6 de fevereiro de 2018

Murros no estômago

Seria assim que classificaria este tipo de campanhas publicitárias, a que ninguém consegue ficar indiferente.

Contra o tabagismo junto de crianças.
Sobre quem pode estar do outro lado de um teclado.
Sobre enviar e ler sms enquanto se conduz.

Sobre a violência doméstica.
Sobre a partilha de imagens nas redes sociais.
Sobre a produção crescente de resíduos.

5 de fevereiro de 2018

Proibido!, de António Costa Santos

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Tinha grandes expectativas em relação a este livro, algumas das quais não se cumpriram. Não posso dizer que não gostei, porque encontrei muitas coisas curiosas (a proibição de usar isqueiros, por exemplo, para animar a indústria fosforeira, ou a proibição de jogar às cartas no comboio). Mas também passei por outras que não me espantaram, como a proibição de publicar e ler/ver alguns livros ou filmes, ou de as mulheres irem à igreja com a cabeça descoberta. Nestes casos, o interesse vai mais para os motivos que levaram a essas proibições do que às proibições propriamente ditas.

Curioso, para mim, foi saber das «proibições» atuais, as que o são e as que não o são. Conduzir em tronco nu e de havaianas dá direito a multa? Pois não dá, tal não está escrito em qualquer passagem do código da estrada. Plantar árvores de fruto ou plantas que se possam usar na alimentação no cemitério? Em Borba é proibido. E em Pampilhosa da Serra, os comerciantes do mercado não podem «estar deitados ou sentados sobre as bancas, ou sobre os géneros expostos à venda». Coisas que não lembram ao diabo!

Em suma: é interessante mas podia ter ido muito mais longe, quer nas proibições de outros tempos quer nas atuais.

1 de fevereiro de 2018

Domino's Pizza, chega

Chega de demorarem uma eternidade a fazer entregas, com o cliente sempre sem saber se vai ou não conseguir jantar. É que as entregas em casa são supostamente para ter comodidade, e não para criar ansiedade.

Chega de se desculparem de que o site não acompanha a evolução da encomenda. Se não acompanha, retirem de lá a barra de status, assim pelo menos não criam falsas expectativas.

Chega de cada vez porem menos quantidade de ingredientes nas pizas, até quase parecer ridículo. A piza Festim de queijos passou de uma festa a uma lástima. E fria e seca, ainda por cima.

Nenhuma promoção de 50% de desconto justifica isto. E há mais pizarias na Terra. Acabou.

31 de janeiro de 2018

Sobre a morte e o morrer, de Walter Osswald

Apesar do nome alemão, o autor deste livro é bem português, nascido no Porto em 1928. Walter Ossald é médico e especialista em Bioética, reconhecido pelo seu humanismo.

Neste livro, aborda-se sobretudo os modos de morrer nos nossos dias, a morte solitária e assética, muitas vezes em contexto hospitalar, a morte que muita gente não quer reconhecer como inevitável. Fala-se de suicídio assistido, de cuidados paliativos, de eutanásia, de distanásia (prolongamento forçado da vida), de fé e espiritualidade, do testamento vital. Tudo de uma forma muito clara e objetiva, acessível a qualquer pessoa minimamente interessada no assunto.

Uma leitura muito enriquecedora até para quem, como eu, quase se recusa a aceitar a inevitabilidade da morte.

30 de janeiro de 2018

A hora mais negra, de Joe Wright

Com o favoritismo que rodeia Gary Oldman na corrida para os Óscares, e por gostar bastante do ator, tinha de ver esta A hora mais negra, em que Oldman parece tudo menos Oldman.

O filme foca-se em 1940, quando Churchill, contra a vontade de muitos, é nomeado para Primeiro-Ministro britânico e tem de lidar com a pressão para negociar com Hitler um acordo de paz. Como sabemos hoje, Churchill sempre se bateu pela manutenção da liberdade e independência do seu país, custasse o que custasse.

Além de ficarmos a conhecer os meandros da política britânica no início da guerra, com as suas fações contra e pró conflito, eu fiquei também a conhecer uma faceta de Churchill que desconhecia: o seu sentido de humor. Shame on me, pois apercebi-me agora de que era uma das suas características mais conhecidas.

Gary Oldman está mais uma vez excelente (aliás, não me lembro de alguma vez não ter gostado de um das suas interpretações), conseguindo com o seu olhar (já que toda a restante fisionomia teve de ser alterada) transmitir tudo o que ia na alma do político. Não conheço a prestação dos outros nomeados (apesar de querer muito ver Daniel Day-Lewis, em Linha fantasma), mas parece-me que tem fortes hipóteses de ganhar a estatueta.

29 de janeiro de 2018

Manteiga com cristais de flor de sal

Tão, mas tão boa... E sentem-se os pequenos cristais de sal a estalar na boca. Para comer com moderação, mas pelo menos para provar.

24 de janeiro de 2018

O meu novo vício: Goodreads

Já tinha conta no Goodreads há uns anos, mas nunca tinha usado a comunidade a sério. No Goodreads também temos uma «rede» de amigos, mas são todos leitores, cada um com os seus gostos. Podemos adicionar os livros que já lemos, catalogá-los em prateleiras pessoais, classificá-los com estrelas, escrever uma crítica, registar a data em que o começámos e acabámos de ler...

Com base nos dados que introduzimos, é-nos devolvida uma quantidade de informação: sugestões de outros livros com base nos nossos gostos, um top dos autores de que mais gostamos, críticas escritas pelos nossos amigos e por leitores de todo o mundo.

Ler torna-se também um desafio: porque podemos ir registando a página em que vamos de um livro, acompanhando o progresso da leitura, e porque podemos desafiar-nos a nós próprios, estabelecendo uma meta de livros a ler por ano. Este ano proponho-me os 35, uma vez que o ano passado li 33. Dois já lá vão.

E por aí, há mais alguém que se queira juntar à comunidade?

23 de janeiro de 2018

Segredos obscuros, de Hjorth & Rosenfeldt

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Aqui está uma série muito interessante concorrente da saga Millenium de Stieg Larsson: a série Sebastian Bergman, também passada na Suécia e que também explora os recantos mais escondidos da maldade humana.

Os currículos dos autores da série prometem: Michael Hjorth é responsável pelos guiões de alguns filmes da série Wallander, de Henning Mankell; Hans Rosenfeldt é o criador da série sueca "Bron"("The bridge").

Sebastian Bergman, o protagonista dos livros, é psicólogo e profiler para a polícia, dando apoio na construção dos perfis dos assassinos. É também uma homem amargurado, que recorre ao sexo para mitigar o sofrimento pela perda da mulher e da filha no tsunâmi de 2004.

Neste Segredos obscuros, a busca é pelo assassino de Roger Eriksson, um jovem de 16 anos encontrado morto sem o coração num pântano. O livro leva-nos por vários caminhos, sugerindo vários culpados e infletindo caminho quando achávamos que já o tínhamos descoberto. Uma técnica que não é nova mas que é muito bem utilizada.

22 de janeiro de 2018

Ser mãe de gémeas é... #47

... deitar duas crianças e meia hora depois ainda estar a ouvir isto através da porta fechada do quarto:

19 de janeiro de 2018

Três cartazes à beira da estrada, de Martin McDonagh

Mildred Hayes perdeu a filha, violada e assassinada numa estrada muito perto de casa. Sete meses depois, sem resultados nas investigações, decide alugar três cartazes à beira da estrada alertando para a inércia da polícia. E são estes cartazes que desencadeiam (ou parecem desencadear) uma série de acontecimentos violentos na pequena cidade de Ebbing.

Os atores estão excelentes (sobretudo Frances McDormand, no papel da duraMildred, e Sam Rockwell, no papel do básico polícia Dixon) e o ambiente é o dos filmes passados em pequenas cidades do interior norte-americano cujo sossego é agitado por um crime.

O filme é classificado como comédia negra, mas pessoalmente não o consigo classificar. É um filme carregado de violência, mas tem muitas situações (e personagens) caricatas e humor negro pelo meio.

Três cartazes à beira da estrada já ganhou quatro Globos de Ouro (melhor atriz, melhor drama, melhor ator secundário e melhor argumento), e parece-me um bom candidato aos Óscares. Se bem que, depois de Manchester by the sea ter ganhado o ano passado o Óscar de melhor argumento original, é provável que a Academia queira premiar outro género.

18 de janeiro de 2018

Diários de uma sala de aula

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Numa época em que tanto se fala de professores e de alunos, do que se passa nas escolas e do que não se devia passar, este livro é uma boa abordagem ao tema. Duas professoras, quatro alunas e uma mãe partilham connosco o seu diário escolar.

As professoras escolhidas parecem-me ser daquelas professoras exemplares, com verdadeiro amor à camisola e que prescindem de grande parte do seu tempo pessoal para se dedicarem ao ensino e aos alunos. Não retratarão toda a classe docente, mas quero acreditar que representem uma grande parte. Atravessa os seus diários uma certa angústia relativamente ao sistema educativo e ao Ministério da Educação, além da preocupação com os seus alunos.

Já as alunas queixam-se sobretudo dos professores, daqueles que debitam a matéria sem qualquer interesse em quem têm à frente. Também elas não serão o exemplo dos estudantes portugueses, até porque uma boa parte não conseguirá fazer as reflexões que fazem, mas muito do que dizem parece-me ser transversal à maioria.

A mãe de duas filhas, residente nos Estados Unidos, faz uma boa comparação entre aquele sistema de ensino e o português. Se por um lado tudo é mais organizado e mais participativo (com os pais a terem um papel muito presente na escola), por outro a exigência na área dos conhecimentos é bem menor.

Como já disse, nenhuma destas pessoas é representativa do seu grupo social, mas conseguem ainda assim apresentar-nos um bom retrato do que se passa nas salas de aula e nas escolas portuguesas.

16 de janeiro de 2018

12 de janeiro de 2018

O grande showman, de Michael Gracey

Desde La la land que não via um musical, e confesso que desse não gostei muito. Os "meus" musicais são Moulin Rouge e Mamma mia. E, agora, este. Talvez pelo ambiente mágico um pouco ao estilo de Moulin Rouge. Talvez pela histeria um pouco ao estilo de Mamma mia. Talvez pelas músicas que não me deixaram parar de dar à perna.

Baseado numa história real, a de P. T. Barnum, um dos precursores do showbiz na América do Norte do século XIX, o filme conta a forma como tudo começou, depressa passando para o crescimento do negócio. O circo criado por P. T. Barnum (Hugh Jackman) é na verdade um freak show, povoado de pessoas diferentes: o anão, o gigante, o rapaz-cão, a mulher barbuda... Mas Barnum não se contenta com sucesso entre as massas, ele quer ser reconhecido pela alta sociedade e isso pode tornar-se na sua ruína.

Aquilo de que gostei menos foi da interpretação de Hugh Jackman. De resto, gostei de tudo: da fotografia, da banda sonora, das coreografias. Acrescento que a crítica do Público arrasou com o filme. Mas também que essas críticas nunca estão a par do que vejo.

11 de janeiro de 2018

Suburbicon, de George Clooney

Tudo se passa nos anos 50, numa pequena cidade norte-americana tida como perfeita, onde as famílias são todas exemplares e nada de mau se passa. Até que dois eventos abalam a pacatez do dia a dia: o assassínio de uma mãe de família durante um assalto e a chegada de uma família negra.

A histórias são contadas em paralelo, com poucos pontos de contacto. A questão da família negra retrata a América dos anos 50, uma América racista onde ninguém se coíbe de o demonstrar das piores maneiras possíveis.

Já o assassínio da mãe de família é o foco do filme. Gardner Lodge (Matt Damon) fica com o filho Nicky (Noah Jupe), sendo muito depressa acompanhado pela irmã gémea da sua mulher (Julianne Moore), que aos poucos se vai tornando nela. Pelo meio, surge a máfia, num contexto que aqui não posso referir sob pena de criar um spoiler.

A história base é dos irmãos Coen, que nunca chegaram a realizar o filme. O ambiente dos anos 50 está excelente, acompanhado por uma fotografia saturada que ainda lhe confere um hiper-realismo. As representações estão ótimas (adorei o ator que faz o papel de Nicky). Gostei deste filme.

10 de janeiro de 2018

Coração de mãe sofre...

Anteontem a Luísa sofreu o seu primeiro «acidente» doméstico (isto se descontarmos um entalão numa unha há uns meses, unha essa que acabou por cair): ao disputar um banquinho com a irmã, caiu, bateu com a boca e perdeu um dente da frente.

Ela pouco chorou, quem chorou e muito fui eu, logo a fazer filmes: a pensar que iriam gozar com ela, que lhe afetaria a fala... A educadora descansou-me, explicou-me que até aos 6-7 anos os miúdos não ligam a essas coisas, até porque a maior parte anda desdentada. Quanto à fala, vamos ver.

Entretanto, aprendi umas coisas: se algo parecido voltar a acontecer, e se o dente estiver inteiro, há que colocá-lo em leite e ir de imediato a um dentista onde se possa intervir (de noite acho que não há mesmo hipótese...). E a partir de agora, ir vigiando para o espaço que lá ficou não diminuir, de modo a não afetar a posterior vinda dos definitivos.

Em resumo: uma chatice que não tem solução mas que também não é algo assim tão grave. Mas para o meu coração de mãe é.

9 de janeiro de 2018

Sete irmãs, de Tommy Virkola

Este filme já não está nas salas de cinema, aliás vi-o mesmo no final do período de exibição e tive de ir aos cinemas deprimentes do Alvaláxia para o poder fazer.

O trailer prometia: em 2073, o excesso de população mundial conduz a uma política de filho único, em que qualquer criança nascida fora da quota tem de ser dada para uma suposta congelação. Nesta conjuntura, nascem sete gémeas, que durante o parto ficam sem mãe. É o avô que as acolhe e que, recusando-se a prescindir delas, as esconde através de um processo relativamente simples: cada uma é batizada com um dia da semana, dia esse que é o único em que pode sair à rua. E todas saem no seu dia, mas sempre com a mesma identidade, a de Karen Settman. Até que um dia, Monday não regressa a casa, e no dia seguinte Tuesday tem de ir à procura dela, correndo todos os riscos do mundo apocalíptico em que vivem.

Julgava que ia ver um filme que explorava o desafio de sete pessoas partilharem uma mesma identidade, mas acabei por deparar com um filme de ação cheio de violência. A interpretação de Noomi Rapace é excelente, sem dúvida, mas esperava algo diferente. Para quem queira ver um filme com uma boa dose de violência, será uma boa escolha. Para mim, ficou aquém do que esperava.

8 de janeiro de 2018

Mãe!, de Darren Aronofsky

Um casal recém-casado vive numa casarão isolado, ela (Jennifer Lawrence) a tentar recuperá-lo de um incêndio, ele, poeta (Javier Bardem), com uma crise de inspiração. Neste ambiente opressivo, uma noite o casal é visitado por um desconhecido (Ed Harris), que depressa se instala lá em casa e cuja mulher (Michelle Pfeiffer) também acaba por aparecer. Tudo isto com a alegre aceitação do Poeta, que parece ter com o casal uma estranha intimidade.

Quando finalmente os "convidados" partem, ela engravida e, em estado de êxtase, o Poeta entra numa produção obsessiva. O poema acaba por emergir, gerando uma onda de adoração ao Poeta que se torna demoníaca, com centenas de pessoas a entrarem pela casa adentro, desmantelando-a para poderem obter um pedaço do Poeta. Este, regozija-se. A sua mulher vive a incredulidade e o pânico.

Este é um filme de terror sufocante, mas um terror carregado de surrealismo. Um filme estranho, no fundo.

Semana de pôr o cinema em dia

Nas últimas semanas tenho visto uma série de filmes, graças à minha mãe que fica com as miúdas às quintas-feiras. Por preguiça, fui deixando para mais tarde escrever a minha opinião, mas em alguma altura teria de ser. É esta semana, pela ordem em que vi os filmes.

4 de janeiro de 2018

E o que leste em 2017, Vespinha?

35 livros lidos em 2017. Nada mau, comparado com os 27 do ano passado, ano do nascimento das miúdas, e com os 33 do ano anterior, em que elas ainda eram um projeto. Espero conseguir continuar a manter o ritmo.

- Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum
- The last act of love, de Cathy Rentzenbrink
- Némesis, de Philip Roth
- A gorda, de Isabela Figueiredo
- Vida após vida, de Kate Atkinson
- O imenso adeus, de Raymond Chandler
- The book of you, de Claire Kendal
- A peste, de Albert Camus
- Um otimista na América, de Italo Calvino
- O livro do hygge, de Meik Viking
- Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich
- Norma, de Sofi Oksanen
- Goodbye, Columbus, de Philip Roth
- Canção doce, de Leila Slimani
- Barrel fever, de David Sedaris
- Arranha-céus, de J. G. Ballard
- O estrangeiro, de Albert Camus
- Escrito na água, de Paula Hawkins
- Guardas de passagem de nível, de Carlos Cipriano
- A loja dos suicídios, de Jean Teulé
- Miramar, de Naguib Mahfouz
- The girl before, de J.P. Delaney
- O que sabemos do amor, de Raymond Carver
- Mágoas da escola, de Daniel Pennac
- Reino do amanhã, de J. G. Ballard
- O último amanhã, de Adam Croft
- Rosemary´s baby, de Ira Levin
- As últimas testemunhas, de Svetlana Alexievich
- O homem que perseguia a sua sombra, de David Lagercrantz
- The Stepford wives, de Ira Levin
- A amiga genial, de Elena Ferrante
- Hotel, os bastidores, de Inês Brasão
- Diários de uma sala de aula
- Segredos obscuros, de Hjorth & Rosenfeldt
- Sobre a morte e o morrer, de Walter Osswald

29 de dezembro de 2017

Hotel, os bastidores, de Inês Brasão

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Mais um livro muito interessante da Fundação Francisco Manuel dos Santos, desta vez uma reportagem sobre o backstage do que se passa num grande hotel. Os tiques e as manias dos clientes. Os turnos exigentes e muito cansativos. As relações entre os empregados. A exigente tarefa de gerir as necessidades da cozinha. Estar na receção e ter sempre um sorriso nos lábios, aconteça o que acontecer. Limpar os quartos e ser invisível perante a maioria dos clientes.

Enquanto lia este livro tive de passar uma noite num grande hotel do Porto, e foi muito curioso olhar para tudo aquilo com outros olhos: a paciência da rececionista perante um grupo de clientes galanteadores, a maneira como o quarto se apresentava quando entrei, a gestão da sala dos pequenos-almoços. Tenho a certeza de que nunca ficarei num hotel da mesma forma.

Adoro estes livrinhos que nos colocam tão bem no papel dos outros.

27 de dezembro de 2017

19 de dezembro de 2017

Não me canso desta campanha

Porque acho o miúdo amoroso, porque adoro a maneira como o pai diz «Ho, ho, ho!», porque me  enternece a ternura que transparece em todos os anúncios.

«O segredo de Natal»: 



«A surpresa»:



«O pedido»:



«O desejo»:

18 de dezembro de 2017

Ser mãe de gémeas é... #46

... ter regularmente sensações de déjà vu. Nomeadamente, quando uma diz uma palavra pela primeira vez e passado umas horas ouvir a mesma palavra da boca da outra. Ou ver uma a fazer um gesto com as mãos e daí a um bocado ver a outra a fazer o mesmo.

15 de dezembro de 2017

Se funcionar, é genial!

Quem nunca andou atormentado um ou mais dias a fio com «aquela» música a martelar-lhe na cabeça?

14 de dezembro de 2017

A amiga genial, de Elena Ferrante

Há anos que andava para ler esta tetralogia, tão bem me foram falando dela. Comecei agora por A amiga genial, que relata a amizade algo conturbada de duas amigas num bairro da periferia napolitana dos anos 50. Elena e Lila são as protagonistas e Elena a narradora.

Desde a escola primária que admira a amiga, uma criança dura e retratada como má sem medo de nada nem de ninguém. Todo o meio em que se movem é de gente humilde: donas de casa, sapateiros, porteiros, donos de mercearias ou vendedores de legumes. Elena é a rapariga aplicada, que estuda com afinco espicaçada por uma professora. Lila é a rebelde, mas que aprende facilmente e sozinha. Na infância, a primeira é bonita, a outra nem por isso. Na adolescência, a primeira torna-se uma adolescente típica, com problemas de autoestima, enquanto a segunda deixa para trás o patinho feio. Na entrada na idade adulta, Elena continua os estudos, e Lila acaba por fazer um «bom» casamento. Em tudo as raparigas são dois opostos que se completam.

Gostei muito do livro, da linguagem simples e assertiva, das descrições que não são maçadoras, da forma como narra o dia a dia revelando-o especial para quem o lê mas monótono para quem o vive.

Seguem-se mais três volumes, mas que não lerei de empreitada. É que há certos livros que temos de amadurecer na nossa cabeça antes de subir o próximo degrau.

12 de dezembro de 2017

A regra dos quatro presentes

É certo que a maioria das nossas crianças recebe no Natal presentes de mais, tantos que acaba por não valorizar a sério a maior parte deles. Além de, por serem educadas assim, começarem a acreditar que são o centro do universo.

Para a Luísa e a Maria, confesso que tinha planeado não lhes oferecer nada este Natal, tendo em conta a quantidade de coisas que já têm (e que até não são muitas comparando com outras crianças) e o que sei que outras pessoas lhes vão dar.

Mas acabei por ceder e vou dar um triciclo a cada uma, em madeira e sem pedais. Isto apenas porque acho que não é um brinquedo como os outros, mas algo que lhes vai estimular o equilíbrio, a motricidade e abrir terreno para, mais tarde, andarem num triciclo a pedais e depois numa bicicleta.

Há dias li uma regra muito interessante para os presentes a dar às crianças, de modo que os valorizem e que não se tornem hipermimadas:
- um presente para vestirem;
- um para lerem;
- um que realmente desejem;
- e um de que necessitem.

É claro que é quase uma utopia conseguir que isto se realize, uma vez que não conseguimos controlar o que terceiros dão aos nossos filhos, mas não deixa de ser uma regra interessante.

7 de dezembro de 2017

As gatas e as bebés


Agora com as miúdas a crescer e as gatas a envelhecer, a gestão destas quatro alminhas não tem sido fácil. Ora vejam:
- as miúdas gritam ao desafio para as gatas, que só querem sossego;
- tento que as gatas passem mais tempo no meu quarto para terem mais tranquilidade;
- mas as gatas insistem em ir para o quarto das miúda;
- e aí as miúdas gritam mas é de susto.

Até poderia ser uma piada, mas não tem piada nenhuma. É que eu queria que as gatas tivessem uma velhice tranquila, e este desassossego está também a refletir-se na sua saúde. Por outro lado, queria que as miúdas ganhassem amor pelos gatos, e afinal vêm nestes um rival.

6 de dezembro de 2017

As minhas Barriguitas

Sempre que vejo a Luísa sentada só de fralda ou com uma t-shirt mais apertada lembro-me das Barriguitas com que brincava em criança. É que ela é mesmo parecida com elas: cabeça grande, rosto redondo, boca, olhos e nariz proporcionais, barriguinha bem redonda, pernas e braços rechonchudos sem serem obesos:


Nada a ver com as Barriguitas de hoje, completamente desproporcionadas e com uns olhos que parecem uns faróis:


Ainda bem que tenho um exemplar do modelo original em casa.

4 de dezembro de 2017

Lego House

Projetada pelo ateliê dinamarquês BIG-Bjarke Ingels Group, a Lego House adapta o universo dos blocos LEGO à escala da arquitetura. Começada a construir em 2014 e inaugurada em setembro de 2017, fica em Billund e nos 21 blocos que a compõem proporciona uma experiência única de criatividade, emoção e conhecimento.

É o paraíso, portanto.












3 de dezembro de 2017

18 meses

Ou seja, um ano e meio da minha nova vida. Tenho saudades da antiga, mas teria muito mais saudades desta.