14 de setembro de 2015

Mais um exemplo de jornalismo que não tem nada para fazer

Desta vez, no Observador, uma análise altamente sherlockiana de um jantar na casa onde José Sócrates está a viver. Não vale a pena irem ao site do jornal, que eu reproduzo a análise já aqui em baixo, acompanhada de alguns comentários meus a azul.

A sério, não têm mais nada para fazer? Ou é só para chamarem a atenção e terem pessoas como eu a falar disso nos blogues e nas redes sociais? Porque não se interrogam antes como se tornou a fotografia pública?


1. Onde está o vinho?

Na imagem aparecem vários copos (os vermelhos) com o que parece ser vinho tinto no fundo. Vinho que terá acompanhado o generoso salpicão (?) e o queijo da Serra que estão no centro da mesa. Mas não aparece nenhuma garrafa de vinho vazia – terão sido estas recolhidas da mesa antes do registo da fotografia? Até porque, perto do ex-secretário de Estado Paulo Campos, à esquerda na foto, aparece uma rolha de cortiça. É caso para perguntar: onde está o vinho?  No estômago das pessoas, já tendo sido bebido?

2. Garrafas de água alinhadas

Não são visíveis garrafas de vinho, mas não faltam garrafas de água na mesa. Uma delas está cheia e parece ter acabado de sair do frigorífico uma vez que está embaciada com o frio. A outra está vazia, mas, ao contrário das garrafas de vinho, não foi retirada da mesa. Onde, curiosamente, só são visíveis dois copos de água. Tanto uma como outra têm o logotipo da marca Luso perfeitamente orientado para o ângulo do qual foi tirada a foto. Coincidência apenas? Terá a Luso patrocinado o jantar?

3. Uma ventoinha no caminho da porta

Pela água fresca, pode-se deduzir que o ambiente na sala era quente. Mas essa hipótese sai reforçada quando se verifica que há uma ventoinha de pé alto no fundo à esquerda. O curioso é que a ventoinha está num local pouco convencional, no caminho de uma porta que – presumivelmente – não terá muito movimento, caso contrário uma ventoinha ali colocada iria estorvar.
Repare-se também que todos os convivas do sexo masculino estão de camisa ou de t-shirt longsleeve de mangas arregaçadas. Mas há uma pessoa mais encasacada: a única mulher da foto, amiga do filho de Sócrates (José Miguel, que viveu com o pai quando este estudou Filosofia na Sorbonne, em Paris). Curiosamente, a ventoinha está precisamente por trás de onde está sentada a pessoa mais friorenta entre os convivas. Mas é impossível perceber se está a funcionar. O mistério da ventoinha é impossível de decifrar...

4. Uma casa com obras de 800 mil euros não tem ar condicionado?

O uso de ventoinhas justifica-se numa noite que, em Lisboa, foi húmida e relativamente quente. Mas é interessante perguntar como é que uma casa que sofreu obras profundas no valor de 800 mil euros, segundo a imprensa, e até tem piscina aquecida, não foi equipada com um sistema de ar condicionado, precisamente para utilizar em serões como este? So what? O ar condicionado traz constipações e alergias.

5. Um guardanapo de papel e os copinhos da Nespresso pouco ecológicos

Mesmo à frente de José Sócrates estão dois produtos muito pouco ecológicos, ainda para mais tratando-se de um ex-ministro do Ambiente: o guardanapo de papel (amarrotado), quando os ‘verdes’ aconselham o uso de guardanapos de tecido (seria de papel reciclado?); e o copo de café de cápsulas Nespresso, consideradas muito pouco amigas do ambiente. As cápsulas da Nespresso são amigas do ambiente, como já publiquei aqui.

6. 12 copos para 9 convivas (mais quem tirou a foto)

Na mesa contam-se 12 copos vermelhos, para servir vinho, mas na foto veem-se apenas 9 convivas. Da direita para a esquerda na foto: José Sócrates, o anfitrião, o ex-ministro Vitalino Canas, o deputado José Lello, o ex-presidente da Câmara Municipal da Amadora, Joaquim Raposo, o ex-chefe de gabinete de Sócrates André Figueiredo, José Miguel, o filho de Sócrates, a amiga do filho, o advogado Pedro Delille e o ex-secretário de Estado Paulo Campos. Faltará, eventualmente, um conviva – o que tirou a foto. Mas continuam a sobrar dois copos. Na casa de banho? A pôr a louça na máquina? A esconder as garrafas de vinho?

7. Quem estava à cabeceira da mesa?

Ao bom jeito das sitcom norte-americanas, uma das faces da mesa – uma das cabeceiras – está vazia. O que ajuda a que ninguém fique de costas para a imagem. Existe um copo perto dessa cabeceira, mas não há um prato – esse lugar parece ter sido utilizado para depositar uma caixa de cartão de pastelaria que terá transportado ‘bolinhos’ para a sobremesa (há uma outra semelhante, visível na foto mesmo por detrás de Sócrates). Curiosamente, a cabeceira que está vazia não é a que está do lado da televisão. Se estava na cabeceira da mesa, é óbvio que terá saído para a fotografia. Ou está na casa de banho. Ou na cozinha. Ou a esconder as garrafas de vinho.

6 comentários:

larabacate disse...

dava mais pano para mangas a análise da análise do que a análise em si... a sério... também não tenho pachorra...

Timtim Tim disse...

Já vi esta foto mais de 100 vezes. Mas nunca com qualquer análise.

Ela e Ele Ele e Ela disse...

Honestamente, não temos pachorra para o tipo de jornalismo que se produz em televisões e jornais, hoje em dia. E temos pena. Acredita que temos imensa pena disto!

Vespinha disse...

Também eu tenho pena... de um jornalismo isento que parece que quase deixou de existir, em nome das audiências. Mas quando estas coisas me entram pelos olhos adentro não resisto...

CAP CRÉUS disse...

tanto falam mal do CM, mas pelos vistos há por aí mais lixo. :-)

Vespinha disse...

Verdade!