2 de março de 2009

Seis é pouco mas já é qualquer coisa...

Ou respondo agora ou nunca mais respondo... Lembra-se, quem me desafiou, dos 7 pecados capitais que fui adiando até perderem a oportunidade. Por isso, porque ou faço logo ou não faço, respondo à Sininho.

As regras: 1 - publicar o link e quem nomeou; 2 - publicar as regras; 3 - contar 6 coisas aleatórias sobre si; 4 - indicar mais seis pessoas e publicar os respectivos links; 5 - avisar quem nomeou; 6 - não apressar os nomeados.

6 coisas sobre mim: 1 - leio tudo o que me aparece à frente, desde pacotes de cereais na cozinha até caixas de pasta de dentes na casa de banho, para não referir todos os outros locais por onde passo; 2- dava a minha vida, no verdadeiro sentido do termo, por uma pessoa - o meu irmão; 3 - gosto de estar sozinha mas não me importava de estar acompanhada; 4 - sou workaholic; 5 - quando tenho insónias pouso a mão em cima da TT e o seu ronrom adormece-me em poucos minutos; 6 - detesto sapatos/roupa/tudo apertado (nos primeiros compro quase sempre um número acima), e não experimento roupa em provadores onde não me posso mexer.

E agora quero saber 6 coisas sobre: Nia, M (para ver se reactivas os Tropismos...), Gaja, Anita, A Gerência, K. As outras 3 (Mary, Sininho e Claudete) já foram convocadas.

28 de fevereiro de 2009

Os meus carros também contam histórias

Quem me conhece sabe que gosto muito carros. De preferência robustos mas acima de tudo que não sejam iguais a todos os outros. Não troco de carro com regularidade, sou adepta de comprar em 2.ª mão mas «em bom», tenho o mesmo carro há 5 anos e estou muito contente com ele. Os meus carros têm uma história, que se mistura com a minha. Cada um me traz recordações, boas e más, mas que não deixo de relembrar quase sempre que vejo um igual. Sei de cor a matrícula de quase todos, seria capaz de entrar neste momento em qualquer um e arrancar.

E aqui estão os carros da minha vida:

- O primeiro de todos (Opel Corsa cinzento escuro, de 1988, PE-37-20). Herdado da minha mãe, foi um dos que mais sofreu nas minhas mãos e aquele com que mais vezes bati. Com ele, fiquei com a traseira encaixada numa paragem de autocarro e entrei pela feira de S. Pedro de Sintra adentro, partindo uma data de pratos.

- O primeiro novo nas minhas mãos (Ford Ka cinzento escuro, de 1998, 39-36-JQ). Aquele que me traz melhores recordações e que me acompanhou numa das melhores fases da minha vida. Tive muita pena de ter de o vender, mas uma oportunidade não se pode perder. Certas noites ainda sonho com ele, como se estivesse lá fora pronto para o conduzir. Já o vi entretanto mais duas vezes, e fiquei com lágrimas nos olhos.
- O companheiro das aventuras (Land Rover Defender branco, de 2001, 98-03-SJ). Comprei-o imaculado em 2.ª mão, com apenas 170 km. Passado uns meses já não estava tão imaculado e encontrava-se bem mais carregado de acessórios. Serviu para subir bem alto e atravessar vaus quase impossíveis e até para temperar carne em cima do capot. Tenho saudades de andar lá em cima.
- O que durou menos tempo (BMW 328i cinzento claro, não me lembro da matrícula). Tive-o durante 3 ou 4 meses, marcou uma das piores fases da minha vida e não descansei enquanto não o vendi. Talvez por me ter sido «imposto», nunca me identifiquei com este estilo.

- O que tenho hoje e que sempre quis ter (Land Rover Discovery II preto, de 2000). Também comprado em 2.ª mão e que já me tem feito desembolsar uns bons milhares de euros. Mas não me importo assim tanto. Adoro conduzi-lo, não ambiciono mais nenhum, sinto-me tão bem lá dentro como quando o comprei, em 2004. Marca 205.000 km e espero que aguente outros tantos.

26 de fevereiro de 2009

Casa mia

E já está. 14 meses depois de ter assinado o contrato promessa de compra e venda, 6 meses depois de ter vendido a casa antiga, 4 meses depois de ter vindo habitar para esta, a casa é finalmente minha, com escritura assinada e ponto. Ou pelo menos um 1/3 da casa; o resto é do banco, mas isso não interessa para nada.

Vivi estes meses em indefinição, sem pagar empréstimo mas também sem saber ao certo quanto iria ficar a pagar depois. Não gosto de situações cinzentas, ou sim ou não. Agora é sim.

O meu pátio um dia destes à noite, fotografado com uma máquina muito manhosa.

24 de fevereiro de 2009

Excentricidade ao cubo

Como gostos não se discutem, e apesar de saber que estas imagens vão causar repulsa a muita gente, tenho de guardar aqui algumas fotografias de um animal de que sempre gostei, desde que o vi no Algarve em miúda e que nunca mais voltei a ver ao vivo.

Cores vivas que altera para se exibir, camuflar, ameaçar ou mesmo regular a temperatura (sim, quando tem frio fica mais escuro para aquecer). Olhos com movimentos independentes que lhe permitem uma excelente visão mesmo quando não se mexe. Cauda preênsil para o ajudar a agarrar-se aos ramos. E surdo, muito surdo, talvez o motivo para toda esta explosão de excentricidade.

Furcifer pardalis, fotografia de Tom Junek.


Calumma Parsonii, fotografia de Jialiang Gao.

23 de fevereiro de 2009

Paralelismos que não queria encontrar

Kym abandona a clínica de reabilitação durante uns dias para voltar a casa e assistir ao casamento da irmã. Durante esse período, os sentimentos na família são um misto de saudades e de ansiedade, de medo que ela volte a mentir, a roubar, a ser indiscreta e a estragar os momentos. Pais divorciados, com famílias refeitas; o pai ansioso por conciliar e agradar, mas sempre atento a qualquer mau sinal; uma irmã mais velha preocupada com ela mas ressentida por tudo o que a outra os fez passar; um irmão mais novo já morto num acidente causado pela condução de Kym em estado pouco recomendável.

















Gostei muito de O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes, Filadélfia). E ao mesmo tempo odiei-o.

Porque me fez pensar naquilo em que não quero pensar. Nos meus pais divorciados por problemas parecidos, na minha mãe durante muito tempo dominada pela minha irmã, no meu pai destruído e lavado em lágrimas quando descobria as suas mentiras, no meu irmão que felizmente raramente teve de andar de carro com ela. Os nomes são outros, o espaço geográfico também, as ocasiões também, mas tudo o resto é assustadoramente parecido. Dentro de 2 meses, a minha irmã estará temporariamente de volta. E se por um lado tenho saudades dela, a ansiedade que dentro de mim cresce é enorme, com medo de mais mentiras, de mais intrigas, de mais vigilância apertada. E, tal como a irmã de Kym no filme, sei que quando ela partir o meu sentimento será de alívio. Parece horrível, mas não o posso esconder. Nunca um filme me tinha parecido tão real.

22 de fevereiro de 2009

Máscaras como deve ser

E já que estamos no Carnaval (que eu, sublinhe-se, abomino, pelo ridículo das crianças mascaradas com os pais mais contentes do que elas e pela decadência e falta de gosto das ditas máscaras...), mais uma série de fotografias de Annie Leibovitz, esta com encenações de filmes da Disney. Verdadeiros cenários de sonho, em que não me importava de ter entrado. Máscaras a sério.

Where you're the fairest of them all. (Rachel Weisz como Branca de Neve)


















Where dreams run free. (Jessica Biel como Pocahontas)


















Where every wish is you command. (Whoopi Goldberg como O Génio)




















Where you're always the king of the court. (Roger Federer como Rei Artur)


















Where you never have to grow up. (Mikhail Baryshnikov como Peter Pan, Giselle Bündchen como Wendy e Tina Fey como Sininho)


















Where every Cinderella story comes true. (Scarlett Johansson como Cinderela)


















Where wonderland is your destiny. (Beyoncé como Alice, Lyle Lovett como March Hare e Oliver Platt como Chapeleiro Louco)


















Where a Whole new world awaits. (Jennifer Lopez como Jasmine e Marc Anthony como Aladino)


















Where the magic begins. (Julie Andrews como a Fada Azul de Pinóquio e Abigail Breslin como Fira de Disney Fairies)


















Where imagination saves the day. (David Beckham como Príncipe Filipe de Bela Adormecida)





21 de fevereiro de 2009

Citação 2 - A fé e a ciência

Quando temos sede parece-nos que poderíamos beber todo um oceano: isto é a fé; e quando bebemos, bebemos apenas um copo ou dois: isto é a ciência.

Anton Pavlovich Tchekhov (1860-1904), escritor e dramaturgo russo

Citação 1 - A religião e as ciências

É permitido a uma mulher católica evitar a gravidez recorrendo à matemática, contudo ela ainda está proibida de recorrer à física ou à química.

Henry Louis Mencken (1880-1956), jornalista e crítico social

17 de fevereiro de 2009

As benevolentes, de Jonathan Littell

Leio um calhamaço que estou a adorar. 890 páginas com letra pequenina (a que normalmente sou totalmente avessa...), as memórias de um ex-oficial nazi que participa na execução judaica, na invasão de Estalinegrado, na organização dos campos de concentração. As benevolentes, de Jonathan Littell, revela uma confissão crua, sem arrependimento mas também sem maldade, de alguém que afirma ter feito o que fez por ser o que tinha de fazer. Era o seu trabalho.

Não resisto a transcrever aqui duas passagens de um prefácio que considero excepcional:

Os fillósofos políticos têm feito notar muitas vezes que em tempo de guerra o cidadão, do sexo masculino pelo menos, perde um dos seus direitos mais elementares, o de viver (...). Mas raramente notaram que o mesmo cidadão perde ao mesmo tempo um outro direito, igualmente elementar e talvez ainda mais vital, no que diz respeito à ideia que faz de si próprio enquanto homem civilizado: o direito de não matar. Ninguém nos pergunta a nossa opinião. O homem que fica de pé à beira da vala comum, na maior parte dos casos, não quis estar ali mais do que aquele que está deitado, morto ou moribundo, no fundo da mesma vala.

Penso que me é permitido concluir como um facto estabelecido pela história moderna que toda a gente, ou quase, num conjunto de circunstâncias dadas, faz o que se lhe diz que faça: e, peço descupla, há poucas probabilidades de ser o leitor a excepção, tal como eu não a fui. Se nasceram num país ou numa época em que não só ninguém aparece para matar as vossas mulheres, os vossos filhos, mas em que ninguém aparece também para vos dizer que matem as mulheres e os filhos dos outros, dêem graças a Deus e vão em paz. Mas mantenham sempre presente no espírito esta ideia: talvez tenham tido mais sorte do que eu, mas nem por isso são melhores do que eu.

Por já ter lido e visto tanta coisa sobre os horrores do Holocausto, estou a aprender com esta visão, e tento colocar-me dentro de outras cabeças. O que teria eu feito se lá tivesse estado?

16 de fevereiro de 2009

Para não me esquecer

Se calhar estou a ser repetitiva, afinal já vi estas imagens numa série de blogues... Mas em época de grandes filmes e de óscares, não resisto a publicá-las aqui, até para eu própria não me esquecer...

(imagens retiradas do The 2009 Hollywood Portfolio, captadas por Annie Leibovitz)

CHRISTOPHER NOLAN and the late HEATH LEDGER, The Risktakers - One film together: The Dark Knight (2008)

MERYL STREEP and JOHN PATRICK SHANLEY, The Undoubted - One film together: Doubt (2008)

NICOLE KIDMAN and BAZ LUHRMANN, The Colonists - Two films together: Moulin Rouge! (2001) and Australia (2008)


RON HOWARD and TOM HANKS, The Classicists - Four films together: Splash (1984), Apollo 13 (1995), The Da Vinci Code (2006), and the upcoming Angels & Demons (2009)


PENÉLOPE CRUZ and WOODY ALLEN, The Odd Couple - One film together: Vicky Cristina Barcelona (2008)


GUS VAN SANT and SEAN PENN, The Milk Men - One film together: Milk (2008)


SAM MENDES and KATE WINSLET, The Partnership - One film together: Revolutionary Road (2008)


DARREN ARONOFSKY and MICKEY ROURKE, The Ringers - One film together: The Wrestler (2008)


DANNY BOYLE and DEV PATEL, The Dickensians - One film together: Slumdog Millionaire (2008)

Até onde nos leva a vergonha?

Foi a pensar nisto que saí da sala de cinema onde assisti à ante-estreia de O Leitor. Coisas muito simples, que temos como adquiridas e que para qualquer um de nós parecem banais, podem ser a vergonha da vida de uma pessoa. E, ao não admitir uma fraqueza, ao não assumir a vergonha, levá-la à condenação. E mais não conto, para não estragar a surpresa.

Gostei bastante, apesar de Kate Winslet não estar na minha lista de preferências e de ter ficado um bocado cansada de a ter visto tantas vezes nua no primeiro terço do filme. Numa altura em que filmes sobre judeus, alemães, holocausto e julgamentos estão na moda, este não é mais um. É um filme que, para além da culpa ou da falta dela, para além da assumpção ou não da vergonha, nos mostra que, mesmo quando se tem um grande amor, a justiça o pode vencer. E é isso que Ralph Fiennes faz, utilizando a «mão de Deus» para condenar mas também para aliviar o sofrimento. Bom filme, se calhar a Kate Winslet leva o óscar este ano...

PS: Descobri ainda a posteriori que o realizador é o mesmo de As Horas e Billy Elliot. Isto explica muita coisa.

12 de fevereiro de 2009

Parabéns, Papá

Ainda a tempo de deixar os parabéns ao meu pai, por 56 anos que com altos e baixos continuam a ser bem vividos. Excelente jantar, muitas gargalhadas, poucos mas unidos.

Na foto: O Papá de bicicleta em Barcelona.

10 de fevereiro de 2009

Se não fossem homens assim..

Sim, homens, com «h» pequeno e com «H» grande, como Harvey Milk (1930-1978). Numa época em que se tentou fazer uma «caça aos homossexuais», Milk lutou até à morte pelos seus, pelos seus direitos, pelos seus deveres, pela sua liberdade. Se ainda hoje os homossexuais ainda são muitas vezes olhados de lado, o que teria sido há 30 anos? E se estes não tivessem lutado na altura certa, que sociedade teríamos hoje? Homossexuais (ainda mais) escondidos, com medo de perderem os seus empregos? Os seus amigos? A sua família? Isolados em guetos, em bairros de periferia, em hospitais? Discriminados e acusados pelos hipócritas representantes de famílias ditas «normais? O que será preferível, um homossexual assumido e feliz ou um heterossexual reprimido e infeliz?

Se abomino e sou contra o «gay pride», defendo e respeito a «gay freedom».



Muito bom este Milk, com Sean Penn em mais um grande papel num grande filme de Gus Van Sant. Como li no Rascunho, um grande homem, por trás de um grande actor, por trás de um grande filme.

4 de fevereiro de 2009

Não revolucionou a minha vida

Não para responder à Mary, mas porque já há 2 dias que queria escrever sobre este Revolutionary Road. E para quem acompanha os 2 blogs, nada como o contraponto da opinião de 2 pessoas que podiam ser irmãs…

Ia com uma expectativa alta, críticas muito favoráveis, um realizador de quem já tinha visto 2 bons filmes (Sam Mendes - American Beauty e Máquina Zero), conselhos de quem, com gostos parecidos com os meus, tinha visto e aprovado.

Resumindo, do que gostei:
- da base da história, um típico casal norte-americano, ele empregado de escritório, ela dona-de-casa, vida nos subúrbios, dois filhos e uma casinha perfeita com o relvado perfeito (só faltava o cão)… mas muita frustração, muito sonhos por realizar e vontades diferentes de o fazer;
- do ambiente dos anos 50 – o mobiliário, o vestuário, os carros;
- da cena final, discreta e cheia de humor.

Do que não gostei:
- da interpretação do casal principal – ele, Leonardo DiCaprio, não me consegue convencer no papel de pai de família (para ser sincera, nunca me convenceu noutros papéis); já com ela, Kate Winslet, aconteceu-me algo que não me acontecia há muito tempo, não conseguir abstrair-me de que estava a representar;
- do efeito «montanha-russa», com discussões brutais intercaladas por declarações inflamadas de amor pelo meio, da sensação de que nunca mais acabava ;
- das coincidências, de quem peca ter sempre o outro à espera com um sorriso nos lábios, não sei se para gerar remorsos se com outro objectivo.
Saí da sala com vontade de ir ver outra coisa.

Próximas sessões: Milk, A troca, O estranho caso de Benjamin Button, Dúvida, Vicky Cristina Barcelona, O rapaz do pijama às riscas, A duquesa…

1 de fevereiro de 2009

Este é outro recado - bem mais a sério - para quem:

- não faz separação de lixos;
- vai a a um McDonald's ou afim e tira sempre uma mão-cheia de guardanapos de papel porque só um não chega;
- vai a uma casa-de-banho e tira mais 4 ou 5 para limpar as mãos...

Não sou fundamentalista, não aproveito o verso de todas as folhas, não me assoo a lenços de pano nem defendo o fim das fraldas descartáveis, gosto da comodidade que a evolução nos trouxe... mas há mínimos que não custam nada.

29 de janeiro de 2009

«Estragar» ou não «estragar»?

Um recado para quem não gosta de «estragar» os livros:


Eu «estrago-os» todos: sublinho-os a lápis ou com o que houver, dobro os cantos das páginas em cima e em baixo, ando com eles na mala, atiro-os para o banco do lado no carro... Quando acabo de os ler têm o meu cheiro, as minhas marcas, bilhetes, papéis e areia no meio das páginas. Quando os arrumo nas prateleiras já não vão sozinhos.

PS: E gosto de os emprestar, gosto que leiam aquilo de que gostei, que demorem o tempo que quiserem, mas que mos devolvam.

27 de janeiro de 2009

Chaves da minha vida

Chaves do prédio, chaves de casa, chaves da arrecadação, chaves do correio, chaves do lixo, chaves do pátio, chaves da casa da mãe, chaves da casa do pai, chaves do consultório do pai, chaves da Ericeira, chaves do carro, chaves da Vespa, chaves da bicicleta, comandos da garagem de casa, da garagem do emprego, da Ericeira, da casa da mãe...

Objectos com que vivo todos os dias e que têm ou terão ainda uma história para contar. Histórias felizes, histórias tristes, histórias cheias de gente ou sem mais ninguém. Chaves que já viram milhares de pessoas. Chaves que conhecem e contam uma boa parte de mim. Chaves que foram duplicadas. Chaves que foram roubadas. Chaves que andaram perdidas e que foram reencontradas.

Chaves que às vezes não quero usar para abrir, e que outras não quero usar para fechar.

25 de janeiro de 2009

Uma vida normal

Há cerca de um ano, estava num domingo à noite a ver televisão quando uma reportagem me chamou a atenção para a ver até ao fim. Falava de um rapaz de 20 e tal anos que nasceu sem braços e sem pernas, coisa que à partida não me teria dado vontade de assistir a tudo. Mas foi o tom da peça que me atraiu. Com uma visão positiva sobre a vida de Paulo Azevedo (não deixando no entanto de referir as dificuldades por que tem passado), mostrava-me um rapaz normal, que estudou, que trabalha (agora como actor numa telenovela), que guia carro e moto-4, que namora e é vaidoso com o seu aspecto. Um rapaz que, ao contrário de tantos outros com e sem deficiências, não passa a vida a queixar-se da vida que lhe calhou. Porque não se contenta com a que lhe calhou, esforçando-se por escrevê-la ele.

No final da reportagem, quando passavam os créditos, vi que tinha sido feita por uma colega e amiga minha, a Sofia Arêde. Passados uns meses, a Sofia ligou-me a pedir-me conselho porque a tinham convidado para escrever um livro sobre o Paulo. Não aceitar estava fora de questão, restava uma negociação relativa a valores e timings de entrega de originais. Em Novembro, o livro foi publicado.

Chama-se, tal como a reportagem, Uma vida normal.

24 de janeiro de 2009

Um anjo bateu-me à porta

Ontem tive um dia péssimo, apesar de antes de sair de casa me parecer um dia bom. Era sexta-feira, tinha um almoço combinado com um grupo dos bons, estava bom tempo. Até que me apercebi de que tinha perdido a carteira na noite anterior. Mesmo à porta de casa, mesmo à porta do carro. Passei a manhã de banco em banco, na PSP, na obra à frente de casa a tentar localizá-la.

E, já com os cartões todos cancelados (e depois de ter pago boas maquias para não serem usados por mais ninguém), comecei a lembrar-me do resto que tinha na carteira: fotografias de grande parte da minha família, algumas exemplares únicos. Um bilhete escrito para mim pelos meus avós em 1983. Um bilhete em que o meu afilhado me convidava para ser madrinha dele... E chorei.

Almocei num dos meus restaurantes preferidos mas poucas vezes estive lá. Passei a tarde em reuniões e voltei para casa tarde. Hoje, ao acordar, o meu primeiro pensamento foi para a carteira, as fotografias, os bilhetes. Há bocado, ouvi a porta do patamar a bater e a minha campainha a tocar. Era a minha carteira, nas mãos de um segurança da obra que só queria que eu verificasse se a carteira tinha tudo lá dentro. E eu queria lá saber disso, só queria voltar a ler os bilhetes. Dei-lhe uma garrafa de vinho, porque não tinha mais nada para lhe oferecer. Ele não queria aceitar. Mas eu obriguei-o a levá-la. Porque me fez ganhar o dia, o fim-de-semana, o mês.

22 de janeiro de 2009

E eu que nem gosto de cozinhar...

... adoro dois electrodomésticos que provavelmente nunca terei. Não só por serem caros, mas também e acima de tudo porque hoje as casas novas que compramos já trazem tudo encastrado. Electrodomésticos que não se vêem (aliás, nem se dá por eles...), que tornam as cozinhas habitáveis até por quem odeia cozinhar. Na minha cozinha, as únicas «máquinas» que se vêem são a Nespresso (que uso todos os dias), o micro-ondas Whirlpool redondo como não conheço outro (que uso mais do que uma vez por dia) e uma torradeira Phillips cromada (que uso uma ou duas vezes por semana). Tudo o resto, ou está encastrado ou bem arrumadinho e com pouco uso. Mas sonho um dia com uma cozinha gigante, onde também se está, e onde poderei não cozinhar para me deixar hipnotizar por estes electrodomésticos:

Um frigorífico Smeg, bem brilhante e colorido:


Um fogão Aga, cheio de fornos independentes:

19 de janeiro de 2009

Eu quero saber como foi

Conta-me como foi merece aqui estar porque, para além dos episódios de House e de uma ou outra série, é a única série portuguesa que não me posso esquecer de gravar. Não conheço a versão espanhola, mas a portuguesa é muito, muito boa. Para quem quer aprender história sem dar por isso, para quem quer recordar os tiques, os problemas, as roupas e os objectos de há 40 anos.

É a história dos Lopes (Miguel Guilherme e Rita Blanco), família lisboeta da classe média baixa. Ele, escriturário, ela, modista e proprietária de uma «boutique». Com 3 filhos: a aspirante a actriz, o universitário e o mais novo, o Carlitos, que só pensa em pregar partidas e armar confusão. A viver com as 2 sogras: a despachada, velhota mas sempre pronta para intervir, e a rezingona, sempre a queixar-se das doenças e à espera da morte que vem a caminho.

Narradas pelo filho mais novo, hoje um homem, as peripécias desta família mostram-nos algo tão fantástico como o dia-a-dia de final dos anos 60. Com direito a alusões à política, ao desporto, aos espectáculos da época.

E eu, que já nasci nos anos 70, adoro rever os velhos telefones pretos, as caixas de plástico para arroz, farinha e afins, o jogo do Sabichão… e relembrar lanches feitos de coisas simples, como café com leite e pão com queijo ou marmelada, tal como eu lanchei uns anos depois. Os jantares com toda a família junta, com sopa, prato e fruta, em que ninguém se levantava sem pedir licença. E a hoje inusitada (mas na altura tão comum) cena do casal no quarto, com ele deitado na cama a ler o jornal e a fumar…

Nota: É transmitida aos domingos à noite na RTP1 e, pelo que sei, já anda por aí uma petição a exigir a edição em DVD. Eu já assinei.

17 de janeiro de 2009

A afogar-me

Depois de ter prometido a mim mesma que este ano evitaria sair do trabalho depois das 19h30 - para aproveitar a casa, para ver o telejornal, para ir ao cinema, para jantar calmamente... -, o pesadelo volta de novo e dou por mim a não conseguir esboçar um sorriso durante o dia, a não suportar ouvir o telefone, a não suportar ouvir vozes de todo, a sair bem depois da hora marcada... e a trazer trabalho para casa. A não ser que um milagre aconteça, avizinham-se 2 meses de trabalho tenebrosos. Não quero mergulhar neste remoinho, mas ele puxa-me com uma força que não consigo combater.

12 de janeiro de 2009

O Aleixo...

... faz-me rir. É básico, muitas vezes um bocadinho porco, mas prosaico e hilariante. O Aleixo é um boneco cão, só mexe os olhos e a boca, tem uma pronúncia esquisita e interage sobretudo com um busto. Passa na SIC Radical em dias e horários que ainda não consgui compreender, mas podemos ver tudo no YouTube. Aqui, o Aleixo a almoçar com o Markl:

4 de janeiro de 2009

Sabe bem...

... morar num sítio que tem um portal próprio com indicações precisas acerca de tudo o que por aqui há. Bem sei que falta ao Parque das Nações o charme dos antigos bairros de Lisboa, e que assim se perde o prazer da descoberta, mas também é verdade que acaba por faltar a miséria escondida em tantos desses locais. E agora vou ao portal escolher um dos restaurantes que por aí há - afinal, com 6 dias de atraso, almoço com o meu pai para celebrar o meu aniversário...

Imagens do tal portal, para que possamos partir à des«coberta»:

3 de janeiro de 2009

Assim dá gosto reciclar...

... com o ecoponto em aço inoxidável que o meu maninho me ofereceu no aniversário. Há anos que queria ter um, mas na cozinha do meu anterior apartamento não cabia. Nesta, não só cabe como fica lindo (a cauda é a da Vespa, que não me pode ver a fotografar que vai logo atrás). E já está cheio.

29 de dezembro de 2008

Natal multiplicado e revisitado

No Natal reúne-se a família. Infelizmente, a minha tem sido reduzida ao longo dos anos. Os mais velhos foram morrendo, não houve renovação com crianças, a separação dos meus pais reduziu ainda mais o número de pessoas reunidas (em contrapartida, este ano tive 3 jantares de Natal familiares: a 21, a 24 e a 25 de Dezembro).

Mas, pelo segundo ano consecutivo, a minha mãe teve o dom de trazer para a noite de Natal pessoas que já cá não estão. O ano passado, ofereceu-me uma fotografia do meu avô. Este ano, uma T-shirt com um passarinho pintada por uma tia, que eu devo ter usado no fim dos anos 80, pouco antes de ela morrer, nova. Espero deliciada pelo próximo Natal porque, melhor do que qualquer presente comprado, é receber estas pequenas heranças que só para mim têm valor. E muito.