Tão diferentes uma da outra, mas ambas com uma pinta descomunal. Da Camomilla Milano.
12 de dezembro de 2011
11 de dezembro de 2011
Mudança de disco: e agora...
... esperam-me duas a três semanas de descanso, sem poder andar de carro mas a dever andar a pé. Com tempo para ler, ver filmes e atualizar o blogue com mais frequência.
Mudança de disco: Dia 4
09h00 - melhorias, bastantes. Manhã calma, a minha mãe ainda cá em casa, quiche para o almoço e a sesta já obrigatória.
16h00 e picos - telefonemas, muitos. Chega a J.inha, conversa a tarde toda, digo-lhe para jantar cá, o meu irmão virá cá ter e vai pedir pizas.
19h00 e picos - toque de campainha, abro a porta ao Migas, pergunto-lhe a brincar se hoje não há presentes e fecho a porta. Responde-me: «Estás a fechar a porta às pessoas?» e pronto, mais uma surpresa, primo e prima carregados com o jantar, das entradas à sobremesa passando pelo pão e pelas bebidas. Bolinho caseiro feito pelo Migas e ainda quente, chouriço para assar, frango, vinho, sumo...
01h00 e picos - vou deitar-me, a pensar seriamente em ser operada muito mais vezes.
16h00 e picos - telefonemas, muitos. Chega a J.inha, conversa a tarde toda, digo-lhe para jantar cá, o meu irmão virá cá ter e vai pedir pizas.
19h00 e picos - toque de campainha, abro a porta ao Migas, pergunto-lhe a brincar se hoje não há presentes e fecho a porta. Responde-me: «Estás a fechar a porta às pessoas?» e pronto, mais uma surpresa, primo e prima carregados com o jantar, das entradas à sobremesa passando pelo pão e pelas bebidas. Bolinho caseiro feito pelo Migas e ainda quente, chouriço para assar, frango, vinho, sumo...
01h00 e picos - vou deitar-me, a pensar seriamente em ser operada muito mais vezes.
Mudança de disco: Dia 3
08h00 - tenho mais dores, já não estou com a medicação endovenosa, aproximam-se as 48 horas do pós-operatório, este vai ser o dia mais doloroso.
11h00 e picos - tenho alta, a minha mãe chega para ir comigo para casa, equipada com um saco-cama para não me dar trabalho. Levo comigo uma imagem cá de dentro, a comprovar o disquinho bem colocado na base da coluna cervical:
Mais um beijinho do meu pai que passa a correr, e táxi até à Expo. Como compreendo agora bem a proibição de andar de carro para o que não seja estritamente essencial. Qualquer buraco, qualquer ressalto, qualquer pedrinha no caminho dão a tal sensação de desconforto de que me falaram.
12h30 - casa finalmente. Ida pouco planeada à farmácia, o caminho que habitualmente faço de bicicleta em 5 minutos hoje parece não ter fim. Regresso, almoço e uma sesta ansiadíssima.
17h00 - primeiro filme da recuperação: Precious, para ter consciência de que há coisas piores, mas tão piores do que uma operação à cervical.
19h00 - primeira lavagem do cabelo, com direito à mãe a secar-mo, tal como me faziam em pequena e como gosto tanto de fazer aos meus sobrinhos.
21h00 - toque de campainha, abro a porta ao meu irmão, um embrulho e lá dentro esta pérola:
Horas mais tarde, quando abro a cama para me deitar, espera-me ainda mais isto:
O meu irmão não tem preço.
11h00 e picos - tenho alta, a minha mãe chega para ir comigo para casa, equipada com um saco-cama para não me dar trabalho. Levo comigo uma imagem cá de dentro, a comprovar o disquinho bem colocado na base da coluna cervical:
Mais um beijinho do meu pai que passa a correr, e táxi até à Expo. Como compreendo agora bem a proibição de andar de carro para o que não seja estritamente essencial. Qualquer buraco, qualquer ressalto, qualquer pedrinha no caminho dão a tal sensação de desconforto de que me falaram.
12h30 - casa finalmente. Ida pouco planeada à farmácia, o caminho que habitualmente faço de bicicleta em 5 minutos hoje parece não ter fim. Regresso, almoço e uma sesta ansiadíssima.
17h00 - primeiro filme da recuperação: Precious, para ter consciência de que há coisas piores, mas tão piores do que uma operação à cervical.
19h00 - primeira lavagem do cabelo, com direito à mãe a secar-mo, tal como me faziam em pequena e como gosto tanto de fazer aos meus sobrinhos.
21h00 - toque de campainha, abro a porta ao meu irmão, um embrulho e lá dentro esta pérola:
Horas mais tarde, quando abro a cama para me deitar, espera-me ainda mais isto:
O meu irmão não tem preço.
Mudança de disco: Dia 2
07h00 e picos - dão-me um pão com manteiga e um café com leite que me sabem que nem ginjas. Mas continuo despida por debaixo dos lençóis, com várias ventosas de monitorização no peito e tubos de oxigénio nas narinas. Mal posso esperar pelo meu pijama.
09h00 - e lá vem ele, o meu pijama e os meus chinelos, duas bacias de água para «refrescar» e o primeiro banho que tomo deitada em adulta . Passam-me para um cadeirão e espero. Que a tensão suba e que me levem para o quarto.
10h00 - entra a minha mãe, nervosa mas bem-disposta. E aqui vou eu para o quarto, numa cadeira de rodas de que me apetecia levantar mas que não posso nem devo.
10h10 - «tem aí uma surpresa», diz alguém. Viram-me para a cama, levanto-me e mandam-me voltar para a parede. Uma fotografia gigante de toda a minha equipa, todos os 12, tirada num dia em que o meu pai e o meu irmão me conseguiram tirar da editora à hora de almoço. Flores do meu maninho, um postal que guardarei para sempre. E recomeça a saga dos telefonemas e das mensagens.
12h00 - almocinho finalmente, sopa, perna de frango, puré, uvas e pera, pão...
14h30 - regresso da minha mãe, que me faz companhia enquanto durmo e aproveita para conversar com a companheira de quarto que tive a sorte de ter.
16h00 - visita da C., do P. e do mano, até por volta das 18h. Pouco depois, entrada do primo E., esbaforido com medo de não conseguir entrar. Janto enquanto conversamos. Ele sai, vou lavar os dentes e quando saio da casa de banho já lá estão a J., o P. e os babies. Com chocolates e desenhos como só eles sabem fazer. Saem pelas 21h, passa um minuto e entra o meu pai só para me dar um beijinho.
21h30 - chamada do mano. Manda-me levantar da cama e ir até à fotografia. Levanto uma ponta e começo a ler as mensagens que também não irei esquecer.
23h00 - é tarde, amanha terei alta.
09h00 - e lá vem ele, o meu pijama e os meus chinelos, duas bacias de água para «refrescar» e o primeiro banho que tomo deitada em adulta . Passam-me para um cadeirão e espero. Que a tensão suba e que me levem para o quarto.
10h00 - entra a minha mãe, nervosa mas bem-disposta. E aqui vou eu para o quarto, numa cadeira de rodas de que me apetecia levantar mas que não posso nem devo.
10h10 - «tem aí uma surpresa», diz alguém. Viram-me para a cama, levanto-me e mandam-me voltar para a parede. Uma fotografia gigante de toda a minha equipa, todos os 12, tirada num dia em que o meu pai e o meu irmão me conseguiram tirar da editora à hora de almoço. Flores do meu maninho, um postal que guardarei para sempre. E recomeça a saga dos telefonemas e das mensagens.
12h00 - almocinho finalmente, sopa, perna de frango, puré, uvas e pera, pão...
14h30 - regresso da minha mãe, que me faz companhia enquanto durmo e aproveita para conversar com a companheira de quarto que tive a sorte de ter.
16h00 - visita da C., do P. e do mano, até por volta das 18h. Pouco depois, entrada do primo E., esbaforido com medo de não conseguir entrar. Janto enquanto conversamos. Ele sai, vou lavar os dentes e quando saio da casa de banho já lá estão a J., o P. e os babies. Com chocolates e desenhos como só eles sabem fazer. Saem pelas 21h, passa um minuto e entra o meu pai só para me dar um beijinho.
21h30 - chamada do mano. Manda-me levantar da cama e ir até à fotografia. Levanto uma ponta e começo a ler as mensagens que também não irei esquecer.
23h00 - é tarde, amanha terei alta.
Mudança de disco: Dia 1
09h30 - entrada na clinica de Santo António, registos e etc. Às 10h já estou no quarto, para uma longa espera até às 15h, a hora marcada para a intervenção.
12h30 - esta seria a minha hora de almoço, tenho de limitar-me a ouvir os pratos e talheres no corredor. Nem água posso beber.
15h00 - começa o período de desconto. Nas ultimas horas recebi uma data de telefonemas e mensagens, mas nada me tira a ansiedade e a vontade de despachar o assunto. O meu pai faz-me companhia, mas já nem há palavras para além de um murmurar de quantos minutos vão passando.
16h00 e picos - quando já penso que se tinham esquecido de mim, entram finalmente no quarto para a «preparação»: bata, meias brancas anticoagulação e a partir de agora já não me posso levantar. Passo para o bloco operatório, onde me espetam na mão uma pequena agulha para administração de medicação. E ali fico à espera, durante mais de uma hora. Tenho uma quebra de tensão por causa da agulha, mas tenho vergonha de me queixar e espero que passe. Espero mais, deitada e a vê-los a passar.
17h25 - empurram a maca, pergunto as horas, entramos na sala da cirurgia, muita luz e música de fundo. Um «até já» e apago.
19h00 e picos - a primeira recordação que tenho, a maca a deslocar-se e a passar pelos meus pais e pelo meu irmão. Colocam-me noutro sítio, transpiro em bica. Aparece o meu pai, «estou cheia de sono», depois a minha mãe, «estou cheia de sono», por fim o Migas, «estou cheia de sono».
21h00 e picos - mudam-me finalmente os lençóis, consigo um pouco de conforto. Tenho pela primeira vez consciência do penso na garganta, vejo as horas, peço de beber. Espera-me uma noite agitada na UCI, em que de hora a hora um sujeito pergunta as horas.
12h30 - esta seria a minha hora de almoço, tenho de limitar-me a ouvir os pratos e talheres no corredor. Nem água posso beber.
15h00 - começa o período de desconto. Nas ultimas horas recebi uma data de telefonemas e mensagens, mas nada me tira a ansiedade e a vontade de despachar o assunto. O meu pai faz-me companhia, mas já nem há palavras para além de um murmurar de quantos minutos vão passando.
16h00 e picos - quando já penso que se tinham esquecido de mim, entram finalmente no quarto para a «preparação»: bata, meias brancas anticoagulação e a partir de agora já não me posso levantar. Passo para o bloco operatório, onde me espetam na mão uma pequena agulha para administração de medicação. E ali fico à espera, durante mais de uma hora. Tenho uma quebra de tensão por causa da agulha, mas tenho vergonha de me queixar e espero que passe. Espero mais, deitada e a vê-los a passar.
17h25 - empurram a maca, pergunto as horas, entramos na sala da cirurgia, muita luz e música de fundo. Um «até já» e apago.
19h00 e picos - a primeira recordação que tenho, a maca a deslocar-se e a passar pelos meus pais e pelo meu irmão. Colocam-me noutro sítio, transpiro em bica. Aparece o meu pai, «estou cheia de sono», depois a minha mãe, «estou cheia de sono», por fim o Migas, «estou cheia de sono».
21h00 e picos - mudam-me finalmente os lençóis, consigo um pouco de conforto. Tenho pela primeira vez consciência do penso na garganta, vejo as horas, peço de beber. Espera-me uma noite agitada na UCI, em que de hora a hora um sujeito pergunta as horas.
7 de dezembro de 2011
5 de dezembro de 2011
What makes you happy?
A Clinique quer pôr uma data de gente a pensar sobre o que nos faz feliz. O primeiro vídeo lançado é de Francisco Lobo e fala de coisas tão simples como são também as que me fazem feliz:
Eu não fiz um vídeo, mas consegui fazer uma lista de coisas que me fazem feliz, não necessariamente por esta ordem e definitivamente muito incompleta:
Estar com os meus amigos.
Descalçar-me quando chego a casa.
Ter tantos livros para ler e ter tempo para o fazer.
O gelado de morango feito com carinho pela minha mãe.
Dar um mergulho no mar.
Adormecer ao som do ronrom da TT.
Um duche quente quando tenho frio...
... e um duche frio quando tenho calor.
A Twiggy louca quando me vê chegar.
A alegria dos meus sobrinhos.
Viajar com o meu pai uma vez por ano.
Pizas todos os dias.
Dormir numa cama esticadinha feita de lavado.
Andar de bicicleta, é a sensação mais parecida com voar.
Os miados fininhos da Vespa Gata sempre que lhe dou uma festinha.
Andar de Vespa logo de manhã.
As plantas do meu pátio.
Apanhar sol debaixo da ponte.
O meu irmão do coração.
4 de dezembro de 2011
Excelente vídeo, excelente música
A alegria é contagiante, e o vento quase consigo senti-lo a bater-me na cara e nos cabelos.
A explorar muito mais de Nadéah.
A explorar muito mais de Nadéah.
2 de dezembro de 2011
Palminhas!
Para o nosso primeiro-ministro. Um dia após a aprovação do Orçamento de Estado, com fortes cortes salariais e grandes aumentos de impostos, sugere numa entrevista que talvez ainda sejam necessárias mais medidas de austeridade.
Ai queixavam-se do PEC IV e da «austeridade sem fim»? Ora aqui temos a resposta.
Ai queixavam-se do PEC IV e da «austeridade sem fim»? Ora aqui temos a resposta.
1 de dezembro de 2011
Cuidado com as lágrimas...
... eu derramei muitas, muitas mesmo. Às vezes tenho vergonha de pertencer à espécie humana.
30 de novembro de 2011
28 de novembro de 2011
Habemus o non habemus?
É mais um filme de Nanni Moretti e está quase tudo dito. Cómico, inesperado, extremamente humano, Habemus Papam retrata o drama de um cardeal (Michel Piccoli) que, ao ser escolhido para Papa, entra em pânico, fugindo (literalmente) a sete pés. Para o ajudar é convocado ao Vaticano um psicanalista (Nanni Moretti), que grande coisa não pode fazer para além de entreter as hostes.
Durante a crise do cardeal Melville, acompanhamos a rotina dos restantes cardeais, retidos no Vaticano enquanto o Papa deambula foragido pelas ruas de Roma e não se decide a ser proclamado. Vemos-los a jogar voleibol, a fumar, a jogar, a fazer grupinhos... quase como crianças mas acima de tudo como seres humanos.
E não posso dizer mais nada, se não perde a piada. E tem muita.
Durante a crise do cardeal Melville, acompanhamos a rotina dos restantes cardeais, retidos no Vaticano enquanto o Papa deambula foragido pelas ruas de Roma e não se decide a ser proclamado. Vemos-los a jogar voleibol, a fumar, a jogar, a fazer grupinhos... quase como crianças mas acima de tudo como seres humanos.
E não posso dizer mais nada, se não perde a piada. E tem muita.
![]() |
| Nanni Moretti a tentar conversar «em privado» com o Santo Padre. |
24 de novembro de 2011
Cemitério de pianos, de José Luís Peixoto
Resisti durante anos, por pura parvoíce. Porque é um escritor precisamente da minha geração e achava que, tal como eu, não era capaz de escrever livros. Porque não acreditava que um tipo cheio de piercings e tatuagens fosse capaz de produzir verdadeira literatura. E porque, ao longo dos anos e com raras exceções, me fui afastando da literatura portuguesa em busca dos anglo-norte-americanos, tão bons contadores de histórias.Hoje, como agradeço à A. ter-me emprestado este Cemitério de pianos! Comecei cética, mas o ceticismo não sobreviveu à primeira página. Devorei este livro e as histórias que conta, adorei o ritmo e o estilo. Tudo, em resumo. Bastou-me este livro para perceber que José Luís Peixoto é genial e para me ver obrigada a recomendá-lo a todos os céticos como eu. Encontrei passagens brilhantes: o discurso entrecortado do pensamento de um corredor da maratona enquanto percorre os longos quilómetros; as palavras rasgadas quando se descreve a destruição de uma coleção de revistas cor-de-rosa; o tempo que passa de rápido a lentíssimo aquando de um nascimento.
Se o quiser comparar com alguém, talvez com Lobo Antunes até há uns 10 anos, antes de ter enlouquecido de vez (ou de eu ter perdido a paciência para o tentar acompanhar)... Mas com muito mais humildade e com tanto, tanto potencial.
23 de novembro de 2011
Quase a terminar o livro aqui ao lado...
... e a adorar. Que bom ler um autor pela primeira vez (ainda por cima jovem) e saber que ainda temos tantas leituras dele pela frente.
20 de novembro de 2011
Espírito de Natal
A árvore está feita, os presentes quase todos comprados, agora só falta mesmo ir a um mercado de Natal como este. Já fazia falta em Lisboa.
19 de novembro de 2011
Até podia parecer uma brincadeira...
... mas infelizmente faz todo o sentido celebrar um dia como este:
Num mundo em que 40 por cento da população não tem acesso a condições sanitárias adequadas, correndo grandes riscos de sofrer de diarreia, cólera e disenteria, temos de dar valor a fazer parte dos restantes 60 por cento. E de olhar com outros olhos para algo tão simples como as nossas casas de banho.
Num mundo em que 40 por cento da população não tem acesso a condições sanitárias adequadas, correndo grandes riscos de sofrer de diarreia, cólera e disenteria, temos de dar valor a fazer parte dos restantes 60 por cento. E de olhar com outros olhos para algo tão simples como as nossas casas de banho.
18 de novembro de 2011
Multitasking
Francês, Matemática, Português e ainda um bocadinho de Geografia. Leituras de ontem ao longo do dia.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
























