24 de maio de 2019

Sabrina, de Nick Drnaso

Sou fã de novelas gráficas há muitos anos, desde Persépolis, Blue pills, Maus, Blankets, Watchmen e tantas outras. Por isso não percebo muito bem o hype que se gerou em torno desta, que foi a primeira novela gráfica finalista do Booker Prize.

A história é interessante: o desaparecimento de uma rapariga, a divulgação viral do que lhe aconteceu através dos meios de comunicação social e das redes sociais, uma teoria da conspiração acerca do que acontece a muitas das supostas vítimas de raptos e atentados, as consequências de tudo isto em pessoas como nós e em toda a sociedade. Mas, para mim, não interessante o suficiente para ser considerada uma obra-prima ou o primeiro grande romance americano do século XXI.

Todo o ambiente é bastante soturno, com cores escuras e baças, o que faz sentido face ao conteúdo, e as personagens são retratadas sem expressão, como se pudessem ser qualquer um de nós ou os representantes de uma sociedade apática. Apesar de compreender esta escolha, toda a arte gráfica não me agradou, e lentificou inclusivamente a minha leitura, não chamando por mim.

22 de maio de 2019

De que outra coisa poderia ser?

Europeias: uma ajuda para decidir


O dia 26 está a aproximar-se e, se ainda não decidiram em que partido vão votar, o Euandi2019 pode dar-vos uma ajuda... ou surpreender-vos!

Desenvolvida pelo Instituto Universitário Europeu e pela Universidade de Lucerna, esta ferramenta pretende, através de 22 perguntas sobre assuntos como as despesas do Estado, os impostos, a imigração, os refugiados, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, as drogas, a eutanásia, o ambiente, o crime, a política externa ou a integração europeia..., ajudar-nos a tomar uma decisão.

Experimentem! Os meus resultados aproximam-se bastante daquilo que pretendo escolher, com uma ligeira variação.

20 de maio de 2019

Em contagem decrescente

Todos os dias elas me perguntam se está quase, e a verdade é que agora está mesmo. Faltam apenas 2 semanas para os 3 anos, e quero que seja um dia de muita felicidade para todos. Este ano não contratei nenhuma empresa para organizar a festinha, mas encomendei pelo menos os salgados e a minha Mãe ofereceu-se para fazer os doces (que eu na cozinha sou uma nódoa...). Apesar de ainda não ser uma festa com os amiguinhos da escola, mas com a família e os outros amigos, já vamos ser muitos.

Mas o resto ainda é tanto: a decoração, os convites e as confirmações, a escolha das músicas, a criação do design do bolo, a limpeza do pátio. As expectativas delas são muitas, e não as quero desiludir. Se lhes vou dar algum presente? Não, o meu presente são estes preparativos e a felicidade que espero que sintam.

16 de maio de 2019

How to walk away, de Katherine Center

É uma história de vida, este livro. Uma história que poderia ter sido perfeita mas que, devido a um acidente trágico, mudou radicalmente o seu rumo, conseguindo no entanto reencontrar um equilíbrio.

Em resumo, é a história de Margaret, uma mulher com 29 anos que tem um acidente de avião com o seu noivo ao volante, ficando paralisada dos joelhos para baixo. Grande parte do livro é passado no hospital, primeiro na fase de compreensão do que lhe tinha acontecido, depois na fase de tentativa de recuperação mas também de revolta. Identifiquei-me bastante com algumas passagens, sobretudo no limbo que é estar internada e de como só nos apercebemos da gravidade da situação quando a medicação nos liberta para pensarmos um pouco.

Gostei do livro, mas achei a última parte um pouco precipitada, parece que tudo se resolve e sucede demasiado depressa, sendo pouco verosímil que tantas coisas aconteçam às mesmas pessoas. Mas, apesar de tudo, e dando algum desconto, deixa uma mensagem de esperança.

9 de maio de 2019

Factos e pensamentos sobre o Cartão de Cidadão

Facto 1: Cartão de Cidadão a caducar no dia 19.07, daqui a 2 meses.
Pensamento 1: É melhor começar a tratar do agendamento para fazer a renovação.

Facto 2: Receção de SMS do Cartão de Cidadão a 09.05 recomendando o agendamento no site.
Pensamento 2: Olha que boa ideia, até nos avisam e tudo, para não haver atrasos.

Facto 3: No site do agendamento, só há vagas a partir de dia 06.08, daqui a 3 meses.
Pensamento 3: Vou andar um mês com o Cartão de Cidadão caducado apesar de o querer renovar dois meses antes do prazo. Mas em que que país é que a gente vive?

8 de maio de 2019

Frases de mãe

São horas de levantar.
Acordam-nos com beijos com sabor a café e abrem as cortinas dos dias, para deixar entrar as manhãs. Espantam-nos os últimos fi os de sono presos nos olhos e orientam, com mão firme, colarinhos desalinhados e cabelo em estado de sítio.

Acaba o pequeno-almoço e vai escovar os dentes.
Na ponta da língua, guardam respostas como se soubessem o segredo da vida. Compõem puzzles e listas de compras, organizam banhos, roupas e dias seguintes. Desenham sorrisos na sobremesa e arrancam-nos gargalhadas que sabem a amor e canela.

Já fizeste os trabalhos de casa?
Prendem o cabelo, descalçam os sapatos, desabotoam a noite e, sem perder o norte, ajudam-nos a deslindar a equação e a desbravar a semântica.

Não venhas tarde. Tem cuidado.
Esperam-nos, com o peito em alvoroço, nas noites que esticamos com os amigos, rumo às primeiras descobertas. Põem pensos rápidos no coração das primeiras ilusões e assustam doenças com pratos de canja.

Vai passar.
Escondem as lágrimas e acendem a força quando o caminho se faz longe e escuro. Farol dos sonhos e campeãs de maratonas, ainda nos olham como se fossemos magia em forma de gente.

Força, eu estou aqui.
Abafam angústias com abraços que nos carimbam na pele um para sempre. E, quando chega a noite e fechamos os olhos, observam-nos, como se soubessem o segredo da vida. E sabem.

Boa noite, bons sonhos.
Feitas de ferro e de fogo, de açúcar e mel, as mães inventaram os verbos e ensinaram a coragem a andar. Para nós, serão sempre eternas e haverá sempre tempo para depois. Amanhã.

in www.bertrand.pt

3 de maio de 2019

A um mês de entrarem na idade pré-escolar

A Luísa e a Maria ainda são muito pequenas, mas eu já tenho reuniões de avaliação com a educadora. E é um orgulho muito grande ouvir que estou no caminho certo, que elas estão com um desenvolvimento físico e psicológico equivalente a crianças seis meses mais velhas, que são das mais autónomas, que ajudam imenso as educadoras a tratar dos amiguinhos nas rotinas da escola.

As birras continuam, mas são cada vez menos. O chichis nas cuecas também, mas a rarear cada vez mais. As minhas bebés estão a ficar mesmo umas meninas.


30 de abril de 2019

Pet Sematery, de Kevin Kolsch e Dennis Widmyer

Há dias decidi ir rever um remake de um filme da minha adolescência, e que tinha adorado: Pet Sematery, baseado num livro de Stephen King. Na época adorava filmes de terror, e este foi um dos que ficou na minha memória. A história anda à volta de um terreno onde os seres vivos que são enterrados regressam, mas já não os mesmos. Aparência normal, mas o interior muito mau. E lá estive a ver tudo calmamente, inclusive a morte e o regresso de um gato que volta com mais arranhadelas e rosnadelas do que um gato normal.

Mas quando uma criança morre atropelada e o pai vai durante a noite ao cemitério buscá-la para a enterrar no dito Pet Sematery cheguei ao meu limite, e comecei inclusive a ficar enjoada. Pela segunda ou terceira vez na vida, no máximo, tive de sair a meio.

Talvez seja por agora ser mãe de duas meninas e não ter suportado ver aquela no caixão, associado a saber no que se transformaria a seguir, talvez por ter pavor de atropelamentos e acidentes rodoviários. A verdade é que não aguentei.

Durante uns bons tempos, filmes de terror para mim  não.

29 de abril de 2019

O colecionador, de John Fowles

É impressionante como dois livros que partem do mesmo tema, o sequestro de alguém para ficar em cativeiro, se podem tornar em algo tão bom ou em algo tão mau. Estocolmo, detestei. O colecionador, adorei.

Frederick/Ferdinand é um homem simples, funcionário público solitário e colecionador de borboletas, que cria uma obsessão pela jovem estudante Miranda. Quando um dia enriquece graças a uma lotaria desportiva, compra uma casa e nela prepara uma cave onde aprisionará Miranda depois de a raptar.

Na primeira parte do livro Ferdinand é o narrador e acompanhamos a sua obsessão, a concretização do rapto e a sua relação com a sequestrada, que não vai além de lhe proporcionar tudo o que deseja exceto a liberdade.

A segunda parte é o diário de Miranda enquanto está presa onde, além de registar a sua perplexidade perante um sequestrador que sexualmente não quer nada dela, divaga sobre um artista mais velho que admira (Miranda é estudante de Arte) e engendra formas de fuga.

Na terceira parte do livro voltamos a Ferdinand e percebemos como tudo acabou, criando em nós uma ansiedade crescente e uma enorme vontade de o abanar. Por último, uma quarta parte deixa-nos antever o futuro, que não nos deixa tranquilos.

Excelente, este livro, e uma pena já não estar editado em Portugal (em tempos fez parte da coleção Caminho Policial).

23 de abril de 2019

Balanço: «Não comas tantos chocolates, que te fazem mal à barriga...»


Mas eu comi. Desde quinta-feira que não parei de enfardar porcarias: ovos de chocolate, bombons, coelhos, além de comida italiana, vinho, gelados... uma festa! Mas que terminou mal, comigo no domingo à noite com uma indisposição tal que não se podia, com a agravante de ter de tratar das miúdas que precisavam de toda a minha atenção (e que graças a mim foram muito mais comedidas nas guloseimas que comeram). Foi a tal ponto que ontem nem consegui ir trabalhar.

Conclusão: Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

17 de abril de 2019

Estocolmo, de Sérgio Godinho

Não tinha lido o anterior livro de Sérgio Godinho e certamente não vou lê-lo, pois não gostei nada deste. A história é conhecida, uma mulher de quarenta anos que aprisiona em sua casa um jovem de vinte anos por quem desenvolve uma obsessão sexual. E vice-versa.

Toda a história é inverosímil. Em primeiro lugar, há indícios por todo o lado de tudo o que vai acontecendo. Vicente está preso no sótão, mas é o sótão de um prédio, o que significa que qualquer pessoa o ouviria se pedisse ajuda a sério (até porque Diana tem uma empregada que o ouviria perfeitamente). Depois, qualquer golpe de mais força o tiraria dali e não seria o cinturão negro de judo que Diana afirma ter que o impediria de fugir. E há tantas outras coisas absolutamente improváveis, como a relação que mais tarde se cria com a mãe de Diana, sexagenária, a desculpa para a sua ausência do mundo livre após a libertação, o desfecho do livro.

Há sexo, muito, mas um sexo gratuito, que não precisaria de ali estar a cada dezena de páginas ou menos. Há uma impossibilidade de uma série de sirtuações estarem a acontecer. E nem sequer há beleza ou estilo na escrita.

Não gostei mesmo nada.

16 de abril de 2019

Photo Ark: só até 5 de maio


O relógio está a contar e o tempo não para, por isso tentem ainda ir ver esta fabulosa exposição da National Geographic com fotografias de Joel Sartore de animais em cativeiro.

Todas as fotografias foram captadas graças a um enorme trabalho de preparação, com o objetivo de realçar as cores, as formas, os olhares, e de sensibilizar para a necessidade de cada animal ser indispensável para a nossa própria sobrevivência.

As filas para entrar estão a ficar gigantes, por isso tentem ir a uma hora «morta». Eu fui no sábado às 15h e entrei diretamente, mas quando saí pelas 16h30 havia fila para pelo menos uma horita de espera.


 

 


9 de abril de 2019

Debaixo da pele, de David Machado

Gostei deste livro, mas não tanto quanto dos outros dois que tinha lido de David Machado, Índice médio de felicidade e Deixem falar as pedras. Talvez porque, estando o livro dividido em três partes, não tenha gostado muito da primeira, que apesar de tudo é a parte essencial para o resto.

Na primeira parte acompanhamos Júlia, uma jovem no final da adolescência marcada por agressões físicas que sofrera um ano antes. Numa tentativa de tentar fugir de si própria, Júlia pega numa criança vizinha, oriunda de um ambiente familiar violento, e leva-a consigo para um local onde, com outros, recorre a drogas para se alhear. Cansei-me bastante desta visão quase desfocada da realidade, apesar de estar bem feita.

Na segunda parte o narrador muda para um homem mais velho que hospeda na sua casa uma jovem, que pode ser Júlia ou não, por quem acaba por se apaixonar sobretudo depois de ler o manuscrito por ela produzido.

Por fim, deparamos com a gravação de uma cassete de um miúdo para si próprio, anos mais tarde, um miúdo que vive com a sua mãe praticamente isolado de tudo e de todos.

As três partes estão muito bem entrecruzadas e têm em comum pessoas em sofrimento, fechadas em si mesmas mas apesar de tudo com alguma vontade de voltar para o mundo.

Gostei, mas houve algo que não me encheu as medidas.

8 de abril de 2019

Como comecei a contar todos os cêntimos

Fácil: tive duas filhas de uma só vez, que sustento sozinha.

Ora vejamos: até 2016 tinha o que se pode considerar um bom ordenado para uma só pessoa, que dava para pagar a casa, fazer umas duas viagens por ano, comprar livros e roupa e ainda poupar alguma coisa.

A partir de 2016 vieram as mensalidades da escola, os leites, as fraldas, a roupa que deixa de servir num instante, a alimentação que não é a multiplicar por três mas por dois sem dúvida... Tenho feito as contas, e só em escola e fraldas andava a gastar quase 40% do meu ordenado.

Felizmente as fraldas agora estão a acabar, e só são usadas de noite, e cada vez mais aproveito todas as promoções que apanho para fazer compras: no gasóleo, nos cremes de praia, nas roupas que compro nos saldos de duas estações antes.

Tenho ainda a sorte imensa de conhecer outra mãe de gémeas que tem gostos parecidos com os meus e que compra muita coisa das minhas filhas em segunda mão. Não ganho uma fortuna com essas vendas, mas sempre consigo ir renovando algumas peças delas e fico contente por coisas que elas usaram continuarem a ter utilidade (Roupinhas com história).

Continuarei a tentar fazer uma viagem por ano, daqui a no máximo dois anos mudarei de casa para uma maior onde elas terão mais espaço no interior, e as contas não as deixarei de fazer.

Mas não trocava esta vida por nada.

2 de abril de 2019

O tempo das crianças, vários

Esta é uma antologia de contos de escritores de renome, todos sobre a infância e tão variados quanto memórias e ficções que passam pela solidão, pelo amor, pela amizade, pelo abuso, pelo isolamento, pela formação da personalidade. Mas estava à espera de mais.

Os de que mais gostei: «Invierno», de Junot Díaz, sobre o desenquadramento de crianças que são forçadas a adaptar-se devido à emigração dos pais; «Clowns in clover», de Nadine Gordimer, sobre a perspetiva das crianças sobre o mundo adulto; «A casa dos animais», de Lídia Jorge, sobre como simples animais mortos podem salvar a vida de uma adolescente; «A minha irmã Cisne», de Katherine Vaz, sobre o amor por uma irmã bebé que não vai durar muito; e «Ilha Teresa» (que depois se transformou todo ele em livro), de Richard Zimler, sobre uma adolescente a ter de lidar com a doença do pai num país em que tudo é novo para ela.

Não posso dizer que os restantes contos sejam maus, porque não o são, mas a verdade é que este livro não me deixou muitas marcas. Mas a culpa também pode ser minha, que raramente preservo na memória livros de contos.

26 de março de 2019

21 de março de 2019

Privados e ADSE: uma explicação?

Hoje quem conta a história é a minha Mãe, uma história passada ontem, no Hospital dos Lusíadas, antiga Clínica de Santo António, e que pode ser um bom indício do que se passa com os pagamentos da ADSE aos privados.

Ontem, fui sujeita a uma pequena intervenção cirúrgica (quisto sinovial num punho) no Hospital dos Lusíadas, vulgo Clínica de Santo António, Reboleira. Algo semelhante à que me foi feita no ano de 2015, às duas mãos (síndrome do canal cárpico), com o intervalo de 1 mês, na mesma clínica.
Cirurgias muito semelhantes, ambulatórias.
As três correram bem, felizmente.
Mas... há 4 anos, quando cheguei, aguardei na sala que me indicaram, a cirurgia foi feita no bloco de otorrino e pouco depois vim-me embora.
Era a Clínica de Santo António.


Mas agora NÃO. É Hospital dos Lusíadas.
Quando cheguei aguardei um pouco e fui conduzida a um quarto, onde estava uma doente que tinha sido intervencionada aos intestinos 2 dias antes. Disseram-me que tinha de me despir e deitar dentro da cama. Comecei a protestar, ligeiramente. Era uma cirurgia a um punho, em ambulatório, para quê?
Protocolo… Palavra que ouvi várias vezes.
Levaram-me para o Bloco Central. Luzes, enfermeiras, aparato, [monitores, sensores e coisas a apitar]… Disseram-me que a tensão arterial estava muito alta. Pudera, com tanto aparato, respondi.
A cirurgia correu bem. Obrigada, Sr. Doutor.
Levaram-me para a sala de recobro (!?). Comecei a ficar farta. Que cena, que encenação… Pedi e levaram-me para o quarto, onde me vesti e vim embora. Rapidamente. Estava com um vestido. Nem meias calcei. A minha querida Amiga Manela, trouxe-me para casa.


Agora o que me atrevo a especular:
Todos estamos a par, através dos canais televisivos da «guerra» entre privados e ADSE. Eu pertenço à ADSE. Fiz o pagamento da caução que me foi pedido (muito semelhante à de há 4 anos).Os Lusíadas provavelmente irão apresentar os meus «gastos» de ontem: um internamento, o uso de uma cama, a utilização do bloco central e da sala de secobro e saída, tudo o que utilizei foi, com certeza, desinfetado. Gastos...

Tenho termos de comparação, sou médica e MUITO atenta, observadora. Foram gastos fúteis, desnecessários. Claro que quando a ADSE protesta contra gastos dos privados tem razão. Estes atos foram efetivamente realizados, mas ABSOLUTAMENTE desnecessários. VERGONHA…


Não deixem, s.f.f., o SNS acabar. TODOS podemos precisar dele.
Garanto-vos, por experiência familiar e própria, que é MUITO bom.

Vamos votar na Luísa e na Maria?

Vamos votar na Luísa e na Maria para serem modelos das roupas da Kiabi?

É fácil:

1. Clicar neste link.

2. Clicar sobre a foto e selecionar «Voto».


3. Se não virem logo a foto, na caisa de pesquisa escrever «Luísa e Maria» para a foto aparecer.

4. Por fim, é só irem ao vosso mail para confirmarem o voto. Cada pessoa só pode votar 1 vez numa foto, por isso quanto mais partilharem mais pessoas podem votar.

Obrigada!

A humilhação, de Philip Roth

O título deste livro reflete na perfeição o seu conteúdo. Simon Axler é um autor de teatro que de repente, na casa dos 60 anos, sente que perdeu toda a inspiração, não se sentindo confortável para representar mais nenhum papel e imaginando que todos se riem dele. Isola-se, evita o seu agente como pode e acaba abandonado pela mulher, também já sem paciência para uma crise existencial.

Fisicamente também afastado de todos, um dia bate-lhe à porta uma jovem mulher, filha de um casal amigo e a quem tinha pegado ao colo umas dezenas de anos antes. Ela procura contrariar a sua própria tendência homossexual, ele vê nela a sua salvação e o seu troféu, prova de que ainda poderá ter algo para dar. Mas a relação entre ambos servirá apenas para agravar ainda mais a humilhação de que Simon já é vítima.

Mais um extraordinário livro de Philip Roth, que numa linguagem precisa e muito clara consegue abordar temas muito reais e atuais.

20 de março de 2019

Um honroso terceiro lugar

A iniciativa Árvore Europeia do Ano 2018 deu o terceiro lugar à nossa azinheira secular do Monte Barbeiro, no Alentejo.

Bem merece, é linda.

18 de março de 2019

Em que dia, todos os anos, a Terra chega ao seu limite?

Anualmente, há o chamado dia da sobrecarga da Terra, aquele a partir do qual já estaremos a consumir mais do que o planeta consegue renovar durante todo o ano. Em 1987, a nível mundial, esse dia foi a 23 de outubro. Em 2018, a 1 de agosto. E no mesmo ano, em Portugal, esse dia foi a 16 de junho. Cada vez gastamos mais em menos tempo.

Pessoalmente podemos fazer o teste, que avalia em que data calharia o dia da sobrecarga  se todos fôssemos como nós.

Assumo e tenho vergonha de dizer que o meu calharia já no dia 18 de abril.

Podem fazer o teste aqui.

17 de março de 2019

Um ano sem ti

365 dias inteirinhos, tantos mas que parecem tão poucos, ao ponto de me lembrar ao pormenor deste dia há um ano. Ainda te sinto por aí, ainda falo "nas gatas" no plural, ainda estendo a mão na cama para sentir o teu pelo macio.

Querida Vespinha, tenho saudades tuas.

15 de março de 2019

Parabéns, Babá

Pelos seus 95 anos, seja onde for que os esteja a comemorar. Há 22 anos que não celebramos este dia consigo, mas fazemo-lo sempre no nosso coração. Daqui onde estamos, enviamos-lhe todos o abraço mais apertado que é possível dar, com a Maria e a Luísa a ajudar.

Babá, apesar de serem muito pequenas, já comecei a falar-lhes de si, da minha querida Avó, e falam da Babá sempre que mexem na minha pulseira.

Até um dia.

14 de março de 2019

Vox, de Christina Dalcher

Este livro promete muito mas depois acaba por dar muito pouco. À partida, seria mais uma distopia, com as mulheres como alvo a serem banidas de toda a força laboral e a limitarem-se a poder dizer 100 palavras por dia, punidas por choques de uma pulseira elétrica sempre que ultrapassem o limite.

Jean é uma dessas mulheres, mãe de três rapazes e de uma rapariga de 6 anos, também ela já treinada para estar quase sempre calada. Com o marido a trabalhar para o governo, que pretende generalizar o Movimento Puro, Jean sente-se aprisionada, até que é subitamente chamada, como cientista, para resolver um problema de saúde do irmão do presidente, problema esse relacionado precisamente com a fala.

Há uma miscelânea de temas e de estilos neste livro: o filho mais velho de Jean é um adepto do Movimento, Jean passa a vida a lamentar não ter lutado pelos direitos das mulheres 20 anos antes, pelo meio tem um amante com quem tenta lutar contra o Movimento Puro que quer conquistar o mundo, preocupa-se com a filha mas a certa altura esta deixa de ter protagonismo... Parece que a autora quis escrever um livro ao estilo de Margaret Atwood, misturando laivos de Dan Brown, de Ira Levin (The Stepford wives), acabando por gerar um Frankenstein sem classificação possível.

A história base dava pano para mangas. Ficou-se por aí.

12 de março de 2019

Stop what you're doing and read this!, vários autores

Um livro interessante apesar de por vezes um pouco abstrato, o que o torna mais difícil por ter sido lido em inglês. Mas o sumo que se tira são as reflexões sobre o motivo por que deixamos de fazer tanta coisa na nossa vida, como passear, ir ao cinema, ver televisão, ir à praia, jogar, para nos agarrarmos a um livro.

Desde a necessidade de viver vidas em paralelo para muitas vezes fugirmos à nossa, passando pela mera curiosidade em conhecer outras realidades, um livro pode ser uma solução para muitas situações, com a enorme vantagem de estar sempre à nossa disposição, de lhe podermos pegar ou largá-lo quando nos apetecer, de o podermos abandonar ou reler de novo, de o analisarmos sozinhos ou em grupo.

Um livro pode «salvar» vidas perdidas ou ajudar a sobreviver a vidas que não queremos, ou ainda acrescentar algo a vidas já preenchidas. É um manancial de possibilidades.

8 de março de 2019

Feliz Dia da Mulher


Das mães e das filhas, das avós e das netas, das tias e das sobrinhas, das irmãs e das cunhadas, das sogras e das noras, das madrinhas e das afilhadas, das madastras e das enteadas, das solteiras e das casadas, das viúvas e das divorciadas, das amigas e das conhecidas.

Mas também... dos pais e dos filhos, dos avôs e dos netos, dos tios e dos sobrinhos, dos irmãos e dos cunhados, dos sogros e dos genros, dos padrinhos e dos afilhados, dos padrastos e dos enteados, dos solteiros e dos casados, dos viúvos e dos divorciados, dos amigos e dos conhecidos.

De todos os que todos os dias ajudam a dignificar o ser Mulher.

7 de março de 2019

Cães e gatos


Se puderem, não percam esta exposição no Pavilhão do Conhecimento Ciência Viva, em Lisboa. É super interativa, podemos passar lá um bom para de horas e aprender, experimentando, uma série de coisas sobre os quatro patas.

Ver e sentir os movimentos de um cão ou gato, tentar superá-los na altura a que saltam ou na velocidade com que contornam obstáculos, participar em jogos de identificação de raças ou de características, sentir a suavidade da pelagem, interpretar latidos ou miados e descodificá-los... são apenas algumas das atividades que nos entretêm durante um bom bocado.

Até setembro deste ano.


 

 

4 de março de 2019

Oblomov, de Ivan Goncharov

Comecei a ler este livro com grande expectativa, por ser de um autor russo e por pertencer à coleção da Tinta-da-china selecionada por Ricardo Araújo Pereira, de que já tinha lido Os Cadernos de Pickwick.

Esperava um pouco da personagem que encontrei, um homem de trinta anos de uma indolência incrível, que tudo adia, sem vontade de fazer nada e que até para se vestir necessita da ajuda do seu criado. Mas esperava mais, talvez peripécias de um preguiçoso e não tanto a descrição do amor platónico que, também por preguiça, acaba por não ter consequências. E quando esta parte ocupa umas 300 páginas das mais de 600 do livro, a vontade de chegar ao fim era cada vez maior.

Fiquei bem ciente do conceito de oblomovite (estado derivado do nome de Oblomov), em que alguém passa pela vida quase apenas por passar. Mas talvez um terço das páginas tivesse chegado, mesmo para ainda fazer o retrato de uma Rússia novecentista em que os grandes senhores latifundiários entram em decadência.

Não achei assim muita piada.

1 de março de 2019

E tão felizes que elas iam


Nos primeiros anos resisti a mascarar a Luísa e a Maria, por não achar muita piada à coisa e porque elas também não iriam perceber porque estariam vestidas de maneira diferente.

Mas este ano teria sido uma maldade e egoísmo meus deixá-las na escola com a roupa do dia a dia. Com os seus fatos de nuvem e de Sol, coisas de que gostam muito, chegaram à escola felizes como há muito tempo não iam.

Enquanto não me pedirem para ir de princesas posso dar-me por muito satisfeita.

28 de fevereiro de 2019

Estatística sob a forma de poesia

Contributo para as Estatísticas

Em cem pessoas,
sabedoras de tudo melhor -
cinquenta e duas;

inseguras a cada passo -
quase todo o resto;

prontas para ajudar,
desde que não demore muito -
quarenta e nove;

sempre boas,
porque não conseguem de outra forma -
quatro, talvez cinco;

dispostas a admirar sem inveja -
dezoito;

constantemente receosas
de algo ou alguém -
setenta e sete;

aptas para a felicidade -
vinte e tal, quando muito;

Individualmente inofensivas,
em grupo ameaçadoras -
mais de metade, com certeza;

cruéis,
por força das circunstâncias -
é melhor não sabê-lo,
nem aproximadamente;

com trancas na porta depois da casa roubada -
quase tantas como
aquelas que as têm, antes da casa roubada;

não levando nada da vida a não ser coisas -
quarenta,
embora preferisse estar enganada;

agachadas, doloridas,
e sem lanterna no escuro -
oitenta e três,
mais tarde ou mais cedo;

dignas de compaixão -
noventa e nove;

mortais -
cem em cem.
Número, até agora, não sujeito a alterações.

Wislawa Szymborska, Instante

26 de fevereiro de 2019

Comunidade, de Ann Patchett

E como é que duas famílias se fundem numa só e daí passam a resultar três? Eu explico. Há um casal com dois filhos e um casal com quatro filhos. A mulher de um dos casais e o marido do outro apaixonam-se e juntam-se. E cada um dos dois restantes refazem também as suas vidas. Não, não é um romance de cordel. É a história de indívíduos e famílias que se criam narrada ao longo de cinco décadas, com todas as alegrias e tristezas que em 50 anos podem acontecer.

E, um dia, todos são confrontados com a sua própria história, quando a mais nova de todo este clã se apaixona por um escritor de renome que se inspira na trama para lançar um sucesso de vendas que acaba por se transformar em filme. Assistimos a diálogos e cenas entre jovens casais, entre octogenários e entre cinquentões, falando de vidas que se cruzam e que felizmente para nós, leitores, acabam por ser esmiuçadas.

25 de fevereiro de 2019

The miraculous journey

Conjunto de quatorze estátuas monumentais em bronze da autoria de Damien Hirst no exterior do hospital Sidra Medical Centre dedicado à saúde materno-infantil em Doha, no Qatar. Representando a gestação de um feto no útero, da conceção ao nascimento, são uma pedrada no charco num país ainda tão conservador.




 

22 de fevereiro de 2019

A mulher, de Björn Runge

Joseph Castleman (Jonathan Pryce) é um escritor consagrado, que na casa dos 70 anos atinge o auge da sua carreira com a atribuição do Nobel da Literatura. Mas na sombra vive a sua mulher de há 40 anos, Joan (Glen Close), que conheceu quando era seu professor numa cadeira de literatura. Joan sempre foi muito boa a escrever, desenvolvendo uma técnica narrativa inovadora, mas, graças à sua condição de mulher, depressa foi colocada de lado para dar apoio à escrita do marido, a quem não faltavam boas ideias.

Com a atribuição do Nobel, e espicaçada por um jornalista abelhudo que desconfia que o talento de Joseph não é só dele, Joan começa a refletir no que foi a sua vida, sempre muito elogiada e reconhecida pelo marido mas constantemente posta de parte e traída diversas vezes.

A completar o ambiente de muita tensão em que decorre todo o filme está um dos filhos de ambos, aspirante a escritor mas que sabe que o pai nunca o encarará a sério como tal.

Em Estocolmo, a bomba acaba por rebentar, embora na esfera privada e com consequências totalmente inesperadas. Um filme duro, muito centrado na relação do casal e com um ambiente gélido de quebrar apenas com um lança-chamas. Não se lhe fica indiferente.

Glen Close está nomeada para melhor atriz nos Óscares, e acho que até o pode merecer, apesar de por agora a minha preferida ser Olivia Colman em A favorita.

21 de fevereiro de 2019

Árvore Europeia do Ano 2019

Vamos votar na Árvore Europeia do Ano 2019? A azinheira do Monte Barbeiro, perto de Mértola, tem mais de 150 anos e é um ex-libris da paisagem alentejana. Está na corrida final com mais 14 árvores, todas com algo de especial. Mas a nossa merece!


Até dia 28 de fevereiro cada pessoa deve votar em 2 árvores, sendo que convém fazê-lo de forma estratégica, uma vez que neste momento a nossa está em terceiro lugar. As votações devem ser feitas aqui: https://www.treeoftheyear.org/home.

19 de fevereiro de 2019

4 coisas que fazem os book lovers sentirem-se (levemente) culpados

(Retirado do blogue literário da Wook.)
#1 – O drama da mesinha de cabeceira
A depressão Helena passa ali, todos os dias. Felizmente, é aquilo a que se chama um «caos organizado». Nós encontramos sempre o que queremos. 
#2 – Comprar mais livros
Nós os leitores somos, regra geral, uns otimistas. Só isso explica o facto de termos dezenas de livros por ler e termos comprado mais quatro. Ontem.



#3 – Não comprar um livro há muito tempo
Parece um contrassenso. Ora nos sentimos culpados porque compramos e não vamos ler já, ora nos sentimos culpados porque saiu uma novidade e ainda não a temos.
#4 – Inventar uma desculpa para não emprestar um livro
Quem nunca? Diz-nos a vida e a experiência que há duas coisas que jamais voltam na vida: o tempo e o livro emprestado.
#5 – Estar tão absorvido num livro que nos esquecemos da vida real
Perdemos o autocarro, esquecemo-nos da hora de jantar, não conseguimos adormecer antes de terminar aquele capítulo.
#6 – Recusar ver o filme depois de ler o livro
A probabilidade de ser melhor que o livro é de 0,00003%. Cientificamente comprovado.
#7 – Julgar um livro pela capa
Às vezes (muito raramente), também nos enganamos. Admitimos que há livros bons com capas más. Por exemplo, alguns títulos da Jane Austen ou do Neil Gaiman.
#8 – Assumir que um livro pode ensinar qualquer coisa
Inclusive como fazer amigos. Mesmo que a nossa vida social seja inexistente.
#9 – O problema da mala de férias
Vamos uma semana, mas levamos 12 livros.
#10 – Não compreender como se pode ir para a praia sem um livro
Honestamente, como é que as pessoas se entretêm?
#11 – Fazer julgamentos sobre alguém com base nos livros que tem em casa
E ficar incrédulo quando percebemos que não tem nenhum. Nem mesmo O Principezinho.
#12 – Exercício físico?
É claro que fazemos! 


 

#13 – Sentir ciúmes de outro leitor
Ele já leu Proust, Dostoievski, Tolstoi, toda a obra do Saramago e eu não? 
#14 – Não importa o que diz o extrato bancário...
Uma boa promoção nunca se perde.