1 de setembro de 2014

Como ninguém comentou...

... tenho de repetir aqui a partilha de um vídeo deste rapaz, Mareks Radzevicz, que em Estocolmo, na Drottninggatan, serenou o final de quase todos os meus dias a tocar o seu violoncelo. Apetecia ficar a ouvi-lo durante horas.



16 comentários:

CAP CRÉUS disse...

:-)
Está muito porreiro e com musica mais comercial, as pessoas interessam-se mais.

Ana Chagas disse...



Eu gosto muito de alguns músicos de rua. E este rapaz merece bem o bilhete de entrada nessa categoria.
Às vezes penso para com os meus botões, que adoraria dominar um instrumento, quiçá violino, e que se o fizesse também iria partilhar melodias com quem passasse. :)

Vespinha disse...

Pois, e é essa mistura entre temas comerciais e música clássica que é interessante. Na rua havia gente de todas as idades a ouvi-lo. :)

João disse...

Essa treta de que música comercial com música clássica mistura bem é o tipo de coisa que me faz duvidar da humanidade.

Para além do mais, tocar um violoncelo não significa imediatamente música clássica. Acho que é óbvio e não perceber isso é uma falta de respeito aos compositores clássicos, que pensando em Mozart e Beethoven, estamos a falar do Olimpo da composição musical. Merecem um bocado mais de consideração, essencialmente Beethoven por toda a sua forte convicção.

O que ele (Mareks Radzevics) está a fazer é como pegar numa guitarra e tocar as mesmas músicas, que continuam a ser uma bela porcaria de qualquer das maneiras. E há montes de gente a fazer isso com guitarras e qualquer criança de cinco anos poderia fazer isso, com o mínimo de formação musical. Portanto mérito nisto é inexistente.

Se ele estivesse a tocar algo de decente, admirava, como muitos outros, e tendo em conta o instrumento que toca, tinha possibilidades para tocar algo muito mais interessante.
Se ele tocasse uma suite de JS Bach, de forma correcta, haveria gente a parar na mesma, porque melodicamente é muito mais interessante do que um sol ré dó si sol ré dó lá. E se calhar se ele tivesse capacidade para isso, talvez integrasse uma orquestra.

Essas pessoas que estavam a ouvir essa música, tal como as pessoas que a fizeram são, nas imortais palavras de Bill Hicks - "Ballless, soulless, spiritless, corporative little b******s, suckers of satans c*** each and everyone of them!"

Tudo tapado por marketing intenso em que a mesma coisa é vendida e revendida com etiquetas diferentes que envia as pessoas para um estado de quase adormecimento creativo/intelectual.

Mas obviamente que a minha opinião não interessa aqui, porque o mundo é lindo.

Vespinha disse...

Caro João, respondo-lhe por pontos porque o seu comentário é longo:

- duvido da humanidade em muitos aspetos, alguns bem mais graves e outros bem mais prosaicos do que o refere. Duvido porque vejo violência gratuita todos os dias, má educação, falta de civismo. Não porque haja quem goste de um tipo de música diferente dos meus gostos;

- não pretendi desconsiderar Beethoven, Bach ou todos os deuses que refere, nem sequer fazer comparações. Apenas dizer que passei ali bons bocados;

- não me revejo nessa classificação toda entre aspas que faz das pessoas que ali estavam a ouvir aquela música. Aliás, acho um insulto aquilo que disse e um reflexo de falta de tolerância;

- o mundo não é sempre lindo, mas pode ser lindo às vezes se o soubermos apreciar e se não estivermos sempre a criticar só pelo prazer de o fazer.

João disse...

Cara Vespa,

A minha questão não se prende com gostos diferentes, dado que em nenhuma parte me referi aos seus gostos musicais em particular.
Referi-me de forma muito específica à questão de mistura de música comercial com música clássica e expliquei, claramente, a meu ver, que o instrumento que se toca não define aquilo que se toca. Não houve ali nada de clássico e sequer ventilar essa possibilidade, na minha opinião, desvaloriza de imediato grandes artistas clássicos, pois denota uma incapacidade de distinguir duas coisas diferentes.
Como vê, aqui não há nenhuma crítica ao seu gosto musical.

Bom para si (no bom sentido e não no sentido sarcástico) que tenha passado ali bons momentos. Ainda bem.

Onde eu eventualmente posso ter feito uma critica directa a si foi precisamente na citação que fiz. Porém, deixei o nome do autor da citação para que, se tivesse curiosidade, pudesse pesquisar o contexto da afirmação e perceber mais profundamente o que queria dizer. Bill Hicks era um comediante e obviamente a frase é um excesso estilístico normal de um comediante que reflecte um ponto mais profundo. Mas bem, obviamente não tem a obrigação de saber nem de procurar, apenas pensei, erradamente, que perante tal excesso de vocabulário tivesse curiosidade.

A minha crítica mais dura, está no facto de um violoncelista que, pelo que encontrei dele, até toca peças clássicas e sabe, portanto, a diferença entre coisas boas e coisas.. não tão boas, ter de tocar essas coisas não tão boas para que as pessoas parem e olhem para ele. É triste e é revelador.
Revelador de uma sociedade que valoriza mais a imagem do que o valor intrínseco de algo. Valoriza mais a mesma coisa em roupas diferentes, em vez de valorizar um artista pelo seu verdadeiro valor, obrigando-o a ter de se associar a algo inferior, quem sabe apenas para ganhar uns trocos.

Entendo que é de estranhar que seja sempre a mesma coisa a ter sucesso, mas em cores diferentes. A citação de Hicks que fiz refere-se exactamente a artistas que fazem anúncios para grandes marcas. Artistas que não têm pudor em associar a sua imagem artística a uma marca apenas por dinheiro independentemente dos valores (morais) pelos quais a marca se detenha. Fazendo com que a marca empreste também a sua popularidade a um artista criando um ciclo vicioso, onde quem fica de fora são todos aqueles que não querem entrar nesse mesmo ciclo. Mas isto daria para horas e o meu comentário já vai demasiado longo.

Finalmente eu não critico pelo prazer de o fazer. Critico pela necessidade de apontar situações que acho dissonantes das minhas convicções. Não vim criticar só porque ai meu deus vou incomodar pessoas e insultar gratuitamente. A critica visa apenas agitar consciências.
Há três anos que sigo este blog. Não concordo com 70 por cento do que escreveu nestes três anos e nunca me pronunciei acerca de nada. Se fosse pelo prazer de criticar tinha criticado. (Continuarei a seguir o blog porque só sigo dois blogs distintos apenas com o objectivo de observar e perceber a vida que diferentes pessoas têm, de uma forma bastante neutra e sem qualquer má intenção, fique descansada)

Lamento o comprimento do texto e espero que não seja demasiado secante.

Vespinha disse...

Caro João,

De facto ontem fui ler melhor a frase de Bill Hicks e, pelo que percebi, continuei a não gostar. Se calhar a minha consciência agita-se com coisas diferentes das que agitam a sua.

E se continua a seguir o meu blogue apesar de não concordar com a maioria do que escrevo, por algum motivo será, nem que seja por eu poder ser um «case study». :)

João disse...

Cara Vespa,

Tenho pena que não tenha enfrentado, ou pelo menos abordado, nenhum dos argumentos que apresentei e basicamente respondido passando ao lado dos mesmos. Mas enfim, em retrospectiva já seria de esperar e a vespa faz o que quer.

Relativamente ao que disse, gostaria apenas de apontar que o que é suposto agitar consciências é a crítica e não a frase de Bill Hicks. O que ele diz para mim é apenas engraçado porque é uma sátira de algo que é verdade.

Vespinha disse...

Caro João,

Achando-se tão intelectualmente superior (ou talvez apenas diferente) e achando-me a mim tão básica e previsível, sinceramente não sei porque perde o seu tempo aqui. A sério. É que há blogues que lhe devem agradar muito mais.

João disse...

Cara Vespa,

Uau.

Não sei de onde veio essa sua noção de que me acho intelectualmente superior.

Preciso de lhe explicar tudo o que digo. Eu disse que seria previsível após o seu primeiro comentário em resposta, onde não abordou, desde logo, nada de concreto, limitando-se àquilo que ofendeu a sua sensibilidade. Daí devia ter deduzido de imediato que não iria obter nenhum tipo de resposta intelectualmente estimulante e contribuísse para uma discussão interessante.

Mas bem, claramente a Vespa apenas tem aqui os comentários para que meia dúzia de pessoas venham concordar com o que diz e dizer o quão fantástica é a sua vida e como é maravilhoso misturar música clássica com música pop e como os livros que lê são fixes e como as coisas que faz são interessantes. Um comentário diferente, fora do normal, e já se diz ao comentador que basicamente vá ler outros blogues porque acha-se intelectualmente superior.

Mas bem, dizer-lhe e não dizer, é um desperdício de tempo porque, obviamente, a Vespa não percebe ou não quer perceber.

Vespinha disse...

Caro João,

Como bem sabe, o seu primeiro comentário aqui não foi apenas "diferente", porque com isso não me importo nada e até gosto, foi insultuoso, apesar de se esconder atrás de uma citação. Foi o João quem a citou.

É óbvio que se partilhei aqui os vídeos foi porque gostei deles, e não seria por o João os ter criticado que teria de listar os oitavos por que me agradaram.

E quando publico livros "fixes" e outras coisas que tais, não é para receber améns, mas para partilhar sobretudo coisas de que gostei, porque acho que também podem dar prazer a outras pessoas.

E não, a minha vida não é fantástica nem nada que se pareça. Tento é que as coisas boas que nela tenho se sobreponham às outras, porque só assim vale a pena estar aqui. Isto é que o João também não percebe ou não quer perceber.

E por mim termino a "conversa", precisamente porque as bad vibes quero-as longe.

João disse...

Whatever.

João disse...

Cara Vespa, whatever nunca seria suficiente, porque eu não sou um invertebrado de sangue frio e acho inacreditável a sua assunção da minha personalidade só porque "oh meu deus a citação".

Eu podia ter dado mil citações sobre o tema, mas dei aquela. É cómica, está carregada de ironia e simbolismo. Podia ter citado Chomsky, Dostoyevski, Tolstoi etc etc. "But I didn't expect the Spanish Inquisition" (embirre com esta também porque sei lá, ainda aparece aí a Inquisição Espanhola e manda-a para a fogueira ou assim)

Quando eu leio o nome do seu blog e o seu nickname, eu não parto do princípio que estou a falar com uma vespa (insecto ou mota) e não parto do princípio que a vespa está a abrandar fisicamente deslocando-se mais devagar. Acho que isto é óbvio.

Acho que também é óbvio que ninguém faz sexo oral com o diabo. Toda a gente tem espírito. Toda a gente tem alma etc etc. Também acho que é óbvio.

Eu não sei que idade a vespa tem, mas pressuponho que tenha entre cinco a dez anos mais do que eu pelo que, ponho de parte a hipótese de ter ficado escandalizada com a citação. Se fosse a minha mãe que é profundamente católica e temente ainda compreenderia a celeuma.

A minha opinião de que apenas tem aqui os comentários para estimular o seu ego mantém-se. Porque repare, eu argumentei o meu ponto de vista essencial (a falácia da mistura de música clássica com música comercial) e defendi-o e a vespa nunca o atacou e foi isso que eu lamentei. E a Vespa lembrou-se e sugeriu que eu me achava intelectualmente superior e que deveria ir ler outras coisas. Para além do mais, na sua primeira resposta fez logo um reparo passivo-agressivo dizendo " o mundo não é sempre lindo, mas pode ser lindo às vezes se o soubermos apreciar e se não estivermos sempre a criticar só pelo prazer de o fazer.", implicando que eu não sei apreciar nada e só critico pelo prazer de o fazer. Nem sequer abordei esta frase porque achei-a de mau gosto e demonstrativa de uma presunção incrível. Porque daí do seu lado deve ter uma bola de cristal que lhe diz que eu não tenho mais nada do que fazer e que a minha vida se resume a implicações e felicidade por criticar. Mas bem, ignorei pelo bem da discussão. Até a congratulei por ter passado bons momentos lá com o violoncelista.

João disse...

Mas de nada serviu porque a vespa limitou-se a embirrar com uma citação de forma infantil. Embirrou com um pormenor tão patético como esse, apesar de eu ter explicado uma e outra vez, que é só uma citação de um comediante.

Respondendo ao seu comentário em concreto. Eu sei que a vespa não percebeu mas eu nunca critiquei os vídeos mas sim a afirmação que fez de que "...mistura entre temas comerciais e música clássica que é interessante". Não escondi a meu desgosto pelas músicas reproduzidas, é verdade, mas at+em reconheci mérito ao artista por ele ser capaz de tocar outras peças mais sérias. Portanto quanto a isso tenho a dizer que tem de aprender a ler. Eu nunca lhe pedi para me explicar porque gosta dos vídeos.

Basicamente a vespa partilha coisas que gosta e que não gosta (porque também tem muitos posts de coisas que não gosta, nomeadamente, política) e se eu tiver uma opinião a favor é ok. Se eu tiver uma opinião contra, mas insípida (do género "não gostei muito") ok. Mas se tiver uma opinião contra e for veemente no meu argumento...

O seu penúltimo ponto, é um bocado indiferente e já me contive muito para não dizer o que vou dizer a seguir, mas eu tenho gatinhos e quando a vespa tem uma fofinha doente e decide ir de férias na mesma, para mim é chocante e não é de alguém que queira dar valor às coisas boas. Principalmente tendo em conta a quantidade de coisas que "posta" no seu blog acerca de animais, aliás, uma das razões que me fazem acompanhar este blog com atenção.

Portanto, desista de me atacar e considerar um anticristo (bad vibes) que só está aqui para infernizar a vida dos outros. Já chega. Eu expus uma ideia. Defendi-a e recebi inicialmente falsas respostas e depois ataques disfarçados embutidos em respostas incongruentes. Nunca a insultei nem nunca fiz juízos de valor sobre si, portanto não me avalie só porque não gostou do que eu disse, pode ser? Porque se a conversa tomou um rumo errado, a culpa foi inteiramente sua.

De minha parte. Case closed.

P.S. - Também não venha com a conversa de que só venho aqui responder porque não tenho vida. Isto são cinco minutos em dezassete horas de tempo acordado.

Vespinha disse...

Deixá-lo-ia com a última palavra e com a sua verborreia para a qual sinceramente já não tenho pachorra, porque diz-se e desdiz-se num fósforo, não fosse ter tocado num ponto em que, como bem sabe, sou particularmente sensível. E por isso mesmo tocou nele.

Se fui de viagem e considera chocante ter deixado cá a minha gata em recuperação, não sabe mesmo NADA do que está a falar. Porque não sabe as condições em que ela estava, as condições em que fui, quem ficou responsável por ela e o que ficou acordado com o veterinário. Não sabe NADA. Não o conheço, mas espero que faça pelos seus bichos pelo menos o mesmo que eu faço pelas minhas há 11 anos. Tudo.

E pode continuar com os insultos e acusações à sua vontade, que os comentários continuarão abertos para quem quiser elogiar ou criticar. E eu terei sempre o direito de responder.

João disse...

Dizer algo não torna as coisas verdade. É tudo o que lhe tenho a dizer. Digo e desdigo. Onde?

Não sei nada? Por acaso até sei. Você mesmo referiu que o seu veterinário disse que foi pontecialmente prejudicial.
E sei do que estou a falar. Dias antes postou uma foto da sua gatinha ao seu colo com a legenda (mais ou menos isto) "Agora todos os dias de manhã é isto antes de ir trabalhar". Eu compreendo que temos de viver a vida e os animais de estimação são uma dificuldade que pode ser lidada, deixando com outra pessoa, num hotel para animais etc. Mas é sempre mau para eles, como sabe, e muito mais stressante para um gato que, em si, está numa situação stressante. Até podia ter deixado no paraíso e ia ser mau na mesma e incompreensível para mim. Não lhe adianta bater no peito com os 11 anos blá blá. Factos são factos.

Insultos. Onde?

Onde? Era isso que eu gostava que a Vespa tivesse coragem de me dizer e apontar. Porque para si é fácil fazer ataques "ad hominem" e afirmar que são verdade e tentar-me desvalorizar com pontos laterais ao meu comentário inicial.

Já da sua parte, eu acho-me intelectualmente superior, eu não percebo que há coisas boas, sou "bad vibes", critico só pelo prazer de o fazer.

É claro que sei que lhe é sensível. Embora para mim também é sensível, porque a vespa não tem a patente da sensibilidade. E já que insistiu em insinuar que eu sou apenas o mercador da tristeza e tragédia porque tenho especial prazer em encontrar pessoas que possa achincalhar enquanto vivo no meu covil desprovido de luz beleza e felicidade, e que você é que sabe apreciar e valorizar as coisas boas da vida, apenas quis notar que a Vespa tem telhados de vidro que eu quis partir por já estar relativamente farto de ver uma pessoa fugir do assunto a inventar convenções sobre que está deste lado apresentando um discurso com variedade lexical e considerável fluência, vazio de ideias concretas.

A última palavra não interessa. O que interessa é que qualquer pessoa que leia isto de forma independente percebe que a Vespa limitou-se a esgueirar sem argumentos e atacando-me passivamente com insinuações sobre mim.

Isto é trágico-cómico.

Até me apontar onde é que insultei (sem a citação, porque isso é uma falácia que só revela a sua incapacidade de encaixar algo fora do normal) e onde é que me digo e desdigo, nem sequer lhe reconheço intelectualidade para ter opinião sobre o que quer que seja.

Acho muito bem que responda. Pena que nunca o tenha feito.