Parece-me que mais uma vez não me vão desiludir...
15 de novembro de 2011
14 de novembro de 2011
Break it down, de Lydia Davis
São 34 contos em apenas 200 páginas, alguns com apenas meia página, outros um pouco mais longos. Mas grande parte com um sentimento comum: uma imensa mágoa e incompreensão de mulheres sozinhas, trocadas ou simplesmente deixadas para trás. Recordações que vêm ao de cima perante uma espinha, ou perante uma peúga. Noutros contos, sente-se um enorme desconforto, físico ou mental, uma insatisfação permanente.
Lydia Davis foi casada com Paul Auster durante quatro anos, entre 1974 e 1978. E a coisa deve ter acabado mal. Porque isso nota-se ao longo de todo o livro. A espreitar, sem dúvida.
Lydia Davis foi casada com Paul Auster durante quatro anos, entre 1974 e 1978. E a coisa deve ter acabado mal. Porque isso nota-se ao longo de todo o livro. A espreitar, sem dúvida.
13 de novembro de 2011
12 de novembro de 2011
10 de novembro de 2011
Os últimos dias dos Romanovs, de Helen Rappaport
Já tinha ouvido algumas coisas acerca do extermínio dos Romanov, mas sempre por alto, a propósito da revolução russa, e sempre assumindo que tinham sido fuzilados e pronto. Se é que isto se pode dizer assim.Nas últimas duas semanas li Os últimos dias dos Romanov (recuso-me a colocar o s no plural como se refere no título da versão portuguesa, mas isso é outra conversa), de Helen Rappaport. Acompanhei de perto os seus últimos dias de cativeiro na Casa Ipatiev, em Ekaterinburg. Os dias que se sucediam praticamente sempre iguais e passados a rezar ou a jogar cartas, com tempo limitado para ir ao jardim, na total ignorância do que lá fora se passava. O avanço dos checos durante a I Guerra Mundial, a brutalidade de muitos bolcheviques, o apenas aparente alheamento de Lenine relativamente ao destino da família Romanov.
Durante três meses, 11 pessoas viveram fechadas na Casa Ipatiev: o czar Nicolau e a czarina Alexandra, as 4 filhas, o filho hemofílico e quatro acompanhantes (um médico e três criados). Até que, na noite de 16 para 17 de julho de 1918, todos foram conduzidos para a cave e brutalmente assassinados, de modo muito diferente do «simples» fuzilamento que sempre tinha imaginado. Depois, seguiram-se dois dias de frenesim na tentativa de esconder os corpos, alguns dos quais só em 2007 foram encontrados.
Helen Rappaport fez uma investigação profunda para recriar os últimos dias da família e bem sei que não pretendia fazer um retrato exaustivo do czar. No entanto, depois de ler o livro, fica-se com a ideia de que Nicolau foi apenas uma vítima, e não um antissemita também responsável por tantos massacres. Mas nada justificaria a chacina de uma família inteira (animais de estimação incluídos). Chacina essa que esta noite me tirou o sono e me proporcionou um valente pesadelo. Um livro não recomendável a mentes sensíveis. Mas recomendável a quem queira conhecer pelo menos uma parte da história do século XX.
PS: Impossível não referir a péssima revisão de que foi alvo este livro. Incomodativa, mesmo.
9 de novembro de 2011
Novos horizontes
Pois então parece que a partir de abril de 2012 a Easy Jet vai abrir uma base em Lisboa, o que implica novas rotas para Copenhaga, Amesterdão, Veneza, Bordéus e Astúrias. Alargam-se assim os meus horizontes, eu que nos últimos tempos me tenho recusado a dar mais de 100 euros por uma viagem de avião e que já estava começar a ver as opções a esgotarem-se. Os três primeiros destinos passam a constar oficialmente da minha lista, já a partir da próxima primavera.
Brinquedos III: Inversão de papéis
Há uns tempos os jogos começavam por ser de tabuleiro e mais cedo ou mais tarde passavam para o computador. Hoje já é ao contrário:
Regresso às origens?
Regresso às origens?
8 de novembro de 2011
Brinquedos II: Se fosse hoje
Já se hoje voltasse a ter 4 ou 5 anos, não era quase certamente com os Barriguitas e com os Pinypons que quereria brincar. Mas sim com estas ternuras:
São as Lalaloopsy, têm umas caras amorosas e uns corpos flexíveis que permitem vestir e despir as roupinhas em pano. Roupinhas essas que também são o máximo, com tecidos que fariam inveja a qualquer artesão dos nossos dias. Cada uma ainda vem com um animal de estimação que, como não poderia deixar de ser, é também amoroso.
Meninas, espreitem aqui o site e não me digam que não gostavam de ter uma de cada...
São as Lalaloopsy, têm umas caras amorosas e uns corpos flexíveis que permitem vestir e despir as roupinhas em pano. Roupinhas essas que também são o máximo, com tecidos que fariam inveja a qualquer artesão dos nossos dias. Cada uma ainda vem com um animal de estimação que, como não poderia deixar de ser, é também amoroso.
Meninas, espreitem aqui o site e não me digam que não gostavam de ter uma de cada...
7 de novembro de 2011
Brinquedos I: Tão diferentes que eles eram
O catálogo de Natal da Toys"R"Us trouxe-me hoje recordações dos meus brinquedos de infância. Sei que eu e os meus irmãos sempre fomos privilegiados, pois sempre tivemos muitos: um quartinho só para os nossos brinquedos (que a minha avó trancava religiosamente nos dias de festas de aniversário, para aquilo não ficar tudo destruído), uma casinha de bonecas impecavelmente mobilada (a minha mãe trazia de Espanha as mini-mobílias que «não havia cá»), uma cozinha em miniatura e dezenas, dezenas de bonecas e de legos (em miúda, até tive direito a uma casinha em lego reprodução fiel da casa onde morávamos). Por isso, que surpresa tive ao ver como se transformaram alguns dos bonecos da minha infância.
Os Barriguitas eram assim:
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| Simples, com olhos pequeninos e menos expressivos, mas tão mais fofinhos... |
Hoje são assim:
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| Grandes olhos, muitos acessórios, mas tudo tão igual a tudo o resto. |
Os Pinypon eram assim:
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| Bem pequeninos, cores fortes e sólidas, acessórios amorosos. |
Hoje são assim:
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| De novo olhos gigantes, como a maior parte dos bonecos de hoje, aliás. |
5 de novembro de 2011
Eu nem gosto de vento...
... mas gostei tanto deste poema.
O valor do vento
Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
Ruy Belo
4 de novembro de 2011
3 de novembro de 2011
1 de novembro de 2011
Já se instalava uma coisa destas no Tejo, ai instalava, instalava
Projetada para ser instalada num dos braços do Hudson, bem juntinho a Manhattan, a piscina flutuante + Pool propõe-se utilizar a água do rio filtrando-a através das suas próprias paredes, removendo bactérias e odores. Em cada um dos braços, uma subpiscina especializada - crianças, desportos, natação e lounge -, podendo também ser adaptada para competições. Para já não passa de um projeto mas, pelo que se diz, cada vez mais com pernas para andar.
Depois podem vir para Lisboa, podem, podem?
30 de outubro de 2011
A minha nostalgia
Como tão bem retrata Woody Allen em Meia-noite em Paris, todos acabamos por ter uma certa nostalgia por tempos nunca vividos. E eu também tenho. Talvez por ter sido a época de juventude dos meus avós, os anos 40 e 50 despertam em mim muita curiosidade.
A par de grandes crises, guerra e pobreza mundial, foram anos de viragem, de grandes contradições. Ao mesmo tempo que o mundo se modernizava, com o desenvolvimento dos meios audiovisuais e de transporte, muitas tradições mantinham-se. Em Lisboa, as avenidas rasgavam-se e automóveis cheios de estilo começavam a circular. Mas, na mesma cidade, ainda se ia a casa à hora de almoço, e os vendedores ainda diziam os seus pregões.
As mulheres subiram as bainhas q.b., mantendo uma extrema elegância com as cinturas finas e as saias rodadas. Os homens andavam impecáveis, penteado irrepreensível, fato completo com colete, gravata e lenço a condizer, se possível óculos de óculos de massa a rematar.
Não vou falar da probreza do interior, de gente que mal tinha para comer, das longas jornadas nas fábricas. Porque a nostalgia pelo nunca vivido faz-se a partir das coisas boas. E essas apaixonam-me.
Vem este tópico a propósito deste fantástico e tão simples anúncio aos relógios Tudor, que me transportou para há 60 anos. |
28 de outubro de 2011
Nesta não me apanham
Em Las Vegas, vista de longe a Stratosphere parece uma torre normal. Mas ao aproximarmo-nos, encontramos isto:
Que é mais ou menos isto (a não ver por quem tem medo de alturas):
Que é mais ou menos isto (a não ver por quem tem medo de alturas):
27 de outubro de 2011
We need to talk about Kevin, de Lionel Shriver
Até que ponto seremos realmente condicionados pelo ambiente que nos rodeia? Poderá uma criança nascer naturalmente má ou o será o seu caráter moldado por uma mãe pouco afetuosa?
Dois anos depois de o seu filho ter matado 7 colegas e 2 funcionários da escola, Eva inicia uma série de cartas para seu ex-marido onde revê toda a vida do casal, antes e depois do nascimento de Kevin. As dúvidas acerca de avançar para a maternidade, o nascimento tardio do filho, o abandono de uma vida independente cheia de experiências e viagens para dar lugar à vida nos subúrbios. E, a partir daí, a recusa de Kevin em mamar, o choro incessante que para quando o pai chega a casa, o uso de fraldas até aos 6 anos, pequenos acidentes que vão acontecendo com vizinhos e colegas de escola, a ausência num jovem de gostos e preferências em qualquer sentido, a superproteção de um pai que tudo atribui às fases do crescimento. Até que um dia, uma fatídica quinta-feira, a tragédia acontece. Algo que, no fundo Eva sempre previu.
Vencedor do Orange Prize em 2005, We need to talk about Kevin, de Lionel Shriver, é um livro poderoso, intenso, que me surpreendeu sempre a cada página, mesmo quando, já perto do final, achava que não havia mais nada que me pudesse surpreender. Mas havia, e muito.
25 de outubro de 2011
Coisas que me trazem as lágrimas aos olhos
Lily, de 6 anos, teve de ser submetida a uma remoção ocular aos 2. Desde aí, Madison é o seu companheiro e o seu guia. Não são necessárias mais palavras.
24 de outubro de 2011
23 de outubro de 2011
A Wallpaper de novembro tem 10 capas diferentes:
Lá dentro, o conteúdo é o mesmo e, a páginas 147, Portugal encontra-se muito bem representando, entre outros, pela Fundação Champalimaud, pelas Casas do Côro (ver a Suíte Eco Sustentável dos Bogalhais), pela já universalmente famosa cortiça, pela cidade de Guimarães, pelas conservas José Gourmet e pelo design tradicional Água de Prata, que conjuga mobiliário novo ou reciclado com lã de Arraiolos. A explorar particularmente este último, o que mais me surpreendeu pela originalidade:
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| Bancos com assento feito em lã de Arraiolos cruzada |
![]() |
| Banco baixo feito com pneu forrado com lã de Arraiolos |
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