Se há alturas em que não há nada de jeito para ver no cinema, estamos agora numa época em que a escolha de boas hipóteses é tão grande que me vejo aflita para conseguir ver tudo antes que saiam de cartaz. Começando pelo que vi mais recentemente...
Caos Calmo - Nanni Moretti mais uma vez no seu melhor. Este filme não é realizado por ele mas teve a sua colaboração no argumento, e Moretti é a personagem principal que aparece em mesmo todas as cenas. Adaptado do livro de Sandro Veronesi, é a história de Pietro, um homem cuja mulher morre de repente enquanto ele estava na praia a salvar outra mulher de morrer afogada. Dias depois, ao levar a filha à escola, Pietro decide ficar lá fora todo o dia à espera, sentado num banco de jardim ou no carro. E no dia seguinte a mesma coisa. E no outro a seguir também. A certa altura, o mundo de Pietro gira naquele jardim, onde familiares, amigos e colegas de trabalho o visitam porque a vida dos outros não pode parar. No meio do drama, Nanni Moretti consegue mais uma vez fazer-nos rir, como já tinha acontecido em O Quarto do Filho, Querido Diário, Abril... O olhar directo, os pensamentos imponderáveis, as listas mentais, tudo é do melhor que há. Muito, muito bom.

Bolt - Um cão actor que nunca viveu fora do estúdio julga que tem superpoderes a sério. Até que um dia, num daqueles azares que só acontecem nos filmes, entre num caixote e vai parar a um estado do outro lado do continente. E, aos poucos, vai-se apercebendo de que superpoderes só mesmo nos filmes. Acompanhado por uma gata manhosa e por um hamster deslumbrado com o seu suposto super-herói, Bolt empreende uma viagem de milhares de quilómetros para voltar para a sua «pessoa» e para a sua casa, aproveitando para, pelo meio, aprender a ser um cão a sério. Em algumas salas, o filme vê-se em 3D com uns óculos próprios (já de plástico, bem diferentes dos usados para ver o longínquo Monstro da Lagoa Negra...), e vale a pena. A ver por miúdos e não só.
Ensaio sobre a Cegueira - O título em inglês, Blindness, é bem mais forte, mas faça-se jus ao romance de Saramago que lhe serviu de inspiração. Para quem não conhece a história, uma epidemia de cegueira invade uma grande cidade, afectando todos menos uma única mulher (Julianne Moore, numa óptima interpretação). Aos poucos, o ser humano de cada um vai desaparecendo, dando lugar ao mais básico instinto de sobrevivência, pela comida, pelo sexo, pelo espaço, por tudo. Quando li o livro há uns anos, fiquei impressionada, sobretudo com a descrição das cenas de sexo praticado em qualquer lugar entre desconhecidos tomados pela cegueira. Mas o filme consegue chocar ainda mais: vejo todas as imundícies, sinto todos os cheiros, ouço todos os ruídos, e tenho pavor de que um dia o mesmo nos pudesse acontecer. Excelente adaptação, que o próprio Saramago agradeceu por ter sido feita.
By the way, muitos outros filmes que quero ver depressa: A Turma, Amália, Austrália, Madagáscar 2, Destruir Depois de Ler.

3-3. Três profissões ao ar livre vs. três profissões em espaços fechados. Não sei quais ganham. Mas sei que se um dia tivesse de fazer reboot não me atrapalharia.


























Ali Aqa, 15 anos.
Hatika, 11 anos.
Fiza, 12 anos.
Just in case, levo o meu maninho comigo, para verificar paredes e vidros, portas e rodapés, madeiras e soalhos. Estou exigente.