Quantas vezes fui apelidada assim. Mas não, não sou maluquinha «apenas» dos animais, sou maluquinha da vida. E eles fazem parte dela, da minha vida.
Eu tenho plena consciência de que a Vespa, a TT e a Loba são animais e não crianças nem minhas filhas, mas nem por isso deixam de fazer parte da minha família. Por isso as trato como tal, como animais, no seu lugar: alimento-as bem, cumpro religiosamente o plano de vacinas, levo-as a fazer exames regulares e, acima de tudo, passo com elas o máximo de tempo que posso, mas não as deixo ir para cima da mesa comer da minha comida, não as beijo na boca, dou-lhes uma palmada se afiarem as unhas onde não devem, não as trato como crianças. Com tudo isto sei, sem qualquer dúvida, que sentem amor por mim tal como eu sinto amor por elas.
Não é de todo o mesmo amor que sinto pelos meus irmãos, pelos meus pais, pelos meus tios e primos e por alguns amigos. Mas é um amor na mesma, e grande.
Com a Vespa e com a TT já vivi 12 anos, um pouco menos de um terço da minha vida, com aqueles dois seres sempre à minha espera quando abro a porta de casa. Estiveram ao meu lado em momentos muito bons e, nos maus, aproximaram-se ainda mais, com uma espécie de compreensão calada que nunca conseguirei explicar. Quantas vezes já me fizeram esboçar sorrisos quando estava triste. Quantas vezes me curaram insónias ao som do seu ronrom. Quantas vezes já se vieram roçar nas minhas pernas quando perceberam que eu chorava.
Adoro animais, e espero podê-los ter sempre ao meu lado independentemente das voltas que a minha vida der. Porque farão sempre parte dela.