27 de abril de 2011

Não podendo comprar, olha-se


Eu gostei de ficar a conhecer o design industrial português com sucesso internacional: os caiaques Nelo, os móveis Cerne, o papel Renova, a louça Vista Alegre e Spal, o calçado Fly London, as garrafas de gás Pluma...

Mas não gostei nada de:
- ouvir os assistentes da exposição Ordem de compra a comentar entre si alguém com quem trabalham;
- ter de subir por uma espécie de andaimes montados dentro do Palácio Quintela para poder ver todas as peças. Sim, é moderno. Mas não, não transmite segurança nenhuma. E acabei por não conseguir subir ao último piso;
- ver peças com uma legendagem tão deficiente que muitas vezes não consegui perceber o que eram.

Valha-nos o site do projecto, onde se pode aceder a todas as peças, classificadas por tipologia e empresas. A ideia é boa. Mas foi mal concretizada.

25 de abril de 2011

Brandos costumes

Fotografias de Alfredo Almeida Coelho da Cunha.

E, para variar, duas imagens do dia 25 de Abril de 1974 sem tanques mas muitíssimo representativas. Foi há 37 anos que o país se começou a libertar. Espero que o dia de hoje nos relembre que, apesar de tantas convulsões, nunca valerá a pena regressar ao passado.

24 de abril de 2011

Eu e a cozinha

Eu não gosto de cozinhar. Na verdade, não sei se não gosto porque não sei ou se não sei porque não gosto.

A minha mãe bem tem tentado incentivar-me, deu-me os mais belos livros de receitas que se pode dar a alguém (receitas selecionadas e copiadas pela sua própria mão) e está constantemente a querer partilhar comigo os cursos de cozinha que vai fazendo e a dar-me a provar as melhores receitas que vai aprendendo.

E o facto de viver sozinha e de não ter obrigação de fazer refeições também não ajuda nada. Uma piza serve sempre, uma sopa feita pela Amália também, uma sandes de queijo fresco seguida de um crepe de chocolate belga cai na perfeição.

Por isso, tornei-me fã das conservas da Tricana, que me permitem variar um bocadinho e comer algo um pouco mais saudável. Ou, pelo menos, um pouco mais tradicional. Atum, sardinhas, bacalhau ou lulas passaram a fazer parte da minha dieta. E eu, a ter de cozinhar, é só o arroz ou umas batatas cozidas.

Há dias, fiquei ainda mais maravilhada ao descobrir que os invólucros de papel que cobrem as latinhas das conservas são colocados à mão! Por uma senhora que, num canto da Conserveira de Lisboa, as embrulha uma por uma, aos milhares, que podem ser vistas numa visita que aconselho.

Fotografia de Cláudia Varejão.

23 de abril de 2011

Ironia

E hoje, no dia mundial do livro, compro o primeiro audiolivro da minha vida. Mas apenas, e sublinho, apenas, porque são textos narrados pelo meu escritor português preferido de sempre, Vergílio Ferreira. E porque sei que de outro modo nunca poderia voltar a ouvir a sua voz.


17 de abril de 2011

Queria mais

É uma das melhores séries policiais que tenho visto nos últimos anos. Com casos impressionantes, cenas fortíssimas, finais inesperados, personagens coerentes e extremamente bem interpretadas. Passada numa Londres moderna, falada com um sotaque grave e totalmente british, povoada por viaturas comuns sem glamour nem perseguições estonteantes.

Luther (Idris Elba) é um inspector da polícia perspicaz mas violento, com uma vida pessoal perturbada. Alice (Ruth Wilson) é um caso resolvido mas não provado, que o persegue para o bem e para o mal. Pelo meio, as histórias e mais meia dúzia de personagens que acompanham bem as primeiras.

A banda sonora, não posso deixar de falar dela: Muse, Massive Attack (no genérico), Sia, Beck, Suede... espero sempre pelo final de cada episódio para ver qual a pérola que foi escolhida. E nunca me desiludo.

Mas a série Luther (diria antes, mini-série) tem um grande/enorme defeito: tem apenas 6 episódios. E deixa-nos com vontade de ver muitos mais.

15 de abril de 2011

55

Horas efectivamente trabalhadas esta semana, ainda sem contar com o dia de amanhã.

E não há meio de esta Vespinha abrandar...

31 de março de 2011

Aliviada

Depois de 16 anos sem ter falhado uma única eleição, foi com um apertozinho no estômago que esperei pelo anúncio da data das próximas legislativas. Ontem, com medo que fossem a 29 de Maio (quando vou estar em Londres), ainda enviei uma mail para a CNE a perguntar se poderia votar à distância. Que disparate... só:

a) Militares, agentes militarizados e civis integrados em operações de manutenção de paz, cooperação técnico-militar ou equiparadas;

b) Médicos, enfermeiros e outros cidadãos integrados em missões humanitárias, como tal reconhecidas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros;

c) Investigadores e bolseiros em instituições universitárias ou equiparadas, como tal reconhecidas pelo ministério competente;

d) Estudantes inscritos em instituições de ensino ou que as frequentem ao abrigo de programas de intercâmbio;

e) Eleitores doentes em tratamento no estrangeiro, bem como os seus acompanhantes.


Num país onde já se usa quase exclusivamente a Internet para tudo (ao ponto de haver tantos extremismos que todos conhecemos), ainda não inventaram um meio de podermos cumprir o nosso dever cívico sem nos deslocarmos pessoalmente ao local onde estamos recenseados.


Felizmente alguém teve a ideia de marcar as eleições para dia 5 de Junho. E assim ainda não é desta que peco como cidadã.

29 de março de 2011

A aprender

Foi com grande sentimento de culpa que no sábado não fui trabalhar para ir a um workshop de Diários Gráficos no MapDesign, conduzido pelo Eduardo Salavisa. Meia hora depois de começar já me tinha passado a culpa. E alguns dos resultados deste primeiro dia de experiências são estes:

Mal posso esperar para ter tempo para começar a encher mais folhas do meu caderno.

28 de março de 2011

Para variar

Intervalo no caos de trabalho que é a minha vida neste momento para aplaudir o Pritzker hoje atribuído a Souto Moura. Numa época em que só se fala de política e de futebol, receber boas notícias no campo da arquitectura é uma verdadeira lufada de ar fresco.

Moradias unifamiliares, Ponte de Lima.

Estádio Municipal de Braga.

Casa das Histórias, Cascais.

22 de março de 2011

Em campanha

E porque nem todos os meus leitores têm acesso ao meu Facebook, um apelo ao voto nos meus sapatinhos vermelhos. A competição pelos "Cutest shoes" está renhidíssima e o prémio é um iPad novinho em folha. Em troca dos vossos votos, comprometo-me a publicar muito mais tópicos... é que escrever sentadinha no sofá com o iPad ao colo será muito mais prático e inspirador!


O que têm a fazer é aceder a este link aqui. E depois fazer Like na página do perfil da ThisNext, fazer Like nos meus sapatinhos vermelhos e deixar lá um comentário.

Só para satisfazer a curiosidade: esta fotografia foi tirada com o telemóvel num domingo de manhã nas arcadas do Terreiro do Paço, há cerca de um ano. De repente olhei para o chão e pensei: que perspectiva tão gira. Mal sabia que um ano depois estaria a divulgar uma imagem esquecida no meu telemóvel.

Ainda a propósito de bicicletas e de pais e filhas...

... um dos filmes de abertura ontem na Monstra (Festival de Animação de Lisboa), de Michael Dudok de Wit. «Father and daughter», uma história triste mas muito bonita.

19 de março de 2011

A quem me ensinou um dos maiores prazeres da vida

Que sorte tenho por saber andar de bicicleta! E que sorte tenho por ter um pai que me ensinou a andar de bicicleta! E que sorte tenho por ter um pai que tantas vezes nos levou pela serra de Sintra e pelo Guincho em passeios de bicicleta! E que sorte tenho por ter um pai que já me acompanhou em tantos belos dias por cidades do mundo também de bicicleta!

Ao meu pai, o meu mentor da bicicleta (entre muitas outras coisas), oferecemos hoje este livro.

Espero que pela frente ainda tenhamos, juntos, muitos outros passeios de bicicleta.

18 de março de 2011

Uma de cada, por favor

São absolutamente lindas as novas chávenas que a Nespresso se prepara para lançar, numa declinação feita a partir do design das cápsulas. Costumo ser decidida, mas desta vez não consigo escolher. Uma de cada, por favor.

15 de março de 2011

A minha Babá

Nasceu a 15 de Março de 1924 e morreu a 30 de Setembro de 1997. Naquele que, posso assegurar, foi até hoje o dia mais triste da minha vida.

Mas, pelo meio, foi a minha avô. E, apesar de não gostar que lhe chamássemos avó (para nós, sempre foi a Babá), foi a melhor avó que se pode ter tido. Ao longo dos meus primeiros 23 anos, acompanhou todos os meus passos. Foi ela (em conjunto com o Vôvô) que me transmitiu o gosto pelas letras, foi ela que me ensinou inglês e francês, foi ela que me incutiu o amor pelos animais (admito que, nela, por vezes ultrapassava o razoável...), era ela uma das pessoas que vivia mais intensamente todos os meus fracassos e sucessos.

Tinha um gosto incrível pela vida, tinha muitas amigas e amigos, adorava viajar, não desistia perante as contrariedades e só uma morte tão fulminante como um aneurisma conseguiu levá-la tão cedo. Dela (e do Vôvô), herdei a capacidade de trabalho mas também uma miopia nada modesta e algum autoritarismo. Mas não me importo. Feito o balanço, agradeço-lhe ter contribuído para eu ser aquilo que sou, ter sido uma presença tão forte na minha infância feliz e, acima de tudo, ter-me deixado uma mãe que adoro mais do que ela própria imagina.

No dia em que terminei o curso os meus avós deram-me uma medalha gravada: «Amor. Alegria. Optimismo. Perseverança.» Penso nestes valores todos os dias. E na minha avó também.

12 de março de 2011

Quem estará verdadeiramente «à rasca»?

Muito se tem dito e escrito nos últimos dias sobre a iminente manifestação da geração «à rasca». Eu não digo nem escrevo nada, porque nada tenho a dizer ou a escrever.

E hoje, mais ainda do que ontem ou anteontem, consigo definir o que é um povo «à rasca»: um país que sofreu um valente sismo, um avassalador tsunami e uma potencialmente perigosa explosão numa central nuclear. Tudo isto ainda sem as consequências devidamente medidas.


Cada vez mais acredito na necessidade de relativizar.

8 de março de 2011

Na dúvida

Há uma coisa que acho particularmente desconcertante no Carnaval: passar por certas pessoas na rua e não perceber se estão mascaradas ou se é o seu estilo normal. E não, não estou a ser irónica.

2 de março de 2011

Não me chamem, por favor

É sempre assim nesta altura do ano. Ouço o meu nome tantas dezenas de vezes ao longo do dia que já não o suporto.

27 de fevereiro de 2011

Eu mereço ir para o céu...

... depois de hoje ao fim da tarde levar o meu sobrinho a ver isto, «um espectáculo para toda a família»:

Mas é de boa vontade e até fui eu a ter a ideia. Na verdade, ele nem sabe ao que vai até chegar à porta do Pavilhão Atlântico. Espero (mesmo, mesmo, a sério, a sério) que goste.

23 de fevereiro de 2011

Úteis

Como eu raramente guardo rancores, para compensar a minha bicicleta por me ter obrigado a andar 3 km a pé depois de um pipo partido, arranjei-lhe hoje dois acessórios imprescindíveis para os meus passeios citadinos. Para estrear já no próximo sábado.

20 de fevereiro de 2011

Ernestina, de Rentes de Carvalho

Que vergonha tenho de nunca ter ouvido sequer falar deste escritor, já com 80 anos, já com tantos livros publicados e, acima de tudo, que escreve tão bem. J. Rentes de Carvalho nasceu em Vila Nova de Gaia em 1930 mas vive na Holanda desde meados dos anos 5o, onde se pode dizer que é o escritor português mais conhecido, comprovado pelos inúmeros best sellers que por lá tem publicado. Por cá, é precisamente o contrário.


Apesar de não perceber o porquê deste desconhecimento, acredito que a partir de agora será diferente, uma vez que nas mãos da Quetzal os seus livros serão certamente bem tratados. Graças à minha priminha, eu comecei por ler Ernestina, um romance autobiográfico que começa em finais do século XIX e decorre até meados do século XX. Um romance que percorre o Portugal mais profundo de Trás-os-Montes, através de serras e vales, contando uma história de pobreza e miséria, de um Portugal que parece já não existir, em que se demorava um dia inteiro para ir de Mogadouro ao Porto. Um história de gente rude e bruta mas também de afectos, a história de seus avós, de seus tios e pais, narrada sempre de um modo directo, simples e comovente.

Para quem queira conhecer melhor o autor, clicar aqui. E para quem queira acompanhar o seu blog, Tempo contado, aqui.

Com sacrifício... - The real toy story, por Micgael Wolf



Mais imagens da série The real toy story aqui. Michael Wolf retrata operários em fábricas de brinquedos chinesas. Fazer brinquedos não é uma brincadeira.

Com talento... - Real fake art, por Michael Wolf


























Mais imagens da série Real fake art aqui. Verdadeiros artistas de imitação posam para Michael Wolf com as suas obras de arte. Afinal, Van Goghs e Picassos há muitos.

10 de fevereiro de 2011

Com zoom... - Transparent city, por Michael Wolf



Mais imagens da série Transparent city aqui. Um pouco de voyeurismo não faz mal a ninguém. Aqui, Michael Wolf passa de Hong Kong para Chicago e faz um zoom à privacidade de cada um de nós.

7 de fevereiro de 2011

Sem foco... - Architecture of density, por Michael Wolf

























































































Mais imagens da série Architecture of density aqui. Fotografias captadas em Hong Kong em que Michael Wolf isola os arranha-céus sem fim da sua envolvência, focando apenas a repetição de padrões que lhes é característica . Quantas vidas esconderão estas paredes?

6 de fevereiro de 2011

Sem ar... - Tokyo compression, por Michael Wolf



























Mais imagens da série Tokyo compression aqui. Instantes asfixiantes das carruagens apinhadas do metro de Tóquio. Michael Wolf capta rostos cansados, de olhos fechados, alheios a tudo o que não seja a necessidade de respirar.

Saber olhar com outros olhos

Descobri recentemente o trabalho deste fotógrafo. Michael Wolf é alemão, cresceu nos Estados Unidos e Canadá mas desenvolveu quase toda a sua carreira na Ásia. Fascinou-me a sua capacidade de ver com outros olhos, de conseguir classificar e arrumar as coisas em gavetas, de retratar cidades no seu melhor e no seu pior e de, simultaneamente não esquecer os seres humanos que nelas vivem. Estas são as minhas séries preferidas, que aqui destacarei nos próximos dias:

- Tokyo compression: imagens asfixiantes das carruagens apinhadas do metro de Tóquio. Wolf capta rostos cansados, de olhos fechados, alheios a tudo o que não seja a necessidade de respirar.

- Architecture of density: série de fotografias captadas em Hong Kong em que Wolf isola os arranha-céus sem fim da sua envolvência, focando apenas a repetição de padrões que lhes é característica . Quantas vidas esconderão estas paredes?

- The transparent city: um pouco de voyeurismo não faz mal a ninguém. Aqui, o fotógrafo passa de Hong Kong para Chicago e faz um zoom à privacidade de cada um de nós.

- Real fake art: verdadeiros artistas de imitação posam para Wolf com as suas obras de arte. Afinal, Van Goghs e Picassos há muitos.

- The real toy story: retratos de operários em fábricas de brinquedos chinesas. Quantas horas terão de trabalhar para produzir as figurinhas que nos chegam ao Ocidente a preços incrivelmente baixos?

5 de fevereiro de 2011

Esta é de filme

Eu sempre gostei bastante do Tio Patinhas e dos seus mergulhos numa piscina cheia de notas e moedas, mas até há pouco não tinha a mais pequena noção do que seria uma casa-forte. Sei que a do Banco de Portugal fica algures no Carregado, à prova de qualquer tipo de assalto. Mas agora tive a oportunidade de conhecer esta:

Inauguradas em 1964, as casas-fortes do antigo Banco Nacional Ultramarino eram verdadeiramente luxuosas, para combinar com as riquezas que guardariam. Construídas na cave da sede do banco, na rua Augusta, são de tal modo estanques e seguras que qualquer inundação na Baixa não as afectará. E a sua remoção implicaria alterações de fundo em todo o edifício. Agora, graças à presença do MUDE no local, parte das instalações foram abertas ao público, a propósito de uma exposição sobre sementes.

Eu acho que não se deve perder a oportunidade de visitar esta parte das antigas casas-fortes. Até porque, a avaliar pela espessura das portas, não haverá qualquer hipótese de entrar lá dentro a não ser que alguém no-las abra de livre vontade e com a combinação certa.

Estas imagens são apenas um appetizer, mais podem ser consultadas aqui. Ou directamente no local até 20 de Março, a sério que qualquer fotografia não lhe faz jus.