13 de julho de 2017

Cuidar dos vivos, de Maylis de Kerangal

Simon tem 19 anos, é um jovem ativo, faz surf e gosta de se divertir. Numa madrugada bem cedo, ao regressar da praia com os amigos sem o cinto de segurança colocado, um acidente mergulha-o num coma profundo e irreversível de que nunca acordará. É a morte cerebral, em que o corpo vive mas a cabeça já não.

Este livro, passado em 24 horas (a contar mais ou menos da hora do acidente) debruça-se sob o tema da doação de órgãos e de como é difícil propô-la a alguém e, do outro lado, aceitá-la. A partir das 17h30, quando os pais finalmente dão o sim ao transplante do coração, pulmões, rins e fígado, uma engrenagem entra em funcionamento, para salvar quatro vidas espalhadas por França. Dá-se início à preparação do jovem, à vinda dos cirurgiões, à retirada dos órgãos e finalmente, às 23h50, à paragem do coração, o último órgão a ser retirado e o primeiro que terá de ser implantado, logo na madrugada que se seguiu ao acidente.

A autora consegue descrever de forma direta e precisa todos os procedimentos, ao mesmo tempo que de modo exemplar penetra nos pensamentos dos médicos, dos pais de Simon e até da recetora do coração, numa série de considerações que qualquer um de nós faria nas mesmas circunstâncias. Um livro bem duro mas muito bom.

Nota: Sei que o livro foi passado a filme, tendo estado até há muito tempo nos cinemas. Infelizmente já não o consegui apanhar, mas deixo aqui o trailer.


6 comentários:

Maggie F. disse...

Parece muito interessante. Felizmente que (ainda )nunca tive de autorizar tal coisa. Deve ser uma dor enorme.

Beijinho


Maggie

Vespinha disse...

Se deve... Que Deus nos livre de um peso desses...

Cristina Torrão disse...

Um tema duro e polémico. Não sei se conseguia ler o livro, ou ver o filme, mas é um assunto que me aflige, também no que toca aos próprios órgãos. Devo assinar uma autorização de doação, caso tenha um acidente semelhante? Não consigo decidir...

Vespinha disse...

Julgo que cá à partida somos todos dadores, a não ser que expressemos a vontade contrária...

Cristina Torrão disse...

Na Alemanha, só é dador quem possuir autorização para tal, assinada pelo próprio, a chamada "identificação do dador". Quem não possui essa autorização, é a família que decide. Quem não se incluir em nenhum destes casos, penso que não é considerado dador e não é permitido retirar-lhe órgãos. Mas quem sabe...
Há pouco anos, houve um escândalo neste país à custa da doação de órgãos, mas era mais relacionado com listas de espera. Parece que havia gente que, pagando ou coisa parecida, passava à frente :(

Vespinha disse...

O dinheiro acaba por comandar tudo... :(