11 de maio de 2018
10 de maio de 2018
A morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstoi
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Ao longo dos meses, à medida que a doença progride e que as dores aumentam, Ilitch vai ficando cada vez mais angustiado, ora fingindo que a dor não está ali, ora não conseguindo contorná-la e refletindo sobre o que foi a sua vida e as decisões que tomou. Também a aparente ligeireza com que a família encara a maleita o faz sofrer, como se a sua dor tivesse de ser ainda mais solitária. E é só quando a família finalmente se rende às evidências que Ilitch sossega, na expectativa de deixar de ser o estorvo que se sentira nos seus úlimos dias.
A acompanhar este conto na edição da Alêtheia vem «O diabo», a história de um jovem herdeiro de propriedades agrícolas que a dada altura se vê na necessidade de casar e fazer família. Só que o Diabo está à espreita, e aquilo que lhe parecia ser algo remetido para o seu passado torna-se na sua obsessão no presente e na sua desgraça no futuro.
Dois contos clássicos que vale a pena ler.
9 de maio de 2018
8 de maio de 2018
3 de maio de 2018
30 de abril de 2018
Barbies inspiradoras
Partindo do facto de que muitas vezes as Barbies são modelos seguidos por muitas das crianças que brincam com elas, a Mattel criou as coleções «Mulheres inspiradoras» e «Sheroes»: são 19 ao todo, reproduzindo cientistas, ativistas, atletas, bailarinas, atrizes, jornalistas, conservacionistas, artistas...
Três das mais conhecidas:
Podem saber mais aqui.
Três das mais conhecidas:
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| Frieda Khalo, artista mexicana. |
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| Amelia Earhart, pioneira da aviação. |
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| Katherine Johnson, física e matemática da NASA. |
27 de abril de 2018
Este tópico é só para a TT...
Em finais de 2015, a atenção foitoda para a Vespinha, que teve de ser operada aos tendões com a consequente complicada recuperação.
Meses depois, em abril de 2016, viu a casa invadida por escadotes, pladures e latas de tinta que alteraram radicalmente todo o espaço, nomeadamente o quarto onde ela costumava dormir.
Em finais de junho do mesmo ano, entraram dois novos seres em casa, seres a fazer barulho e a precisar de atenção a quase 100 por cento, além de ter uma dona a funcionar a uns 10 por cento e de ter de ter gente estranha 24 horas em casa durante 2 meses. Seguiram-se meses dos novos seres cada vez mais ativos, primeiro a rastejar, depois a gantinhar e finalmente a andar.
Em novembro de 2017 ficou mais uma vez sem a atenção a que tem direito, com o início dos problemas de saúde da Vespinha que culminaram na sua partida no dia 17 de março de 2018.
Quase 3 anos, portanto, sem ser a TT que já tinha sido. Há umas semanas, voltou a ir esperar-me à porta sempre que chego, rebolando pelo chão da cozinha. Dorme de novo sempre comigo. Está à minha espera quando saio da banheira. Acompanha-me quando estou a tratar das miúdas no quarto. Resumindo, está quase presente a 100 por cento.
Apesar dos seus quase 15 anos, que São Cristóvão nos ajude a que possa disfrutar de mais uns anos saudável na nossa companhia. Ela merece.
23 de abril de 2018
Hoje é Dia Mundial do Livro e se só puderem escolher um...
... recomendo um destes (clicando sobre cada um podem comprá-o na Wook com descontos variáveis):
A história de uma serva, de Margaret Atwood (€18,80 - 20% de desconto) - Esta
é uma distopia que poderia, com uma certa facilidade, tornar-se numa
realidade, e temos na História exemplos disso, como a mudança de
estatuto da mulher no Irão após a revolução islâmica em 1979.Aqui tudo se passa em Gileade, um estado teocrático e fundamentalista que antes era os Estados Unidos da América. A transição não foi complicada, tudo muito bem preparado e de forma quase básica, de modo que em poucos anos as mulheres são reduzidas à tarefa de conceberem filhos para casais inférteis (as Servas), de formarem as Servas (as Tias), de servirem todos os outros (as Martas) ou de esperarem que as Servas concebam por si (as Esposas). Tudo num ambiente que nos remete para a Idade Média, no vestuário e nos cenários.
A forma asfixiante como as mulheres vivem é-nos narrada por uma Serva, de que nunca chegamos a saber o nome real, mulher que no “antigamente” teve uma vida “normal”, um emprego, um marido, uma filha.
É um livro violento, muito, com algumas cenas verdadeiramente nauseantes que não vou contar para não estragar o prazer desta leitura.
Muito bom. Pelo enredo em si, inacreditável mas que até pode suceder, pela forma como é narrado, com recorrentes flashbacks a outros tempos, pela capacidade quase cinematográfica de contar uma história. Não lhe mudava absolutamente nada.
E agora preparo-me para assistir a «A handmail’s tale», série feita a partir do livro e que já se está a tornar de culto.
Arranha-céus, de J. G. Ballard (€16,99 - 20% de desconto) - Este arranha-céus fica nos arredores de Londres dos anos 70 e foi
pensado pelo arquiteto para ter todas as comidades integradas: lojas,
piscinas, uma escola... 45 andares ao estilo das unidades de habitação
de Le Corbusier. Este edifício alberga habitantes bastante heterogéneos,
dos artistas e empresários que vivem nos andares superiores às famílias
modestas que habitam os andares inferiores.E é aqui que começam os
primeiros problemas.Gradualmente, o ar condicionado vai deixando de funcionar, o lixo vai-se acumulando nas condutas, os elevadores param um após o outro. E, aos poucos, todos os pisos vão sendo vítimas de vandalismo por parte dos próprios habitantes. Estes, em vez de abandonarem o edifício, sentem-se presos a ele, entrando num estado de barbárie onde se vive o salve-se quem puder e onde o que interessa é a pura sobrevivência.
Um livro catastrofista mas que reflete uma boa parte da sociedade atual, não apenas pela caracterização das personagens, mas também pelas situações limite que vivem. Venham mais livros deste autor.
Canção doce, de Leila Slimani (€16,90 - 10% de desconto) - Precisam de um livro que vos agarre bem a sério e que à noite vos
obrigue a dormir um pouco menos para ler um pouco mais? É este. Sessenta
páginas por noite foi a minha média (hoje em dia só consigo ler já
depois de me deitar), o dobro ou o triplo do que costumo ler.Leila Slimani é uma jovem escritora franco-marroquina (tem apenas 35 anos) que, com este Canção doce, ganhou o Prémio Goncourt 2016, que premeia livros de que gosto quase sempre.
Este livro começa pelo final, pelo assassínio de duas crianças pela ama que cuidava delas. Mas já sabendo o final, vamos querer saber o que levou a ele, e aqui deparamo-nos com Louise, uma mulher praticamente sem vida própria que se agarra à vida das pessoas para quem trabalha. À medida que as páginas avançam, Louise vai-nos sufocando cada vez mais através da sua intromissão naquela família que a ela recorreu para que a mãe possa ser também uma profissional.
Não é um livro policial, nem um thriller, mas antes uma análise à vida dos nossos dias, em que trabalhar e ter filhos se torna um desafio e que nos leva a tomar decisões que nem sempre são as melhores. Gostei muito.
Em resumo: numa pequena cidade italiana, um rapaz de 13 anos mora sozinho com o pai, um desempregado neonazi que vive de biscates, depois de a mãe os ter deixado. O pai tem dois amigos, um com problemas mentais e neurológicos obcecado por uma personagem de um filme porno, e outro também abandonado pela mulher depois de a filha ter morrido com uma tampa de champô entalada na garganta. Todos desempregados que um dia planeiam roubar uma caixa multibanco. Só que na noite combinada cai um temporal daqueles, que muda tudo.
Eu sei que parece tudo um bocado exagerado e até «faca na liga». Mas ao ler Como Deus manda, de Niccoló Ammaniti, parece tudo extremamente real. Tal como na vida real, as coincidências acontecem. E, tal como na vida real, muitas vezes as personagens sentem simultaneamente amor e ódio pelo próximo.
Ganhou o Prémio Strega, o mais importante prémio literário em Itália, onde a produção literária é muita e boa. Prémio também já atribuído a escritores como Alberto Moravia, Primo levi, Sebastiano Vassalli, Sandro Veronesi e Umberto Eco. Acho que não é preciso dizer mais nada.
A sala de vidro, de Simon Mawer (€5 - 20% de desconto) - Uma casa moderníssima construída na Checoslováquia nos finais dos anos
20 por um arquitecto conhecido. A família que a encomendou e que a
habitou durante 10 anos até ter de a trocar pelos EUA para fugir da
perseguição nazi. Nos anos 40, a instalação de um laboratório de
biometria para medir cores de pele, olhos e cabelo, estruturas ósseas,
formas de maxilares, em busca do tipo judeu. No pós-guerra, a instalação
de um centro de fisioterapia para crianças vítimas de poliomielite. Nos
anos 60, a conversão em museu per si.
O livro de Simon Mawer narra de modo genial e cativante a história de
uma geração através da história da «sala de vidro» e das pessoas que por
lá passaram. A Casa Landauer fascinou-me, imaginei-a noites a fio
(talvez por gostar tanto de arquitectura mas acho que não só...), os
vidros enormes que desciam e abriam a sala para o jardim em declive, a
parede de ónix, as colunas em aço que sustinham todo aquele espaço.
Entretanto descobri que a Casa Landauer é de facto a Casa Tugendhat, de Mies
van der Rohe. Situa-se em Brno, na actual República Checa, e mantém hoje
praticamente as mesmas características de há 80 anos: moderna,
espaçosa, luminosa. Grande parte do romance foi imaginado (apesar de a
fuga da família ter sido real), mas a casa é descrita de modo exemplar.
19 de abril de 2018
São de extremos, as miúdas.
Reunião ontem na escola, a intercalar a meio do ano para falar mais a fundo das pirralhas. Não sei se ria se chore. Veredicto repetido várias vezes:
Estou tramada.
Elas são extremamente inteligentes mas também muitíssimo temperamentais.
Estou tramada.
18 de abril de 2018
O mundo em ponto pequeno
Desde o dia 20 de abril de 2011 que, todos os dias, Tatsuya Tanaka publica uma fotografia no seu Miniature Calendar. Em todas, conjuga objetos do dia a dia com bonecos em miniatura, recriando as mais variadas situações. E para isto é preciso olhar para as coisas de uma perspetiva totalmente diferente.
Estes são apenas alguns exemplos. Para ver o calendário todo, clicar aqui.
Estes são apenas alguns exemplos. Para ver o calendário todo, clicar aqui.
17 de abril de 2018
Um mês sem a Vespinha...
... e tantas, tantas recordações delas com as miúdas. Era a sua guardiã nos primeiros tempos. Saudades desta paz.
16 de abril de 2018
Blue pills, de Frederik Peeters
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Depois de alguns encontros e desencontros ao longo dos anos, Frederik e Cati envolvem-se numa relação muito próxima, assombrada por algo de que nunca se livrarão (mas de cujo peso se libertarão): Cati e o filho de quatro anos são seropositivos. Apesar de estarem estáveis, o vírus está entranhado nas suas vidas, condicionando uma boa parte delas.
Apesar de ter um traço um pouco rude, Peeters transmite muito bem as emoções patentes nas personagens que são também a sua vida, pois a obra é autobiográfica. Vemos o amor na sua cara, vemos o medo, o cansaço e a preocupação no olhar de Cati, vemos a inocência na expressão do miúdo. E quase conseguimos ouvir os seus berros quando se assusta, ou o barulho da tesoura quando Cati corta o cabelo a Frederik enquanto conversam.
É uma história muito bonita, que tem ainda o poder de nos ensinar imenso, desmistificando as limitações que julgamos que o VIH impõe e abrindo horizontes para uma vida normal.
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