19 de março de 2008

Maravilhas da língua inglesa...

... ou como uma palavra de 9 letras vai perdendo uma a uma, mantendo sempre palavras com sentido.

12 de março de 2008

Leituras

Penso na quantidade de coisas que lemos diariamente que não livros. E porque os livros já são a minha vida, penso em tudo aquilo que leio que não se enquadra na categoria.

À espera no dentista: todo o tipo de revistas, não só as cor-de-rosa como as revistas do Unibanco, suplementos temáticos que vêm com o Expresso e que ninguém se digna a abrir, folhetos sobre como tornar os dentes mais brancos...

À espera de um autocarro ou do metro: os diagramas da rede, de preferência aqueles que contêm os nomes de todas as ruazinhas à volta para que haja mais matéria de entretenimento.

A tomar o pequeno-almoço (em casa): a Net.

A tomar o pequeno-almoço (fora): qualquer lista que haja em cima da mesa, sobre sumos naturais ou outra coisa qualquer.

Na casa-de-banho: o correio que estava por abrir, folhetos de promoções de grandes superfícies, embalagens de shampoo ou o que estiver à mão.

A conduzir (parada no trânsito): à falta de um livro, folhetos de publicidade, inlays de CD, facturas de gasóleo.

A conduzir (em andamento em vias rápidas): os letreiros de entradas e saídas, a publicidade nas carrinhas por que passo. Nota: ontem passei por um reboque propriedade de um tal «Zé Mau»...

A conduzir (em andamento na cidade): outdoors, nomes de lojas, nomes de ruas...

E mais não digo porque tenho de ir trabalhar. Em livros.

8 de março de 2008

Ultimato

Sou workaholic, mas estou à beira de uma overdose.

Um ultimato a mim própria: se não acabar a campanha editorial até ao final da próxima semana, vou ter de recorrer a mais do que café para me manter desperta. Porque, com o mau humor com que ando, já me sinto uma sacana... agora só me falta transformar-me no resto.

3 de março de 2008

Está marcada...

... finalmente, a minha operação à miopia, para colocação de lentes intra-oculares. 28 de Maio, de manhã.

Rói-me um misto de medo e de desejo. Medo da anestesia geral, de não ficar bem anestesiada e sentir tudo, de não acordar depois, de estar internada num quarto cheio de desconhecidos, de não conseguir dormir de noite, de as lentes não ficarem bem postas, de o meu corpo as rejeitar, de surgirem infecções.

Desejo de poder acordar de manhã e ver tudo nítido, de não ter de esticar o braço para agarrar nos óculos, de à noite me poder deitar sem tirar as lentes, de dar mergulhos no mar sem medo de as perder. Desejo de liberdade.

2 de março de 2008

Disfarçados...

... será que estão?



Pausa para ver Momix

As pausas tornam-se mais frequentes. A vida retoma um curso mais perto do normal. Desta vez, fui ver a estreia de Momix, no Casino de Lisboa. Antes, jantei com a S., e soube-me tão bem, parar um bocado para falar de tanta coisa, umas importantes, outras triviais.

Quanto aos Momix, sabia apenas que ia ver algo que misturava dança e mímica. Mas foi muito mais do que isso.

No espectáculo Opus Cactus, a companhia norte-americana homenageia o deserto, ou os desertos. Os desertos norte-americanos, com os tufos de ervas a rolar, lagartos e cobras. Os desertos árabes, com as suas músicas sentidas e escorpiões. Os desertos da África profunda, com as suas tribos e rituais. Jogando com música, luz e corpos, retratam-se animais, plantas, coisas... Até nos esquecermos de que o que estamos de facto a ver são pessoas. Uma surpresa muito boa.


28 de fevereiro de 2008

Missão Adopção



«Ganhe um amigo que nunca o vai abandonar» é o lema da Missão Adopção, a campanha lançada pela Pedigree com o apoio de uma série de associações de defesa dos animais, instituições e meios de comunicação. O objectivo é arranjar donos responsáveis para os milhares de cães que vivem em canis, por abandono e maus tratos.

Gosto muito da campanha e gosto da ideia de uma marca se empenhar a sério no bem-estar do público-alvo para quem trabalha. Não gosto nada de quem é capaz de abandonar e de quem maltrata animais indefesos, dando-lhes pontapés ou atirando-lhes pedras.

E, se há dúvidas, a Missão Adopção faz um teste para sabermos se estamos prontos para adoptar:
«- Quando vê um cão sente uma vontade irresistível de lhe fazer festas na cabeça?
- Quando encontra um pau procura de imediato um cão com quem brincar?
- Fala com cães sem perguntar a si mesmo porque é que está a falar com um cão?
- Fixa o nome dos cães que conhece masesquece o dos donos?»
Se respondermos sim, estamos prontos para adoptar. E com muito por onde escolher:

http://www.missaoadopcao.com/page/home

25 de fevereiro de 2008

Deprimente...

... é quando se chega a casa do trabalho às 11h da noite, se abre o frigorífico e se encontra uma embalagem de sopa fora do prazo.

24 de fevereiro de 2008

Pausa para ir à ópera

Há muito tempo que a Vespa não abrandava. As últimas 6 semanas têm sido de trabalho intenso, e ainda mais 2 se avizinham. Mas na 4.ª feira saí «cedo», às 18h00, porque tinha bilhetes para a ópera. Tinha, isto é, o meu pai tinha, porque foi o presente que e eu e o meu irmão lhe demos no dia 12. Quando era miúdo, o meu pai ia à ópera por obrigação, apanhando grandes estuchas e tendo ficado «vacinado» durante muitos anos. Mas agora, quase 50 anos depois, voltou.

Fomos ver La Clemenza di Tito, a última ópera composta por Mozart. Em resumo, Tito, o imperador, é traído por Sestus, grande amigo da sua confiança que, apaixonado por Vitellia, o tenta matar a pedido da mulher furiosa, que pensava que o imperador se ia casar com outra. Mas Tito sobrevive e Sestus, apesar de muito arrependido, é condenado à morte. O imperador vê-se então num dilema: a sensação de traição e a vontade de perdoar. É própria Vitellia que acaba por confessar o plano que tinha concebido. E o clemente Tito a todos perdoa.

A minha última ida à ópera tinha sido no Bolshoi de Moscovo, há 3 anos, para ver uma peça que durou 4 horas. Por isso, esta de 2 horas foi bem leve (se bem que vi meu pai a cabecear 2 ou 3 vezes…). Excelente termos ficado na primeira fila, porque víamos de perto a orquestra. Mau, porque não tínhamos um plano geral do palco.

Do que menos gostei: da encenação a cargo de Joaquim Benite, que situa a peça nos anos 20 do século XX. Em declarações à Agência Lusa, o encenador dizia que o fez para tornar a ópera «mais compreensível para a época actual». Ora, convenhamos, por este motivo faria mais sentido situá-la no século XXI. Honestamente, preferia ter assistido à La Clemenza di Tito enquadrada na Roma antiga…

Do que mais gostei: de todo ritual. De sair mais cedo, de me vestir para a estreia, de ver o meu pai e meu irmão todos aperaltados, de termos ido num carro à altura, enfim, de toda a encenação que envolve uma ida à ópera «à moda antiga». E, claro, de estarmos os 3 juntos numa noite que nunca vamos esquecer.

18 de fevereiro de 2008

14 de fevereiro de 2008

Será que afinal é uma vantagem?

«Beneficiei dessa fortuna dos míopes que, porque o são, não vêem a luz, mas a multiplicação dela.»
José Saramago, Manual de Pintura e Caligrafia

12 de fevereiro de 2008

Parabéns, Papá

Tenho (e acho que o temos se aplica também ao Migas) muito orgulho em ser tua filha. Porque conseguiste tomar decisões muito difíceis a meio da tua vida e porque a conseguiste refazer depois dos 50, sozinho e sem cederes em tomar o caminho mais fácil, como tantos outros fazem. Porque continuas a ser exactamente o mesmo pai que eras antes e porque estás sempre disponível para nos ouvires. Porque te preocupas connosco sem quereres que nos preocupemos contigo. Enfim, porque és o nosso pai. Mesmo quando és um «velho rezingão» que se mostra zangado sem sequer se aperceber disso... Parabéns pelos teus 55 anos.

6 de fevereiro de 2008

Má (péssima) publicidade

Não posso deixar de registar o meu desagrado com a mais recente campanha da cadeia Media Markt. Uma campanha de extremo mau-gosto. Não é que alguma vez tenha gostado das campanhas, mas esta ultrapassou os meus limites de tolerância.

A campanha dá pelo nome de «Parvónia» e caricatura descaradamente os habitantes dos países de Leste, que supostamente ficam muito espantados com os preços praticados nas lojas Media Markt. Se bem que no site da empresa se diga que a Parvónia é um «local onde ninguém vai ou visita e que nem aparece no mapa», as semelhanças são mais do que evidentes. Pelo sotaque, pela indumentária, pelo carro que usam, pelos tipos físicos (pele clara, olhos azuis, bigode). Dos cidadãos da Pavónia, diz-se que «são desligados do mundo, vivem no antigamente e basicamente... são parvos». Adjectivos como «fraco», «trapalhão», «ridículo» e «pseudo-inocente» fazem ainda parte da campanha.

Será que há assim tanta gente com mau-gosto e falta de respeito pelo próximo? Para sair para a rua, uma campanha destas tem de passar por uma data de gente. E isto assusta-me. Porque bastaria olhar à nossa volta para não fazer uma barbaridade destas e constatar a quantidade de pessoas oriundas dos países de Leste que por cá trabalham, e muito. Mais do que muitos portugueses.

Acho que antes de avançarem com esta campanha deviam ter olhado melhor para os números recentes do Relatório de Desenvolvimento Humano 2007-2008. Nomeadamente nos que se referem às taxas de literacia da população adulta:
- Portugal: 93,8%
- Roménia: 97,3%
- Eslovénia: 99,7%
- Lituânia: 99,6%
- Estónia: 99,8%
- Letonia: 99,7%

Os números falam por si. E agora, quem é que vive na Parvónia?

4 de fevereiro de 2008

Vale da Pinta...

... no concelho do Cartaxo, uma terra toda a gente tem muita pinta e onde também haverá muitos pintas.

3 de fevereiro de 2008

Coisas de Carnaval

Não gosto do Carnaval que se comemora por cá. Não gosto de ver crianças, às vezes de meses, mascaradas de enfermeiras, de Peter Pan ou de abelhas. Porque as máscaras não são para as crianças, mas para os pais e para os adultos em geral, que as tratam como se fossem bonecos. Que fazem questão que as máscaras estejam sempre impecáveis, mesmo que as crianças estejam com um ar infelicíssimo dentro delas. E os desfiles de Carnaval das escolas, como vi em Algés na 6.ª feira, com os miúdos todos vestidos de igual, com umas cartolas pretas, com um ar mais uma vez infeliz, a serem expostos a quem os quisesse ver. Deprimente.

Não gosto dos desfiles em Portugal a imitar os desfiles no Brasil. O Carnaval de Torres, da Mealhada, de Loulé, com as bailarinas em biquíni como se estivesse um calor à Rio. E ouvir na televisão declarações do género: «As pessoas deviam vir a Sesimbra ver o verdadeiro Carnaval de Portugal que, para mim, é o mais parecido com o do Brasil.» Como ouvi ontem.

A haver Carnaval, prefiro o genuíno português:
- o de Cabanas de Viriato, um Carnaval espontâneo e propositadamente desorganizado, em que toda a vila participa, ao som dos tambores, na Dança dos Cus ou Dança-Grande. Um Carnaval onde todos se misturam, os da vila e os de fora, e onde não há desfiles com espectadores.
- o Carnaval de Podence, onde homens e rapazes se mascaram com fatos de lã verde, amarela e vermelha, e percorrem a vila atrás das raparigas.
- o Carnaval de Lazarim, o dos caretos, com máscaras artesanais de ar demoníaco feitas de madeira. Na vila, dizem-se quadras de má-língua de rapazes para raparigas e vice-versa, deixando as politiquices de lado.

Carnavais genuínos, sem imitações.

2 de fevereiro de 2008

Alimentação

A minha tem sido péssima nos últimos dias... Pizzas, hamburgueres, torradas, chocolates, cafés. Porque chego a casa tarde e não me apetece fazer nada. E porque, comendo pouco durante o dia, à noite só me apetece ingerir comida altamente calórica e pouco saudável. Mas vou tentar que a próxima semana seja diferente. Para me precaver, já enchi o frigorífico de comida saudável e rápida que me pode saciar quando chegar tarde: sopas, pratos com espinafres, iogurtes... Vou tentar resistir à tentação de passar no McDonald's ao fim do dia. E de, ao chegar a casa, ligar de imediato para encomendar pizzas. Vou obrigar-me a comer a meio da manhã e a meio da tarde. Vou obrigar-me a beber mais água. Vou...

1 de fevereiro de 2008

Só para dizer...

... que estou de volta durante o fim-de-semana. Depois de uma semana caótica, com dias de trabalho a durar entre 12h e 14h, vamos ver se escrevo alguma coisa, em vez de me limitar a ler... E já só faltam 28 dias para me libertar outra vez.

28 de janeiro de 2008

Duas curiosidades

1. Há um blog português que pretende reunir imagens de bibliotecas pessoais de todo o mundo. Chama-se BiblioFotoTeca e já lá está uma imagem da minha:

http://bibliofototeca.blogspot.com/2008/01/biblioteca-da-rita-lisboa-portugal.html

2. O Google presta hoje homenagem aos 50 anos da Lego. Com o seguinte logotipo na página de busca:

26 de janeiro de 2008

Saúde doente

Ontem e hoje vi várias referências nos jornais e televisão a uma chamada para o INEM feita por um indivíduo de Alijó, para prestar assistência a uma pessoa que tinha caído. Após uma conversa surrealista, em que o tom é de tudo menos de urgência, é muito improvável que o socorro tivesse chegado a tempo. A qualidade da ligação era péssima, a operadora do INEM não percebia o que dizia o irmão da vítima, a morada e os números de telefone eram constantemente mal entendidos. Quando finalmente a operadora percebeu o que se passava (aí por volta do 5.º minuto da chamada), e de ter duvidado inúmeras vezes da veracidade da chamada, tentou enviar para o local uma ambulância dos bombeiros de Favaios. Só que, além de o bombeiro não estar a prestar atenção ao que ela dizia, estava ao telemóvel, coitado. E quando finalmente percebeu que tinha um serviço, não podia ir, porque estava sozinho na corporação. Então, a operadora ligou para a corporação de Alijó, que também só tinha um bombeiro disponível. Mas o senhor lá disse que ia chamar um colega e assim terminou a chamada de emergência. Quase 15 minutos depois de ter começado.

http://www.youtube.com/watch?v=88ukPcA55jI&eurl=http://kropotkine.blogspot.com/ (1.ª parte)

http://www.youtube.com/watch?v=MRDh-5aEKkg&eurl=http://kropotkine.blogspot.com/ (2.ª parte)

Nas duas únicas vezes em que tive contacto com o INEM, foi para pedir assistência para a minha mãe, em 2004. Apesar de, depois de chegarem, a terem assistido da melhor forma possível, a verdade é que da primeira vez demoraram cerca de meia hora a chegar. Estávamos a 5 km do Hospital Fernando da Fonseca. Nunca me vou esquecer desses 30 minutos, com a minha mãe a ter um AVC e a entrar em coma, o meu pai atarantado, o meu irmão a chegar a casa no meio da confusão. Da segunda vez, eu não estava presente, mas foi mais rápido e a assistência igualmente boa.

O que pergunto é: Será sempre uma questão de sorte? Sorte de ligarmos e sermos atendidos pela pessoa certa? Sorte de haver uma ambulância disponível? Sorte de a ambulância dar com o caminho? Sorte de a pessoa a precisar de assistência aguentar mais uns minutos?

Depois, no hospital, a confusão também foi muita e a assistência muito precária. Durante um mês, a minha mãe entrou no na urgência do HSF 4 vezes em estado grave, tendo sempre alta poucos dias depois e sem lhe fazerem os exames necessários. Numa das vezes, esteve 2 dias deitada numa maca no corredor das urgências porque alguém se esqueceu de avisar que havia camas livres lá em cima. Até que o meu pai perdeu a cabeça e, como médico, ou apesar disso, teve de intervir. Em pouco tempo, os exames foram feitos e o processo encaminhado, e só no Curry Cabral e mais recentemente no Garcia de Orta ela foi bem tratada. Mas as sequelas ficaram e, sobretudo o trauma sempre que uma emergência se avizinha.

Podemos sempre recorrer aos seguros de saúde, claro... Mas e quando até os seguros de saúde não comparticipam intervenções realmente necessárias? Esperamos? Até quando? Até já não ser necessário pelos piores motivos?

22 de janeiro de 2008

Publicidade fantástica

A publicidade pode ser de facto fantástica. Vende tudo e torna qualquer coisa muitíssimo atraente. Acho que, com boa publicidade, até ficaria convencida com uns parafusos xpto ou com uns chinelos de quarto de andar nas nuvens. Mas a publicidade que encontrei hoje não é a parafusos nem a chinelos de quarto. É publicidade a frigoríficos.

Mas como tornar apetecível um frigorífico branco, inócuo, simples, sem nada dos metalizados que hoje se usa e das cores e formas fantásticas dos Smeg? Um frigorífico que tem como principal característica o facto de, supostamente, impedir a mistura de cheiros?

Muito simples. Assim:




PS: Hoje, nas minhas pesquisas, encontrei uma série de outros anúncios fantásticos a causas mais nobres, como a preservação da natureza e o apoio à vítima. As imagens ficam para outro dia.