17 de janeiro de 2011

Desenhos todos os dias

Hoje andei a limpar a secção «O que leio de dia», a retirar blogs inactivos, outros que já não me interessam, mas, acima de tudo, a acrescentar uns novos muito bons e que recomendo. Todos registos maravilhosos, todos com um estilo muito próprio, todos sobre a minha grande aspiração: a capacidade de manter um diário gráfico. Visitem-nos aqui ao lado:

- A janela de Alberti, de José Louro
- Bonecos de bolso, de Pedro Cabral
- Desenhos do dia, de Joao Catarino
- Desenhos em blocos, de Filipe Leal de Faria
- Urban sketchers
- Urban sketchers Portugal

Sem esquecer de voltar a referir o Diário gráfico, de Eduardo Salavisa, que me abriu a mente para estas coisas.

Pavilhão de Portugal, Parque das Nações, por Eduardo Salavisa.

16 de janeiro de 2011

A sala de vidro, de Simon Mawer


Uma casa moderníssima construída na Checoslováquia nos finais dos anos 20 por um arquitecto conhecido. A família que a encomendou e que a habitou durante 10 anos até ter de a trocar pelos EUA para fugir da perseguição nazi. Nos anos 40, a instalação de um laboratório de biometria para medir cores de pele, olhos e cabelo, estruturas ósseas, formas de maxilares, em busca do tipo judeu. No pós-guerra, a instalação de um centro de fisioterapia para crianças vítimas de poliomielite. Nos anos 60, a conversão em museu per si.
O livro de Simon Mawer narra de modo genial e cativante a história de uma geração através da história da «sala de vidro» e das pessoas que por lá passaram. A Casa Landauer fascinou-me, imaginei-a noites a fio (talvez por gostar tanto de arquitectura mas acho que não só...), os vidros enormes que desciam e abriam a sala para o jardim em declive, a parede de ónix, as colunas em aço que sustinham todo aquele espaço.


A «sala de vidro» hoje.
Hoje descobri que a Casa Landauer é de facto a Casa Tugendhat, de Mies van der Rohe. Situa-se em Brno, na actual República Checa, e mantém hoje praticamente as mesmas características de há 80 anos: moderna, espaçosa, luminosa. Grande parte do romance foi imaginado (apesar de a fuga da família ter sido real), mas a casa é descrita de modo exemplar. Depois de a imaginar tantas vezes, as fotografias que encontrei não me desiludiram. Para conhecer tudo aqui, no site da Villa Tugendhat.


Mies van der Rohe na «sala de vidro» em 1931.

Duas obras-primas, o livro e a casa.

15 de janeiro de 2011

Hoje dou a palavra...

... a Maria do Rosário Pedreira, que no seu blog Horas extraordinárias publicou ontem este extraordinário texto:

Por Maria do Rosário Pedreira, às 09:11 | comentar

Há uns tempos, um dos proprietários de um grande grupo editorial disse numa entrevista que os editores de livros não escolares pouco acrescentavam a um livro. Embora suspeite de que não era bem isto o que queria dizer e saiba de alguns editores que não têm na verdade praticamente nenhuma intervenção no que publicam (além da selecção, mas até isso é muito), fiquei logo de cabelos em pé – e até gostava que alguns autores pudessem explicar-lhe o trabalho que muitos dos editores desenvolvem entre o momento em que enviam os livros para avaliação e a sua ulterior publicação. Não me cabe, porém, elogiar o meu próprio trabalho (até porque nenhum editor pode criar o talento onde ele não existe e o sucesso de um livro é sempre da responsabilidade do autor) e só por isso não escrevo este postpara me queixar de uma afirmação que considerei bastante infeliz (pronto, já me queixei), mas para dizer que efectivamente é uma pena que alguns editores escolares (ou coordenadores, como já lhes ouvi chamar muitas vezes) não tenham o reconhecimento que merecem nem apareçam referidos nos meios de comunicação como acontece tantas vezes aos editores de literatura geral. Porque fazer livros escolares deve ser mesmo uma tarefa hercúlea: escolher os professores-autores, garantir que entregam tudo a tempo (tratando-se de livros com prazo certo para serem apresentados às escolas e ao ministério, não há como adiar a sua publicação), escolher um layout e ilustrações adequados e apelativos, controlar a revisão que tem de ser absolutamente rigorosa e imaculada a nível da informação e da correcção gramatical (se aparece um erro num livro escolar, dá logo notícia nos telejornais), ser, enfim, responsável, em última instância, pela aprendizagem de determinada matéria por milhares de crianças e jovens em todo o País. E, embora tenha sido professora durante algum tempo e nem todos os livros escolares tivessem o mesmo nível, hoje quero partilhar com os leitores deste blogue a minha admiração pelos que, tão discretamente, fazem um excelente trabalho que o público nunca aplaude.


Só me compete agradecer-lhe.

13 de janeiro de 2011

Recado para quem está a pensar ficar em casa


Votem Nobre, votem Cavaco, votem Coelho, votem Moura, votem Lopes, votem em branco... mas votem. Perder uma horita de um domingo não custará assim tanto. A meu ver, é um direito, sim. Mas também um dever.

10 de janeiro de 2011

A contradição humana, de Afonso Cruz



Este livro é bonito por fora, por dentro, na forma e no conteúdo. Em A contradição humana, Afonso Cruz, o homem dos sete ofícios (escritor, realizador, ilustrador, músico, fotógrafo), veste a pele de uma criança curiosa e perspicaz e observa o mundo à sua volta. E deixa-nos a pensar em coisas como estas:

- Percebi, certo dia, que o espelho do meu quarto é uma grande contradição: o meu lado esquerdo, quando reflectido, torna-se direito – e o direito, esquerdo - , mas a parte de cima não se torna parte de baixo. Nem a parte de baixo, parte de cima. Acontece o mesmo com o meu gato. Mesmo quando se vira o espelho ao contrário.

- Depois de me deparar com estas coisas que desafiam a lógica de todo o universo conhecido, comecei a observar algo mais curioso ainda. Dentro das pessoas – e isso inclui os vizinhos – habitam as maiores contradições. Por exemplo: A minha tia gosta muito de pássaros mas prende-os em gaiolas. É uma pena.

- O vizinho do sétimo esquerdo toca piano, canta e nunca desafina. Tem uns cabelos despenteados e uns dedos mais compridos do que aulas de Matemática. Mas o que realmente me impressiona é que ele toca músicas tristes e isso deixa-o feliz. Chega a chorar de feilicidade (eu já vi).

Agora imagine-se tudo isto escrito com letra manuscrita como a de uma criança e ilustrado a preto, vermelho e branco. Uma delícia.

4 de janeiro de 2011

Faça sol

É tão giro, simples como eu gosto; é modular, para eu deixar de me sentir atrofiada; tem viseira interior contra o sol, para quando eu me esquecer dos óculos escuros; foi-me oferecido e escolhido pelo meu irmão, a meu pedido no Natal... Só é pena estar há quase 2 semanas à espera de um dia bonito para o estrear.

3 de janeiro de 2011

Persepolis, de Marjane Satrapi


Se calhar quem me lê não tem muita paciência para a minha conversa sobre livros, muito menos para os de banda desenhada, mas eu não me canso de os recomendar, porque fazem parte da minha vida.

Este estava na minha to read list há muito tempo, e agora li-o de uma assentada. São mais de 300 páginas da autobiografia maravilhosa e emotiva de uma rapariga iraniana que chega à adolescência no eclodir da revolução islâmica e que vê o fundamentalismo obrigar à separação de sexos e à obrigação de as mulheres começarem a usar o véu, entre outras atrocidades. Marjane Satrapi teve a sorte de nascer numa família de mente aberta, que lhe deu uma educação isenta, que lhe permitiu sair do país, voltar a entrar e voltar a sair, que lhe perdoou e compreendeu todas as suas dúvidas e altos e baixos.

As ilustrações são belíssimas, de uma inocência comovente, a perspectiva é muito pessoal, sem esconder virtudes ou defeitos, cada capítulo é uma descoberta que queremos reler e reler.
Persepolis mostra-nos que as visões que nos chegam nunca são 100 por cento fiáveis, e que a realidade pode sempre ter várias leituras. Li, quero reler e gostava que todos fizessem o mesmo.

Para mim, esta vinheta representa todo o livro. Fabulosa:

História longa mas que vale a pena ler

Cada vez mais sou fã das redes sociais, nomeadamente do Facebook. Porque acredito, e tenho provas, de que pode mudar a vida de muita gente. No meu caso, para melhor.

Há quase um ano, em Janeiro, o cão do meu irmão não apareceu à hora de comer. De manhã estava lá; à tarde, já não. Desconfiámos que o jardineiro o teria deixado fugir e que alguém o teria apanhado logo de seguida. Apesar de o Cascão não ter por hábito andar fora do jardim, teria voltado para a casa nem que fosse por ouvir a Twiggy a ladrar. Percorremos todas as ruas da zona, a pé e de carro, passámos a pente fino as estradas circundantes, na hipótese de ter sido atropelado, o meu irmão ligou para o canil... nada.

Há duas semanas, num domingo de manhã, liguei-me ao Facebook. No feed de notícias, uma das primeiras era do grupo da Caderneta de Cromos, que por sua vez remetia para uma campanha de angariação de rações da União Zoófila. Juntei-me ao grupo da União Zoófila e, no mural, a primeira mensagem que apareceu referia um cão encontrado no dia anterior à noite, perto de casa do meu irmão, preso a uma grade, à chuva e com fome. A mensagem tinha uma fotografia. De um cão que parecia o Cascão. Mas uma coincidência destas era impossível. Pedi mais fotografias a quem tinha colocado a mensagem e, ao longo do dia, o que parecia impossível começava a deixar de o ser.

Entretanto, o Alfredo (nome que entretanto quem encontrou o cão à chuva lhe deu) tinha sido entregue no canil municipal, à espera que alguém o adoptasse ou que os donos aparecessem. Na segunda-feira, à hora de almoço, fui com o meu irmão ao canil e aqui a descrição dele é a melhor:

O senhor que nos guiou até lá disse: “Ele está ali ao fundo, nesta cela.” Sai de lá um cão que por um ou dois segundos estranhou a situação, ainda baralhado com tudo aquilo, e foi aí que se fez um click na cabeça dele, do Cascão! Ele deve ter pensado: “Espera lá, eles são os meus donos! Yupiiiiiiii!” Veio a correr para nós aos pulos de felicidade e a pedir mimos! Quanto mais diziamos “Cascão” mais ele pulava de contentamento, há um ano que não ouvia esta palavra. Pulava dava as suas mordidelas suaves de amizade na mão que lhe são típicas, enfim, não havia dúvidas, era o nosso Cascão. :)

O Cascão não pôde vir logo connosco, não tínhamos documentação que comprovássemos que era nosso, e a lei prevê um prazo mínimo até um animal poder ser dado para adopção. Assim, 8 dias depois, meia hora antes do fim do prazo, lá estávamos para adoptar o Cascão. Nós e três dos seus "padrinhos", graças a quem o Cascão foi reencontrado. Depois foi o preenchimento de uma série de papelada, a colocação do chip, a administração da vacina anti-rábica e, finalmente, o regresso a casa.

O próximo passo, causador de alguma ansiedade, era o reencontro com a Twiggy, que há quase um ano era senhora de todo o jardim. Algumas rosnadelas, alguma desconfiança, e segundos depois já o Cascão corria a toda a velocidade para o local onde costumava beber água e para sua casota. Horas depois, já os dois brincavam e saltavam como se nunca se tivessem separado.

Que este exemplo sirva para provar que as redes sociais até são uma coisa boa. Se não, leia-se Uma história sobre Oliveiras, publicada por mim em Junho e que também relata uma importante mudança na minha vida.

By the way, o Cascão agora também já tem página no Facebook.

1 de janeiro de 2011

1.1.11

Foi aqui que entrei em 2011, ao ar livre, bem no centro da cidade, com amigos e com uma pequena (mas importante) parte da família. Por esta altura a minha listinha de desejos já se terá desfeito na água da fonte sul.

31 de dezembro de 2010

Nasci a encher balões...

E foi preciso chegar aos 37 anos para descobrir que a culpa de eu ter nascido no dia 30 dezembro foi da passagem de ano 1973/1974! No dia 30 de Dezembro de 1973, os meus pais enchiam balões para enfeitar a festa na casa do Banzão... tantos balões encheram que à minha mãe acabaram por rebentar as águas. Depois foi a vinda para Lisboa e o meu nascimento ao fim da noite.

É uma história tão gira... porque é que nunca ma tinham contado?

26 de dezembro de 2010

Manifesto sobre a intolerância

Bem sei que é Natal, que deveríamos ser todos muito tolerantes uns para os outros, mas este sentimento é mais forte do que eu. E declaro que estou cada vez mais farta do povo português. Da má educação, da falta de civismo, do egoísmo, da ganância, da falta de atenção e de respeito para com o outro. Só isto pode explicar atitudes de pessoas que, descaradamente, passam à frente em tudo o que é fila, que conduzem com uma agressividade constante e assassina, que nos olham com superioridade e desdém quando mostramos preocupação para com terceiros ou para com animais, que vibram e se alimentam de notícias sobre a crise, que se atropelam nos centros comerciais para conseguirem uma camisola ou um televisor com 20 por cento de desconto...

Fartinha, fartinha, estou mesmo fartinha disto. E quanto mais relatos ouço acerca das atitudes dos povos nórdicos mais me arrependo de nunca ter tomado a decisão (ou ter tido a oportunidade) de emigrar. Queria tanto, mas tanto, viver num país civilizado habitado por gente civilizada. Ou habitado por gente. Já não era pedir muito.

25 de dezembro de 2010

Reflexões natalícias


Este Natal não foi fácil nem sereno como eu sempre desejo, demasiadas emoções boas e más, alguma ansiedade mas também alguns momentos de boa histeria. Em resumo:
- falámos pela primeira vez ao telefone com o João Alexandre, directamente para o Rio;
- matámos um bocadinho de saudades (também por telefone) com o Marcos Vinicius, em Natal;
- deixámos uma mensagem louca e aos berros no voice mail da Mirna, na Holanda;
- o Marcos Vítor falou pela primeira vez connosco a partir do Brasil;
- não estivemos com a nossa querida priminha, que foi para Coimbra mas que daqui a uns dias estará connosco;
- demos um banho à Twiggy que nos deixou quase mais molhados do que ela;
- esperamos pelo regresso a casa do Cascão, reaparecido (graças ao Facebook e à persistência de três pessoas fantásticas) depois de quase um ano sem sabermos dele;
- tentámos alimentar e tratar do Matias, apesar de neste momento não termos grandes esperanças na sua recuperação;
- e outras coisas que não quero contar mas que sei que acabarão por passar.

13 de dezembro de 2010

Para homens de barba rija

Logo na primeira cena tive de fechar os olhos. Mas depois fiz um esforço e acompanhei tudo até ao fim.

Numa prisão de Zamora, um futuro guarda prisional quer conhecer melhor o espaço um dia antes de começar. Enquanto faz uma ronda com os futuros colegas, ainda vestido à civil, um motim explode entre os prisioneiros mais perigosos. Na precipitação da fuga, Juan Oliver fica para trás e, para sobreviver, tem de fingir que é um assassino acabado de prender.

A partir daqui é um jogo de nervos, o confronto e depois a cumplicidade com Malamadre, o líder da prisão. E o braço-de-ferro com as autoridades por melhores condições lá dentro, fazendo-se valer de terem como reféns 3 presos políticos da ETA.

Cela 211, realizado por Daniel Monzón, ganhou 8 dos prémios Goya, entre eles o de melhor realizador, melhor realizador, melhor actor principal, melhor actor revelação e melhor argumento. E tem ainda o mérito de grande parte dos figurantes serem prisioneiros a sério. Extremamente realista, extremamente bem realizado, extremamente bem representado.


PS: Alguém me ajuda a identificar quem me faz lembrar o Malamadre?

12 de dezembro de 2010

Campeão!

222 222 km não é para qualquer um. No meu Disco já cá cantam.

Assalto em pleno dia

Sempre ouvi dizer que os taxistas do aeroporto da Portela enganavam os turistas à grande, levando-os por Cascais para irem até à Baixa. Mas há outro local em Lisboa onde os turistas são bem enganados, e à vista desarmada. Aqui:

Num buraco sujo e a cheirar mal, sem qualquer tipo de dignidade e debaixo das escadas da rua do Carmo, juntam-se filas de turistas para subir no elevador de Santa Justa. Depois de uma longa espera, são recebidos por um ascensorista mal-encarado e entram numa cabine apinhada de gente sem qualquer hipótese de ser apreciada. É uma subida de 30 metros feita em menos de um minuto, e quando se chega lá acima nem ao topo se pode ir, porque está sempre fechado. Resta sair e atravessar o passadiço que leva ao largo do Carmo, aproveitando por breves instantes a vista sobre a Baixa.

Tendo em conta a imagem de modernidade que a Carris tem vindo a promover, este elevador já merecia uma intervenção. Tal como está, os €2,90 pela subida são um verdadeiro roubo. Às claras. E que me envergonham quando, como lisboeta, passo por lá e vejo aquela gente à espera.

Marina, de Carlos Ruiz Zafón

Hesitei meses em comprar este livro, mas por fim não resisti. E estava nas últimas páginas de Marina, de Carlos Ruiz Zafón, quando, nas minhas leituras atrasadas, deparo com a respectiva crítica na Time Out. E porque não poderia descrevê-lo melhor, aqui fica:

«Marina, que foi publicado originalmente como livro juvenil, surge por cá sem menção a escalões etários e será lido com agrado (...) pelos mesmos adultos que se deleitaram com O jogo do anjo. E faz sentido: ambos os livros são folhetins de mistério, ambientados numa Barcelona gótica e tenebrosa. Marina, recheado de clichés pilhados a Frankenstein e aos filmes de zombies, é mais gore e inverosímil e as suas duas personagens principais são adolescentes, mas é feito da mesma massa de O jogo do anjo.

Embora caiba na gaveta do folhetim neogótico, Zafón merece ser colocado um patamar acima das vampirices de Miss Meyer (...): Zafón tem dedo para intrigas rocambolescas, sabe criar suspense e exprime-se com desenvoltura. Para quem tenha 15 anos, bastará.»

Eu tinha gostado de A sombra do vento, precisamente pelo ambiente gótico da Barcelona do início do século XX. Gostei menos de O jogo do anjo, por encontrar uma fórmula demasiado parecida com a do outro mas menos sustentada. Mas, apesar de tudo, tinha curiosidade em ver como Zafón escreveria uma história passada numa Barcelona mais recente, dos anos 80. Pelos vistos, em Marina não mudou grande coisa. E até coches aparecem.

5 de dezembro de 2010

Mixed feelings

Não sei muito bem o que dizer acerca deste filme. Estava com grande expectativa em relação a O americano, a Time Out classificou-o bastante bem, o realizador vem dos videoclipes musicais, George Clooney é a personagem principal... No entanto, a verdade é que não o veria de novo. Achei-o previsível, paradote, com algumas incongruências, mas tenso... não foi uma boa escolha num sábado à tarde para desligar de uma manhã de trabalho. Mas se me deixou tensa lá terá o seu mérito.

O festim da aranha

Gosto muito de livros grandes, daqueles que demoram semanas a ler e dos quais acabamos por fazer parte. Mas, de vez em quando, também gosto de livros de contos, sobretudo se forem colectâneas de autores diferentes. Porque me permitem conhecer novos escritores e porque numa só noite leio histórias inteiras, por vezes mais marcantes do que alguns romances.

Este comprei-o porque o objecto me atraiu: capa toda em tons de vermelho, páginas tingidas por fora de vermelho. E depois o miolo não me desiludiu. São mais de 20 «histórias em estado de crueldade», muitas sem rodeios e com maldade pura, desde um quase linchamento gratuito até um emparedamento por um marido traído, passando por uma mulher que aperta a barriga durante a gravidez apenas para dar à luz seres que possa dispensar para feiras de curiosidades. Depois de ler O festim da aranha, quero ainda passar ao Este é o tempo dos assassinos (da mesma colecção), mas para já ficaram-me nomes como Dino Buzatti («Não esperavam outra coisa»), Saki («Sredni Vashtar»), Octave Mirbeau («As bocas inúteis»), Stanley Ellin («A pergunta»), Maupassant («A mãe dos monstros») e Balzac («A grande Bretèche»).

Não fuja deste livro quem é impressionável. Apenas duas ou três histórias me deram a volta à barriga. O que compensa tendo em conta a qualidade da generalidade do livro.

3 de dezembro de 2010

Técnicas de conquista

Há 7 anos trouxeram-me uma gata para casa. Depois de viver um ano sem bichos tendo vivido mais de 20 anos numa casa cheia de cães e gatos, foi uma das melhores surpresas que me podiam ter feito. Chamámos-lhe TT, por na época o «todo-o-terreno » ser uma parte importante das nossas vidas. A TT é uma gata siamesa e será sempre a «minha» gata por ter sido a primeira na minha vida independente.

Três meses depois achámos que a TT precisava de companhia, sozinha de manhã à noite. Pus-me em campo e tentei arranjar outra gata, de preferência também siamesa. Tive notícias de que havia uma algures numa quinta do Carregado, e num fim de tarde chuvoso de Janeiro lá fui buscá-la. Já estava escuro, mas logo me apercebi de que de siamesa não tinha nada. Magrinha, com os bigodes cortados, cheia de pulgas e com um pêlo de cor indefinida (branco, acastanhado, bege, etc...), mal lhe peguei agarrou-se a mim e desatou a fazer ronrom. Não tive coragem de a deixar para trás.

Hoje, a Vespa é uma gata linda, gordinha, com um pêlo de coelho e que me adora mais do que tudo. É, aliás, a única gata que conheço que vem à minha chamada em qualquer altura como só os cães fazem.

Tal como nós, os animais não precisam de ser perfeitos para nos conquistarem. Basta saberem fazê-lo:

Gosto muito desta pessoa - II

24 de novembro de 2010

Ingratidão

Serei só eu que considero ingrata a atitude da maioria dos trabalhadores da Volskwagen Autoeuropa ao fazerem hoje greve? Sim, esses que terão um aumento de 3,9% nos salários, que têm garantias de não haver despedimentos colectivos até ao final 2012 e cuja administração vai passar a efectivos os cerca de 500 trabalhadores temporários.

Se se queriam apenas solidarizar com os restantes grevistas do país podiam fazê-lo através de um comunicado, por exemplo. Agora... parar durante um dia? Deixar de fabricar cerca de 500 viaturas?

Chamaram a esta atitude «agir por indignação». Eu chamo-lhe morder a mão de quem lhes dá de comer.

22 de novembro de 2010

Black is black

Sem querer trair o meu Disco preto, não posso negar que fiquei com água na boca quando vi este Fiat 500 preto (modelo Black Jack)...

Entretanto, dou-me mesmo por muito feliz com a minha Vespa preta...

E com a minha Nespresso preta (modelo Just Black)...

Não, não me visto sempre de preto, mas há acessórios que acho que têm muito mais pinta nesta cor.

21 de novembro de 2010

Detesto extremos

Este foi o lindo trabalhinho que uns senhores ditos anarquistas fizeram na sé de Lisboa:

Não defendo os católicos mas também não defendo quem não vai à igreja. Não defendo os imigrantes mas também não defendo os xenófobos. Defendo o nosso património histórico e cultural e acho inadmissível que sequer passe pela cabeça de alguém escrever em edifícios como este.

PS: Segundo a Time Out, a limpeza das paredes da sé custará entre 10 a 20 mil euros. Saberão esses senhores anarquistas quanto custa isso a ganhar?

20 de novembro de 2010

Casei com um comunista, de Philip Roth

Ser comunista nos anos 40 e 50 não deve ter sido nada fácil. Sobretudo se se tiver vivido nos Estados Unidos de McCarthy e se se estiver apaixonado por uma actriz que se move no seio de uma burguesia deslumbrada.

Ira Ringold torna-se comunista durante a II Guerra Mundial; regressa a Nova Iorque e, por ser muito parecido com Abraham Lincoln, interpreta-o em peças e em programas de rádio, passando a ser conhecido por Iron Rinn; casa com Eve Frame, estrela do cinema mudo dominada por uma filha de um de muitos dos seus estranhos casamentos; o casamento degrada-se; Eve, manipulada por amigos de extrema-direita, publica Casei com um comunista; e a vida de Ira é destruída, não sem antes acabar por conseguir levar a mulher atrás.

Em Casei com um comunista, Philip Roth descreve cruamente a sociedade mccarthista, a «caça às bruxas» e o modo como o ódio anticomunista consegue invadir a vida privada. Não direi que este é um livro de leitura rápida, como os outros dois que tinha lido de Philip Roth (Animal moribundo e Indignação), mas é um livro de leitura rica, bom para ler em tempos de agitação política.

15 de novembro de 2010

Lado B

Há quase 3 anos escrevi um tópico sobre os Incorrigíveis, skteches das Produções Fictícias publicados regularmente online. Na altura, fui insultada por alguém que não tinha sentido de humor no que ao humor toca, apenas por gostar das peças de Bruno Nogueira.

Goste-se ou não se goste, a verdade é que Bruno Nogueira ganhou um lugar de mérito no humor em Portugal, com direito a prime time à sexta-feira à noite na RTP1. No talk show Lado B, Bruno mistura os convidados mais inusitados (uma vez, Odete Santos e José Castelo-Branco; na última sexta-feira, Carvalho da Silva e Margarida Rebelo Pinto), e o único sketch que apresenta por programa é imbatível.

Nem sempre vejo em directo, mas gravo sempre. Este foi um momento alto:

14 de novembro de 2010

E 15 anos depois...

... percebo que ainda sei andar de patins. Devagar, muito devagarinho. Com muitas hesitações e paragens pelo meio. Mas umas vinte «piscinas» aqui no pátio grande já me puseram mais um quilometrozinho nas pernas.

7 de novembro de 2010

Amadora BD II

Ainda no Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, deparei com duas personagens que já conhecia mas de cuja importância ainda não tinha tomado consciência. Richard Câmara, o desenhador convidado, recriou-as para o festival, mas a verdade é que já em 1915 o Quim e o Manecas criados por Stuart de Carvalhais tinham uma modernidade incrível:

Estes dois companheiros de malandrice começaram a ser publicados num suplemento d'O Século no início de século XX e duraram até aos anos 50, retratando e criticando a burguesia e os costumes sociais através de peripécias endiabradas. Há alguém que não concorde que ainda hoje têm um design extremamente actual?

6 de novembro de 2010

Amadora BD I

Descobertas...

Daniel Silvestre da Silva (as maravilhas que se podem criar com uma simples caneta preta)


... e redescobertas:

Schuiten e Peeters (arquitectura surrealista criada por uma dupla que nunca me canso de apreciar)














Cristina Sampaio (a ilustradora e cartoonista que me põe sempre um sorriso nos lábios)






1 de novembro de 2010

Secret hopes

De há uns tempos para cá, não há mulher que não tenha uma secreta esperança de entrar na Nespresso e encontrar por lá o George Clooney. A partir de agora, até eu vou passar a espreitar para dentro das lojas Sacoor, não vá o Rob Lowe estar por lá. E, já agora, e porque não, ter esperança de que o Albano Jerónimo um dia me toque à porta quando ligar as luzes cá em casa.

Aprovadíssima a ideia de as grandes marcas contratarem actores bonitos e cheios de charme.

25 de outubro de 2010

Parar para quê?

Se eu, que ando na estrada apenas duas vez por dia, assisto a isto diariamente, como é que a polícia, que supostamente anda na rua todo o dia, não vê? Passar os semáforos com o sinal vermelho está a tornar-se um hábito em Lisboa, e ainda por cima um hábito impune.

Se dantes o amarelo era sinal de «acelera, antes que fique vermelho», agora passou a ser «calma, passo quando me apetecer». A primeira vez que assisti às consequências desta atitude foi no início do ano, em Belém, quando um condutor que passou com o vermelho não matou por pura sorte uma mãe e uma filha que passavam com o verde. Pelo que sei, foi a julgamento mas está tudo na mesma. Agora, foi um amigo meu, que na Gago Coutinho, ao passar calmamente com o verde, «apanha» de raspão com um que vinha de cima e que passara com o vermelho. Pormenor: enquanto o do primeiro caso teve de parar, porque se enfaixou num poste, este fugiu sem haver sequer tempo para ver a cor do carro.

Eu ando de Vespa muitas vezes e, como tal, estou sempre na fila da frente quando o sinal verde abre. E, mais do que nunca, nunca avanço antes de ter a certeza de que não vem ninguém a passar o vermelho. Mesmo habilitando-me a ouvir umas fortes buzinadelas. E garanto que muitas vezes já tenho evitado acidentes por esperar.

Mas que autoridades temos nós que, em vez de controlarem transgressões muito graves como esta, andam entretidas a passar multas e a controlar filmagens de televisão como já vi aqui no meu condomínio? Tenho cá para mim que seria muito mais lucrativo e muito mais pedagógico.

24 de outubro de 2010

Até Dezembro, ainda há tempo

Os meus cadernos de trabalho para os próximos meses (sim, porque todas as minhas reuniões ficam registadas em pequenos cadernos que depois de terminados guardo religiosamente... nem imaginam o jeito que este «arquivo » já me deu...) vão ter imagens destas:

Cada um custou €0,80 e são editados pelo Museu da Presidência da República. Comprei-os hoje depois de visitar a exposição Viva a República, altamente recomendável. Completíssima (tão completa que acho que um dia inteiro não daria para ler tudo o que lá está escrito e exposto) e muitíssimo bem montada, com especial destaque para a recriação da conhecida alegoria sobre a implantação da República e para a reconstituição das trincheiras portuguesas durante a I Guerra Mundial. Previa-se estar aberta até final de Outubro. Prolongou-se agora até 1 de Dezembro. Justifica-se.

18 de outubro de 2010

Há coisas fantásticas

Três anos depois de ter colocado o aparelho, posso finalmente voltar a comer maçãs à dentada e a provar todos os sabores de pastilha elástica que entretanto apareceram. E graças aos meus amigos e colegas nem sequer tive de ir às compras - tinha este presente em cima da minha secretária quando voltei hoje do dentista. Há coisas fantásticas tão simples, não há?

17 de outubro de 2010

E porque não há famílias perfeitas...

... não pude deixar de gostar desta novela gráfica a que não resisti em Barcelona: Fun Home - Una familia tragicómica, de Alison Bechdel.

Um livro de memórias, chocante, imoral e ao mesmo tempo ternurento, que retrata pessoas reais, com quem nos cruzamos todos os dias e que até podemos ter na nossa família ou sermos nós próprios.

Dizer que foi banido e censurado em algumas livrarias dos EUA e que foi seleccionado um dos melhores 10 livros de 2006 pela New York Magazine e pelo Times é mais do que suficiente.

14 de outubro de 2010

Três minutos depois...

... do 29.º aniversário do meu querido maninho, ainda é tempo de dizer publicamente que o adoro mais do que tudo na vida.

12 de outubro de 2010

High tech

Para quem, como eu, ainda não acredita que os livros em papel irão desaparecer: