27 de dezembro de 2008

Supertópico sobre superfilmes

E como já não escrevo qualquer tópico há muito tempo, e porque até tenho muita coisa para dizer, tento agora pôr a filmografia em dia.

Se há alturas em que não há nada de jeito para ver no cinema, estamos agora numa época em que a escolha de boas hipóteses é tão grande que me vejo aflita para conseguir ver tudo antes que saiam de cartaz. Começando pelo que vi mais recentemente...

Caos Calmo - Nanni Moretti mais uma vez no seu melhor. Este filme não é realizado por ele mas teve a sua colaboração no argumento, e Moretti é a personagem principal que aparece em mesmo todas as cenas. Adaptado do livro de Sandro Veronesi, é a história de Pietro, um homem cuja mulher morre de repente enquanto ele estava na praia a salvar outra mulher de morrer afogada. Dias depois, ao levar a filha à escola, Pietro decide ficar lá fora todo o dia à espera, sentado num banco de jardim ou no carro. E no dia seguinte a mesma coisa. E no outro a seguir também. A certa altura, o mundo de Pietro gira naquele jardim, onde familiares, amigos e colegas de trabalho o visitam porque a vida dos outros não pode parar. No meio do drama, Nanni Moretti consegue mais uma vez fazer-nos rir, como já tinha acontecido em O Quarto do Filho, Querido Diário, Abril... O olhar directo, os pensamentos imponderáveis, as listas mentais, tudo é do melhor que há. Muito, muito bom.


Bolt - Um cão actor que nunca viveu fora do estúdio julga que tem superpoderes a sério. Até que um dia, num daqueles azares que só acontecem nos filmes, entre num caixote e vai parar a um estado do outro lado do continente. E, aos poucos, vai-se apercebendo de que superpoderes só mesmo nos filmes. Acompanhado por uma gata manhosa e por um hamster deslumbrado com o seu suposto super-herói, Bolt empreende uma viagem de milhares de quilómetros para voltar para a sua «pessoa» e para a sua casa, aproveitando para, pelo meio, aprender a ser um cão a sério. Em algumas salas, o filme vê-se em 3D com uns óculos próprios (já de plástico, bem diferentes dos usados para ver o longínquo Monstro da Lagoa Negra...), e vale a pena. A ver por miúdos e não só.

Ensaio sobre a Cegueira - O título em inglês, Blindness, é bem mais forte, mas faça-se jus ao romance de Saramago que lhe serviu de inspiração. Para quem não conhece a história, uma epidemia de cegueira invade uma grande cidade, afectando todos menos uma única mulher (Julianne Moore, numa óptima interpretação). Aos poucos, o ser humano de cada um vai desaparecendo, dando lugar ao mais básico instinto de sobrevivência, pela comida, pelo sexo, pelo espaço, por tudo. Quando li o livro há uns anos, fiquei impressionada, sobretudo com a descrição das cenas de sexo praticado em qualquer lugar entre desconhecidos tomados pela cegueira. Mas o filme consegue chocar ainda mais: vejo todas as imundícies, sinto todos os cheiros, ouço todos os ruídos, e tenho pavor de que um dia o mesmo nos pudesse acontecer. Excelente adaptação, que o próprio Saramago agradeceu por ter sido feita.
By the way, muitos outros filmes que quero ver depressa: A Turma, Amália, Austrália, Madagáscar 2, Destruir Depois de Ler.