Há dias irritei-me um pouco no Facebook, quando uma mãe de um grupo a que pertenço argumentava que eu devia ir a um determinado evento mesmo sacrificando a sesta das miúdas, defendendo que o importante era elas terem novas experiências, mesmo que depois ficassem birrentas. Disse ainda que tentava não se privar de nada por causa dos filhos, pois isso acabava por enriquecê-los.
Ora, eu penso precisamente o contrário. E privo-me de muitas coisas não «por causa» delas, mas «por» elas. Aos fins de semana, quando estão comigo todo o dia, as três horas a seguir ao almoço são horas mortas (eu aproveito para também descansar), e antes das 17h é difícil combinar alguma coisa. Agora no verão, ir à praia será quase um «toca-e-foge» ao final do dia. Ir jantar fora significa ir jantar no máximo às 19h30 ou antes, para conseguir que pelas 21h estejam na cama.
Porque a meu ver não haverá experiências que as enriqueçam se estiverem com sono. Ficam irritadiças, choram por tudo e por nada, eu fico estafada, todas perdemos. Para elas, como em geral para todas as crianças pequenas, as horas de sono são fundamentais, servindo para processar as aprendizagens e vivências que tiveram durante o dia. E quando falo de horas de sono, falo de horas de sono de qualidade, deitadas em ambiente tranquilo. Talvez seja por isso que «apanhem» tudo muito rapidamente e que estejam a desenvolver tão depressa o vocabulário. Porque enquanto estão reconfortadas, estão despertas e alerta para tudo o que as rodeia.
Num abrir e fechar de olhos as sestas serão menores, haverá trabalhos para fazer ao fim do dia, ir para a cama terá de ser mais tarde, e a vida encarregar-se-á de lhes proporcionar muitas experiências retirando-lhes algumas horas de descanso. Mas tudo a seu tempo.