3 de junho de 2017

Um ano do melhor de mim

Foi às 00h01 e às 00h02 do dia 03.06.16 que a minha vida mudou para sempre. No final do dia 2, tive fortes dores na parte de baixo da barriga e chamaram ajuda por mim. Depois disso, de nada me lembro. Sei que as bebés estavam em sofrimento, que nasceram com um Apgar baixíssimo e tiveram de ser reanimadas, que depois reagiram bem, que no dia seguinte eu estava estranha, que à noite tive falta de ar e perdi os sentidos, que pelas 3h da manhã de dia 4 estava de novo no bloco de operações a ser operada à aorta, que estive um dia e tal em coma induzido e que dei por mim no dia 6, rodeada de gente e com uma longa cicatriz no peito. No dia 9 de junho de 2016 vi, conscientemente, as minhas filhas pela primeira vez.

Os dias e semanas seguintes foram muito difíceis, tive de ter ajuda para tudo e estava praticamente incapacitada para cuidar delas, que tiveram alta no final de junho. Só em agosto comecei a ter alguma autonomia para as criar, e a partir daí foi sempre a melhorar fisicamente. Psicologicamente, estão cá as sequelas, de ter perdido a memória de uns tantos dias, de ter estado tão perto da morte no dia em que dei vida e de ter causado tanta angústia e sofirmento às pessoas que me rodeiam. Mas tenho de ultrapassar tudo e tenho sentido os progressos, com a ajuda das minhas filhas e de toda a minha família e muitos amigos.

Hoje, tenho duas bebés maravilhosas, bem-dispostas, que comem e dormem que é um regalo, que sorriem para toda a gente e que estão sempre juntas e em interação uma com a outra. Julgo que são crianças felizes.

Daqui a uma hora serão batizadas, sobretudo como um agradecimento a quem, seja que entidade for (mas que eu suspeito quem são), nos ajudou a continuarmos por aqui as três.

Meus amores, Luísa e Maria, que continuem a dar-nos tanta alegria e felicidade como dão e que eu esteja convosco por muitos e muitos anos para poder ver-vos sorrir.

Aqui, a Maria e a Luísa com 2 horas de vida.

E aqui, a Luísa e a Maria com 362 dias de vida.

6 comentários:

Inês disse...

Parabéns!
Às filhotas que estão lindas e à mãe por ter superado o que por tanto passou.
Acompanhei a história das suas meninas num grupo de mães no Facebook mas não sabia desses grandes sustos consigo na altura do parto.
A minha filha mais velha também esteve em sofrimento tive de fazer cesariana de urgência, nasceu com apgar 1 e teve de ser reanimada. Eu fui a última da família a vê-la. Custou-me aceitar a cesariana e vivi alguns meses com receio que ela tivesse alguma sequela.
Felizmente tem hoje quase 7 anos e sem problema nenhum.
Inês

Cristina Torrão disse...

Muitos Parabéns :)

Que relato impressionante! Ainda bem que, hoje, estão todas juntas e muito felizes! E ficarão por muitos anos!

Felicidades e muitos beijinhos :)

Vespinha disse...

Olá Inês, a Maria também nasceu com Apgar 1 e a Luísa não muito melhor, 3. Mas a verdade é que depois da recuperação inicial nunca mais pensei em sequelas. O apgar serve sobretudo para as diligências a tomar nas primeiras horas de vida. :)

Ana Chagas disse...


Parabéns por este primeiro ano!
Tem sido um privilégio acompanhar-vos por aqui. Que as dificuldades, os sustos, fiquem definitivamente no passado, e que todos os vossos anos sejam brindados com uma constante de saúde, amor e muita felicidade!

Anónimo disse...

Felicidades! :)

CAP CRÉUS disse...

Muitos parabéns!
Tudo de bom!