21 de abril de 2013

Estão a abater indiscriminadamente árvores em Lisboa

O projeto da Ribeira das Naus é sem dúvida uma mais-valia para a cidade. Mas haveria necessidade de abater indiscriminadamente todas as árvores que ali se encontravam? Não haverá na CML arquitetos paisagistas que as conseguissem enquadrar no novo projeto?




As fotografias e o testemunho abaixo são de um morador na zona.

Esta quinta-feira, 18 de Abril, quando saía de casa, reparei que 3 homens com coletes verdes estavam a abater uma árvore saudável com uns valentes anos - cerca de 40/50 pelo menos- de tronco sólido que dá uma flor linda que me habituei a ver todos os 15 anos desde que aqui habito.
Essa árvore é uma das 14 semelhantes que existem em frente ao largo do Corpo Santo em Lisboa para além de um imponente pinheiro manso. Das poucas que existem nesta zona da Baixa.
No dia seguinte, em passeio com o cão pela zona da Ribeira das Naus, quase fico com lágrimas nos olhos, quando de repente me deparo com mais de 19 árvores abatidas. Algumas com mais de 20 anos, outras com muitos mais.
Falo com alguns vizinhos. Uns dizem-me que não sabem de nada, outros que é apenas um começo e que vão destruir todas as árvores que restam.
Tirei fotografias com o telemóvel no dia do abate da primeira árvore. Sai de casa na hora errada.
Fui hoje fotografar as restantes abatidas na Ribeira das Naus e aproveitei para também registar as poucas que restam na zona, uns 15/20 plátanos majestosos e lindíssimos que estão dentro das grades do Arsenal da Marinha - que em breve irão ser abatidos de acordo com os desenhos do projecto que estão disponíveis ao público.
Dizem-me que esses também serão para abater.
Vou ver o projecto – o que existe disponível é de muito fraco detalhe – mas a ver pelo que está desenhado, os Plátanos não fazem parte do plano.
A primeira leva já foi – alguém mandou abater as cerca de 20 árvores da Ribeira das Naus e do Corpo Santo.
Só a pura estupidez pode justificar tal acto. Se não for por estupidez e burrice a única razão que vejo só pode ser por algum tipo de interesse.
Será que se ganha mais dinheiro por se mandar abater e plantar árvores novas? Será que a obra é paga à comissão e quanto maior e mais cara, mais recebe quem a desenhou? Será que um arquitecto não é capaz de planear um novo jardim aproveitando as árvores que existem e que demoraram décadas a crescer? Para que as novas árvores tenham o porte que é apresentado nos desenhos vai demorar uma geração inteira.

Envio esta carta para jornalistas e amigos a quem peço que divulguem ao maior número de pessoas para ver se conseguimos parar este atentando ao património.
Peço aos jornalistas, às associações de protecção do ambiente, aos amigos de Lisboa, e aos meros cidadãos como eu que investiguem o que se está a passar, que se saiba quem deu ordem para que isto pudesse ter acontecido.
Que peçam explicações aos responsáveis:
Mas o essencial é que que se pare o abate das poucas árvores que restam.
Sobram umas 20.
Talvez, juntos, sejamos capazes de parar esta atrocidade.

Alexandre Vasconcelos e Sá

Peçam explicações e escrevam a:
António Costa - gab.presidente@cm-lisboa.pt
Helena Roseta - ver.helena.roseta@cm-lisboa.pt
Manuel Salgado - gab.manuel.salgado@cm-lisboa.pt
José Sá Fernandes - jose.sa.fernandes@cm-lisboa.pt
Fernando Nunes da Silva - ver.fernando.nunes.silva@cm-lisboa.pt
Proap - proap@proap.pt
João Ferreira Nunes - joao.nunes@proap.pt
Carlos Ribas - carlos.ribas@proap.pt

4 comentários:

Nadia Cardoso disse...

Nas minhas curtas férias por Lisboa a semana passada fiz este percurso várias vezes e foi notória a falta de sombra por ali. Ficou um espaco giro, mas sem sombras. Nao faz sentido nenhum... :(

Vespinha disse...

Deviam ter aproveitado para enquadrar algumas árvores existentes no espaço novo... mas não, toca de abater tudo, para plantar árvores que vão levar dezenas de anos a dar sombra...

pt disse...

Nossa! Isto me deprime. Deprime SEMPRE. Lisboa só é diferente de outras capitais europeias por manter a sua ligação com elementos da natureza assim em proximidade. Se desatarem a mandar tudo abaixo desaparece aquilo que a cidade tem de melhor e único.

Cada vez que uma árvore cai na minha zona, não substituída por outra. Quando as vêm abater, não andam a colocar outras. Ás vezes elas existem para proteger as casas do vento durante o inverno e do calor durante o Verão, pelo que são mais do que elementos decorativos. Para não falar do OXIGENIO, pois contribuem para a qualidade do ar citadino- que está cada vez PIOR.

Perto de onde moro alteraram o sentido de circulação dos automóveis e agora atravessar ali é desagradável, sente-se no ar uma maior concentração de dióxido de carbono. A zona até tem nas proximidades áreas ajardinadas, mas a alteração do sentido do trânsito trouxe mais poluição. É sentida pelo olfacto.

Tive pena quanto a CML abateu as árvores da avenida que ia das Amoreiras ao Marquês de Pombal pois cada vez que ali passava era ali ao centro que gostava de caminhar. Faziam diferença, respirava-se melhor. Agora só posso imaginar. Outro abate que achei desnecessário foram as muitas árvores de uma avenida que vai da rotunda do aeroporto ao Tejo, durante a expo98. Alargaram aquela porcaria sem necessidade. Nunca existiu trâfego que justificasse esse alargamento para 3 Faixas de cada lado. Antes existiam 2 para cada lado e ao meio um separador largo, com árvores. Eles destruiram isso, também reduziram os passeios laterais e daí retiraram mais de 100 árvores e para quê? Para hoje existir uma via de circulação mais espaçosa mas de trânsito igual - parece-me. Serve sim, para colocarem RADARES e multarem os automobilistas que, devido ao comprimento da avenida e à relativa ausência de obstáculos como passadeiras para peões, andam mais do que a 50 ou 60KM/h - velocidade máxima permitida ridicula.

Vespinha disse...

Sim, é vida que desaparece, real (as árvores) e potencial (o oxigénio). É qualidade de vida que se perde, são anos de manutenção que se desperdiçam, é dinheiro atirado para a rua...