17 de novembro de 2008

Tréguas

Já aqui falei várias vezes de Paul Auster, um dos meus escritores preferidos. Só nunca contei que um dia me zanguei com ele. Há já uns anos, quando esteve em Lisboa a dar umas conferências e a lançar um livro, já não me lembro qual. Depois de horas à espera na Fnac Chiado, só para o ouvir falar, chegou com o editor (na altura, o Manuel Valente) que transmitiu que o autor estava demasiado cansado para falar e que só iria dar autógrafos. Tinha feito uma palestra no dia anterior na Culturgest, e pareceu-me que não estava para mais conversas. Fiquei fula. Mas continuei a comprar e a gostar dos livros na mesma.

Foi assim com um certo cepticismo que fui ontem à Fnac do Cascaishopping com o mesmo propósito. Conferência às 15h. Pelas 15h10, informação de que o autor estava atrasado. Pelas 15h20, a mesma coisa. E eu a começar a ferver. Mas então lá apareceu. Alto, vestido de escuro, tal como eu o imaginava. Começando por dizer que só tinha sido informado da conferência às 12h. Medo. Mas o gelo lá se quebrou, só que a conferência seria à base das perguntas da audiência. Primeiro o silêncio da vergonha, depois lá arrancámos. E lá lhe perguntei sobre a experiência como realizador (por acaso, sobre um filme de que não gostei). E Paul Auster tornou-se de repente humano, com piadas, com desejos, com sonhos, com simpatia. Mais 5 ou 6 perguntas e a conversa esmoreceu. Até que arranjei coragem para o confrontar com uma dúvida que me assolava há muito: a grande semelhança entre um dos livros da sua mulher (Siri Hustvedt) e o seu próprio estilo - as histórias dentro da história. Negou, julgo que ficou incomodado, e se calhar até fui eu que fui injusta, afinal só li um livro dela, e dos mais antigos, e parece que hoje já não é assim.

Mas tirei a barriga de misérias. E fiz as pazes com ele. Mesmo que ele não as tenha feito comigo. Porque não sabia que precisava de o fazer.

3 comentários:

Mary disse...

Fico muito contente por saber que as pazes foram feitas :-)

Curiosamente, ainda ontem contei a história da tua zanga... que foi complementada com uma outra história, de um fã incondicional que preparou algo para dizer ao PA durante semanas a fio... e que, quando chegou a altura, ficou tão mas tão nervoso que só conseguiu verbalizar um tímido "thank you".

Vespinha disse...

Pois eu tive coragem para dizer muito mais, uma vez que ninguém abria a boca... :)

Anónimo disse...

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