29 de abril de 2020

News

Sei que algumas pessoas têm dado pela falta de atividade aqui no blogue, por isso quero dar-vos uma satisfação. O único e verdadeiro motivo é a difícil adaptação à realidade que vivemos e a consequente falta de inspiração.

Estou metade da semana em teletrabalho intenso e a outra metade e fim de semana com as miúdas a full, que não me permitem um minuto de desatenção. Estão a ser tempos difíceis.


Ficar em casa com crianças pequenas não é poder ler à vontade. Ver filmes e séries sempre que nos apetecer. Comer coisas boas feitas com calma. Organizar livros, roupa e tudo o que estava há meses à espera. Dormir boas sestas. Conversar com os amigos. Inventar memes giros e partilhá-los. Esticarmo-nos no sofá ao sabor da vontade. 
 
Ficar em casa com duas crianças quase a fazer 4 anos é uma realidade totalmente diferente. É levantarmo-nos e já ter a casa num caos. É não conseguirmos tomar banho até às 11h porque antes disso há que arrumar tudo e tratar delas. É ouvir chamar-nos centenas de vezes por dia. É controlar a própria frustração delas e o comportamento que se alterou e até regrediu. É ter de pensar e confecionar todas as refeições a horas. É gerir birras e conflitos. É tentar inventar todas as brincadeiras possíveis. É não conseguir ter uma conversa ao telemóvel porque pedem atenção permanente. É não ter um minuto de silêncio ou de sossego. É não conseguir ler, ver filmes ou mesmo ouvir a nossa música. 
 
Ficar em casa com crianças pequenas é o maior desafio à sanidade mental que já vivi. 
 
Ao fim do dia, só sobra energia para ver uma ou outra série de episódios curtos (recomendo Killing Eve, na HBO, e After life, na Netflix) e ler meia dúzia de páginas para manter o hábito da leitura, que nunca esteve em níveis tão baixos (li O corpo, de Bill Bryson, Cair para dentro, de Valério Romão, Conspiração contra a América, de Philip Roth, e A educação dos gafanhotos, de David Machado).

Coisas positivas que entretanto aconteceram com as Oliveirinhas: já chegaram ao metro de altura, já sabem afiar os lápis sozinhas e já aprenderam a andar de bicicleta (com rodinhas). Duvido que lhes tivesse ensinado as duas últimas se não estivesse mais tempo com elas.

Tentarei vir aqui mais amiúde.

31 de março de 2020

Tal mãe, tal filha

Há uns 42 anos:
A minha Mãe: Rita, vai ao quarto buscar uma fralda para eu mudar a Inês.
(Eu vou, e regresso com uma data delas.)
A minha Mãe: Querida, porque é que trouxeste tantas?
Eu: Para ficar já despachada.

Hoje, por telefone:
A Luísa (ao meio-dia): Quero vestir já o pijama.
Eu: Amor, mas para quê? Ainda é muito cedo.
A Luísa: para ficar já despachada.

18 de março de 2020

Adiar a vida

Adiamos idas ao médico.
Adiamos idas ao parque.
Adiamos passeios a pé ou de bicicleta.
Adiamos comemorações de aniversário.
Adiamos o conforto na morte.
Adiamos dias comemorativos.
Adiamos jantar com os amigos ou com a família.
Adiamos exames importantes.
Adiamos a ida para o trabalho.
Adiamos um café na esplanada.
Adiamos visitas aos idosos ou aos doentes.
Adiamos viagens marcadas há meses.
Adiamos uma dor de dentes.
Adiamos idas ao cinema, ao teatro ou a um concerto.
Adiamos conduzir só porque nos apetece.
Adiamos a aprendizagem nas escolas.
Adiamos intervenções cirúrgicas.
Adiamos ir dançar.
Adiamos prazos de tarefas.
Adiamos casamentos.
Adiamos reuniões.
Adiamos ver os nossos pais e avós.

E, sobretudo, adiamos beijos, abraços e carícias. Aquilo que mais nos humaniza.

Que isto passe depressa.

15 de março de 2020

A minha Babá faria hoje 96 anos


A minha Babá, Avó materna que nunca quis que lhe chamássemos avó mas que foi a melhor avó que se pode ter, nasceu a 15 de março de 1924 e deixou-nos a 30 de setembro de 1997, com apenas 73 anos.

Era uma pessoa rígida e simultaneamente afetuosa, muito ligada a nós mas pronta a libertar-nos se fosse para o nosso bem, culta e poliglota porque era tradutora mas ao mesmo tempo a adorar ver telenovelas e concursos de televisão.

Foi ela que me iniciou no inglês e no francês, e foi com ela e com o meu Avô que visitei os primeiros museus da minha vida.

Não se considerava bonita, mas eu acho que era muito. E adorava receber festinhas dela na cabeça quando víamos televisão. Todos os dias penso nela, e não tenho qualquer dúvida de que é um dos meus anjos da guarda.

11 de março de 2020

8 dicas para sermos melhores pais (e evitarmos conflitos desnecessários)

1. Distraí-los durante uma birra - focar a atenção para algo tão simples como a cor da roupa pode acabar com as lágrimas num ápice. Ainda não me tinha lembrado desta!


2. Não lhes dizer quanto tempo falta para terminar uma diversão - a noção de tempo ainda é muito abstrata, é preferível colocar limites com unidades contáveis. Faço sempre isto, até porque elas não fazem ideia do que seja um minuto.

  

3. Limpar primeiro a nossa cara, depois a deles - dar o exemplo é sempre a melhor estratégia. Vale também para outras coisas que não gostem de fazer, como lavar os dentes, por exemplo. Também ainda não me tinha lembrado disto. 

 

4. Dizer-lhes «obrigada» e «desculpa» - mais uma vez, dar o exemplo, até nas mais pequenas coisas e nas mais pequenas tarefas. Faço sempre isto, seja por arrumarem os brinquedos, apanharem uma coisa do chão ou por ter gritado com elas. 
 

5. Dar-lhes legumes e fruta antes da refeição - para o caso de serem avessos aos frescos, oferecer-lhos quando ainda estão com fome. Não o faço por não ser necessário. A fruta, adoram!


6. Fazer alternância de dias quando há vários filhos - argumentos como ser o mais novo ou o mais velho não são os mais justos. No meu caso, como são as duas da mesma idade, praticamos a alternância sempre, até para o dia em que cada uma escolhe a história para ouvir à noite.


7. Dar-lhes escolhas concretas - isto é, em vez de os deixar escolher totalmente à vontade, dar-lhes duas ou três hipóteses concretas. Eles ficam na mesma com a sensação de que escolhem, mas é uma escolha controlada. Lá em casa, por enquanto, estas escolhas só se fazem nos acessórios, pois no vestuário ainda sou uma ditadora.


8. Deixá-los verem-nos a «adormecer» - mandar para a cama quando estamos a ver televisão ou no telemóvel pode parecer-lhes um contrasenso. Ultimamente, tenho argumentado que me vou deitar logo a seguir, baixo as luzes e faço silêncio nos primeiros momentos*.

*E mais uma coisa de que falarei daqui a uns tempos. 


Nota: Ideias retiradas daqui.

10 de março de 2020

O coronavírus, pelo matemático Jorge Buescu


(Editado, com os meus cortes e acrescentos entre parênteses retos e a bold.)

«Evitei até hoje pronunciar-me sobre este assunto; mas chegados à situação actual, acho que  é uma questão de serviço cívico enquanto matemático.

Este gráfico [...], que consta de um site de Johns Hopkins que acompanha a situação do coronavirus em tempo real [...], compara o número de infecções por coronavírus na China (laranja) e resto do Mundo (amarelo) com os casos de recuperação. À data de hoje (1/3/2020) há 42.600 recuperados, de um total de 87.000 casos identificados. Devemos ficar preocupados? Não, pelo contrário. Devemos ficar muito tranquilizados. Note-se que a curva dos recuperados acompanha perfeitamente a das infecções, com um tempo de latência de 3-4 semanas. O número de recuperados hoje, 1/3/2020, é igual ao total de infectados em todo o Mundo em 10/2/2020. A taxa de recuperação para os casos de infecção registados em Fevereiro é superior a 99%.

Para ganhar sensibilidade para a evolução da doença, transcrevo os números em bruto. I é o número de infectados, R de recuperados.
22 Jan: I = 547, R=28
29 Jan: I = 7.700, R=133
5 Fev: I= 20.000, R= 1.100
12 Fev: I=50.200, R= 5.200
19 Fev: I=75.700, R= 16.100
26 Fev: I=81.000, R= 30.400
1 Mar: I=87.000, R=42.600
[10 Mar: I= 114.544, R=64.034]

Ou seja, em Janeiro quase não havia recuperados; hoje mais de metade do total de infectados já recuperou. Num mês, o número de recuperados cresceu por um factor de 300. Curiosamente, nunca vi estes números referidos na imprensa, mais preocupada com visões do apocalipse.

Estamos pois a braços de uma virose essencialmente inócua (mais pormenores abaixo), com um período de recuperação de 3-4 semanas, após o qual, de acordo com os melhores números actuais, 99,3% dos infectados recuperam sem complicações.

Do ponto de vista da saúde pública, a questão colocada pelo nCOVID-19 é apenas a sua elevadíssima taxa de contágio. A OMS estima um valor de R_0, grandeza que nos modelos matemáticos SIR (Susceptíveis-Infectados-Recuperados) determina a taxa de propagação exponencial, de 2,3. Para comparação, a gripe sazonal tem R_0=1.3, propagando-se de forma muito mais lenta. [...]

Por outro lado, os números mostram que se trata de uma virose essencialmente inócua: o período de recuperação é de 3-4 semanas, após o qual 99,3% dos infectados estão recuperados. A estimativa actual da OMS para a taxa de mortalidade para casos surgidos depois de 1 de Fevereiro, portanto depois do surto inicial, é actualmente de 0,7%. Esta é mais baixa do que a da gripe sazonal, que é de 1%. Como termo de comparação, o vírus Ébola tem uma taxa de mortalidade próxima dos 50%.

A virose em si não é complicada; um dos maiores virologistas espanhóis e Presidente da Sociedade Espanhola de Virologia, José Antonio Lopez Guerrero, descreve-o como “mais do que um catarro, menos do que uma gripe”. 80% dos casos são assintomáticos ou têm sintomas muito leves. Apenas em 5% dos casos existem complicações graves, na sua grande maioria em grupos de risco: por exemplo, pessoas com bronquites crónicas, DPOC ou sistema imunitário estruturalmente enfraquecido como doentes oncológicos. São essas pessoas que podem estar em perigo – tal como estariam, com o mesmo nível de risco, se contraíssem uma gripe comum.

O coronavírus já está em Portugal, isso é uma inevitabilidade cósmica. Isso é preocupante? Não particularmente, a menos que se pertença ou se esteja em contacto próximo com um grupo de risco. Como descrevi acima, ele é menos perigoso do que uma gripe. Mas, tal como alguém com uma gripe toma precauções para não a passar, também aqui essas precauções devem ser tomadas, de forma mais drástica divido à altíssima taxa de contágio. 

Se o coronavírus servir para implantar socialmente comportamentos como lavar mãos frequentemente ou não espirrar para o ar, tanto melhor. Podemos ter de cancelar algumas viagens de avião, como aconteceu comigo, mas vamos viver a vida normalmente. De resto, não há qualquer motivo para pânico ou sentimentos de apocalipse, apesar da desinformação constante e do alarmismo mediático a que assistimos diariamente – esse sim, o mais perigoso vírus de toda esta história.»

6 de março de 2020

Coisas de meninas

Sempre disse que evitaria ao máximo que as minhas filhas se agarrassem ao cor-de-rosa, e aos brilhantes e pirosadas do género. Que fossem como eu, no fundo. Mas elas são crianças, e há coisas que não conseguimos contornar.

Hoje, tinha esta surpresa na secretária, coisinhas de menina trazidas por um colega. Batons, vernizes e sombras para crianças, bolsinhas. Os vernizes e as sombras vou tentar guardar para bem mais tarde, mas os batons sei que vão adorar, até porque me veem a pôr batom todos os dias e estes não têm praticamente cor.

Desde que sou Mãe que tenho engolido muitas das coisas que dizia.

4 de março de 2020

Marcar férias

Hoje em dia marcar férias para agosto é uma verdadeira dor de cabeça, sobretudo com duas crianças que exigem que seja um apartamento com dois quartos, que haja uma piscina para se entreterem de manhã e que a praia seja perto.

Se calhar é pedir muito, mas a verdade é que já perdi a conta às horas que gastei a fazer pesquisas, quase todas a devolverem-me resultados que exigem o pagamento de entre dois  e três mil euros por apenas sete noites. Finalmente, lá consegui, prescindindo da praia walking distance.

Marcar férias em agosto no Algarve é bem mais difícil do que marcar uma semana em Nova Iorque. Já contando com os voos e o hotel.

28 de fevereiro de 2020

Rodrigo Leão não me encheu as medidas

Perdoem-me a heresia se estiver a dizer alguma, mas o concerto de ontem do Rodrigo Leão não me encantou. Não foi mau, mas não foi fantástico, nem mesmo muito bom.

Ao contrário dos outros a que fui, e já devem ser uma dezena deles, nada me surpreendeu, não senti aquele rasgo que costumo sentir em algo diferente que costuma ser sempre apresentado. Foi engraçado ter lá um coro de adolescentes, e ouvir uma das filhas do músico a participar numa das canções, mas pouco passou disso.

Senti monotonia, pouca repescagem do repertório fantástico que tem, e a repescagem que foi feita revelou-se também sempre no mesmo registo, instrumental ou lírico.

Quando me lembro de «Rosa», por exemplo, interpretada por vozes tão diferentes quanto Rosa Passos, Camané e Selma Uamusse, não consigo entender como a seleção desta vez foi tão pouco diversificada.

Não me encheu as medidas.

Mas quero deixar aqui uma música bonita, a dita «Rosa» por Camané:


27 de fevereiro de 2020

Rodrigo Leão - O método

Hoje, no CCB, concerto de lançamento do novo álbum de Rodrigo Leão, O método. Além das músicas novas novas, mal posso esperar por ouvir também as outras que me têm acompanhado nos últimos anos, posto um sorriso nos meus lábios e enchido a minha alma.



21 de fevereiro de 2020

O Sol e a Nuvem

O Sol, que nos ilumina, e a nuvem, que nos dá a chuva para nos alimentar. Dois símbolos de vida. Duas das peças mais importantes da minha vida.


Nota: Iam todas contentes mascaradas para a escola, até lá chegarem e verem a panóplia de máscaras bonitas ou assustadoras. Passou-lhes logo a vontade...

17 de fevereiro de 2020

As «catuagens»

Desde ontem que não ouço outra coisa que não seja duas vozes a pedirem-me: «Mamã, quero fazer uma catuagem! Mamã, quero fazer uma catuagem!».

Presumo (espero!) que tenham visto um(a) coleguinha com uma daquelas tatuagens provisórias que vêm com alguns bolos e guloseimas. E que não se apercebam tão cedo de que tenho duas patinhas de gato tatuadas na base do pé.

Quero ver como me safo desta...

13 de fevereiro de 2020

De alma cheia

Ontem participei no debate «Famílias como as nossas» - Fronteiras XXI da RTP3/Fundação Francisco Manuel dos Santos, e saí de lá com a alma cheia e a sensação de dever cumprido, de que consegui transmitir algumas mensagens importantes.

Estava rodeada de nomes sonantes, como o pediatra Mário Cordeiro (que, como eu suspeitava, é uma simpatia e um excelente conversador), a socióloga Anália Torres e o demógrafo Pedro Góis. Todos especialistas. Eu era a única «especialista» em ser mãe sozinha, e fui lá para dar o meu testemunho. Falei de como tomei a decisão de o ser, de como fui tão acompanhada pela minha família, dos papéis que tenho de assumir em casa, dos valores que quero passar para a Maria e a Luísa. E, ao contrário do que julgava, senti-me muito confortável e nada intimidada. As perguntas da Ana Lourenço também ajudaram.

No final, recebi os parabéns do jornalista António José Teixeira (diretor de informação da RTP), dos restantes convidados, do David Lopes (presidente da FFMS) e de muitas outras pessoas. Mas, acima de tudo, recebi agradecimentos de uma série de jovens que lá estavam, que devem ter visto em mim o exemplo de que o quase impossível às vezes acontece, e que a nível de famílias a nossa sociedade está a evoluir para melhor.

Era difícil ter corrido melhor. Obrigada à Fundação e obrigada à RTP, por me terem dado esta oportunidade de partilhar a minha história que pode servir de motivação para tantas outras mulheres no nosso país.

Quem quiser ver o programa, é só clicar sobre a fotografia abaixo.

https://www.rtp.pt/play/p6722/e455921/fronteiras-xxi

12 de fevereiro de 2020

Parabéns, querido Papá!

Estas três das tuas quatro meninas querem a tua companhia por muitos e muitos anos. Gostamos muito de ti.

31 de janeiro de 2020

Os gadgets e os miúdos

Continuando a minha saga de não passar o iPad nem o iPhone para as mãos das miúdas, encontrei estas imagens que ilustram bem que quanto mais tarde melhor.

Viciam:


Interferem com a qualidade do sono:


Criam apatia:


Reduzem a atenção:


Influenciam o estado de humor:


Aumentam o stresse e a ansiedade:


Nota: O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

29 de janeiro de 2020

Watchgirls


Acabo de me aperceber de que quando conduzo tenho comigo duas vigilantes, ou melhor, duas polícias dentro do carro.

Há pouco, no meio de um engarrafamento, passei um amarelo mesmo a queimar no vermelho. Fiz o resto do percurso, uns bons 20 minutos, a ouvir acusações de que não podia passar, que estava vermelho e não verde, e blábláblá.

Estou tramada.

28 de janeiro de 2020

Contratempo, de Oriol Paulo

Este é um filme espanhol de 2016 exclusivo da Netflix, que há dias me aconselharam e que devorei.

Adrian Doria é um jovem empreendedor de sucesso, casado com uma mulher perfeita e com a filha perfeita. Mas, um dia, é surpreendido num quarto de hotel com a amante morta, com todos os acessos de fuga fechados, sendo de imediato acusado do assassínio.

A ação direta do filme passa-se em 3 ou 4 horas, quando sob grande tensão Adrian esmiúça com a advogada Virginia Goodman tudo o que de facto poderá ter levado àquele desfecho. Durante essa conversa, «viajam» ao longo de uns 3 meses, com várias hipóteses colocadas em cima da mesa. E todas elas nos supreendem. E todas elas nos enganam.

Tudo foi bem pensado, inclusive a luminosidade ligeiramente azulada, noturna e fria que contrasta com a força e o calor dos acontecimentos e das revelações.

É um filme com suspense até ao último segundo, que vale mesma a pena ver.

27 de janeiro de 2020

Auschwitz: 75 anos de lbertação



Foi a 27 de janeiro de 1945 que o campo de concentração e extermínio de Auschwitz, e a sua extensão de Birkenau, foi libertado pelo Exército Vermelho.

Quando lá chegaram, restavam apenas 7500 prisioneiros, uma vez que desde outubro anterior toda a população vinha sendo executada, deportada para outros campos (na chamada Marcha da Morte, com 60 000 pessoas) e a maior parte das provas destruídas, devido à aproximação das tropas soviéticas.

Mas o local ficou, assim como muitas das suas estruturas, que nos permitem testemunhar hoje as atrocidades de que os seres humanos são capazes.

Continente Click & Go


Eu sei que isto não é novidade, mas para mim foi, e das boas.

Este fim de semana tinha impreterivelmente de comprar algumas coisas no Continente, para aproveitar alguns cupões e outros descontos diretos. Mas não me estava a ver a ir para lá com as miúdas, a batalhar para ver quem ia na cadeirinha e quem ia dentro do carrinho, a mexer em tudo, a deixarem cair coisas ao chão.

Quando estou no Continente online apercebo-me de um serviço que já existe há alguns anos mas em que nunca tinha reparado: o Click & Go. É muito simples: pomos tudo no carrinho online, selecionamos os talões e descontos que temos no cartão, escolhemos uma loja e um intervalo horário e é só ir lá buscar tudo (na loja ou num ponto de recolha no exterior), que nos é entregue em cinco minutos, bem embalado e pronto a arrumar na bagageira.

Durante a semana, o serviço é gratuito em compras acima dos €25. Ao fim de semana, custa €1, pago com a encomenda no momento do check out. A única coisa que não pode entrar nas compras são brinquedos.

Para quem não tem paciência para perder tempo nas lojas e para quem não quer estar em casa de plantão à espera da entrega de uma encomenda (nem pagar por ela), é perfeito. Fiquei fã.

Nota: Podem conhecer todos os pormenores aqui.

20 de janeiro de 2020

Equipamento do demo


Estão a ver aqueles equipamentos metálicos cor-de-rosa ali no meio? São carrosséis metálicos onde os miúdos se sentam para andar à roda. Divertem-se imenso. E não querem sair de lá.

Só que têm um enorme defeito: são os pais que têm de os fazer girar. E ontem foi a minha vez. Enquanto umas dezenas de crianças iam entrando e saindo (e as minhas lá se mantinham de pedra e cal), eu tinha de empurrar aquilo com os braços para não parar. Ora para um lado, ora para outro, para não enjoarem.

E os outros pais? Já que eu ali estava, não precisavam de se preocupar. Tenho os braços num oito.

17 de janeiro de 2020

16 de janeiro de 2020

Dois papas, de Fernando Meirelles

Este filme tem basicamente duas personagens - o papa Bento XVI (Anthony Hopkins) e o papa Francisco (Jonathan Pryce) -, brilhantemente interpretadas e caracterizadas. O horizonte temporal vai desde o conclave de 2005, com a eleição de Bento XVI, e o conclave de 2013, quando foi escolhido o papa Francisco. Mas, na verdade, o foco está em dois dias em que ambos se encontram em Roma, Bento XVI ainda como papa e Jorge Bergoglio ainda cardeal.

Nas várias conversas que têm é visível o confronto da visão que têm do mundo e da Igreja. Mas também vêm ao de cima os Vatileaks, os escândalos no seio da Igreja que atormentavam o papa. E o passado de Jorge Bergoglio, nomeadamente durante a ditadura militar na Argentina no final dos anos 70.

Decerto que haverá aqui muitos aspetos romanceados, mas é um filme que vale a pena ver, nem que seja para perceber que entre duas pessoas tão diferentes poderá, com alguma compreensão, haver algum nível de compatibilidade.

Nota: Ambos estão nomeados para os Óscares, Jonathan Pryce para ator principal e Anthony Hopkins para ator secundário.

15 de janeiro de 2020

Ontem fui à rádio, e foi intenso

Há dias, recebi um convite do jornalista João Paulo Sacadura para lhe dar uma entrevista na Rádio Observador, no programa «Convidado extra». O mote seria o livro sobre gémeos mas falar-se-ia de muitas outras coisas. Mal sabia eu de quantas.

Estava nervosíssima. Ir à televisão cria uma certa ansiedade, mas na rádio não há a imagem para nos distrair, e o foco está todo nas palavras que dizemos.

Antes de entrar em estúdio, conversámos um pouco, mas da vida em geral e não da entrevista. E lá dentro, já com os nervos acalmados porque o João Paulo é uma pessoa incrível, gerou-se uma conversa tão descontraída e completa que eu própria me espantava com o caminho que seguia. Ele é um jornalista a sério, estava muitíssimo bem preparado, deve ter lido e visto tudo o que está disponível sobre mim, entrevistas em papel, em vídeo, até deve ter lido o blogue de uma ponta à outra.

Falámos sobre a minha vida profissional, sobre Vespas, sobre animais, sobre os meus autores de eleição, sobre as minhas filhas, sobre o nascimento delas, sobre a minha família e amigos e sobre tantas outras coisas que nem me passavam pela cabeça. Fez-me reviver bons momentos da minha vida que há muito não recordava.

Foi uma conversa tão intensa que depois estive uns bons 30 minutos quase sem conseguir pronunciar uma palavra. Obrigada.

O podcast está disponível aqui: https://observador.pt/programas/convidado-extra/no-dia-que-gerei-vida-fui-confrontada-com-a-morte/

10 de janeiro de 2020

Cosmópolis, de Don DeLillo

Não gostei deste livro de Don DeLillo, apesar de ser considerado um clássico do autor e até ter sido adaptado para o cinema por David Cronenberg.

Tudo se passa em menos de 24 horas, em que o milionário Eric Packer, dentro da sua limusina, percorre as ruas de Manhattan num dia particularmente agitado, marcado pela visita do presidente à cidade, por protestos antiglobalização e pelo funeral megalómano de um rapper conhecido. Dentro da sua limusina, acompanhada da parte de fora seu pelo corpo de guarda-costas a pé, Eric faz negócios graças aos seus múltiplos ecrãs, recebe funcionários das suas empresas e até é observado pelo seu médico, uma rotina diária de que não abdica.

De vez em quando, sai. Para se encontrar com uma ou outra amante, porque viu a recém-mulher a passar na rua, para comer qualquer coisa ou para participar infiltrado numas filmagens. Mas lá dentro vai perdendo a sua fortuna de forma voluntária, numa queda que acompanha o percurso da limusina na descida pela ilha.

Para além da decadência, que é o que torna o livro interessante, achei-o enfadonho, cheio de reflexões que tive dificuldade em acompanhar. Este é um daqueles casos em que, se tivesse visto o filme antes, talvez tivesse algo a ganhar.

7 de janeiro de 2020

Os insultos mais ouvidos

Com 3 anos e meio, a Maria e a Luísa fazem agora uma parelha inseparável, para o bem e para o mal. Os insultos são diários, mas se a maior parte das vezes me passam ao lado, outras não deixo de me rir para dentro:

- «A Mamã é minha só!»
- «És cocó!»
- «Vou pôr-te no lixo!»
- «Já não sou tua amiga!»
- «Eu vou acordar-te de noite!»
- «Vou contar à minha Avó!»
- «Tu comes com a boca aberta!»
- «Vou estragar o teu desenho!»
- «Não vais à minha festa!» (esta é especialmente hilariante, uma vez que fazem anos no mesmo dia)

Por vezes, são ditos todos no mesmo dia. Às vezes na mesma hora.