29 de dezembro de 2016

Não amamentar

Pelas circunstâncias do parto das minhas filhas e das complicações que sofri de seguida, foi claro desde muito cedo que não poderia amamentar. À parte alguma tristeza por não o poder fazer e ter de aguentar alguns olhares interrogadores quando dizia que não o fazia sem explicar porquê, houve a parte financeira, algo em que pouca gente pensa. Assim, entre o mês 2 (quando se instalaram definitivamente em casa) e o mês 5 (quando começaram a diversificar mais a sério a alimentação), muito leite de lata se consumiu cá em casa, comprovado pelas colheres medidoras (e sem contar com mais uma meia dúzia consumidas em casa da minha mãe) que fui guardando:


Estão aqui 27 colheres de leite Nan 1, consumido pelas duas em cerca de quatro meses. Cada lata custa cerca de €13 (um pouco mais, mas variável de local para local), o que significa que foram gastos €351 só em leite. Curioso é que o Nan 1, o mais necessário e procurado, é o mais caro (o Nan 2 desce consideravelmente de preço) e nunca alvo de promoções. Dizem que para incentivar a amamentação e desmotivar a alimentação com leite artificial. Só me apetece chamar nomes a não sei quem.

6 comentários:

Alexx M. disse...

Vespinha, estou muito solidária contigo! Não amamentei muito tempo, por opção, por isso confesso que nunca me queixei do preço do leite. Mas pensei muitas vezes nas pessoas que, por motivos de força muito maiores que o meu, não podem amamentar e não têm uma única ajuda a esse nível. No caso de operações, no caso de mastites graves, no caso de leite insuficiente para o bebé (sim, sim, sei que se diz que não há leites insuficientes, mas nem sempre é assim tão linear). A mulher, mãe, tem de suportar tudo, todas as opiniões, olhares reprovadores, juízos de valor sem conhecimento de causa. E ainda tem de fazer contas à vida. Não é justo :(

Ana Chagas disse...



Acho incrível que, numa atitude puramente egoísta e mercantilista, justifiquem o elevado preço dos leites como um incentivo à amamentação. Que nojo de atitude!
Porque, como sabes mil vezes melhor que eu, nem sempre é uma opção. Por exemplo, a minha mãe não tinha leite suficiente para mim.
E mesmo que seja por opção, acho que as mulheres têm esse direito.
Até advogo que, por ser um produto tão essencial, deveria ser gratuito ou vendido a um preço simbólico, seguindo obviamente algumas regras, como a doação ou venda a preço controlado de X latas por bebé por mês, para evitar abusos.

Deolinda Batalim disse...

Pois, dos meus dois filhos para o primeiro o leite era muito aguado e ele ficava chorando com fome pelo que tive que recorrer ao leite em pó logo de início. No segundo nem sequer cheguei a ter leite. Como estava em Angola, em 1977, e não havia leite à venda no local tivemos wue esperar receber leite ido de Lisboa, por varios dias. Nesses fias ele foi alimentado a água com açúcar. Ainda tentamos que ele mamasse com uma amiga angolana que tinha uma criança mas ele não aceitou. Foi um período bastante difícil além de csro, porque o leite para bebés sempre foi caro. Isso de ser para jncentivar a amamentação é desculpa esfarrapada.

CAP CRÉUS disse...

Venham falar de baixa natalidade...
É mais uma situação ridícula.

Margarida disse...

Não só são mais caros, como nunca podem entrar nas promoções... é mesmo injusto para quem não pode ou não quer, com todo o seu direito, amamentar.

Vespinha disse...

É aproveitarem-se de algo supostamente essencial para a saúde dos bebés (a amamentação) para carregar nos preços de quem não segue por essa via.

E isto da amamentação dava outro tópico, tenho lido cada coisa... Mães que dizem não aguentar mais, ou por dores ou por privação de sono, e outras a dizer que pelos bebés se deve aguentar tudo! Mas qual é o bebé que está bem se a mãe não o estiver?