19 de julho de 2019

Portugal insólito: barragem de Varosa

O nosso país não para de me surpreender. Desta vez foram as imagens da escadaria da barragem de Varosa, em Lamego, uma serpente que desce a pique 76 metros do cimo da barragem até ao terreno natural. Infelizmente, não consegui descobrir em lugar algum quantos degraus são.


16 de julho de 2019

As minhas filhas são info-excluídas

Não se ofenda quem pensar ou fizer o contrário de mim, mas tenho de partilhar aqui o que penso sobre o assunto. A Luísa e a Maria são info-excluídas. Com 3 anos, até hoje nem um minuto estiveram com o meu telemóvel ou com o meu tablet nas mãos, mesmo que a ver filmes de desenhos animados, jogar jogos difáticos, o que seja. Nem um minuto.

Como raramente me veem com tecnologias nas mãos, acabam por não querer imitar, e como nunca lhes mostrei o que está lá dentro não podem querer aquilo que não sabem que existe. Elas fazem brincadeiras interativas, mas com livros, elas praticam atividades de role-play, mas com os seus bonecos, elas aprendem as cores e algumas letras e números, mas com peças de madeira e associando-as aos nomes de pessoas e animais que conhecem.

Não sabem contar até 50, não conhecem a Masha, a Peppa ou o Noddy. Mas procuram as letras que conhecem quando andam pela rua, gostam de andar de triciclo e de escorregar no parque infantil de cabeça para baixo. Jogam à bola e gostam que eu lhes faça bolhas de sabão. Às vezes sentam-se ao pé de mim na cozinha enquanto preparo o jantar. Para a mesa não levam brinquedos e se quiserem entreter-se é a conversar. Televisão, talvez vejam umas duas horas por semana ao todo.

Se sou melhor mãe assim? Não faço a menor ideia. Se as estou a privar de algo a que a maioria tem acesso? Talvez, mas tudo virá a seu tempo. E se um macaco aprende a navegar num telemóvel, elas também o aprenderão num ápice. Quando disso precisarem.

15 de julho de 2019

Nascer em Portugal

Mais um estudo muito interessante e super completo levado a cabo pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e pelo Instituto Nacional de Estatística. Desta vez, sobre a fecundidade e natalidade em Portugal. Textos, infografias e vídeos sobre a decisão de ter ou não ter filhos e quantos, o adiamento devido ao estudo, à carreira e à vida financeira, a idade da maternidade...

Podem ver tudo aqui, são umas horas para explorar tudo muito bem empregues.



12 de julho de 2019

Desdramatizando a renovação do Cartão de Cidadão

O meu Cartão de Cidadão caducava daqui a uns dias, e em maio recebi um sms alertando para o facto e aconselhando a fazer um agendamento. Assim o fiz, ainda em maio, só conseguindo vaga para dia 12 de agosto. Surreal, portanto.

Mas há duas semanas falaram-me da hipótese de o fazer online, só tendo de ir ao serviço de registos para o levantar. Pedi-o há duas semanas, esta semana recebi o aviso e hoje, em não mais de 5 minutos, fui levantá-lo calmamente.

A única condição para poder renová-lo desta forma é a não alteração dos dados visíveis no cartão, como a fotografia, a assinatura ou o apelido. Podem fazer tudo aqui, sem stresse nem filas de espera. Vale a pena.

https://eportugal.gov.pt/servicos/renovar-o-cartao-de-cidadao

11 de julho de 2019

10 de julho de 2019

Somos o que comemos

Muito interessante este estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre os hábitos alimentares dos portugueses, avaliando desde o que comem até ao que deveriam comer. Aconselho a leitura dos dados na íntegra aqui, mas partilhos já alguns.





9 de julho de 2019

Os enamoramentos, de Javier Marías

É sempre um prazer descobrir autores que, já sendo consagrados, são novos para nós. Aconteceu-me com Javier Marías através deste livro, que adorei.

Num café no centro de Madrid, uma mulher, Maria, toma o pequeno-almoço todos os dias, cruzando-se quase sempre com um casal que ela considera perfeito. Nos dias em que não os vê parece que não fica com tanta energia, são como um bálsamo para o seu estado de espírito.

Mas a certa altura deixa de os ver, acabando por saber que ele fora assassinado por um mendigo e de que ela ficara viúva com os filhos. Consegue, a certa altura, chegar à fala com ela, através de quem conhece Javier, um amigo da família com quem acaba por se envolver numa relação quase unilateral.

Um dia, em casa de Javier, ouve escondida uma conversa inesperada entre ele e uma visita, conversa essa que lhe muda completamente a perspetiva sobre ele. Mas a perspetiva vai voltar a mudar, revelando uma história de que nenhum leitor está à espera.

É um livro denso, narrado por Maria e contendo muitas reflexões , mas ao mesmo tempo fluido quando nos embrenhamos na sua pele. Excelente, com a vantagem de me ter aberto as portas para uma data de outros livros que já cá estão publicados.

5 de julho de 2019

Pixie and Brutus

Pixie é um gatinho inocente, para cuja casa vai viver um pastor-alemão vindo dos serviços do exército. Não têm alternativa se não tornarem-se nos melhores amigos.



3 de julho de 2019

Um dia na vida de Ivan Deníssovitch, de Aleksandr Soljenítsin

O autor do nome impronunciável mais uma vez não me desiludiu. Consegue que um único dia na vida de um prisioneiro num gulag seja assunto para cento e muitas páginas, sem ser nem um bocadinho aborrecido.

A miséria do campo entranha-se-nos na pele, com o frio de enregelar, a fome constante, o cansaço extremo. Desde o momento em que acorda às 5 da manhã na sua cama com colchão de serradura até ao momento em que se volta a deitar, acompanhamos Chukóv em toda a sua rotina.

As chamadas de centenas de prisioneiros ao frio, a demanda pelo pequeno-almoço, a tentativa constante de se aquecer, a ida para o trabalho como pedreiro, a jornada levada a cabo, apesar de tudo, com energia, o regresso e a loucura que é conseguir uma sopa aguada no refeitório. Mas Chukóv não é um lamuriador, mas antes alguém que vai tentando arranjar esquemas de sobrevivência, desde conseguir mais uma dose de pão até ter pequenas ferramentas escondidas que lhe facilitam a vida.

No final do dia, e já com 10 anos de campo em cima, adormece com a sensação de que até não foi um dia mau. Como todos os outros, aliás. É «só» uma questão de habituação.