À falta de melhor, aqui fica a campanha da Pedigree do ano passado:



Para 300.º tópico deste blog, um assunto que para mim é de importância extrema por, por motivos totalmente alheios à minha vontade e à minha iniciativa, ter alterado totalmente e para sempre a minha vida: os créditos pessoais. Aqueles que são tão fáceis, tão fáceis, que basta um telefonema para os obter. E, num abrir e fechar de olhos, lá estarão €20.000 ou €30.000 na conta, com juros que podem chegar aos 30 por cento. Aqueles que há quem peça tantas vezes que chega a pedi-los para pagar os que pediu antes...
Myra, de Maria Velho da Costa – num livro que mistura a atualidade mais terrível possível (carjacking, imigração de Leste, cães de morte) com o Alentejo e o Algarve mais profundos, conhecemos Myra, uma adolescente russa fugida de casa na Caparica que se torna companheira inseparável de Rambo/Rambô/Rimbaud, um cão de luta que encontra ferido na praia. A história violenta de uma amizade mais forte do que muitos amores. Um livro com uma linguagem por vezes difícil, mas com um ritmo que mal nos deixa respirar.






Não sei se foi por ter comido ontem gelado à sobremesa ou salada ao jantar... mas esta noite sonhei com comida. Que me lembre, pela primeira vez na minha vida. Mas o mais estranho é que quando acordei a meio do sonho estava brutalmente enjoada e ainda agora, enquanto como os meus cereais, revolve-se-me o estômago quando penso no sonho. Estava com a minha amiga Mary e com PM, que tinha acabado de fazer algo parecido com cupcakes, mas que deviam ser gigantes, porque se serviam à fatia. Ambos os comiam com gosto e eu também. Havia um de algo que não me lembro e outro de chocolate. A minha irmã também lá estava, e a certa altura não quis mais, porque um deles tinha toucinho (!!) pelo meio. Até que me apercebi que também o que eu comia era feito com, entre outras coisas, batata esmagada... E comecei a não conseguir sentir sequer o gosto do chocolate, e a comer com grande sacrifício para não fazer a desfeita a PM, com quem não costumo fazer cerimónia e que tinha tido uma trabalheira a fazer o pitéu. Ainda agora não me lembro do sabor, mas que me continua a dar náuseas, continua. Acho que hoje estarei a grelhados e frescos o dia todo.
Mas o que é que se passa nesta cidade que ninguém acerta com o tempo que vai fazer no dia seguinte? Já nem me queixo das subidas e descidas diárias, porque dessas já não há quem não se queixe… Mas como é possível discrepâncias destas nas previsões a 4 dias?
Se estou bem posicionada comparada com a média de um português (4,4), de um alemão (4,2) ou de um norte-americano (9,4), estou bem abaixo da média mundial (2,7). Pena é que esta média seja tão baixa sobretudo devido aos países em desenvolvimento, enquanto os desenvolvidos, upa-upa... Para ver os níveis da pegada ecológica pelo mundo, clicar aqui.
- os esquilos – há-os em todos os parques, sem medo das pessoas e muitíssimo atrevidos. Vi-os muito de perto em Washington Square Park, onde quase já conhecem os transeuntes pelos nomes.
- a ponte de Brooklyn – tão cinematográfica que ao passar por cima tive dúvidas se não estaria numa sala de cinema em Lisboa…
- os preços – com o dólar a €0,71, as compras tornam-se mesmo um vício, porque tudo fica ao preço da chuva. Livros, sapatos, malas, ténis, tecnologia… só mesmo a comida escapa à regra.
- a simpatia no comércio – nunca, mas nunca tinha sido tão bem tratada em tantas lojas seguidas. Seja ou não uma simpatia genuína, a verdade é que ao entrar na maioria das lojas nova-iorquinas temos sempre alguém com um sorriso a dar-nos as boas-vindas e a colocar-se à nossa disposição. Depois, deixam-nos à vontade para vermos o que quisermos, e no final ainda nos desejam um bom dia.
- os museus – só fui a 4, cada um tão diferente do outro. O Guggenheim vale essencialmente pelo edifício e de algumas obras de arte moderna. O de História Natural e o Metropolitan, pela diversidade e quantidade de espólio (pergunto-me eu onde terão arranjado tantas dezenas de peças de cerâmica grega dos períodos vermelho e negro…). O MoMA, pelo edifício e pela coleção. Foi sem dúvida o meu preferido, com uma coleção de arte moderna e contemporânea que preenche quase todo o meu imaginário.
O pior
- a comida – ou foi muito azar ou pouca pontaria, a verdade é quer foi muitíssimo difícil comer bem em NY. Aliás, a hora da refeição tornava-se frequentemente um momento de stress, tal era a dificuldade em encontrar algo de jeito para comer. Conseguimos desenrascar-nos em Little Italy, vá lá saber-se porquê, e pouco mais.
- a obesidade – nunca vi tantos obesos em toda a minha vida, miúdos e graúdos, homens e mulheres, corpos que sem dúvida facilmente ultrapassarão os 200 kg. Acredito que deve ser difícil ser magro em NY, com tantas solicitações e doses hercúleas. No entanto, grande parte dos estabelecimentos tem também exposto o número de calorias para cada refeição. Pergunto-me para quê.
- o cheiro e o lixo em algumas ruas – em NY não se recicla, e todos os dias se vê montes de sacos de plástico à beira das ruas à espera que alguém os vá buscar.
- os mendigos – são muitos, veem-se sobretudo à noite, e com um tipo de miséria mesmo muito miserável.
- Chinatown – pode ser muito típico, mas o que me ficará na memória será o mau cheiro e a água do peixe a escorrer pelos passeios.
As maiores surpresas- a rapidez em arranjar um táxi – é mesmo como nos filmes, basta esticar o braço e um dos 100 000 táxis nova-iorquinos para à nossa frente.
- Ellis Island – uma ilha onde não pretendia ir e que me surpreendeu à grande. Porta de entrada de milhões de imigrantes nos EUA entre o final do século XIX e o início do XX, funciona agora como um museu vivo onde todo o processo de chegada está bem documentado.
- as luzes em Times Square – sabia que era um dos centros do mundo, mas nunca me tinha apercebido do ponto a que chega. Em Times Square, cruzam-se todas as pessoas de todas as idades de todas as raças. Em Times Square à noite é dia. Em Times Square nunca estamos sozinhos.
- o gigantismo de algumas lojas – surpreenderam-me sobretudo o Toys’r’us, com uma espécie de roda gigante lá dentro, e a megastore da M&M’s
- a excentricidade das viaturas – se cá pouquíssimos Hummers vejo, em NY até os há em versão limusine.
As maiores desilusões
- a zona de Wall Street – julgava-a mais grandiosa, mas achei toda esta zona uma confusão arquitectónica, com edifícios altos e baixos, novos e velhos, ruas estreitas e sinuosas mas sem charme. Surpreendeu-me apesar de tudo a dimensão exterior do edifício da Bolsa.
- a estátua da Liberdade – pequenina, pequenina.
- a sede da ONU – também a julgava bem maior, talvez num terreno mais amplo… mas em NY amplitude só mesmo em Central Park.
- a falta de bons caminhos para bicicletas em Central Park – ao contrário do Tiergarten, em Berlim, em Central Park há poucos sítios onde se possa circular de bicicleta, o que contraria a existência de tantas empresas de aluguer.
- o Paramount Hotel – apesar de extremamente bem localizado e de ter o design de Philippe Starck, não perdoo o facto de as zonas comuns estarem em obras.
O que vi mas que quero explorar melhor numa próxima oportunidade: SoHo, Greenwich Village.
O que não vi e que também fica para a próxima: Harlem, Brooklyn, Queens, Coney Island.
Ainda só estou a trabalhar há 3 dias e já estou exausta do trânsito que tenho enfrentado todos os dias para ir para a empresa. Por sorte, ou não, tenho o carro a polir, por isso tenho ido de Vespa. O que não me impede de ter de furar os engarrafamentos gigantescos que agora povoam a 2.ª circular e de ter de passar uns bons 20 minutos a fazer slalom, sempre com medo que um automobilista distraído se me atravesse à frente. E que me está a valer com uma senhora dor nas costas.