21 de março de 2017

Um otimista na América, de Italo Calvino

Há tanto tempo que não lia nada de Calvino que já mal me lembrava de que era tão bom.

No final dos anos 50 e início dos anos 60, graças a uma bolsa da Fundação
Ford, Calvino passou seis meses nos Estados Unidos da América, deambulando por vários estados tal como tantos (incluindo eu) sonham.

Nova Iorque foi a sua cidade de eleição, e aquela onde passou mais tempo, mas Calvino partilha connosco também as suas impressões sobre Chicago, Detroit, Cleveland, Los Angeles, São Francisco, Boston, Nova Orleães e Savannah.

Sempre com um espírito positivo, descreve as cidades, a sua geografia, a sua arquitetura e sobretudo as suas gentes. Mas há algo que registou há 50 anos, quando regressou a Nova Iorque para terminar a sua viagem, que tomara a nós se verificasse em alguns casos nos dias de hoje:

"Estive fora dois meses e já não reconheço os lugares: casas que não havia antes, perspetivas que desapareceram. Contudo aqui não se sente o mesmo que em Itália. Porque entre nós quem vê surgir um feio edifício para especulação tem uma sensação de embrutecimento definitivo, sabe que irá tê-lo diante dos olhos toda a vida, que o verão os seus filhos e os seus netos. (...) Mas fica sempre esta consolação: à provisoriedade do belo corresponde a provisoriedade do feio; uma casa feia dura pouco, trata-se apenas de aguardar."

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