31 de dezembro de 2019

Pequeno balanço de 20019

2019 foi o ano em que vi as minhas filhas darem o «salto», de duas bebés para duas meninas felizes e espertalhonas. Foi um ano de felizmente poucas doenças inesperadas. Foi o ano em que lancei o meu primeiro livro. Foi o ano em que descobri em mim capacidades que julgava perdidas. Não foi um ano espetacular, mas foi um ano bom, com alguns altos e baixos, mais altos do que baixos. Não quero ser demasiado ambiciosa, mas queria um 2020 ligeiramente melhor. Não precisa de ser muito, mas que seja melhor.

É o que também desejo a todos vós. Feliz 2020.

30 de dezembro de 2019

Os 46 já ninguém me tira


Esta fotografia tem precisamente 46 anos menos 1 dia. Estava-se no dia 31 de dezembro de 1973 e comemorava-se a passagem de ano na maternidade, um dia depois de eu ter nascido.

Adoro todos os pormenores: o sorriso de felicidade da minha Mãe, tão novinha, a pantera cor-de-rosa lá atrás que durou anos até se desfazer por ser de borracha, o salame de chocolate na caixa, e, acima de tudo, as taças de champanhe misturadas com o biberão. Talvez até me tenham dado a bebida errada...

17 de dezembro de 2019

13 de dezembro de 2019

Hoje à meia-noite no Alvim!


O programa dá à meia-noite no Canal Q, na posição 101 da MEO, 70 da NOS e 19 da VODAFONE.

E por agora, chega de aparições públicas. Acabei por ter mais do que os meus 5 minutos de fama. :)

2 de dezembro de 2019

Logo à tarde vai ser aqui


Logo às 17h, na TVI. Iremos lá estar, eu presencialmente, as matraquilhas virtualmente. Para falar do meu livro, mas, sobretudo, para falar da vida de (e com) gémeos em geral. Não percam!

21 de novembro de 2019

Os emojis africanos

O'Plérou Grebet é um jovem da Costa do Marfim de 21 anos que, ao sentir a limitação da emojis em apps, decidiu desenhar os seus próprios. Assim, criou 350 emojis, os Zouzoukwa African Emojis, que pretende que reflitam a realidade africana, os seus costumes, as suas piadas.

A globalização digital é um facto, mas há ainda muito por fazer, e Grebet está a dar o seu contributo.

Espreitem-no no Instagram em creativorian.



 




19 de novembro de 2019

Se calhar não me reconheceram, mas fui à «Praça da Alegria»

Acho que nunca tinha tido tanta maquilhagem em cima. O que eu gastei em água micelar e discos desmaquilhantes para me ver livre daquilo! Por fora não era eu, por dentro era. O que eu quero é ver o livro a bombar.


15 de novembro de 2019

Onde me apetecia estar

Adoro frio quando estamos bem quentinhos com uma lareira e uma caneca de chocolate quente. Adoro paisagens amplas e inóspitas. Adoro design escandinavo. Adoro coffee-shops com bolos caseiros. Adoro andar agasalhada no frio da rua . Adoro entrar num estabelecimento no inverno e poder ficar de manga curta. Adoro luzes quentes. Adoro edredons fofinhos.

Adorava estar aqui:

13 de novembro de 2019

Arranjem-me um babete, por favor

Ontem, antes de me proporcionarem mais um fim de dia caótico com a guerra que é irem para a cama, a Maria ainda me deu um enorme presente: o primeiro desenho percetível (por mim) que fez:


Eu no meio e uma de cada lado. Não posso deixar de gabar o aproveitamento que fez do espaço, as dimensões dos bonecos, o pormenor de terem cabelos, os braços a sair do corpo/pernas e não da cabeça... Babo-me.

11 de novembro de 2019

E foi assim no sábado

Dezenas de amigos e família, a maioria das «minhas pessoas», a acompanharem o lançamento do «meu» livro. Adorei cada minuto e cada intervenção. Adorei vê-los todos lá. Adorei poder agradecer a quem tanto me tem acompanhado.

Foi um dia muito feliz.













6 de novembro de 2019

O anúncio já faz 4 anos

Fez esta manhã 4 anos que, pouco antes da hora de almoço, soube através de uma análise de sangue que estava grávida. Segundo a minha médica, o valor relativamente alto indicava que seria «só um, mas gordinho». Afinal, vieram duas, mas magrinhas.

Começou no dia 6 de novembro de 2015 o meu estado de graça.

Convite aos meus leitores...

... que terão mais umas páginas de leitura e que finalmente perceberão por que motivo o blogue às vezes fica para trás. Apareçam!


31 de outubro de 2019

As gémeas de Auschwitz, de Eva Mozes Kor

Desde que tenho gémeas que agarro tudo o que tenha gémeos pelo meio, e este livro tem a vantagem de abordar o Holocausto, tema que sempre me interessou bastante. Já sabia que o doutor Mengele tinha uma fixação por gémeos, com os quais podia fazer experiências sempre com diferentes variáveis disponíveis, mas não sabia em concreto que tipo de coisas fazia, e que quando um gémeo morria o outro deixava de ter préstimo.

Mas, à parte uma pequena percentagem do livro que aborda estas experiências, é mais uma história de sobrevivência, neste caso em concreto de uma criança de 10 anos que se reveza para sobreviver e manter viva e motivada a sua irmâ gémea.

Eva Mozes Kor dedicou o resto da vida a divulgar a sua história, fundando inclusive a CANDLES (Children of Auschwitz Nazi Deadly Lab Experiments Survivors) e um museu do Holocausto em Indiana, EUA.

Resumindo, é mais uma história interessante mas que não acrescenta muito de novo ao que já sabia sobre Auschwitz. Mas bom para quem está a começar a entrar no tema.

24 de outubro de 2019

A Luísa ao seu telefone (= um comando avariado)

- Pois...
- ... (pausa)...
- Diz?
- ... (pausa)...
- Diz?
- ... (pausa)...
- Não estou a ouvir.
- ... (pausa maior)...
- Ah, já percebi! Beijinhos, até logo!

Gostava de saber como é o resto do diálogo dentro da cabeça dela.

16 de outubro de 2019

Vê-las a dormir

A propósito desta crónica de Eduardo Sá sobre ver os nossos filhos a dormir, confirmo que sim, é uma das melhores coisas do mundo, olhar para eles na penumbra e sentir que aquele sono profundo é a prova da confiança total que têm em quem os guarda.

Todas as noites vou ver a Luísa e a Maria a dormir durante uns minutos, e digo-lhes sempre ao ouvido «Gosto muito de ti», para que sonhem com isso e, subconscientemente, sintam isso como uma verdade absoluta.

A Luisinha a dormir quando tinha apenas 1 ano.

14 de outubro de 2019

Milkman, de Anne Burns

Tudo se passa nos anos 70 numa cidade sem nome de um país sem nome, que facilmente percebemos serem Dublin e a Irlanda do Norte. O ambiente é opressivo e de desconfiança permanente, entre os pró-governo («os de lá») e os antigoverno («os de cá»), em que quase todas as famílias já viram um ou mais dos seus assassinados por motivos políticos.

A protagonista (e narradora) é uma rapariga de 18 anos cujo nome nunca conhecemos, que sempre tentou passar despercebida, porque quando não se dá nas vistas corremos menos perigos. Até que um dia se levanta um boato de que anda envolvida com um leiteiro com o dobro da sua idade, homem sabido e influente dos antigoverno que subtilmente a persegue. A partir daqui, toda a sua vida é condicionada por este boato, que limita os seus movimentos, os seus interesses, os seus relacionamentos e até os seus sentimentos, até se sentir quase apática.

A escrita, que segue sempre a linha de pensamento da rapariga, é fluida apesar de todos os desvios que o pensamento implica, mas fácil de acompanhar se estivermos concentrados.

Um bom retrato do ambiente vivido aquando dos conflitos entre as duas Irlandas a propósito de um caso de assédio sexual.

Nota: Este livro ganhou o Man Booker Prize 2018 e foi bem merecido.

25 de setembro de 2019

20 de setembro de 2019

Desafio de escrita dos pássaros #2

O amor e um estalo (ou, para mim, o amor é um estalo)

Foi já há largos anos, mas recordo essa noite como se tivesse sido ontem. Estava já deitada, ele ainda não tinha chegado, mais uma vez atrasado no trabalho, ou não. Na escuridão do quarto, já deitado ao meu lado, sem coragem de me olhar nos olhos, disse-me que era o fim. O pai precisava dele, já não gostava de mim, e queria abrir caminho aos dois para refazermos a vida como quiséssemos. Não queria que perdêssemos mais tempo.

Nessa noite ainda ficou em casa, dormiu como sempre, enquanto eu, de olhos abertos, ainda pensava que vivia um pesadelo, com a ajuda do escuro da noite. De manhã saiu, para fazer qualquer coisa prática, e eu saí logo de seguida, numa fuga daquela realidade.

Só voltei a vê-lo uns dois meses depois, cumprimentou-me como se nada fosse, bem-disposto e sorridente, novamente acompanhado embora nunca mo confessasse.

O amor da minha vida deu-me um estalo, um estaladão, e depois mais outro, e tantos outros depois disso. Estalos sem mão, que são os que doem mais e que marcam para sempre.

18 de setembro de 2019

SNS: Nunca me cansarei de agradecer

Há 40 anos e 3 dias, foi criado o Serviço Nacional de Saúde. Há 3 anos, 3 meses e 106 dias, o Serviço Nacional de Saúde salvou a minha vida e a de uma das minhas filhas.

Nunca me cansarei de agradecer:

https://www.publico.pt/2019/09/14/sociedade/noticia/dia-gerei-vida-confrontada-morte-sns-devolveunos-vida-hoje-1886411?fbclid=IwAR3AhDrN4zaP5JyrG_yi-YTX_ZMtq-u3hB463EZadsv08eZFL-Adv3ftoP4

17 de setembro de 2019

Os tablets, sempre os tablets


Eu sei que isto é uma batalha perdida, mas tenho de insistir na impressão que me faz ver cada vez mais crianças agarradas aos écrãs.

Nas férias no Algarve, no restaurante, em cada três mesas com crianças, duas tinham os miúdos com os olhos vidrados num tablet ou num telemóvel, mexendo apenas a boca regularmente para os pais lhes enfiarem a comida pela boca abaixo. Miúdos a partir dos seis ou sete meses nisto, enquanto os pais faziam a sua vida como se nada fosse.

Quantos mais estudos é preciso divulgar mostrando o mal que isto faz sobretudo aos mais pequenos, ao nível da motricidade, da visão e do próprio raciocínio e desenvolvimento da capacidade de se entreterem?

13 de setembro de 2019

Desafio de escrita dos pássaros #1


Tema: Problemas, só problemas

Este tema não podia vir mais a propósito.

Há semanas que me queixo da minha filha Maria, que desde que começou as férias me acorda quatro e cinco vezes por noite só porque quer um beijinho. As noites e as sestas têm sido um martírio, e eu quase que amaldiçoo a miúda por aquelas chamadas noturnas. Não há pesadelos, não há chichi para fazer, há somente um beijinho por dar.

Pois esta semana a Maria ficou doente, com algo do trato respiratório que lhe tem causado febre, pieira e uma grande prostração, e por vezes nem de dia ouço a sua voz. Sei que lhe vai passar, pois está medicada e é uma questão de tempo.

Mas a moral da história é que por vezes os problemas que dizemos ter são apenas problemazinhos, ou nem isso são. Problemas, problemas a sério, é ter filhos ou familiares doentes, com doenças crónicas ou terminais que nenhuma noite de sono, mesmo que intermitente, nos deixam ter.

Há que relativizar.

10 de setembro de 2019

E os nossos livros, quando morrermos?

Texto de António Cândido (1917-2018), um dos maiores intelectuais brasileiros, sobre o lamento da sua biblioteca aquando da sua morte.

O pranto dos livros
Biblioteca e escritório de António Cândido na sala do seu apartamento em São Paulo.
Morto, fechado no caixão, espero a vez de ser cremado. O mundo não existe mais para mim, mas continua sem mim. O tempo não se altera por causa da minha morte, as pessoas continuam a trabalhar e a passear, os amigos misturam alguma tristeza com as preocupações da hora e lembram de mim apenas por intervalos. Quando um encontra o outro começa o ritual do «veja só», «que pena», «ele estava bem quando o vi a última vez», «também, já tinha idade», «enfim, é o destino de todos».

Os jornais darão notícias misturadas de acertos e erros e haverá informações desencontradas, inclusive dúvida quanto à naturalidade. Era mineiro? Era carioca? Era paulista? É verdade que estudou na França? Ou foi na Suíça? O pai era rico? Publicou muitos livros de pequena tiragem, na maioria esgotados. Teve importância como crítico durante alguns anos, mas estava superado havia tempo. Inclusive por seus ex-assistentes Fulano e Beltrano. Os alunos gostavam das aulas dele, porque tinha dotes de comunicador. Mas o que tinha de mais saliente era certa amenidade de convívio, pois sabia ser agradável com pobres e ricos. Isso, quando se conseguia encontrá-lo, porque era esquivo e preferia ficar só, principalmente mais para o fim da vida. Uns dizem que era estrangeirado, outros, que pecava por nacionalismo. Era de esquerda, mas meio incoerente e tolerante demais. Militava pouco e no PT funcionou sobretudo como medalhão. Aliás, há quem diga que teve jeito de medalhão desde moço. Muito convencional. Mas é verdade que fugia da publicidade, recusava prêmios e medalhas quando podia e não gostava de homenagens. Contraditório, como toda a gente. O fato é que havia em torno dele muita onda, e chegou-se a inventar que era uma «unanimidade nacional». No entanto, foi sempre atacado, em artigos, livros, declarações, e contra ele havia setores de má vontade, como é normal. Enfim, morreu. Já não era sem tempo e que a terra lhe seja leve.

Mas o que foi leve não foi a terra pesada, estímulo dos devaneios da vontade. Foi o fogo sutil, levíssimo, que consumiu a minha roupa, a minha calva, os meus sapatos, as minhas carnes insossas e os meus ossos frágeis. Graças a ele fui virando rapidamente cinza, posta a seguir num saquinho de plástico com o meu nome, a data da morte e a da cremação. Enquanto isso, havia outros seres que pensavam em mim com uma tristeza de amigos mudos: os livros.

De vários cantos, de vários modos, a minha carcaça que evitou a decomposição por meio da combustão suscita o pesar dos milhares de livros que foram meus e de meus pais, que conheciam o tato da minha mão, o cuidado do meu zelo, a atenção com que os limpava, mudava de lugar, encadernava, folheava, doava em blocos para serviço de outros. Livros que ficavam em nossa casa ou se espalhavam pelo mundo, na Faculdade de Poços, na de Araraquara, na Católica do Rio, na Unicamp, na USP, na Casa de Cultura de Santa Rita, na ex-Economia e Humanismo, além dos que foram furtados e sabe Deus onde estão – todos sentindo pena do amigo se desfazer em mero pó e lembrando os tempos em que viviam com ele, anos e anos a fio. Então, dos recantos onde estão, em estantes de ferro e de madeira, fechadas ou abertas, bem ou maltratados, usados ou esquecidos, eles hão de chorar lágrimas invisíveis de papel e de tinta, de cartonagem e percalina, de couro de porco e pelica, de couro da Rússia e marroquim, de pergaminho e pano. Será o pranto mudo dos livros pelo amigo pulverizado que os amou desde menino, que passou a vida tratando deles, escolhendo para eles o lugar certo, removendo-os, defendendo-os dos bichos e até os lendo. Não todos, porque uma vida não bastaria para isso e muitos estavam além da sua compreensão; mas milhares deles. Na verdade, ele os queria mais do que como simples leitura. Queria-os como esperança de saber, como companhia, como vista alegre, como pano de fundo da vida precária e sempre aquém. Por isso, porque os recolheu pelo que eram, os livros choram o amigo que atrasava pagamentos de aluguel para comprá-los, que roubava horas ao trabalho para procurá-los, onde quer que fosse: nas livrarias pequenas e grandes de Araraquara ou Catanduva, de Blumenau ou João Pessoa, de Nova York ou New Haven; nos sebos de São Paulo, do Rio, de Porto Alegre; nos buquinistas de Paris e nos alfarrabistas de Lisboa, por toda a parte onde houvesse papel impresso à venda. O amigo que, não sendo Fênix, não renascerá das cinzas a que está sendo reduzido, ao contrário deles, que de algum modo viverão para sempre.

6 de setembro de 2019

Dor e glória, de Pedro Almodóvar

Não sou uma fã incondicional dos filmes de Almodóvar, apesar de ter gostado bastante de alguns. Mas este é bem diferente, sem gritos ou grandes melodramas. Tem muitos laivos de autobiografia, o que o torna ainda mais interessante.

Salvador Mallo (Antonio Banderas) é um realizador de cinema homossexual que deixou de trabalhar devido ao seu estado físico (dores nas costas que não o largam) e psicológico (uma depressão intermitente que não o deixa ter uma produção contínua). O filme intercala a sua deambulação presente com vários regressos ao passado conseguidos graças à heroína que começa a consumir: à sua infância pobre mas feliz, repleta da presença da mãe, à sua capacidade de aprender, ao seu primeiro objeto de desejo, ao seu único relacionamento sério terminado há muitos anos.

É um filme lindo sob vários aspetos: a realização e a interpretação são ótimas, a fotografia é belíssima, a história comovente, cheia de tristeza mas também com muita esperança. Se puderem, não percam.

3 de setembro de 2019

Desafio dos pássaros

Inscrevi-me às escuras, totalmente sem saber ao que vou. Apenas sei que semanalmente, durante 17 semanas, me darão um tema que terei de desenvolver em 400 palavras. Conhecendo-me como me conheço, ficarei bem aquém deste valor.

Publicarei aqui no blogue mas também será publicado aqui. Espero estar à altura e espero que gostem.

desafiodospassaros.blogs.sapo.pt

2 de setembro de 2019

Até à eternidade, de Caitlin Doughty

Depois de ter lido Smoke gets in your eyes, sobre a sua experiência como colaboradora num crematório, tinha de ler este livro sobre o percurso de Caitlin Doughty pelo mundo em busca de outros modos de encarar a morte. E como aprendi.

Na Indonésia, conhece o povo que vive em Toraja, que convive com os seus mortos por vezes durante anos a fio, conservando-os em casa ou abrindo as suas sepulturas e confraternizando com eles regularmente. No Colorado, assiste a uma cremação original, numa pira funerária ao ar livre. Em Tóquio, fica a conhecer desde as tecnologias mais modernas, que através de um sistema robotizado permite aos familiares visitarem quando querem as cinzas dos falecidos, até à tradição de, depois de uma cremação, serem os familiares a separarem os ossos das cinzas com a ajuda de pauzinhos. Na Carolina do Norte, visita um complexo onde os corpos doados são decompostos ao ar livre, num processo de compostagem. Na Califórnia, praticam-se enterros naturais no deserto, com os corpos enterrados diretamente na terra apenas embrulhados num sudário.

E depois há também casos como o Tibete, que Caitlin não visitou mas que refere, em que os corpos são cortados em pedaços para alimentar os abutres, num fecho da cadeia alimentar.

Sempre que pode, Caitlin critica o sistema tradicional norte-americano, onde a cremação e o enterro são o mais asséticos possível, reduzindo ao mínimo o contacto com os mortos. O seu tom amigável e às vezes sarcástico ajuda, e as maravilhosas ilustrações de Landis Blair também.

Mais uma vez, e depois de já ter lido os dois livros, fico com a certeza de que, se um dia for possível em Portugal, gostaria de ter um enterro natural, sem caixões e sendo depositada diretamente na terra. Acreditemos que algumas tradições instituídas possam mudar.

29 de agosto de 2019

Quando é bom também é para dizer

Ando a fazer os meus exames anuais decorrentes da disseção da aorta que tive no dia do nascimento das miúdas, e como sempre faço tudo no Hospital Santa Maria. A semana passada foi a ressonância magnética, e em menos de uma hora cheguei, fiz o exame e saí. Ontem, em cerca de 90 minutos cheguei, fizeram-me um ecocardiograma, tirei sangue para análises e saí.

Às vezes pode correr tudo mal, mas muitas vezes anda tudo sobre rodas. E, pasme-se, foi no SNS! Nem sempre os privados funcionam tão bem.

23 de agosto de 2019

E as minhas férias foram... delas!

Nunca nestes três anos tinha sentido tanto a necessidade de ter férias depois das férias como este ano. Entre idas à piscina, à praia e a parques infantis, à mistura com muitas birras para comer e dormir, estas duas semanas foram absolutamente esgotantes.

A conclusão a que chego é: elas estão a precisar de escola. Não para me «livrar» delas, mas porque precisam de rotina, de regras, de refeições e sestas a horas certas, de não estarem sempre em ação. Desde que nasceram, pela primeira vez sinto-me em privação de sono, pois as noites refletem a agitação dos dias, com muitos acordares agitados e madrugadores e muita resistência nas sestas.

Para elas foi bom, tenho a certeza, mas também será bom e positivo terem uma vida mais regrada.