28 de abril de 2017

Norma, de Sofi Oksanen

Espero que esta seja das poucas vezes em que venho aqui escrever que não gostei nada de um livro. Norma ganhou o Prémio Femina, o Prémio Europeu de Melhor Romance e o Prémio Nórdico da Academia Sueca, mas eu achei-o uma verdadeira confusão.

Norma, adulta na casa dos 30, perde a mãe, que se suicida aparentemente sem motivo numa linha de metro. A relação delas era muito próxima, reforçada pela característica invulgar dos cabelos de Norma, que crescem a um ritmo assustador e que lhe permitem prever algumas coisas. Após a morte da mãe, Norma decide empregar-se no cabeleireiro onde a mãe trabalhava, e aqui se começa a desvendar um negócio de extensões de cabelo e de barrigas de aluguer. Pode parecer estranho mas é mesmo assim, e isto envolvendo uma data de personagens que tive dificuldade em ligar entre si.

Li algures que alguém teve de fazer um esquema para perceber as relações na história. Talvez eu devesse ter feito o mesmo. Mas, mesmo assim, desconfio de que não gostaria.

20 de abril de 2017

Das vacinas

Já quase tudo foi dito sobre pais que optam por não vacinar os seus filhos, sobretudo ontem, depois de uma jovem de 17 anos, não vacinada contra o sarampo, ter morrido devido a complicações decorrentes da doença.

O que acho, e já achava antes destes acontecimentos, é que é uma total irresponsabilidade não cumprir o Plano Nacional de Vacinação, que até é bastante rico (excetuando as vacinas do rotavírus e da meningite, que tive de pagar à parte e que são caríssimas). Se a ciência permite, nos nossos dias, estarmos protegidos e proteger os nossos filhos, porque não o aproveitamos? Não consigo mesmo colocar-me na pele de quem não o faz.

E isto levar-me-ia a outra questão, a quantidade de pessoas que optam por ter os filhos em casa, longe de todos os meios médicos e sem qualquer tipo de esterilização do ambiente. Mas disso só se lembrarão quando um bebé morrer devido a mais uma decisão inconsciente e que se rege apenas por princípios idealistas.


19 de abril de 2017

Ser mãe de gémeas é... #31

... ficar triste quando ouço alguém dizer que uma é mais bonita do que outra, e vice-versa. São lindas as duas.

18 de abril de 2017

Vozes de Chernobyl, de Svetlana Alexievich

Svetlana Alexievich, Nobel da Literatura em 2015, tem um estilo muito próprio: dá voz aos outros através da sua própria voz. Pelo que sei, a técnica é visível em outros seus livros, mas neste Vozes de Chernobyl o relevo que ganha é imenso.

Svetlana entrevistou várias vezes mais de 500 pessoas acerca do desastre na central nuclear ucraniana em 1986. Desses depoimentos (por ela apelidados de «monólogos»), mais de 100 estão neste livro: bombeiros que lá estiveram nos primeiros dias, médicos, pais e mães, maridos e mulheres. Pessoas que sofreram na pele os efeitos de uma radiação para a qual não estavam preparadas, pessoas que viram os seus familiares morrer devagar das formas mais horríveis, pessoas que tiveram de deixar as suas casas e toda uma vida devido ao acidente. E tudo sob o olhar comprometido das autoridades soviéticas, que enviaram para o local do acidente pessoas mal preparadas e que não agiram de forma célere na evacuação.

Ainda hoje, mais de 30 anos depois, Chernobyl é uma nódoa negra no nosso planeta, nódoa na qual, por efeito das radiações, ainda ninguém pode tocar nem sabe quando o poderá fazer.

Vale a pena ler este livro de testemunhos, vale muito a pena. E depois investigar um pouco mais sobre algo que aconteceu longe mas que poderia acontecer mesmo aqui ao lado.

17 de abril de 2017

Conhecem o caruncho grande da madeira?

Pois, eu também não conhecia, nem sonhava que tal coisa existia. Já tinha ouvido falar do caruncho, claro, mas daquele que faz buracos pequeninos em madeiras velhas. Até que há dias, de um dia para outro, me apareceu isto no chão ao pé de uma cadeira do pátio:


Observando a cadeira ao pormenor, deparei com este "buraquinho", perfeitamente redondo e com cerca de 1,5 cm de diâmetro:



Depois de vários conselhos que me deram no Facebook, atirei lá para dentro WD40 e saiu de lá esta coisa:


Depois de uma pesquisazita feito pelo meu irmão, concluímos que se trata do caruncho grande da madeira. Agora resta-me esperar que não tenha deixado larvas e que não haja outros por aí. Ei-lo, com cerca de 3 cm de comprimento:

10 de abril de 2017

Ser mãe de gémeas é... #30

... achar que são diferentes mas quando olho para certas fotografias verificar que são mesmo muito parecidas.

À esquerda, a olhar meio de lado, a Maria.
À esquerda, a olhar meio de lado, a Luísa.

6 de abril de 2017

E eu que o diga

Não me venham falar de doenças e afins. Por um lado, porque não gosto de falar disso. Por outro, porque o trator que me passou por cima em junho do ano passado deixou-me com uma grande quantidade de créditos. E talvez o primeiro motivo derive deste segundo.

4 de abril de 2017

Um homem chamado Ove, de Hannes Holm

Não vou falar deste filme porque já falei pormenorizadamente do livro aqui, em junho de 2015. Claro que o livro é muito mais rico, mas o filme não dececiona (e estava nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro). Vim aqui só para dizer que vale a pena verem-no.

30 de março de 2017

O livro do hygge, de Meik Wiking

Este livro atraiu-me porque me pareceu muito bonito e pela promessa de dicas para se ser feliz. Aprendi que, para os dinamarqueses, algo que é hygge é algo que nos dá conforto, sensação de pertença, um sentimento de tranquilidade e segurança. E que passa pelas pequenas coisas.

Velas, muitas velas pela casa (de preferência sem cheiro, porque o que interessa é a luz quente que emanam). Bebidas quentes, uma manta macia e chuva lá fora. Comer bolos e doces, muitos. Estar com os amigos e com eles fazer coisas simples, como cozinhar uma refeição, ver um filme ou uma série. Deixar os telemóveis e tablets de lado e agarrarmo-nos a um bom livro. Andar de bicicleta sem rumo e sentir a Natureza à nossa volta. No fundo, dar uma oportunidade ao tempo.

Conheço algumas pessoas muito hygge, uma das quais uma das minhas melhores amigas. Tentarei também sê-lo mais.

29 de março de 2017

28 de março de 2017

Rara

Nos últimos meses tenho-me confrontado com o facto de que sou mais rara do que julgava... mas até nisto?

22 de março de 2017

O tamanho do mundo

Sabiam que Portugal, sendo um país pequeno, é na verdade pouco menor do que a Islândia, praticamente com a mesma área que a Hungria e maior do que a Irlanda? E que, apesar de nos mapas a Rússia parecer bem maior do que África, na verdade tem metade do tamanho?

Tudo porque, na escola, estudámos por mapas com a projeção de Mercator, que ao passar para duas dimensões um globo de três dimensões, acaba por distorcer o tamanho dos territórios.

Nas escolas de Boston começa-se agora a estudar o mundo pela projeção de Gall-Peters, com proporções mais fidedignas:


Espreitem este artigo da Visão, com estes e outros exemplos. Bem interessante.

21 de março de 2017

Um otimista na América, de Italo Calvino

Há tanto tempo que não lia nada de Calvino que já mal me lembrava de que era tão bom.

No final dos anos 50 e início dos anos 60, graças a uma bolsa da Fundação
Ford, Calvino passou seis meses nos Estados Unidos da América, deambulando por vários estados tal como tantos (incluindo eu) sonham.

Nova Iorque foi a sua cidade de eleição, e aquela onde passou mais tempo, mas Calvino partilha connosco também as suas impressões sobre Chicago, Detroit, Cleveland, Los Angeles, São Francisco, Boston, Nova Orleães e Savannah.

Sempre com um espírito positivo, descreve as cidades, a sua geografia, a sua arquitetura e sobretudo as suas gentes. Mas há algo que registou há 50 anos, quando regressou a Nova Iorque para terminar a sua viagem, que tomara a nós se verificasse em alguns casos nos dias de hoje:

"Estive fora dois meses e já não reconheço os lugares: casas que não havia antes, perspetivas que desapareceram. Contudo aqui não se sente o mesmo que em Itália. Porque entre nós quem vê surgir um feio edifício para especulação tem uma sensação de embrutecimento definitivo, sabe que irá tê-lo diante dos olhos toda a vida, que o verão os seus filhos e os seus netos. (...) Mas fica sempre esta consolação: à provisoriedade do belo corresponde a provisoriedade do feio; uma casa feia dura pouco, trata-se apenas de aguardar."

15 de março de 2017

Parabéns, Babá

Pelos 93 anos que faria hoje. Já lá vão 20 desde que nos deixou, mas a partir do ano passado tem mais dois seres por quem olhar, as suas bisnetas, que espero que herdem todas as suas qualidades: a inteligência, o amor pelos animais, a capacidade de adaptação e, sobretudo, o carinho que demonstrava por nós conseguindo sempre conciliá-lo com a disciplina.

14 de março de 2017

A peste, de Albert Camus

Shame on me, que nunca tinha lido um livro de Albert Camus. E desconfio seriamente de que tenha começado por um dos melhores.

Tudo se passa nos anos 40, numa cidade fictícia da Argélia, quando começam a aparecer ratos mortos pela cidade. Aquando da morte das primeiras pessoas, todos julgam ser algo passageiro e os ratos mortos um pequeno incómodo, até que de um momento a peste faz jus ao seu nome. Mata dezenas por dia e obriga ao fecho repentino da cidade, que fica de quarentena. Ninguém pode entrar nem sair.

Assim, assistimos ao desespero dos que ficam: os que tentam fugir da peste, os que tentam salvar os outros da peste, e os que apenas querem sair porque têm alguém lá fora, sem querer saber da peste.

Gostei muito. Já tenho ali O estrangeiro à espera.

13 de março de 2017

Ser mãe de gémeas é... #26

... ter de ser cada vez mais rápida com a colher, pois começam a não ter paciência para esperar os 10 segundos que demoro a dar uma colherada à outra.

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9 de março de 2017

A primeira coleção

Sempre ouvi dizer que as coleções de cromos e afins são mais para satisfação dos pais do que dos filhos. Pois bem, concordo. As minhas filhas nem sabem o que é um animal, nem muito menos uma coleção, e já me meti no colecionável Os meus animais do zoo. São 60 animaizinhos amorosos com 60 livros sobre cada um, que depois no final me terão custado os olhos da cara. Mas não resisti.

7 de março de 2017

Ser mãe de gémeas é... #25

... de manhã conseguir mantê-las caladinhas no quarto um pouco mais de tempo porque sentem a companhia uma da outra e não se veem sozinhas.

6 de março de 2017

The book of you, de Claire Kendal


Comprei este livro porque o comparavam a Gone girl e Before I go to sleep, ambos verdadeiros thrillers de cortar a respiração. Com expectativas altas, portanto.

Na verdade, começa com ritmo, com a história de uma mulher vítima de stalking por parte de um colega de trabalho com quem se envolveu impulsivamente numa noite de copos. A partir daí, e da sua rejeição, Rafe aparece-lhe nos sítios mais inesperados e envia-lhe para casa presentes primeiro relativamente inocentes mas depois cada vez mais cheios de sugestões agressivas. E há ainda a posição de Clarissa como júri no julgamento de um caso com alguns paralelismos com o que lhe está a acontecer a ela.

Mas há também algum aborrecimento, a sensação de que o livro está a abrandar demais e que poderia haver muito mais surpresas. Não há. É pouco mais do que aquilo. 

1 de março de 2017

O imenso adeus, de Raymond Chandler


Julguem-me se quiserem, mas este livro esteve lá em casa uma boa temporada e peguei nele uma data de vezes, mas simplesmente não conseguia olhar para a capa original. Tinha vontade de voltar a encontrar o detetive Philip Marlowe (que conheci em A dama do lago), mas a capa...

Até que o livro foi reeditado na relançada coleção Vampiro, com uma linha de capas vintage impossíveis de passar despercebidas. Comprei o livro com a capa nova, vendi o outro pelo OLX e finalmente li-o.

Desta vez Marlowe conhece Terry Lennox, que um dia lhe pede para o levar de urgência ao aeroporto de Tijuana. Marlowe, sem querer conhecer o motivo do pedido, fá-lo, mas no regresso é preso, acusado de cumplicidade no assassínio da mulher de Lennox. Já em liberdade, e depois de saber que Lennox se suicidou, Marlowe decide investigar o caso por conta própria, ao estilo a que já me habituou. Ainda bem que ainda há uma série de livros dele para ler.

Nota: Esta era a tal capa que me afastava de pegar no livro...

22 de fevereiro de 2017

Vida após vida, de Kate Atkinson

Numa noite de inverno, uma bebé morre à nascença asfixiada pelo cordâo umbilical. Na mesma noite de inverno, a mesma bebé não morre à nascença. Anos mais tarde, a mesma criança morre afogada. Nesse dia, a mesma criança não morre afogada. E mais tarde pode ou não morrer ao cair de uma janela. Este é um livro de «E se...». Se isto acontecer assim, aquilo acontecerá assado. Ou não.

Ao longo deste livro, Kate Atkinson elabora uma série de hipóteses para a vida e morte de Ursula Todd, até ao dia em que a mesma assassina Hitler num café e é morta de seguida. Mas... e se Ursula tivesse mesmo morrido à nascença ou em tantos outros episódios da sua vida?

A estrutura do livro é muito interessante, e a ideia também, mas a certa altura achei-o um pouco cansativo. Mas vale a pena ler, nem que seja pela originalidade que ainda não tinha encontrado em qualquer outra obra.

21 de fevereiro de 2017

Ser mãe de gémeas é... #23

... ficar contente quando as ouço chorar e conseguir distinguir o choro de uma e da outra.

Não tenham pena. É uma birra.