22 de outubro de 2015

Pediram-me para partilhar...

... e eu faço-o porque não consigo imaginar o horror que será ter um filho com cancro e não ter meios para o tentar salvar.

São a Matilde, a Núria, o João e a Vera. Quatro nomes entre muitos que precisam desesperadamente de ajuda.




20 de outubro de 2015

Hoje bem que me tramei...


Armada em esperta, mal vi a chuva dos últimos dias parar, decidi ir trabalhar de Vespa. Bem que me tramei. A partir das 17h30, a chegar a hora de sair, começa a chover e a trovejar mais do que tinham previsto para o passado fim de semana. Conclusão: táxi para casa e €13 mandados para a estrada.

Porque marrar não resulta


Acredito mesmo que este pode ser o melhor método: cartões com alguns conceitos que quem estuda deve desenvolver. Claro que isto implica muito estudo e leituras prévias, mas só assim se perceberá a relação entre as coisas.

O perdão

A 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro no Vaticano, o Papa João Paulo II foi atingido por quatro balas disparadas pelo turco Mehmet Ali Agca.


Agca, fugido da prisão na Turquia onde tinha sido condenado a prisão perpétua por ter assassinado um jornalista, foi novamente preso em Itália, com igual sentença. A 28 de dezembro de 1983, João Paulo II visitou-o na cadeia e perdoou-o. Mais tarde, em 2000, pediu a sua libertação.


Agca regressou à Turquia para cumprir a pena de que tinha fugido, converteu-se ao Cristianismo e em 2010 foi finalmente libertado. A 27 de dezembro de 2014, voltou a Roma para depositar rosas brancas no túmulo do Papa.

19 de outubro de 2015

Gosto tanto...

... porque me faz lembrar as festinhas que a minha avó me fazia no cabelo quando eu estava deitada no sofá ao lado dela, enquanto víamos televisão. E eu já não era assim tão criança. Que saudades.

Buzzer, gato-modelo 1912-1916

Em inícios do século XX, Arnold Genthe, famoso fotógrafo alemão a trabalhar num estúdio em Nova Iorque, decidiu usar o seu gato Buzzer em muitos dos retratos de senhoras. Porque, segundo ele, o bicho punha-as mais à vontade, «originando imagens mais naturais e menos ensaiadas».


Ora vejam:





Os que correm, os que querem andar e a polícia


Não tenho nada contra as corridas organizadas na cidade, até as acho saudáveis e tenho muitos amigos que nelas participam. Há convívio, exercício físico e são uma forma de não ficar em casa. Mas há que respeitar quem nelas não participa. E tudo isto por causa da corrida de ontem entre Cascais e o Parque das Nações.

Tive de me deslocar à zona central da Expo, e fi-lo de manhã bem cedo para evitar a confusão. Foi difícil lá chegar e ainda mais difícil de lá sair. Isto porque não tinham uma única rua que ligasse a zona norte à zona sul. No regresso, andei feita bola de pingue-pongue entre uma barreira policial e outra, não podia passar por lado algum. De um lado, a polícia dizia-me que teria de esperar duas horas (!!!) para passar, do outro chegaram a sugerir-me ir a pé para casa (apenas uns 2 km... e onde ficava o carro?). Finalmente lá se organizaram e arranjaram uma via de saída, no meio de multidões e por cima de zonas pedonais. O cúmulo foi quando parei para pedir mais indicações e ouvi um polícia lá ao fundo a gritar: "Está para aí a atrapalhar!" Desculpe, a atrapalhar, eu?

Em resumo, corridas sim, mas com alternativas viáveis para a restante população. Ou, em alternativa, com informação para quem precisasse de se deslocar. 

16 de outubro de 2015

As coincidências que não existem


Uma sentença de prisão preventiva que durou quase um ano, informações duvidosas a sair para a opinião pública em momentos-chave da vida política do país, o alívio da medida para prisão domiciliária pouco antes das eleições legislativas e agora a libertação com termo de identidade e residência numa altura em que se decide o governo de Portugal.

Ninguém me convence de que o caso Sócrates não é também um caso político.

Quando me precipito


Há cerca de uma semana, o meu irmão apareceu em minha casa a dizer que tinham instalado uma sucata mesmo no início da avenida onde moro. Achei que seria um exagero, pois nos dias anteriores não tinha reparado em nada. Mas quando lá fomos, não só era verdade como era pior do que ele contava.

Dezenas de veículos acidentados num terreno que pertence à Junta de Freguesia. Claro que me pus logo em campo, com um email para a Junta: o mau aspeto que dá, o perigo de contaminação do solo, a marginalidade que pode atrair. E a resposta veio, logo no dia seguinte: eram veículos para o Campeonato do Mundo de Trauma e Desencarceramento, organizado pela World Rescue Organization, em que 30 equipas de bombeiros de todo o mundo dão o seu melhor para demonstrar quais as técnicas mais eficazes.

Eu a protestar e afinal era por uma boa causa...

Nota: O Campeonato decorre até domingo, debaixo da pala do Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações.

Her, de Harriet Lane

Uma mulher (Nina) lembra-se de outra (Emma) que por sua vez não se lembra dela. E, aos poucos, vai-se aproximando, dela, da sua família, da sua vida. Sabemos que algo aconteceu no passado de ambas e que Nina quer resolver, mas passamos quase todo o livro sem perceber o que foi.

Emma é uma mãe com dois filhos pequenos, sem tempo para si própria, e vê Nina como um modelo e uma tábua de salvação. Sempre sem se lembrar dela.

Há um certo clima de tensão, pequenas coisas que Nina faz mas que nunca se revelam verdadeiramente graves, e assim se vai mantendo ao longo do livro. Até ao culminar, quando percebemos o que realmente Emma fez e como Nina se quer vingar.

Em resumo: muito suspense por quase nada. E a estranheza que senti ao longo de todo livro de uma das mulheres não se lembrar da outra, apesar de ambas terem 30 e muitos anos e não se verem apenas há uns 15. A parte mais interessante do livro talvez tenha sudo a narrativa de todos os episódios à vez, por uma e por outra, com perspetivas claramente diferentes.

15 de outubro de 2015

Comunicação da Vespinha Gata


Olá, boa noite, hoje sou eu, a Vespinha Gata, quem vos escreve. Em primeiro lugar quero dizer um muito obrigada a quem tanto se preocupou comigo durante o dia, enviando mensagens de apoio à minha dona e distraindo-a um pouco da ansiedade em que estava. Vou então contar-vos como tudo se passou e o que vai acontecer nos próximos dias.

Acordei pelas 8h da manhã, cheia de fome, mas a minha dona não me deu de comer porque tinha de ir em jejum para a clínica. Dei entrada às 10h, e pouco depois o Dr. Hugo deu início à cirurgia. Sei que demorou cerca de uma hora mas mais não posso contar, porque é claro que estava a dormir...

Pelas 12h ligaram à minha dona dizendo que tinha corrido bem mas que eu ainda dormia. A meio da tarde já estava bem desperta e a Dra. Anabela ligou para a minha dona para lhe dar algumas instruções. Deram-me alta por volta das 19h30. Quando ela lá chegou eu estava furiosa, bufava e rosnava, mas desde que entrei no carro acalmei-me. Vai ser muito melhor passar a noite em casa!

Chegámos a casa e a TT afastou-se de mim, apesar de não me ter bufado. Ela também detesta tudo o que tenha a ver com veterinários... Nessa altura comi um bocadinho de patê, com apetite. Agora vou ter de seguir um plano de tratamentos muito certinho:
- durante dois dias, aplicação de gelo a cada 5 ou 6 horas (sei que a minha dona já tem o despertador para as 2h da manhã);
- de manhã, terei de tomar um protetor gástrico logo ao acordar e, meia hora depois, o anti-inflamatório e o antibiótico durante 10 dias. Não me importo nada, porque a minha dona mistura tudo num bocadinho de patê de salmão, que eu adoro! A TT tem sorte, porque acaba por também comer patê sem ter de tomar comprimidos...
- à noite, tomarei novamente o antibiótico e um condroprotetor, para hidratar as minhas articulações;
- daqui a 8 ou 9 dias tirarei finalmente o funil de plástico que tenho na cabeça. Detesto o funil... Mas tem de ser, para não ir lamber a costura;
- e só daqui a um mês poderei começar a ter uma vida mais normal. Até lá, terei de ficar em repouso, o que significa que durante o dia ficarei confinada ao quarto e a um hall, onde estão as minhas pedrinhas, comida e água. No quarto, a minha dona, com a ajuda do seu mano, tirou a base da cama e, o colchão está no chão, para eu poder ir lá para cima à vontade sem fazer esforços.

O que vos posso mais dizer? Que tenho o quadril traseiro do lado direito todo rapado, pareço um porquinho... E que nestes dias a costura está feia, mas é normal, por isso também é que têm de me aplicar gelo. Tenho dificuldade em andar, mas já fui da cozinha para o quarto. Mas quanto menos andar melhor...

E agora estou deitada na cama da minha dona, com a zona operada virada para cima para não me doer tanto. Daqui a pouco aplicam-me o gelo e já poderei dormir umas horinhas.

Marradinhas a todos e durmam bem, que eu vou tentar fazer o mesmo.

Vespinha Gata

É hoje a operação da Vespa Gata

Daqui por duas horas estará a ser sedada para lhe substituírem os ligamentos rompidos por outros artificiais. Peço por tudo que fique bem. A minha raposinha das neves.

14 de outubro de 2015

Tão difícil que se tornou...


Tantas, tantas vezes! Apesar de termos um jardim relativamente grande, quantas vezes íamos para a rua brincar: à macaca, aos quadrados, aos tesouros escondidos... Pedalávamos rua acima rua abaixo, tentávamos equilibrar-nos nos patins em linha, até apagar fogos de verão com uma mangueira no terreno à frente de casa era uma brincadeira. Tempos idos que dificilmente se repetirão.

O que encontram de estranho nesta fotografia?

13 de outubro de 2015

E no final é isto

Saudades dos Mutts...

Love you forever


Esta fotografia terá certamente mais de 25 anos, tirada numa pequena casa de férias que tínhamos alugada em Almoçageme. Eu dormia com o meu irmão, e o meu pai ou a minha mãe terão captado este momento em que ambos dormíamos. Eu sorria, como sorrio sempre que penso nele.

Parabéns, maninho, daqui a 34 anos ainda cá estaremos virados um para o outro.

12 de outubro de 2015

Caramba, uma cor tão nobre e das poucas que não gosto de usar!

E agora, Portugal? - Hoje às 18h no Pavilhão do Conhecimento


Uma mesa-redonda que promete ser interessante, com Eduardo Lourenço, Jorge Miranda, Manuel Carvalho da Silva, Pedro Pezarat Correia e Sampaio da Nóvoa. Às 18h no Auditório do Pavilhão do Conhecimento, Parque das Nações.

«Políticos a fazer política, nunca esperei», por Ferreira Fernandes

Excelente esta crónica publicada no Diário de Notícias de sábado. Um excelente espelho de um país espantado e indignado com o que já esperava e para o qual contribuiu. E agora?

No domingo passado, o país teve uma surpresa. Mas permitam-me lembrar o contexto que antecipou o abalo. Durante semanas, as sondagens e as conversas tinham-nos levado a uma convicção geral: a coligação PAF ia ganhar com maioria relativa. Repito, a 3 de outubro o que se sabia era o seguinte: muitíssimo provavelmente, ganhava o PAF sem maioria absoluta. Era o que diziam as sondagens - repetidamente alargando a vantagem, mas com limites prudentes - e concordavam os cidadãos, dando conta da campanha de uns, sem percalços e crucifixo no bolso, e a de outros, com Carlos do Carmo a falar. No dia 3, pois, véspera devotada à reflexão do voto, os portugueses reconheciam essa inevitabilidade. Porém, às 20.00, o país foi assombrado: a PAF ganhou e ganhou sem atingir a maioria absoluta!
Hão de concordar que é difícil gerir um país onde acontece o que se espera. Os alentejanos têm aquele provérbio "chuva em novembro, Natal em dezembro", mas suspeito que o que eles, e os portugueses em geral, esperam, mesmo, é a Páscoa. No dia das eleições foi o coelhinho que nos surgiu no presépio. Para espanto de todos que haviam passado as semanas anteriores a dizer exatamente isso. Enfim, logo no dia 4, Passos foi entronizado. Esquecendo-se de que o dia seguinte era 5 de outubro e que há datas que podem tornar-se vingativas, sobretudo quando foram degradadas a não feriado.
Os portugueses vinham de um mandato governamental em que se passou todo o contrário do que se prometera na campanha anterior. Desta vez, a campanha eleitoral tinha indiciado um certo e determinado resultado e foi, pois, com o pasmo nacional que a CNE confirmou que sim, era mesmo esse o resultado. Incrível! O primeiro caso, de não cumprimento das promessas, os portugueses aceitaram com naturalidade. Já no segundo, espantaram-se quando lhes aconteceu aquilo de que estavam carecas de saber que ia acontecer. Ora, entre nós, quando as coisas se passam de forma tão insólita (porque esperada), é natural que descambem em situações cada vez mais naturais. Ou, se quiserem, surpreendentes.
Às primeiras horas, tudo se passou como é costume. Tendo o PSD e o CDS votos para governar relativamente, preparavam-se para governar absolutamente. O primeiro sinal de qualquer coisa de estranho surgiu quando o Presidente Cavaco Silva foi alertado pela sua assessora mais de fiar (uma calculadora Texas Instruments). De 116 deputados para governar de vento à popa, encontraram-se garantidos só 104, aos quais se podia, na melhor das hipóteses, somar os quatro da emigração - 108. Fizeram-se contas e recontas mas dava sempre um défice de oito. Ainda se fosse daquelas contas para volkswagenear o défice orçamental... Mas não, eram cabeças para serem postadas em hemiciclo, filmadas, com bancadas de jornalistas à coca e público a espreitar das galerias - um buraco de oito nota-se.
Em Belém, Cavaco olhou o Tejo, passou uma falua, e esse concurso de circunstâncias - a calculadora mais a vela latina - levou-o a pensar que se não se podia governar com vento à popa, podia-se bolinar, ziguezagueando. Isso levou-o direito à solução: "O PS!!!", explicou ele a Passos Coelho. Cavaco Silva serviu em África, mas só na Universidade de Lourenço Marques, não esteve na savana e não aprendeu a lei n.º 1 do caçador: nunca cutucar uma pacaça ferida. António Costa lambia as feridas de domingo quando foi despertado pela Pátria. Ninguém se sente mais vivinho da Costa do que encontrar, ao sair do bloco operatório, apelos ansiosos de ajuda...
Entretanto, a semana avançava como se um estado de sítio - uma Lei de Murphy à portuguesa, "nada pode ser mais extraordinário por cá do que aquilo que é óbvio lá fora" - tivesse sido imposto a toda política portuguesa. Nada ficou imune, até o PCP. Jerónimo de Sousa, que fora interpelado durante a campanha por um garoto ("quando for grande quero ser primeiro-ministro", disse o menino), começou a pensar que na sua vida, até aí restringida a operário metalúrgico e líder do PC, ainda podia vir a ser político. Essa epifania, acrescentada ao acidente (uma Catarina de olhos azuis atropelou-o no dia 4), levou Jerónimo, já que tinha uns deputados, fazer com eles política. Falou com Costa, o tal revivido, e empurrou-o. "Vai", disse. A semana farta em ação tem tido ainda a vantagem de discursos breves.
Os portugueses, já espantados com os resultados óbvios, surpreendiam-se com as esquisitices que se podem fazer com o adquirido que afinal não é. Por exemplo, ainda ontem, o ganhador sentou-se com o perdedor e pôs cara de póquer. O outro limitou-se a dizer: "Pago para ver." Não viu nada, mas nós vimos que o ganhador teve de dizer: "Para a próxima vou ser mais atrevido." Para a semana há mais.
O que eu quero dizer-vos é que estou a gostar. Políticos a fazer política, nunca esperei.

8 de outubro de 2015

Sim, às vezes

Sem palavras suficientes para insultar este tipo

Vejam o link seguinte, contendo o Telejornal de ontem, e estejam bem atentos a partir do minuto 20:42:


http://www.rtp.pt/play/p1743/e209151/telejornal

José Rodrigues dos Santos, ao apresentar alguns dos novos deputados na Assembleia da República, sai-se com esta: «O deputado mais velho tem 70 anos e foi eleito (pausa) ou eleita pelo PS.» Referia-se a Alexandre Quintanilha, conceituado físico português casado com o escritor Richard Zimler.

Com o ar mais sereno deste mundo, diz uma alarvidade destas. E não, não foi engano, foi dito calmamente com todas as letras. É homofóbico? Não sei? Quis dar algum sal à coisa? Não sei. Só sei que uma coisa destas não se faz. Por respeito a Alexandre Quintanilha e por respeito a qualquer ser humano.

Quanto a José Rodrigues dos Santos, que se dedique a escrever ao peso, que pelo menos quem o compra é porque quer. Agora ter uma pessoa destas a dizer coisas destas num canal de serviço público é que não.

Nota: Já fiz uma exposição ao Provedor do Telespectador, podem fazê-lo também.

Submissão, de Michel Houellebecq

Para comprar este livro
com 10% de desconto,
clicar aqui.
Sem o saber, não podia ter escolhido melhor altura para ler este livro, tendo em conta o grande tema que o domina.

Em Paris, no ano 2022 (portanto, não tão longínquo assim), vivem-se intensamente as eleições presidenciais que ditarão o futuro do país. Duas forças passam à segunda volta: a Frente Nacional, liderada por Marine Le Pen, e a Fraternidade Muçulmana, liderada por Mohammed Ben Abbes e apoiada pelo Partido Socialista por temor à extrema-direita. Os partidos tradicionais, os tais do «arco da governação», estão de fora.

E França passa a ter um presidente da República muçulmano, aparentemente moderado mas que aos poucos vai reformulando o sistema educativo francês com base no islão e relegando as mulheres ao seu papel de donas de casa perfeitas.

Todo o livro é narrado por François, um professor universitário que no meio de tantas mudanças deixa de o ser para se refugiar na província. De onde regressa, tempos mais tarde, para encontrar uma sociedade totalmente mudada.

Numa época como a de hoje, em que os extremismos vão, devagarinho, ganhando força, este cenário futurista não parece assim tão remoto, podendo ser mesmo bastante plausível. Michel Hoeullebecq é o mais polémico escritor francês da atualidade, e percebe-se bem porquê.

Nota: Do mesmo autor, aconselho também O mapa e o território, que li há três anos.

6 de outubro de 2015

Ora aí está algo que eu seria incapaz de usar...

... um anel com um rato.


 Pior, só mesmo dois anéis com ratos.

Esta música deixa-me bem-disposta


Hoje é dia de torcerem pela Vespa Gata


Que, apesar do que eu pensava, afinal não está com uma artrose mas continua a coxear. Tudo indica que seja uma ruptura de ligamentos, algo vulgar nos cães muito pouco comum nos gatos, que pode ter resultado de uma queda ou de um salto mal dado.

Hoje, depois da noite toda em jejum, vamos até ao ortopedista para avaliar se se faz cirurgia ou não. Por mim, sim, que tudo o que seja para ela ter qualidade de vida tem o meu aval. Espero que por ele também.

A parte boa: todos os seus restantes parâmetros clínicos estão normais, incluindo a função renal. O que para uma gata com 12 anos é muito bom.

5 de outubro de 2015

E no 105.º aniversário da implantação da República...

... tanto se me dá que Cavaco Silva não esteja presente. Primeiro, porque nunca considerei que me representasse ou que representasse decentemente o país, honrando o cargo para que foi eleito. Segundo, porque para mim os verdadeiros presidentes da democracia foram estes:

E agora?


Quando não se consegue perceber os resultados da noite de ontem, resta-nos analisar os dados que temos. Sim, a coligação ganhou, contra tudo o que se esperava há uns meses, graças a uma boa campanha vs uma má campanha do PS. Mas ao contrário do que se (eu) temia, não ficou nem perto da maioria absoluta, e apenas com 4 pontos a mais do que o PS. Ora, a coligação são dois partidos que, juntos, pouco à frente ficam do segundo partido mais votado. Ainda assim, não percebo como conseguiram aqueles 36,9% depois da forma como sacrificaram o país.

O Bloco de Esquerda, também graças a uma boa campanha, conseguiu os melhores resultados de sempre, sem dúvida com alguns votos de descontentes com o PS.

A CDU é o costume, quarto lugar mas mesmo assim, segundo eles, ganham sempre.

Contente fiquei por o PAN ter conseguido um deputado, sinal de que a preocupação com os animais e a natureza começa a ser mais abrangente.

E agora? Agora quero ver como vai a coligação governar um país em que mais de metade da população votou à esquerda ou muito próximo dela. Não me parece que tenham tanta legitimidade quanto arrogam.

4 de outubro de 2015

Hoje é dia de eleições, mas é também...

... Dia Internacional do Animal.

Parabéns às minhas meninas, e que me possam acompanhar durante muito tempo.

2 de outubro de 2015

Isto é ser solidário

O cúmulo da loucura

Eu nem queria acreditar quando ontem descobri que há pessoas que juntam vários ovos tipo Kinder Surpresa para depois os abrirem todos na mesma altura, filmando a cena.

Mas, mais incrível ainda, há quem assista a esses vídeos no YouTube! E não estamos a falar de pequenos vídeos, mas de filmes com 40 e 50 minutos! Alguns com muitos milhões de visualizações...

Ora espreitem este, com 53 minutos e 39 858 657 visualizações:


Ou este, «apenas» com 14 minutos mas com 195 562 153 visualizações:


Há gente doida para tudo. Ou com demasiado tempo livre.

Número zero, de Umberto Eco

Para comprar este livro
com 10% de desconto,
clicar aqui.
Andei tempos e tempos para escrever sobre este livro, porque já o li há muito. Talvez porque tenha começado muita expectativa e no final tenha ficado com um certo amargo de boca.

O livro, basicamente, é uma parábola ao controlo da comunicação social pelo poder económico. No jornal Amanhã, de que são editados (mas não publicados) 12 números, os jornalistas dedicam-se ao sensacionalismo, manipulam a verdade, criam teorias da conspiração, denigrem quem não convém. Um maquiavelismo que todos sabemos que de facto existe.

Umberto Eco quis fazer uma crítica aos média italianos, mas grande parte dos média portugueses podem enfiar também a carapuça. Em suma, o assunto é (muito) interessante, mas a forma não me cativou assim tanto.

1 de outubro de 2015

Afinal o que é o PAF?

Ao que a ignorância chega. Atenção, a quem ainda não percebeu: Portugal à Frente (PAF) = PSD + CDS. É que a avaliar pelo que se vê entre os minutos 1:28 e 2:13 deste vídeo, há muita gente que ainda não percebeu isso...

Humor negríssimo

Não nos ponhamos a pau, não...

 
E, já agora, vale a pena ler este excerto da crónica de Nicolau Santos publicada no Expresso no dia 28.09. Porque, de facto, só quem não conhecer o país pode acreditar nas palavras de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas. Ou então já se esqueceu dos últimos quatro anos.


Por cá, alguém que não conhecesse o país suporia que foi o PS que esteve no Governo nos últimos quatro anos. Da direita à esquerda só se discute o PS, o programa do PS, as promessas do PS, os cortes na segurança social do PS, o acordo da troika que o PS assinou, o plano secreto que o PS tem para se aliar à CDU e ao BE para não deixar o centro-direita governar. A coligação Portugal à Frente acusa o PS de criar instabilidade e insegurança, a CDU e o BE acusam o PS de subscrever as políticas da direita.

E ninguém debate os últimos quatro anos, os 485 mil emigrantes que vão de engenheiros, economistas e médicos a investigadores, enfermeiros e bombeiros, os cortes nos salários da Função Pública e nas pensões dos reformados, a desmotivação completa dos funcionários públicos, o desemprego, o emprego que está a ser criado (90% é precário), os 50% de portugueses que ganham menos de 8000 euros por ano, o facto de estarmos a trabalhar mais 200 horas por ano e a ganhar em média menos 300 euros, o descalabro na educação (com o silêncio ensurdecedor de Mário Nogueira e da FESAP, ao contrário do que aconteceu quando Maria de Lurdes Rodrigues era ministra da Educação), a miséria que se vive no Serviço Nacional de Saúde (onde muitos profissionais são obrigados a comprar luvas ou a fazer garrotes com material improvisado), os medicamentos que faltam nas farmácias e só estão disponíveis daí a dois dias, a machadada que levou a ciência e investigação, os problemas que se continuam a verificar na justiça, a inexistência de respostas ao envelhecimento da população (em 2014 já havia mais de 4000 pessoas acima dos 100 anos em Portugal e há 595 mil portugueses com mais de 80 anos), a irrelevância do ministro dos Negócios Estrangeiros, a fragilidade da ministra da Administração Interna, as múltiplas garantias de Passos Coelho que foram sempre desmentidas por decisões do próprio Passos Coelho, o programa da coligação que não se discute porque não existe, etc, etc.

Ora, é tudo passado. Como disse Passos Coelho, «felizmente conseguimos ultrapassar a situação de emergência financeira que trouxe uma crise que nós resolvemos. Fizemos muito para poder chegar a este momento e os sacrifícios que fizemos valeram a pena. Já não temos necessidade de vos pedir um contributo adicional. Já não temos nenhuma medida restritiva nas pensões». Pronto, a crise está resolvida e agora é sempre a alargar o cinto.

Por isso, o líder da coligação Portugal à Frente pede agora aos eleitores «uma maioria boa, uma maioria grande» e diz que «quando temos necessidade de qualificar maiorias, alguma coisa esta errada. Estou a referir-me a um governo estável que tenha apoio no Parlamento para evitar que daqui a nove meses tenha de haver eleições», disse, esclarecendo porque não pede uma maioria absoluta. «O que nós queremos não é o absoluto, é estabilidade para governar».

Além disso, «nestes quatro anos tentei sempre um espaço de compromisso, de diálogo, com a oposição». Mas infelizmente «é a oposição a dizer que não dará condições para o país ser governado» e «os portugueses têm de julgar isso». Em qualquer caso, avisa: «Andamos com a alma cheia mas não andamos com o rei na barriga. Nós sabemos que as eleições se ganham a 4 de outubro».

Mas o certo é que na tracking pool diária do Público a coligação vai com 5,1 pontos à frente do PS, embora o número de indecisos tenha aumentado. E a coligação vira agora o discurso para tentar recuperar os 600 mil votos de eleitores que perdeu desde que em 2011 chegou aos 2,8 milhões de votantes. Para já, os resultados são estes: 38% PàF; 33% PS; 9% CDU: 6,7% BE; indecisos 25%.

Também o inquérito diário da Aximage para o Jornal de Negócios mostra que a vantagem da coligação face ao Partido Socialista atingiu, este domingo, o valor mais elevado. 5,6 pontos separam, agora, as duas forças políticas: 37,9% contra 32,3%. Jorge de Sá, responsável da Aximage, é taxativo: a probabilidade de coligação ter mais votos que PS pode ser «estimada em mais de 60%». Para o Correio da Manhã, a coligação segue à frente com 37,9% e o PS tem 32,3%.

Perante isto o que faz e diz António Costa? Pois o líder do PS recebeu ontem uma injeção de ânimo de Freitas de Amaral, que em Braga lhe disse: «Vai ganhar! Não acredite nas sondagens! O António Costa vai ganhar!». O certo é que Costa foi levado em ombros em Guimarães e em Barcelos, onde a cada passo um abraço, pediu a concentração de votos em torno do PS para obter uma maioria que lhe permita governar. Numa sessão em que João Cravinho se sentiu mal quando estava a discursar, Francisco Assis juntou-se a Costa no apelo ao voto útil.

O líder do PS, que ouviu jovens emigrantes através do Skype – e todos lhe disseram que não vêem condições para voltar tão cedo – advertiu que o atual Governo pretende prosseguir «um programa impiedoso» nos próximos quatro anos. «Ao longo destes quatro anos, a coligação mostrou ser radical. Colocou os portugueses uns contra os outros. Nós queremos a estabilidade das famílias, das pessoas, das empresas, do quadro fiscal. Para isso, é necessária uma mudança com confiança», defendeu.