ou outros objetos pessoais. Jane aceita-as todas e passa todos os testes essenciais para a habitar.

Pouco tempo depois, descobre algo que não a vai deixar descansar: que a inquilina antes dela morreu num acidente doméstico na casa, além de ter com ela uma grande quantidade de coisas em comum. Incluindo uma relação recém-iniciada com o arquiteto da casa.

O livro é narrado a duas vozes e em dois tempos: o presente, com Jane, e o passado, com Emma. E só mesmo no fim descobrimos toda a verdade, sem nunca suspeitarmos de nada. 

Nota: O livro existem português com o título A rapariga de antes, publicado pela Suma de letras. E, pelo que li, o filme está em preparação. Promete.
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4 de setembro de 2017

Miramar, de Naguib Mahfouz

Miramar é uma pensão em Alexandria, habitada pela sua dona, a madame Mariana, por Zohra, a criada fugida da vida no campo e de um casamento indesejado, e por cinco hóspedes, todos homens: Amer Wagdi, Bey Marzuq, Sarhan el Beheiry, Hosny Allam e Mansour Bahy.

Amer é um velho jornalista, que vai para a pensão com a intenção de aí viver em sossego os seus últimos dias. Aí, trava uma relação de amor-ódio com Marzuq, também já idoso, proprietário na falência extorquido de todos os seus bens. Os restantes três são todos jovens: Beheiry é contabilista, Hosny Allam procura ideias para abrir um negócio e Mansour Bahy é locutor numa rádio local. Aos cinco une-os Zohra, uns atraídos por ela, outros que dela querem ser protetores e outros ainda que querem aproveitar-se da sua inocência.

A pensão é palco de encontros fortuitos, mas também de barulhentas discussões, além de visitas inesperadas, num vaivém que dela faz tudo menos um local sossegado. Um livro interessante mas que não fica nos meus inesquecíveis, apesar de escrito por um Nobel da Literatura.

3 de setembro de 2017

1 de setembro de 2017

Ser mãe de gémeas é... #38

... passar as férias com saudades do "sossego" do trabalho mas depois ficar com dois buracos no coração quando elas passam uma noite longe de mim.

9 de agosto de 2017

Nós, os afogados, de Carsten jensen

Muitas vezes, nos livros de palavras cruzadas, encontramos a pista: «Estilo de romance nórdico», e a resposta é «Saga». Pois é mesmo de uma saga que este livro se trata, escrito pelo dinamarquês Carsten Jensen e que já se tornou um clássico.

Nós, os afogados é a história da cidade portuária de Marstal situada numa ilha dinamarquesa, retratada ao longo de século e meio e abrangendo quatro gerações. Gerações de homens marinheiros, primeiro pescadores e depois comerciantes, mas também gerações de mulheres sós, as que ficam em terra sem possibilidade de enterrarem os filhos, maridos e irmãos que morrem no mar.

Com início em 1848, quando Laurids Madsen vive o auge da sua vida de marinheiro, a história passa depois para Albert, seu filho, que depois de encontrar o pai e de viver no mar se torna armador. E deste para o seu protegido Knud Erik, que acaba por ver nascer o filho em alto mar. Pelo meio, muitos naufrágios, muita fome, muita sede, muita chuva, muito sol e muita morte. Tudo com um realismo incrível, que em quase 800 páginas nos leva para um mundo muito próprio mas fascinante e que grande parte de nós desconhece.

2 de agosto de 2017

Explosão de cor








Os desenhos em si não têm nada de especial, a não ser uma extrema simplicidade e uma sensação de calma. Valem sobretudo pelas cores, sempre alegres e contrastantes sem causarem ruído. São pintados por Cathy Horvath e vendidos no seu site, com preços entre os $200 e os $400 para os quadros originais e $12.50 as reproduções. Vale a pena espreitar.

31 de julho de 2017

26 de julho de 2017

Aos Avós das minhas filhas...

... os meus Pais, que tão bem contribuem para fazer delas crianças felizes.

A Vovó à esquerda, o Vô Jão à direita.

21 de julho de 2017

Nós os quatro, quatro dias

O meu Pai, eu, a minha irmã e o meu irmão, numa viagem planeada pelo meu Pai para conhecermos parte das nossas raízes e, sobretudo, para estarmos os quatro juntos. A Terceira será a nossa casa, aquela que já o foi dos nossos antepassados.


Nota: As bebés ficarão muito bem entregues com a minha Mãe, que faz jus à expressão de que uma avó é duas vezes mãe.

20 de julho de 2017

Um ano

É sensivelmente o que me separa da próxima ressonância magnética e da próxima consulta de seguimento do que me sucedeu o ano passado no dia a seguir ao parto. Tendo em conta que no último ano o controlo era de seis em seis meses e de que os últimos exames não revelaram qualquer alteração, é um ano para respirar fundo. E tentar dissipar um pouco esta nuvem que às vezes paira por cima da minha cabeça.

13 de julho de 2017

Cuidar dos vivos, de Maylis de Kerangal

Simon tem 19 anos, é um jovem ativo, faz surf e gosta de se divertir. Numa madrugada bem cedo, ao regressar da praia com os amigos sem o cinto de segurança colocado, um acidente mergulha-o num coma profundo e irreversível de que nunca acordará. É a morte cerebral, em que o corpo vive mas a cabeça já não.

Este livro, passado em 24 horas (a contar mais ou menos da hora do acidente) debruça-se sob o tema da doação de órgãos e de como é difícil propô-la a alguém e, do outro lado, aceitá-la. A partir das 17h30, quando os pais finalmente dão o sim ao transplante do coração, pulmões, rins e fígado, uma engrenagem entra em funcionamento, para salvar quatro vidas espalhadas por França. Dá-se início à preparação do jovem, à vinda dos cirurgiões, à retirada dos órgãos e finalmente, às 23h50, à paragem do coração, o último órgão a ser retirado e o primeiro que terá de ser implantado, logo na madrugada que se seguiu ao acidente.

A autora consegue descrever de forma direta e precisa todos os procedimentos, ao mesmo tempo que de modo exemplar penetra nos pensamentos dos médicos, dos pais de Simon e até da recetora do coração, numa série de considerações que qualquer um de nós faria nas mesmas circunstâncias. Um livro bem duro mas muito bom.

Nota: Sei que o livro foi passado a filme, tendo estado até há muito tempo nos cinemas. Infelizmente já não o consegui apanhar, mas deixo aqui o trailer.


12 de julho de 2017

E a história repete-se

Disse-me a minha Mãe que em pequenos tivemos um brinquedo igualzinho, oferecido pela minha avó paterna, a Avó Luisa, e agora é a minha Mãe que a oferece às minhas filhas. É da Tupperware, a bola de atividades Shape-O, comercializada com a mesma forma há mais de 50 anos. E de facto, quando abri a caixa, algo na minha memória apitou. Só desejo que contribua para trazer às minhas filhas uma infância tão feliz quanto a que eu tive.

11 de julho de 2017

Quando a vida é madrasta (das más)


Além de questões do foro muito privado que se prolongam desde há mais de uma semana, nos últimos dias dois acontecimentos estão a marcar a minha vida.

O primeiro é o caso da mulher de um amigo a quem foi diagnosticado um síndrome raro que faz com que as suas artérias sejam muito finas. Após tentarem «desentupir» as carótidas, a artéria ilíaca dissecou, gerando uma hemorragia que obrigou a uma intervenção cirúrgica de emergência. A que se seguiu um AVC de que todos os dias havia notícias piores, com lesões supostamente graves. Esteve quatro dias em coma induzido, acordando ontem e, apesar de tudo, reconhecendo as pessoas e conseguindo alguma interação. A três dias de fazer a ressonância que verificará o meu estado de saúde após o que me sucedeu o ano passado, não consigo tirar isto da cabeça, além da preocupação com ela e com a família.

O segundo é o caso de uma amiga da minha Mãe, doente oncológica com as coisas a correrem não muito bem mas que reage de uma maneira fabulosa, celebrando todos os dias da sua vida. Conheci-a este fim de semana, uma mulher linda e elegante de 67 anos com uma pele sem rugas de rapariga de 30, com um sorriso tranquilo e tranquilizador.

Ponho-me a pensar em que lugar terrível preferia estar se tivesse de escolher. E não tenho dúvidas.

7 de julho de 2017

Amigos amigos, telemóveis à parte

Gosto muito de filmes italianos, e quando li a sinopse deste ainda me pareceu mais apetitoso. Um grupo de sete amigos (três casais e um divorciado) reúnem-se para jantar e, por brincadeira, decidem fazer um «jogo»: durante a refeição, que é longa como se quer em Itália, todos os telemóveis ficam em cima da mesa e todas as mensagens, chamadas e whatsapps a entrar serão lidos ou ouvidos em alta voz.

As primeiras comunicações a entrar são inofensivas, até que, num intervalo da refeição, um dos amigos pede ao divorciado para trocarem de telemóvel (sim, são iguais, ambos iPhones) porque vai receber uma mensagem de uma «amiga» que recebe todos os dias. Só que os telemóveis mantêm-se trocados e as revelações começam. Não apenas relações extraconjugais (reais ou virtuais), mas também outros assuntos particulares que guardamos só para nós. As «caixas negras» que todos carregamos abrem-se mais do que deviam e revelam que todos temos segredos, mais ou menos profundos.

A grande parte do filme passa-se no mesmo espaço cénico, a casa dos anfitriões, e quase em tempo real (o tempo que demora o jantar), o que torna a trama ainda mais tensa mas também mais cómica. No fim, amigos de longos anos revelam-se perfeitos desconhecidos, no fundo o título original do filme («Perfetti Sconosciuti»). Uma e hora e meia bem passada.