18 de julho de 2018

A importância das horas de sono

Há dias irritei-me um pouco no Facebook, quando uma mãe de um grupo a que pertenço argumentava que eu devia ir a um determinado evento mesmo sacrificando a sesta das miúdas, defendendo que o importante era elas terem novas experiências, mesmo que depois ficassem birrentas. Disse ainda que tentava não se privar de nada por causa dos filhos, pois isso acabava por enriquecê-los.

Ora, eu penso precisamente o contrário. E privo-me de muitas coisas não «por causa» delas, mas «por» elas. Aos fins de semana, quando estão comigo todo o dia, as três horas a seguir ao almoço são horas mortas (eu aproveito para também descansar), e antes das 17h é difícil combinar alguma coisa. Agora no verão, ir à praia será quase um «toca-e-foge» ao final do dia. Ir jantar fora significa ir jantar no máximo às 19h30 ou antes, para conseguir que pelas 21h estejam na cama.

Porque a meu ver não haverá experiências que as enriqueçam se estiverem com sono. Ficam irritadiças, choram por tudo e por nada, eu fico estafada, todas perdemos. Para elas, como em geral para todas as crianças pequenas, as horas de sono são fundamentais, servindo para processar as aprendizagens e vivências que tiveram durante o dia. E quando falo de horas de sono, falo de horas de sono de qualidade, deitadas em ambiente tranquilo. Talvez seja por isso que «apanhem» tudo muito rapidamente e que estejam a desenvolver tão depressa o vocabulário. Porque enquanto estão reconfortadas, estão despertas e alerta para tudo o que as rodeia.

Num abrir e fechar de olhos as sestas serão menores, haverá trabalhos para fazer ao fim do dia, ir para a cama terá de ser mais tarde, e a vida encarregar-se-á de lhes proporcionar muitas experiências retirando-lhes algumas horas de descanso. Mas tudo a seu tempo.

17 de julho de 2018

O Livro dos Baltimore, de Joël Dicker

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Contra as minhas expectativas e contra outras opiniões que tinha lido, gostei menos deste livro do que de A verdade sobre o caso Harry Quebert.

Marcus Goldman, o mesmo protagonista e narrador do outro livro, a partir de um evento a que chama de o Drama, analisa a infância e a juventude que passou com os seus dois primos, Hillel e Woody. O fosso económico que dividia os Goldman de Baltimore e os Goldman de Montclair nunca separou os primos; antes, uniu-os.

Tudo nos de Baltimore parecia superior aos de Montclair: as casas que tinham, as profissões que exerciam, as atividades que praticavam. Com o passar dos anos, a vida foi ensinando que a prosperidade nem sempre traz felicidade, culminando em acontecimentos trágicos que, apesar de tudo, não estragaram a amizade fraterna.

Tal como no livro anterior, a escrita é bastante fluida, e as 500 e tal páginas leem-se rapidamente, mas não encontrei aquele toque diferente na narrativa.

13 de julho de 2018

12 de julho de 2018

Hora de inverno ou hora de verão? A escolha pode ser nossa

A pedido de muitas «famílias», a Comissão Europeia lançou uma consulta pública sobre as mudanças de hora semestrais, colocando-se a hipótese de a hora de verão se tornar definitiva.

O questionário está online e disponível nas 16 línguas da União Europeia para resposta até dia 16 de agosto. Depois de darmos a nossa opinião, devemos justificá-la, escolhendo se é por questões de saúde, poupança de energia, segurança rodoviária... Vamos aproveitar esta oportunidade.

11 de julho de 2018

Longe do mar, de Paulo Moura

Paulo Moura é jornalista e, em agosto de 2007, publicou uma série de reportagens no jornal Público sobre a Estrada Nacional 2, que atravessa Portugal de Chaves a Faro ao longo de mais de 700 km.

A história da EN2 é, acima de tudo, a história das suas pessoas, e um pretexto para conhecer um Portugal que já não existe e que mal suspeitávamos da sua existência.

Ficamos a conhecer Joaquina, que durante 20 anos viveu totalmente sozinha com a filha pequena na remota aldeia da Anta, só no fim do livro descobrindo o verdadeiro porquê deste isolamento. Recuamos 50 anos e vivemos o esplendor e a miséria de Tortosendo, onde a vida faustosa dos donos das fábricas de lanifícios contrastava com a de todos os que viviam em seu redor. Quase sentimos na pele a extrema pobreza, quando muitas vezes as refeições eram constituídas por uma panela de água quente com 4 feijões e meia batata, quando os havia. Somos apresentados a um ferreiro que ainda trabalha à moda antiga, casado com uma mulher que o ajuda e que aproveita cada intervalo para pôr a leitura em dia. E muitas coisas mais.

Um retrato que não é o de uma estrada mas o de um povo, cujas vidas coincidiam sobretudo na pobreza e na vida próxima daquela via de comunicação.

10 de julho de 2018

Desejem-me sorte

Hoje é o dia da minha ressonância magnética anual à região cardiotorácica. Vou sempre com um frio no estômago e um nó na garganta.



5 de julho de 2018

Crimes exemplares, de Max Aub

Totalmente negros, insólitos e divertidos são estes 87 crimes que Max Aub relata em microcontos na primeira pessoa. Crimes cometidos pelo(s) narrador(es) simplesmente porque sim, ou porque algo banal o(s) irritava, ou porque não havia mais nada fazer. Crimes que se contam na sua maioria em meia dúzia de linhas e alguns com que até nos conseguimos identificar.

Eis alguns exemplos:

«Matei-o porque me doía a cabeça. E ele, zás, falava sem parar, sem descanso, sobre coisas que nada me interessavam. E mesmo que me interessassem. Ainda olhei seis vezes ostensivamente para o relógio: não fez caso. Creio que é um atenuante a tomar em consideração.»

«De mim ninguém se ri. Pelo menos esse, já não volta a rir-se.»

«Íamos como sardinhas em lata e aquele homem era um porco. Cheirava mal. Todo ele cheirava mal, sobretudo os pés. Garanto-lhe que não se podia suportar. Além disso tinha o colarinho da camisa negro de sujidade e o pescoço ensebado. E olhava-me. Uma coisa asquerosa. Ainda quis mudar de lugar. Pode não acreditar, mas aquele indivíduo seguiu-me. Era um cheiro a demónios e pareceu-me ver sair bichos da sua boca. Talvez o tenha empurrado com um pouco de força a mais. Agora não me culpem pelas rodas do autocarro lhe terem passado por cima!»

« – Antes morta! – disse-me. E eu só quis fazer-lhe a vontade!»

«Matei-o porque tinha a certeza de que ninguém estava a ver.»

«Era tão feio, o pobre tipo que, cada vez que o encontrava, era como que um insulto. E tudo tem um limite.»