24 de maio de 2019

Sabrina, de Nick Drnaso

Sou fã de novelas gráficas há muitos anos, desde Persépolis, Blue pills, Maus, Blankets, Watchmen e tantas outras. Por isso não percebo muito bem o hype que se gerou em torno desta, que foi a primeira novela gráfica finalista do Booker Prize.

A história é interessante: o desaparecimento de uma rapariga, a divulgação viral do que lhe aconteceu através dos meios de comunicação social e das redes sociais, uma teoria da conspiração acerca do que acontece a muitas das supostas vítimas de raptos e atentados, as consequências de tudo isto em pessoas como nós e em toda a sociedade. Mas, para mim, não interessante o suficiente para ser considerada uma obra-prima ou o primeiro grande romance americano do século XXI.

Todo o ambiente é bastante soturno, com cores escuras e baças, o que faz sentido face ao conteúdo, e as personagens são retratadas sem expressão, como se pudessem ser qualquer um de nós ou os representantes de uma sociedade apática. Apesar de compreender esta escolha, toda a arte gráfica não me agradou, e lentificou inclusivamente a minha leitura, não chamando por mim.

22 de maio de 2019

De que outra coisa poderia ser?

Europeias: uma ajuda para decidir


O dia 26 está a aproximar-se e, se ainda não decidiram em que partido vão votar, o Euandi2019 pode dar-vos uma ajuda... ou surpreender-vos!

Desenvolvida pelo Instituto Universitário Europeu e pela Universidade de Lucerna, esta ferramenta pretende, através de 22 perguntas sobre assuntos como as despesas do Estado, os impostos, a imigração, os refugiados, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, as drogas, a eutanásia, o ambiente, o crime, a política externa ou a integração europeia..., ajudar-nos a tomar uma decisão.

Experimentem! Os meus resultados aproximam-se bastante daquilo que pretendo escolher, com uma ligeira variação.

20 de maio de 2019

Em contagem decrescente

Todos os dias elas me perguntam se está quase, e a verdade é que agora está mesmo. Faltam apenas 2 semanas para os 3 anos, e quero que seja um dia de muita felicidade para todos. Este ano não contratei nenhuma empresa para organizar a festinha, mas encomendei pelo menos os salgados e a minha Mãe ofereceu-se para fazer os doces (que eu na cozinha sou uma nódoa...). Apesar de ainda não ser uma festa com os amiguinhos da escola, mas com a família e os outros amigos, já vamos ser muitos.

Mas o resto ainda é tanto: a decoração, os convites e as confirmações, a escolha das músicas, a criação do design do bolo, a limpeza do pátio. As expectativas delas são muitas, e não as quero desiludir. Se lhes vou dar algum presente? Não, o meu presente são estes preparativos e a felicidade que espero que sintam.

16 de maio de 2019

How to walk away, de Katherine Center

É uma história de vida, este livro. Uma história que poderia ter sido perfeita mas que, devido a um acidente trágico, mudou radicalmente o seu rumo, conseguindo no entanto reencontrar um equilíbrio.

Em resumo, é a história de Margaret, uma mulher com 29 anos que tem um acidente de avião com o seu noivo ao volante, ficando paralisada dos joelhos para baixo. Grande parte do livro é passado no hospital, primeiro na fase de compreensão do que lhe tinha acontecido, depois na fase de tentativa de recuperação mas também de revolta. Identifiquei-me bastante com algumas passagens, sobretudo no limbo que é estar internada e de como só nos apercebemos da gravidade da situação quando a medicação nos liberta para pensarmos um pouco.

Gostei do livro, mas achei a última parte um pouco precipitada, parece que tudo se resolve e sucede demasiado depressa, sendo pouco verosímil que tantas coisas aconteçam às mesmas pessoas. Mas, apesar de tudo, e dando algum desconto, deixa uma mensagem de esperança.

9 de maio de 2019

Factos e pensamentos sobre o Cartão de Cidadão

Facto 1: Cartão de Cidadão a caducar no dia 19.07, daqui a 2 meses.
Pensamento 1: É melhor começar a tratar do agendamento para fazer a renovação.

Facto 2: Receção de SMS do Cartão de Cidadão a 09.05 recomendando o agendamento no site.
Pensamento 2: Olha que boa ideia, até nos avisam e tudo, para não haver atrasos.

Facto 3: No site do agendamento, só há vagas a partir de dia 06.08, daqui a 3 meses.
Pensamento 3: Vou andar um mês com o Cartão de Cidadão caducado apesar de o querer renovar dois meses antes do prazo. Mas em que que país é que a gente vive?

8 de maio de 2019

Frases de mãe

São horas de levantar.
Acordam-nos com beijos com sabor a café e abrem as cortinas dos dias, para deixar entrar as manhãs. Espantam-nos os últimos fi os de sono presos nos olhos e orientam, com mão firme, colarinhos desalinhados e cabelo em estado de sítio.

Acaba o pequeno-almoço e vai escovar os dentes.
Na ponta da língua, guardam respostas como se soubessem o segredo da vida. Compõem puzzles e listas de compras, organizam banhos, roupas e dias seguintes. Desenham sorrisos na sobremesa e arrancam-nos gargalhadas que sabem a amor e canela.

Já fizeste os trabalhos de casa?
Prendem o cabelo, descalçam os sapatos, desabotoam a noite e, sem perder o norte, ajudam-nos a deslindar a equação e a desbravar a semântica.

Não venhas tarde. Tem cuidado.
Esperam-nos, com o peito em alvoroço, nas noites que esticamos com os amigos, rumo às primeiras descobertas. Põem pensos rápidos no coração das primeiras ilusões e assustam doenças com pratos de canja.

Vai passar.
Escondem as lágrimas e acendem a força quando o caminho se faz longe e escuro. Farol dos sonhos e campeãs de maratonas, ainda nos olham como se fossemos magia em forma de gente.

Força, eu estou aqui.
Abafam angústias com abraços que nos carimbam na pele um para sempre. E, quando chega a noite e fechamos os olhos, observam-nos, como se soubessem o segredo da vida. E sabem.

Boa noite, bons sonhos.
Feitas de ferro e de fogo, de açúcar e mel, as mães inventaram os verbos e ensinaram a coragem a andar. Para nós, serão sempre eternas e haverá sempre tempo para depois. Amanhã.

in www.bertrand.pt

3 de maio de 2019

A um mês de entrarem na idade pré-escolar

A Luísa e a Maria ainda são muito pequenas, mas eu já tenho reuniões de avaliação com a educadora. E é um orgulho muito grande ouvir que estou no caminho certo, que elas estão com um desenvolvimento físico e psicológico equivalente a crianças seis meses mais velhas, que são das mais autónomas, que ajudam imenso as educadoras a tratar dos amiguinhos nas rotinas da escola.

As birras continuam, mas são cada vez menos. O chichis nas cuecas também, mas a rarear cada vez mais. As minhas bebés estão a ficar mesmo umas meninas.


30 de abril de 2019

Pet Sematery, de Kevin Kolsch e Dennis Widmyer

Há dias decidi ir rever um remake de um filme da minha adolescência, e que tinha adorado: Pet Sematery, baseado num livro de Stephen King. Na época adorava filmes de terror, e este foi um dos que ficou na minha memória. A história anda à volta de um terreno onde os seres vivos que são enterrados regressam, mas já não os mesmos. Aparência normal, mas o interior muito mau. E lá estive a ver tudo calmamente, inclusive a morte e o regresso de um gato que volta com mais arranhadelas e rosnadelas do que um gato normal.

Mas quando uma criança morre atropelada e o pai vai durante a noite ao cemitério buscá-la para a enterrar no dito Pet Sematery cheguei ao meu limite, e comecei inclusive a ficar enjoada. Pela segunda ou terceira vez na vida, no máximo, tive de sair a meio.

Talvez seja por agora ser mãe de duas meninas e não ter suportado ver aquela no caixão, associado a saber no que se transformaria a seguir, talvez por ter pavor de atropelamentos e acidentes rodoviários. A verdade é que não aguentei.

Durante uns bons tempos, filmes de terror para mim  não.

29 de abril de 2019

O colecionador, de John Fowles

É impressionante como dois livros que partem do mesmo tema, o sequestro de alguém para ficar em cativeiro, se podem tornar em algo tão bom ou em algo tão mau. Estocolmo, detestei. O colecionador, adorei.

Frederick/Ferdinand é um homem simples, funcionário público solitário e colecionador de borboletas, que cria uma obsessão pela jovem estudante Miranda. Quando um dia enriquece graças a uma lotaria desportiva, compra uma casa e nela prepara uma cave onde aprisionará Miranda depois de a raptar.

Na primeira parte do livro Ferdinand é o narrador e acompanhamos a sua obsessão, a concretização do rapto e a sua relação com a sequestrada, que não vai além de lhe proporcionar tudo o que deseja exceto a liberdade.

A segunda parte é o diário de Miranda enquanto está presa onde, além de registar a sua perplexidade perante um sequestrador que sexualmente não quer nada dela, divaga sobre um artista mais velho que admira (Miranda é estudante de Arte) e engendra formas de fuga.

Na terceira parte do livro voltamos a Ferdinand e percebemos como tudo acabou, criando em nós uma ansiedade crescente e uma enorme vontade de o abanar. Por último, uma quarta parte deixa-nos antever o futuro, que não nos deixa tranquilos.

Excelente, este livro, e uma pena já não estar editado em Portugal (em tempos fez parte da coleção Caminho Policial).