1 de setembro de 2009

E agora algo mais pesadote

Porque algumas pessoas já devem estar fartas das minhas incursões pelos museus lisboetas (excetuando a minha querida prima, que essa, como eu, nunca se cansa…), desta vez algo bem mais pesadote mas que nem por isso deixa de ser imperdível.

Ainda um pouco às escuras, fui ver Sacanas sem lei, o último filme do Tarantino, convencida de que ia assistir a uma matança desenfreada (que não deixa de haver!) levada a cabo por uma espécie de tropa de elite marginal em vingança contra os nazis. Mas enganei-me, ou os trailers enganaram-me, e ainda bem. Porque afinal a tropa liderada por Aldo o Apache (Brad Pitt) está bem presente, mas muitas outras personagens ganham um relevo de que não estava à espera.

Em primeiro lugar, e com distinção, Hans Landa, brilhantemente interpretado por Christoph Waltz e que lhe valeu o prémio de melhor ator em Cannes. Um coronel nazi cheio de rituais, uma verdadeira raposa cheia de subterfúgios, que estica os diálogos e que os prolonga quando já estávamos a respirar fundo de alívio por o outro se ter safado. Um homem que só perde a compostura uma vez (nos bastidores do cinema) mas que logo se recompõe.

E depois, tantas outras personagens: Brad Pitt, claro, que na cena dos sotaques é verdadeiramente hilariante; Mélanie Laurent (a judia sobrevivente e calculista Shosanna Dreyfus); Eli Roth (o Urso Judeu); Diane Kruger (a actriz Bridget von Hammersmark), etc., etc., etc…

Cenas imperdíveis: a primeira, na cabana; a passada na taberna; a espera pela estreia no foyer do cinema; e o grand final. Há muitas outras também boas, e muitas outras em que tive literalmente de tapar os olhos.

Um filme sobre a II Guerra Mundial mas que lhe inventa outro fim e outros meandros, um filme que mistura factos com ficção e pessoas com personagens, um filme cheio de diálogos bons e muitíssimo bem escritos, um filme em que os pormenores imperam bem ao estilo de Tarantino. Resumindo, um filme sobre um período tão negro e em que consegui rir-me às gargalhadas sem me sentir mal por isso.