16 de outubro de 2007

Auster só a escrever, não a filmar...

Tenho pena mas é o que acho. Como já tinha dito, adoro todos os livros de Paul Auster, sem excepção. Por isso, foi com algum entusiasmo que fui ver A Vida Interior de Martin Frost, realizado por ele, produzido por Paulo Branco e filmado em Portugal. Não gostei. Talvez estivesse com uma expectativa demasiado elevada, mas não gostei:

- dos planos e do movimento da câmara - a máquina de escrever a rodar, o fumo da chaleira sobre fundo escuro...

- da actriz principal - chama-se Irène Jacob e parece que é bastante apreciada, mas eu achei-a bastante irritante;

- do arrastar demasiado lento de tudo - a história (por acaso baseada numa das histórias dentro da história de O Livro das Ilusões) devia ter-se ficado pela curta metragem, que aliás acho que já existe;

- do inesperado que na maioria das vezes é muito tão previsível.

Resumindo a história, o escritor Martin Frost (David Thewlis) refugia-se na casa de campo de uns amigos para descansar após a conclusão de um romance. Uma bela manhã, logo a seguir a ter uma ideia para um conto, acorda com uma mulher ao seu lado na cama, Claire (Irène Jacob), em retiro para escrever uma tese filosófica. Ao longo do filme, vamos percebendo que a mulher é de facto a musa do conto que Frost quer escrever e que, consequentemente, vai definhanho à medida que o conto chega ao fim. E mais não conto. Só acrescento que pelo meio ainda aparece o canalizador e aspirante a escritor Jim Fortunato (Michael Imperioli, da série Os Sopranos), com alguma deixas engraçadas, e a sua musa desiludida, representada por Sophie Auster.

Aguardo um novo livro de Auster para me tirar este gosto desagradável da boca...