15 de março de 2011

A minha Babá

Nasceu a 15 de Março de 1924 e morreu a 30 de Setembro de 1997. Naquele que, posso assegurar, foi até hoje o dia mais triste da minha vida.

Mas, pelo meio, foi a minha avô. E, apesar de não gostar que lhe chamássemos avó (para nós, sempre foi a Babá), foi a melhor avó que se pode ter tido. Ao longo dos meus primeiros 23 anos, acompanhou todos os meus passos. Foi ela (em conjunto com o Vôvô) que me transmitiu o gosto pelas letras, foi ela que me ensinou inglês e francês, foi ela que me incutiu o amor pelos animais (admito que, nela, por vezes ultrapassava o razoável...), era ela uma das pessoas que vivia mais intensamente todos os meus fracassos e sucessos.

Tinha um gosto incrível pela vida, tinha muitas amigas e amigos, adorava viajar, não desistia perante as contrariedades e só uma morte tão fulminante como um aneurisma conseguiu levá-la tão cedo. Dela (e do Vôvô), herdei a capacidade de trabalho mas também uma miopia nada modesta e algum autoritarismo. Mas não me importo. Feito o balanço, agradeço-lhe ter contribuído para eu ser aquilo que sou, ter sido uma presença tão forte na minha infância feliz e, acima de tudo, ter-me deixado uma mãe que adoro mais do que ela própria imagina.

No dia em que terminei o curso os meus avós deram-me uma medalha gravada: «Amor. Alegria. Optimismo. Perseverança.» Penso nestes valores todos os dias. E na minha avó também.

8 comentários:

João disse...

a análise do passado cheia de emoção e afecto mas sempre serena e rigorosa,é próprio de personalidades fortes

sininho disse...

nós e as nossas avós... nunca tenho palavras suficientes!

papoila disse...

Que sorte!
Tenho imensa pena de não ter recordações dessas...só conheci uma das avós que não era especialmente meiga portanto quando vejo/leio escuto falar dos avós com tanta ternura fico sempre um pouco triste.
Bonita homehagem.

Vespinha disse...

E que pena tenho de não a ter ainda junto de nós... mas olho para ela todos os dias na minha estante de livros. :)

Mary disse...

Lembro-me muito dela, acreditas...? E da medalha que recebeste quando acabaste o curso. E da alegria dela (de todos, aliás) quando, poucos dias mais tarde, também eu acabei o curso.

Sinto-me uma privilegiada por ter privado com a Babá e com o Vovô :-)

Vespinha disse...

Ambos foram pessoas que não deixaram ninguém indiferente, cada um à sua maneira! :)

Que sorte tive por tê-los como avós, que pena tenho por tê-los perdido tão cedo...

Leana disse...

Maravilhosa a forma como descreves os teus avós (não resisti a ir ler o texto que escreveste do teu avô), o teu amor por eles está patente em cada uma das tuas palavras.
Estou certa que eram pessoas incríveis... :)

Vespinha disse...

Eram mesmo...