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15 de janeiro de 2020

Ontem fui à rádio, e foi intenso

Há dias, recebi um convite do jornalista João Paulo Sacadura para lhe dar uma entrevista na Rádio Observador, no programa «Convidado extra». O mote seria o livro sobre gémeos mas falar-se-ia de muitas outras coisas. Mal sabia eu de quantas.

Estava nervosíssima. Ir à televisão cria uma certa ansiedade, mas na rádio não há a imagem para nos distrair, e o foco está todo nas palavras que dizemos.

Antes de entrar em estúdio, conversámos um pouco, mas da vida em geral e não da entrevista. E lá dentro, já com os nervos acalmados porque o João Paulo é uma pessoa incrível, gerou-se uma conversa tão descontraída e completa que eu própria me espantava com o caminho que seguia. Ele é um jornalista a sério, estava muitíssimo bem preparado, deve ter lido e visto tudo o que está disponível sobre mim, entrevistas em papel, em vídeo, até deve ter lido o blogue de uma ponta à outra.

Falámos sobre a minha vida profissional, sobre Vespas, sobre animais, sobre os meus autores de eleição, sobre as minhas filhas, sobre o nascimento delas, sobre a minha família e amigos e sobre tantas outras coisas que nem me passavam pela cabeça. Fez-me reviver bons momentos da minha vida que há muito não recordava.

Foi uma conversa tão intensa que depois estive uns bons 30 minutos quase sem conseguir pronunciar uma palavra. Obrigada.

O podcast está disponível aqui: https://observador.pt/programas/convidado-extra/no-dia-que-gerei-vida-fui-confrontada-com-a-morte/

18 de setembro de 2019

SNS: Nunca me cansarei de agradecer

Há 40 anos e 3 dias, foi criado o Serviço Nacional de Saúde. Há 3 anos, 3 meses e 106 dias, o Serviço Nacional de Saúde salvou a minha vida e a de uma das minhas filhas.

Nunca me cansarei de agradecer:

https://www.publico.pt/2019/09/14/sociedade/noticia/dia-gerei-vida-confrontada-morte-sns-devolveunos-vida-hoje-1886411?fbclid=IwAR3AhDrN4zaP5JyrG_yi-YTX_ZMtq-u3hB463EZadsv08eZFL-Adv3ftoP4

18 de março de 2019

Em que dia, todos os anos, a Terra chega ao seu limite?

Anualmente, há o chamado dia da sobrecarga da Terra, aquele a partir do qual já estaremos a consumir mais do que o planeta consegue renovar durante todo o ano. Em 1987, a nível mundial, esse dia foi a 23 de outubro. Em 2018, a 1 de agosto. E no mesmo ano, em Portugal, esse dia foi a 16 de junho. Cada vez gastamos mais em menos tempo.

Pessoalmente podemos fazer o teste, que avalia em que data calharia o dia da sobrecarga  se todos fôssemos como nós.

Assumo e tenho vergonha de dizer que o meu calharia já no dia 18 de abril.

Podem fazer o teste aqui.

30 de julho de 2018

Declaração do meu Pai a um Querido Amigo

Acordámos cedo com o mesmo desejo. Encontrámo-nos logo no primeiro dia, na velha Faculdade de Ciências, na aula de Física Médica, e desde então estudámos, conversámos, rimos e discutimos. 

Completámos, faz hoje 42 anos, a nossa licenciatura. A nossa carreira académica foi em tudo semelhante. Eu sei o que tu sabias, tu sabias o que eu sei. Temos a mesma visão do mundo, seguimos os ensinamento do Prof Abel Salazar: «Médico que só sabe de Medicina, nem de Medicina sabe.» Cada qual na sua área ajudámos, posso dizê-lo, milhares de pessoas e nunca nos moveu objectivos financeiros.

As nossas vidas seguiram fisicamente separadas, mas unidas nos objectivos e corações.

Obrigado por teres entrado na minha vida e de muitos dos meus. Infelizmente não te posso agradecer pessoalmente.

Serás sempre, sempre, o meu Amigo
JOÃO FREDERICO

Nota minha:
O Dr. João, amigo de há mais de 40 anos do meu Pai (e mais tarde também da minha Mãe), foi a pessoa que há uns anos me salvou dos meus próprios pensamentos, antes e depois do nascimento das minhas filhas, quando o meu medo de morrer abafava a minha alegria de viver. Foi mais do que um psiquiatra, foi um amigo que se preocupava comigo mais do que muitos que tenho. Devo-lhe imenso, mais do que ele alguma vez possa suspeitar.
O Dr. João faz hoje 42 anos de curso.
O Dr. João faz hoje 66 anos de vida.
No dia 26 de abril, o Dr. João estava sozinho no seu consultório quando teve uma paragem cardiorrespiratória, estando mais de meia hora sem oxigenação cerebral. Desde aí, encontra-se numa espécie de coma, sem reagir a quaisquer estímulos. Não há esperança, dizem os colegas que o admiram mais do que todos. Mas eu, irracionalmente, acredito em milagres, e quando estou em casa acendo todos os dias uma vela por ele
O mundo precisa de si, Dr. João.
Um grande beijinho cheio de gratidão.

25 de setembro de 2017

O batizado das minhas gabirus


Já lá vão quase 4 meses e eu praticamente não falei aqui do batizado delas, apesar de ter sido um dos dias mais importantes das nossas vidas. À semelhança do que aconteceu comigo há 43 anos, quis batizá-las no dia em que fizeram um ano. Não apenas para seguir a tradição, mas sobretudo para comemorar com a nossa família um ano de vida das miúdas e um ano da minha sobrevivência. Mas vamos à cerimónia.

O dia: 3 de junho de 2017.

O local: Igreja da Divina Misericórdia, em Alfragide, e Conversas na Gandarinha, no Centro Cultural de Cascais.



Os padrinhos: O tio Miguel, meu irmão que faço questão que um dia me substitua se tal for necessário, e a Ana Gata, uma amiga do coração e que conheci graças à blogosfera.


Os convidados: Toda a família exceto a prima Margarida que estava fora do país. Quando digo toda é mesmo toda, tendo sido a primeira ocasião em que todos se juntaram.

O tema: A família e a celebração da vida.




As cores: Verde e cor de laranja, as cores da Maria e da Luísa, respetivamente, graças às pulseirinhas de seda que as acompanham desde que nasceram. E bolinhas por todo o lado, a lembrar a decoração do quarto delas.




A decoração: Fui eu quem pensou em tudo, tendo tido a ajuda do meu irmão na execução de algumas peças. Elas iam de vestido branco, muito simples, complementado com uma florzinha na cabeca e com umas merceditas verdes e cor de laranja. No restaurante, as mesas tinham os nomes dos bisavós, sempre presentes nas nossas vidas. E, à entrada, uma pequena oliveira foi ornamentada com fotografias de toda a família, a que cá está fisicamente e a que cá está no coração.







O(s) bolo(s): Verde o da Maria, cor de laranja o da Luísa, e branco com bolas verdes e cor de laranja o do batizado. Todos entrelaçados uns nos outros e confecionados na Cakemania, depois de desenhados por mim.




As lembranças: Cada convidado recebeu uma caixinha de lápis de cor decorada com as cores delas. E com eles todos tiveram de, em folhas de papel, escreverem mensagens para um dia serem lidas pela Maria e pela Luísa. A minha mãe também preparou uma surpresa, flores de pano feitas por ela.


Um dia que criou recordações muito mais felizes do que as que tínhamos de um ano antes.

11 de julho de 2017

Quando a vida é madrasta (das más)


Além de questões do foro muito privado que se prolongam desde há mais de uma semana, nos últimos dias dois acontecimentos estão a marcar a minha vida.

O primeiro é o caso da mulher de um amigo a quem foi diagnosticado um síndrome raro que faz com que as suas artérias sejam muito finas. Após tentarem «desentupir» as carótidas, a artéria ilíaca dissecou, gerando uma hemorragia que obrigou a uma intervenção cirúrgica de emergência. A que se seguiu um AVC de que todos os dias havia notícias piores, com lesões supostamente graves. Esteve quatro dias em coma induzido, acordando ontem e, apesar de tudo, reconhecendo as pessoas e conseguindo alguma interação. A três dias de fazer a ressonância que verificará o meu estado de saúde após o que me sucedeu o ano passado, não consigo tirar isto da cabeça, além da preocupação com ela e com a família.

O segundo é o caso de uma amiga da minha Mãe, doente oncológica com as coisas a correrem não muito bem mas que reage de uma maneira fabulosa, celebrando todos os dias da sua vida. Conheci-a este fim de semana, uma mulher linda e elegante de 67 anos com uma pele sem rugas de rapariga de 30, com um sorriso tranquilo e tranquilizador.

Ponho-me a pensar em que lugar terrível preferia estar se tivesse de escolher. E não tenho dúvidas.

5 de junho de 2017

Pequena amostra de um dos dias mais felizes da minha vida


Ter a minha família próxima e alargada toda junta (apenas com duas baixas que estão a trabalhar lá fora) a comemorar o primeiro aniversário e o batismo da Luísa e da Maria era algo que nunca pensei ver acontecer. Só elas para nos proporcionarem um dia assim.

PS: Em breve, mais imagens dos pormenores.

6 de setembro de 2016

Por mim

Confesso que nunca deixo de me surpreender com o que algumas pessoas fazem por mim desde o problema que tive a seguir ao nascimento das bebés. Há pessoas que acendem uma vela todas as noites. Outras que rezam por mim. Outras que empreenderam tarefas a pensar em mim e que no final mas querem oferecer. Outras que me ofereceram santos. Outras ainda que fizeram promessas. Tudo isto me é muito querido e dá-me confiança para acreditar que com tantas energias positivas vou poder criar as minhas filhas com segurança e alegria.

3 de setembro de 2016

3 meses com o meu coração maior

Há 3 meses, no dia 3 de junho, nasciam a Maria às 00h01 e a Luísa às 00h02. O início foi muito difícil e complicado, para mim e para elas, mas hoje as coisas encaminham-se para uma vida normal muito mais enriquecida com a chegada destes dois anjinhos.

Feliz mesversário, minhas queridas.

Maria - 03.06.16, ca. 2h00, 42 cm, 2,100 kg
Maria - 03.09.16, 11h45, 53 cm, 4,090 kg
Luísa - 03.06.16, ca. 2h00, 42 cm, 2,150 kg
Luísa - 03.09.16, 11h45, 53 cm, 4,380 kg

7 de julho de 2016

Santa Rita de Cássia

Ontem ofereceram-me uma Santa Rita de Cássia, muito procurada há cerca de um mês quando tudo aconteceu. Para quem não sabe, esta é a santa das causas impossíveis, e já se encontra bem instalada junto dos meus anjos da guarda, familiares e outros. Só eles todos juntos, com os médicos de Santa Maria e agora com Santa Rita, permitiram que hoje possa estar aqui a escrever este parágrafo com as minhas filhas a dormir sossegadamente no quarto.

21 de junho de 2016

Pequenas vitórias

Ontem, 20 dias depois de terem nascido, as minhas bebés puderam vestir pela primeira vez roupinhas escolhidas e compradas por mim. Poder ver aqueles babygrows mínimos que estiveram aqui em casa tanto tempo vestidos nos seus corpinhos amorosos deu-me uma alegria infinita.


15 de junho de 2016

A minha ausência estas duas semanas

Antes de mais, preciso de agradecer a quem me enviou mensagens particulares durante estes dias, mostrando preocupação com o silêncio aqui no blogue. Assim, posso agora revelar que o aconteceu foi um misto daquilo que muitos suspeitavam (o nascimento das bebés) com outra coisa bastante complicada mas agora em vias de resolução.

Mas vamos por partes:

- O nascimento das minhas bebés - no dia 30.05, aquando de uma consulta no hospital, acabei por ficar internada. O CTG não era tranquilizador e os fluxos das bebés estavam muito em baixo, tendo a Maria baixado bastante o percentil. Ao longo de três dias estive sob vigilância, sem grandes sobressaltos mas também sem grandes melhorias. E de repente, no final do dia 02.06, as bebés não quiseram esperar mais. Estavam em sofrimento e tinham de nascer rapidamente. De cesariana, às 00h01 e às 00h02 de dia 03.06, dois minutos de diferença que vieram alterar para sempre a minha minha vida... e salvá-la.

- O resto - menos de 24 horas após o nascimento, ao final do dia 03.06, não me senti bem, e a partir daí de pouco mais me lembro. Voltei a ter alguma consciência de mim no dia 06.06, com imagens difusas dos meus pais e alguma família, de muitos médicos e enfermeiros e de muita, muita maquinaria. Estive na UCI do Hospital Santa Maria durante quatro dias e de repente a recuperação foi galopante. No dia 07.06 passei para a enfermaria e no dia 09.06 tive alta e vi pela primeira vez as minhas filhas. Lindas. E então o que se passou na realidade? Algo que não teve nada a ver com a gravidez mas parecido com uma falência cardíaca cujo nome não refiro porque além de não querer falar muito disso estou proibida de procurar informação extra na internet porque, asseguram-me, o pior já passou. E a verdade é mesmo essa. Isso e o facto de ter tido uma sorte descomunal por já estar internada quando isto aconteceu. Bastaria estar em casa, ou mesmo numa boa maternidade, e nunca teria havido tempo. Por isso sei que tive muita sorte, e que acabaram por ser as minhas filhas a salvarem-me a vida ao quererem nascer mais cedo.

- O maravilhoso disto tudo - ter as minhas filhas bem e com saúde e tão bonitas... São literalmente iguaizinhas, com muito cabelo e os narizinhos iguais ao meu. Nasceram com 2,100 kg e 2,150 kg de peso, depois de 34 semanas e dois dias na minha barriga. Estiveram alguns dias na incubadora de que já saíram, estando agora apenas a aprender a comer sozinhas (=sem sonda). A Luísa conseguiu ultrapassar anteontem o peso com que nasceu, o que é um grande marco, e contamos que a vinda para casa já não demore assim tanto tempo. Daqui a umas sete semanas a minha recuperação terá a parte mais importante ultrapassada e aí poderei finalmente viver em pleno este amor por que espero há tanto tempo.



E nos próximos tempos? Continuarei a tentar manter algum ritmo aqui no blogue, sem prometer de modo algum que seja o mesmo, e para já com a certeza de que os tópicos sob as etiquetas "Bebés" e "Vida" serão muito mais.