7 de junho de 2008

Paixão por casas (Le Corbusier, cités radieuses)

Gosto de casas, sobretudo de apartamentos. Isto é, de as conhecer. Não que seja daquelas pessoas que aos fins-de-semana vai ver casas só porque sim. Aliás, a última vez que fiz isso acabei com uma casa comprada. Mas gosto de conhecer casas de pessoas, mobiladas e já com alma.

Tantas e tantas vezes, vou na rua, olho para uma janela e quase tenho vontade de tocar à campainha para lá ir espreitar. Então quando ando em viagem a vontade é ainda maior. Porque adorava ter entrado em dezenas de apartamentos em Berlim, em Barcelona, em Moscovo, em Veneza. Na impossibilidade de lá entrar, folheio revistas de decoração e de arquitectura, e tenho uma série de livros só sobre apartamentos.

E, hoje de manhã, fui ao CCB ver uma exposição sobre Le Corbusier (1887-1965), por muitos considerado o maior arquitecto do século XX. Não sei se terá sido o maior, mas pelo menos um dos mais versáteis foi de certeza. Dele, vi pintura, escultura, mobiliário, papel de parede, capas de livros e de revistas, igrejas, pavilhões, sedes de instituições, casas e, claro, prédios de apartamentos.

Os que mais me impressionaram, pelo carácter funcional, foram as diversas unités d’habitation que projectou para Marselha (a mais conhecida), Rezé-Nantes, Berlim, Briey en Forêt e Firminy. As unités d’habitation, construídas após a II Guerra Mundial, são também chamadas de cités radieuses (por o conceito ser essencialmente o de concentrar uma pequena cidade em altura, com todos os serviços essenciais num mesmo bloco).

Para dar uma ideia, ao nível do rés-do-chão há apenas grandes pilares, para que a circulação se faça como se ali não houvesse qualquer edifício. A entrada para o bloco é feita pelos extremos. A cada x andares, há 1 ou 2 exclusivamente dedicados a comércio (mercearia, talho, cabeleireiro, padaria), acessíveis através de «ruas aéreas». No terraço, a cerca de 16 andares de altura, há uma piscina para crianças e um jardim infantil.

E as casas? Ah, pois, as casas… Nada de fantástico a nível de dimensões, nada do que se vê hoje com salas de 30 e 40 m2. Mas tudo extremamente funcional, com um aproveitamento do espaço incrível e muito eficiente (concebido para corpos humanos com 1,83 m). Desenhados como «garrafas numa garrafeira», isto é, construídos ao comprido e abarcando o edifício nas suas duas frentes (o que facilita a ventilação), cada apartamento tem dois pisos com cerca de 24 m de comprimento por 4 m de largura. Fora dos apartamentos, corredores escuros para desincentivar a «conversa» (o que poderia incomodar com o barulho) e portas de entrada muito bem iluminadas. Lá dentro, cozinha americana com triturador de lixo no lava-louças, fogão eléctrico e conduta de lixo (atenção, estávamos nos anos 50!). Ainda no andar de baixo, sala com pé direito elevado junto à janela, que comunica com o andar de cima. Lá em cima, os quartos. O das crianças, dividido ao meio por uma porta deslizante que une ou divide as áreas. Aberta, proporciona um espaço comum. Fechado, tem uma ardósia para escrever na parede.

Para quem quiser experimentar uma visita virtual, espreite http://maisonradieuse.org/visiter/visiter.html. Para ver fotografias, aqui: http://www.villes-en-france.org/histoire/Corbu13.html.
Vale bem a pena.

Que estranho...

... não sinto a euforia do Euro! Se calhar sou uma portuguesa desnaturada, mas acho que com tanta euforia colectiva estou a criar anticorpos!


6 de junho de 2008

Curiosidade sobre os dias da semana

Descobri que os nomes de alguns dias da semana (não como os dizemos, mas como dizem os espanhóis, os franceses ou os ingleses) estão ligados aos nomes dos planetas e astros que os babilónios conheciam. Veja-se:

- Lunes / Lundi - Lua (ou Monday - Moon)
- Martes / Mardi - Marte
- Miércoles / Mercredi - Mercúrio
- Jueves / Jeudi - Júpiter
- Viernes / Vendredi - Vénus
- Saturday - Saturno
- Sunday - Sol

Fonte: Uma pequena história do mundo, de Ernst H. Gombrich - tal como o nome indica, uma pequena história do mundo, escrita em linguagem muito simples e altamente recomendável. Felizmente, ainda vou na pág. 70, na antiga Grécia, e ainda tenho muito para aprender.

4 de junho de 2008

Afinal há justiça

Não escrevo isto por ser do Sporting, a sério. Mas o que e facto é que fiquei muito contente pelo facto de a comissão de disciplina da UEFA ter decidido suspender o FC Porto da Liga dos Campeões durante um ano. Porque, pela primeira vez desde há muitos anos, este clube e, sobretudo, os seus dirigentes, é verdadeiramente penalizado por tentativas de corrupção que toda a gente conhecia mas que ninguém tinha coragem de penalizar. E, seja o FCP, seja o SLB, seja o SCP, que isto sirva de exemplo - sobretudo agora em clima de Euro - para mostrar que as regras são para se cumprir e que jogos ganhos limpos terão com certeza outro sabor.

2 de junho de 2008

De negro por YSL

Não costumo ligar muito a estas coisas, mas foi com pena que soube hoje da morte do criador Yves Saint Laurent. Porque era excêntrico e atrevido, porque levou pela primeira vez mulheres negras para a passerelle, porque não teve medo de assumir a sua homossexualidade, porque deu um novo papel às mulheres no mundo da moda, nomedamente com a versão feminina do smoking e com a utilização das transparências. E porque, só agora recordo algo que estava bem guardadinho lá no fundo da memória, foi a personalidade que escolhi para um dos primeiros trabalhos de Educação Visual que fiz algures no 3.º Ciclo.


To be beautiful, all a woman needs is a black pullover and a black skirt and to be arm in arm with a man she loves. - YSL

1 de junho de 2008

Ao Hospital dos Capuchos, muito obrigada

E confirmo a opinião que já tinha de que é melhor um hospital público com quartos modestos e fracas casas de banho mas com uma excelente equipa médica, do que um hospital privado (ou semi) com quartos e casas de banho de hotel mas com uma equipa desumanizada.

No velhinho Hospital dos Capuchos – Centro Hospitalar de Lisboa Central (que, sublinhe-se, ficou num justificado 1.º lugar no ranking dos hospitais portugueses no que diz respeito às doenças do aparelho ocular), estive 3 dias em que fui muitíssimo bem tratada. Pelas enfermeiras, constantemente atentas e disponíveis para todos os doentes. Pelas auxiliares de enfermagem, sempre cuidadosas e carinhosas. Pela equipa de anestesistas, empenhada em explicar todos os procedimentos para dissipar dúvidas e acalmar os internados. E, claro, pelo excepcional cirurgião que é o dr. Francisco Loureiro, cujo único defeito é não conseguir chegar a horas a lado algum…

Desses 3 dias, ficam-me na memória as vozes doces a perguntar se preciso de alguma coisa, uma mão no bloco operatório a fazer-me festinhas na cabeça, alguém e desejar-me bons sonhos, e depois uma quantidade imensa de pessoal a ir ter comigo para saber se tudo tinha corrido bem.

Amanhã, vou a uma consulta de verificação. Hoje, antes de mais nada, quero dizer a todos: MUITO OBRIGADA. Se soubesse que ficar internada era assim, recomendá-lo-ia a qualquer um…

Para que não restem dúvidas, título da Sábado, 08.11.2007:

31 de maio de 2008

Eu própria

Cá estou de regresso, por agora sem demorar muito tempo e sem imagens mas para confirmar o que o meu maninho disse e que está tudo a correr bem. Vejo que nem um falcão, mas para já ainda tenho os olhos muito vermelhos (tipo vampiro, mesmo...), o que dá uma mistura engraçada: verde + vermelho, apropriado à época do Euro que se aproxima.

Daqui a uns dias faço um relato mais pormenorizado do que aconteceu e o meu elogio ao Hospital dos Capuchos, excepcional quanto às pessoas que lá trabalham!

E, apesar de só ter havido dois concorrentes (C e M), eis as respostas às «perguntas escorregadias»:

1. Irão. (C - 0; M - 1)

2. Não há terra, o buraco está vazio. (C - 1; M - 1)

3. A pupila. (C - 1; M - 0)

4. Todos. (C - 1; M - 1)

5. O desgraçado está morto... (C - 1; M - 1)

6. 9. (C - 1; M - 1)

7. A palavra que todos escrevem «incorrectamente» é precisamente «incorrectamente». (C - 0; M - 0)

8. Este parágrafo é um lipograma (não contém a letra i). (C - 0; M - 0)

9. Não acontece nada, porque não há oxigénio. (C - 0; M - 1)

10. Nove vivas e oito mortas. (C - 1; M - 1)

Resultados: C - 6; M - 7. Sorry, o prémio fica para a próxima...

26 de maio de 2008

Até já...

... vou ali colocar umas lentes dentro dos olhos e já volto.

E como não sei daqui a quantos dias poderei voltar a escrever, aqui fica um desafio para se entreterem. Retirado da Deciclopédia que estou a ler, e com o título de «Dez perguntas escorregadias», quem acertar em todas ganha um prémio especial quando eu voltar.

1. Como se chamava o Irão antes de se chamar Pérsia?

2. Que quantidade de terra há num buraco com três metros de profundidade, seis metros de comprimento e quatro metros de largura?

3. Que parte do corpo masculino aumenta até dez vezes de volume quando estimulada?

4. Alguns meses têm 31 dias, outros têm 30. Quantos meses têm 28 dias?

5. Nos Estados Unidos, um homem pode casar-se com a irmã da viúva?

6. O senhor e a senhora Smith têm seis filhas. Cada uma delas tem um irmão. Quantas pessoas há na família?

7. Qual é a palavra de 15 letras que todos os estudantes de Harvard escrevem incorrectamente?

8. Quanto tempo demorará a notar algo de estranho neste parágrafo? Parece tão vulgar que poderá pensar que não há nada de errado com ele, e de facto não há. Mas, no entanto, é fora do vulgar. Porquê? Se o observar bem e pensar um bocado, pode ser que descubra. Eu não vou ajudá-lo de forma alguma. Você está por sua conta. De certeza que, se for perseverante, a solução lhe há-de ocorrer. Ou talvez não. Agora, faça-se ao trabalho e tente a sorte.

9. Se entrasse numa divisão selada com 100 por cento de gás metano e acendesse um fósforo, o que aconteceria?

10. Um pastor tinha 17 ovelhas. Morreram todas menos nove. Quantas ficaram?

(Respostas no meu regresso)

24 de maio de 2008

As novas rulotes

Adorei estas ideias de casas itinerantes cheias de estilo e que se podem instalar em quase qualquer lugar.

O Loft Cube. Um «cubo» criado por berlinenses, com 39 a 55m2 (de €109.000 a €144.000), cheio de luz natural e que pode ser colocado até em cima de um prédio. Vale a pena explorar todo o site para ver mais pormenores. http://loftcube.net/

A Single Hauz. Esta é polaca e pouco ou nada se percebe do site, mas vale pela originalidade e pelas hipóteses de implantação. http://www.frontarchitects.pl/

A Abode. Esta pode ser mais uma casa «à séria» e funcionar em múltiplos de módulos de 50 m2. Basta ter o terreno… http://www.modabode.com.au/

Extemporâneo

Não resisto a copiar a imagem que o Pedro Rolo Duarte publica na rubrica «Pré-História» do seu blog (http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/). Há uns anos, fumar transpirava responsabilidade, hoje é precisamente o contrário... E como é grande a bizarria da profissão subjacente na fotografia!

22 de maio de 2008

Impressões de Berlim

Já regressei há 3 dias e ainda não consegui escrever praticamente nada sobre Berlim. Porque gostei TANTO da cidade que tenho medo de não conseguir fazer jus à sua grandiosidade… E, ao deparar-me com os contrastes que por aqui vejo, ainda mais penso em como poderíamos ser e não somos. Se bem que possa parecer chocante o que vou escrever, e parafraseando o que li num manual de História, «será que o sofrimento não contribui também para o crescimento das pessoas»? Porque, se pensarmos que Portugal foi um dos pouco países que não esteve directamente envolvido nas guerras mundiais (leia-se, envolvido com guerra «no território»), percebemos que os países que nela estiveram se calhar se desenvolveram bem mais, porque tiveram necessidade de as ultrapassar e de renascerem quase das cinzas… E Berlim é bem um exemplo disso.

Filosofices à parte, aqui vai então o que mais me impressionou, não necessariamente por esta ordem de importância:

- a quantidade de ciclistas e o respeito que todos têm por eles. Em Berlim, o ciclista é rei e vive no melhor de dois mundos (eu também fui uma…). Se vai pela estrada e o sinal fica vermelho, passa para o passeio e segue caminho. Se se dá o contrário, idem idem, aspas aspas. E o mais giro é que ninguém se chateia, com os próprios taxistas sempre cheios de pachorra a abrandar logo que um ciclista se aproxima. Conclusão: como a cidade é plana e as condições são excelentes, vê-se poucos carros e bicicletas encostadas em todo o lado.

- pessoas a comer de tudo a qualquer hora do dia. Às 11h da manhã, podem estar a comer salada de frango, às 11h da noite a começar a jantar. Grande parte dos restaurantes estão abertos 24h/dia. E, melhor ainda, não são caros. Excepção: as bebidas são caríssimas, com uma cerveja a custar em média €3,00 e uma água também.

- a segurança. Não por ingenuidade, mas nunca senti medo. E parece-me que os berlinenses também não. Andam pelas zonas mais recônditas às horas mais estranhas, sozinhos e descontraídos. Curiosamente, também não vi muitos polícias, o que significa que deve haver muitas câmaras espalhadas por ali.

- a qualidade (e o preço) dos museus. Fui a dois de graça (às quintas-feiras à noite os museus da Ilha dos Museus têm entrada gratuita), o Altes Museum e o Pergamon Museum, onde fiquei assombrada com o Altar de Pérgamo e com a Porta de Ishtar, da Babilónia. Por €5, visitei o Museu de História Natural, com o maior dinossauro completo do mundo (mais de 13m de altura) e diversas salas de exposição atraentes e interactivas (fosse em Lisboa, e passaria lá um dia inteiro a explorá-lo). Por €6, fui ao recente Museu Judaico. Muito bom.

- a nova arquitectura. Desde há 18 anos, quando a Alemanha foi oficialmente reunificada, a reconstrução não tem parado. E é toda muito boa e bem integrada, com traços arrojados, sem medo de chocar. Porque não construir ao lado do rio Spree edifícios altos e envidraçados? Porque não reconstruir a cúpula do Reichstag com um aspecto renovado, de Sir Norman Foster, que ainda por cima é amiga do ambiente com um sistema de espelhos que ilumina o interior do parlamento? A cada esquina, em cada rua, a qualidade da arquitectura é, não tenho dúvidas em dizê-lo, esmagadora.

- a velha arquitectura. Porque também andei por Berlim Leste, aquela que está mais longe da zona em reconstrução, vi muitos dos edifícios que por ali ainda há, muito ao estilo do filme Goodbye, Lenin. Prédios de traços direitos, não rebocados, de cores tristes e feias. Ao vê-los, percebi a tristeza de quem dali não podia sair.

- o excelente sistema de transportes públicos. Dois sistemas de metro, o U-Bahn (só subterrâneo) e o S-Bahn (de vez em quando vem à superfície e anda mais pelos arredores), suprem todas as necessidades de transporte, a funcionar com pontualidade e regularidade. As estações de metro são de longe bem mais feias dos que as nossas, mas muitíssimo mais práticas e abrangentes.

- as enormes lições de História. É verdade, a História está em cada passo que damos. Na Bebel Platz, onde Hitler mandou queimar publicamente milhares de livros. No Memorial ao Holocausto. Perto dali, numa praça escondida e disfarçada, debaixo da qual Hitler se matou (a sério, é mesmo impressionante pensar que ele viveu os seus últimos dias debaixo do sítio que pisamos). Junto ao que resta do Muro - e não só no que resta, mas na marca indelével, colocada no chão em paralelepípedos, que atravessa toda a cidade. Em Checkpoint Charlie que, apesar de agora ser «a fingir», marca e conta uma série de histórias de fugas bem e mal-sucedidas.

O que recomendo vivamente: o alojamento em apartamento e não em hotel (sente-se muito mais a cidade) e a deslocação em bicicleta (mesmo que chova, um guarda-chuva ou um impermeável resolvem o assunto).

E poderia continuar a escrever sobre tantas coisas… Mas não quero massacrar ninguém. E ainda tenho as fotografias para mostrar.

Nova arquitectura:


Berlim Leste:



Pormenores:

20 de maio de 2008

De regresso...

... deparo-me com 3 aumentos de combustível em 5 dias (com preços em Espanha quase €0,40 mais baixos), um taxista mal-educado por ter de deixar os passageiros em 3 sítios diferentes (todos dentro de Lisboa, sublinhe-se...), «há não há» feira do livro, estradas esburacadas e prédios feios, uma taxa de €40 a pagar à CML por ter pedido uma certidão com o nome da minha rua, a chuva a cair... Desde há muito tempo, regresso de uma viagem e fico um bocadinho deprimida. Nada que não passe rapidamente, porque tendência para a depressão não é comigo.

Vale-me o Sporting a ganhar a Taça, os amigos e a família a telefonar, as gatas a rebolar mal abri a porta de casa.

13 de maio de 2008

Recorde

O meu tópico «Assassino na estrada», de 05.05, bateu os recordes de comentários até hoje recebidos (12), todos com mostras de indignação. Isto só prova que quem me visita é boa gente. Thanks.

12 de maio de 2008

Vou ali ao refeitório...

... para mais um almoço gourmet. Sim, é verdade, porque no refeitório da empresa onde trabalho, as refeições são pensadas e elaboradas como se de um verdadeiro restaurante gourmet se tratasse. Ora veja-se: sopa de espinafres com natas, lascas de bacalhau com broa e espinafres, massa com salmão fumado e ricotta, caril de camarão, salada de rúcula com nozes, salada de tomate cherry com queijo feta, mousse de framboesa, mousse de chocolate branco...

Todos os dias, por €6, uma refeição com tantos nomes estrangeiros que até já estou cansada de escrever com tantos itálicos. Dantes comia por €4, mas agora almoçar cá dentro tem muito mais pinta. E quando quiser comer «à bruta», é só ir ali à tasquinha. Schleps...

11 de maio de 2008

Trabalhar aos bocadinhos (detesto)

Preciso de rotinas para trabalhar, não em excesso, mas de alguma ordem e organização, e apercebo-me de que nos próximos tempos vou demorar a tê-las. Depois de um mês dentro e fora nas apresentações de livros, depois da mudança de instalações, pensei: é agora, finalmente, que vou estabilizar.

Tinha-me esquecido que, durante os próximos tempos, a minha vida vai ser assim: trabalhar 2 dias -> viagem a Berlim de 4 dias (yes!) -> trabalhar 2 dias -> feriado -> trabalhar 1 dia -> operação aos olhos de 5 dias (medo!) -> trabalhar 5 dias (se a recuperação da operação correr bem) -> semana de férias de 5 dias...

Pareço doida, eu sei, quem é que se queixa por no próximo mês ter apenas 10 dias de trabalho? Pois... mas quando trabalho gosto de dar o meu melhor e trabalhar aos bocadinhos não me permite a concentração que o trabalho exige... Preferia juntar os dias todos, gozá-los todos, e depois trabalhar os outros «descansadamente»... Call me crazy.

8 de maio de 2008

Parabéns, sininho

Uma fada que entrou pela minha vida e que cá ficou, apesar de agora já não a ver todos os dias... Hoje, por pouco não me lembrei dos seus anos, e que triste que fiquei por isso...

5 de maio de 2008

Assassino na estrada

Carrinha Mercedes cinza-prata. Modelo Classe E. Faróis de xénon. Condutor homem, com criança no banco de trás. Matrícula ??–BD-??.

Ontem à noite, na IC19, depois de diversos sinais de máximos, «colagens» aos carros da frente e ultrapassagens pela direita, o seu condutor carregou ligeiramente no travão, «só para assustar» um dos muitos que não lhe tinha facilitado a ultrapassagem pela direita. Só que não se limitou a assustar. Um rapaz de 23 anos que seguia num VW Polo azul-escuro também travou, mas a velocidade era muita e o carro despistou-se e capotou. O Mercedes não parou.

Chamámos o INEM às 21h30. Quinze minutos depois chega a «primeira» ambulância. Já ocupada, com um homem que se tinha tentado envenenar. Pararam mas tiveram de seguir, para deixarem para trás um rapaz que queria viver e salvar um homem que queria morrer. Não os condeno por isso, é a sua função. Quinze minutos mais tarde passa uma ambulância no sentido oposto da IC19, com o condutor a gritar pela janela: É aí o acidente? Só às 22h10 chega socorro «a sério» (a partir desse momento, pelo menos 4 ambulâncias e um desencarcerador contei eu – boa gestão do centro de recursos do INEM…).

Uma hora depois, já pouco se via do acidente, apenas a carcaça do Polo e o resto da estrada já limpa. O acidentado seguiu para o hospital, inconsciente, com sangue que lhe saía pelo ouvido, com a família desesperada de dor. A essa hora, o condutor do Mercedes já devia estar em casa, provavelmente descansado e a assistir aos Casos da Vida. Vida que não sei se ele tirou. Vida que espero que continue a existir.

Espero que aquele senhor tenha tido e continue a ter muitos pesadelos.

2 de maio de 2008

Burocracia

Começa bem a saga da papelada para vender a casa. Finalmente com comprador à vista, aproveitei a inesperada ponte para começar a reunir documentação.

Passo 1 - Finanças - para pedir a caderneta predial. Como a nova designação da rua onde moro ainda não lhes foi comunicada (e já lá vão 6 anos), não ma puderam dar e aconselharam-me a ir à Câmara.

Passo 2 - Câmara Municipal de Lisboa - para pedir a certidão de denominação de rua. Às 11h41, senha n.º 37. O ecrã mostrava que estava a ser atendido o munícipe com a senha n.º 22. Às 12h15, ainda na senha n.º 24. Decidi desistir porque tinha de ir tratar de um assunto a Algés.

Passo 3 - Câmara Municipal de Lisboa - só por descargo de consciência, passei pelo Campo Grande para ver em que senha ia. 13h32, senha n.º 32. Esperei, ainda com o meu 37 bem guardadinho no bolso. Fui atendida muito perto das 14h. Preenchi um impresso para a tal certidão, que há-de ficar pronta em 10 dias úteis e que terei de lá ir levantar depois de ter recebido um aviso pelo correio. Na conversa com a funcionária, disse-me que para vender a casa tinha ainda de dar o direito de preferência à CML. Para isso, é preciso uma cópia da caderneta predial. Que só me será dada depois de a CML passar a certidão com o nome da rua...

Tenho medo, muito medo, do que me aí espera para obter a papelada que ainda falta. Porque hoje voltei para casa de mãos a abanar.

28 de abril de 2008

28.04.08, 16h30

Chegou tudo intacto, inclusivé com o milagre de um caixote por identificar (que por acaso tinha algum do material mais importante...). E agora, o meu novo local de trabalho é este:

Menos espaço mas com muito mais qualidade, muito vidro e um patiozinho muito zen que também não resisto a mostrar. Vou querer uns canteiros assim para o pátio da minha casa nova...

27 de abril de 2008

Sesta(s) (várias)

Gosto mesmo muito de dormir a sesta. Mas, ultimamente, das três uma: ou estou mesmo muito cansada e com falta de horas de sono, ou «é do tempo», ou fui picada por um qualquer mosquito que por aí anda. Porque desde sexta-feira que adormeço profundamente onde quer que me encoste, duas e três vezes por dia. E se podia temer não ter sono à noite, nada disso. Adormeço que nem uma pedra assim que desligo a luz. Esta semana, com trabalho pelo meio, vai ser difícil aguentar.

The Siesta, Vincent Van Gogh

23 de abril de 2008

Mudanças

Esperam-me dias longos. Até amanhã ao fim do dia, acho que vou trabalhar de fato-macaco. Porque me esperam sobretudo horas de trabalho físico... com pelo menos duas reuniões pelo meio, oportunamente marcadas. Descobrir documentos amarelecidos pelo tempo, guardar o que interessa, deitar fora o máximo possível, empacotar, espirrar bastante...

A partir de 2.ª feira, novas instalações me esperam, mais perto de casa, mais modernas, com mais pessoas, com menos espaço. Até lá, muitas dores musculares e muita poeira inalada... porque mudar o local de trabalho de 250 pessoas de um dia para o outro não vai ser tarefa fácil.

16 de abril de 2008

Por fora

Amanhã, Porto. De 6.ª a domingo, Madeira. De 2.ª a 4.ª, Évora e Faro. Na 5.ª, mudança de instalações da empresa. Não sei se terei muito tempo para passar por aqui...

Especialmente para a C...

... porque sei que ontem, apesar de ter adorado estar connosco, ficou com um apertozinho de nostalgia no coração. E porque sei que trocaria muita coisa para voltar a estar connosco todos os dias. Comigo, está.

14 de abril de 2008

Smirting

Com a proibição de fumar dentro dos edifícios, deparo-me cada vez mais com grupos de colegas a fumar à porta da empresa. Demasiado calor? Vendaval e chuva, como naquele anúncio ridículo? Nope. Há que tirar partido destas contrariedades. E assim nasceu o smirting (smoking + flirting), com grande sucesso na Grã-Bretanha desde que a lei por lá se aplica.

Segundo o Good Guide to Smirting, do irlandês David Lowe, eis algumas regras básicas:

- Always have a lighter - A decent lighter is an essential piece of kit for any self-respecting smirter. After all, there’s a pretty good chance you’ll be approached by somebody looking for one. You can also pretend to need a light when required. It could be the spark of a beautiful relationship.

- Practice inhaling - The sight of slovenly Jo O’Meara smoking like a trooper on Celebrity Big Brother was truly dreadful. Make sure you inhale with a touch of class. Think Marlene Dietrich and James Dean. Your chances of hooking up with someone will be smokin’.

- Wait for rain - Smirting gets a lot easier if there’s rain to contend with. It forces smokers closer together under canopies and umbrellas, making flirtatious small-talk more likely. Lads should also have their own brollies available. Rescue a girl from a hair-frizzing downpour and she’ll love you forever.

- Don’t cough - Nothing kills conversation like a phlegmatic smoker’s cough. The successful smirter suppresses the tickle in their throat until potential dates are at a safe distance. Have a drink on hand to calm the need to cough.

Maneiras de meter conversa como outras quaisquer.

13 de abril de 2008

State of the music

Só para avisar que não quero passar por esta vida sem assistir a um concerto do camaleão. Porque não seria justo. Até ao fim da Península Ibérica, vou onde for preciso para o ver ao vivo. E levo o meu mano comigo.

E isto é também um protesto. Porque é indecente que a última vinda de Bowie a Portugal tenha sido em 1990, quando eu ainda não tinha sido contagiada pela sua voz, música e figura... Em Julho de 2004, no chamado Festival do Dragão, cheguei a ter bilhetes para o concerto, mas uma operação às cordas vocais impediu-o de vir. Grrr… (=raiva)

Muito poucos terão capacidade de se manterem na vanguarda desde há quase 40 anos. Sempre a inovar, sempre a adaptar-se aos novos sons, nunca se tornando no canastrão em que tantos outros da sua geração se tornaram, que cantam os mesmos antigos êxitos vezes sem conta. Bowie já terá experimentado de tudo, e ainda bem, porque só assim nos dá também um pouco desse tudo.

De Space Oddity a Reality, mais palavras para quê?



Space Oddity, 1969



Dancing in the Street, 1985



Thursday’s Child (álbum Hours), 1999



Days (álbum Reality), 2003

12 de abril de 2008

Saudades de quem mal conheci

Do meu avô João, cujas recordações que tenho são apenas de fotografias comigo ainda pequena, de totós na escada do jardim da casa de Colares, e , já com os meus irmãos, na casa desenhada por ele em Fontanelas. Em pessoa, tenho apenas uma vaga ideia de o ver algures num apartamento junto ao Areeiro, doente e a morrer novo.


Sei que era muito alto, impondo respeito ao sair de um Mini. Que nasceu na Beira Alta mas que veio pequeno para Lisboa, julgo que por causa de uma doença, sendo criado por uns padrinhos. Que por vezes era irascível. Que se divorciou da minha avó mas que teve a sorte de ter encontrado alguém para estar sempre ao seu lado quando ficou incapacitado devido a uma trombose. Que morreu no Hospital de Santa Maria, numa maca sem qualquer assistência. Que marcou muito o meu pai. Que nasceu no dia de São João, que acabou por lhe dar o nome. Que era arquitecto e com bom gosto.


Hoje descobri mais um bocadinho. Estes edifícios são dele:

Escola António Arroio, Lisboa.

Hospital da Cruz Vermelha, Lisboa.

11 de abril de 2008

Promessa

Especialmente para o meu mano, a promessa de que se encontra em fase de preparação um tópico sobre o camaleão.

8 de abril de 2008

Gostos

Em termos musicais, nunca fui muito de músicas calmas ou românticas, muito menos interpretadas por vozes femininas. A serem-no, teriam de ter algo de diferente ou com um quê de alternativo. Por isso, enquanto a minha irmã ouvia Enya ou Angelicus, eu adorava Nirvana, Morphine ou Skunk Anansie. Mas às vezes surgem excepções que confirmam a regra. E esta é Katie Melua, com uma música em específico. Há anos, quando a minha irmã me falou dela, passei ao lado, e nem sequer tive curiosidade de ouvir o que ela gostava de ouvir.

Gosto muito desta, pela música e pela letra:

If you were a cowboy I would trail you,
If you were a piece of wood I’d nail you to the floor.
If you were a sailboat I would sail you to the shore.
If you were a river I would swim you,
If you were a house I would live in you all my days.
If you were a preacher I’d begin to change my ways.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was in jail I know you’d spring me,
If I was a telephone you’d ring me all day long.
If I was in pain I know you’d sing me soothing songs.

Sometimes I believe in fate,
But the chances we create,
Always seem to ring more true.
You took a chance on loving me,
I took a chance on loving you.

If I was hungry you would feed me,
If I was in darkness you would lead me to the light.
If I was a book I know you’d read me every night.

If you were a cowboy I would trail you,
If you were a piece of wood I’d nail you to the floor.
If you were sailboat I would sail you to the shore.

If you were sailboat I would sail you to the shore.

If you were sailboat I would sail you to the shore.

Injustiças?

Hoje se calhar fui injusta... mas não tinha alternativa. Quando se trata de avaliar (mesmo que seja algo de importância relativa), haverá sempre quem não fique contente. Porque uma avaliação implica sempre comparações, mesmo que não ditas. Porque há sempre quem ache que «a galinha da vizinha tem mais dentes do que a minha». Porque há sempre quem ache que não lhes dão o valor suficiente. Mas eu dou, e muito. Só que, em escalas de 1 a 3, não há margem para grandes diferenças... e é inevitável que o 2 seja atribuído à maioria. Tratando-se a retribuição de dias de descanso extra, quase tenho saudades dos tempos em que só havia as férias e pronto. Assim não havia nada para ninguém, e se calhar todos ficavam contentes. Ou não.

7 de abril de 2008

It's raining cats and dogs

The Project Gutenberg EBook of Punch, Or the London Charivari, Volume 101,November 21, 1891, by Various.

Pelos vistos, em 1891 já chovia assim.

6 de abril de 2008

Amanhã, menos um

Encho-me hoje de pizzas e porcarias, a pensar que a partir de amanhã terei mais uma semana de completa abstinência de tudo o que seja sólido. Entre as 10h e as 11h, mais uma hora de tortura de boca aberta no dentista. A seguir, menos um dente, a caminho dos 24 e de uma dentadura perfeita quando os espaços vazios se fecharem. Terei em breve menos dentes do que tinha com 8 anos...

Estou viciada...

... nesta música do francês Calogero, sobre um amor virtual. Tantas vezes vi o videoclip nas acções de lançamento dos manuais de francês, que não me sai da cabeça e da ponta da língua. Por vários motivos, todos relacionados com trabalho, estou a reconciliar-me com a beleza da língua francesa. Há males que vêm por bem.

5 de abril de 2008

Trabalho de equipa

Ter, num grupo de 18 pessoas, pessoas de 8 departamentos diferentes de uma mesma empresa, todas com o espírito mais divertido possível e a lutar pelo mesmo, é obra! Saldo muito positivo dos 3 dias de trabalho por fora de Lisboa. Acima de tudo, pelos jantares, pelas gargalhadas, por me rir com pessoas que não sabia serem tão engraçadas, pelas conversas até às tantas, pela entreajuda e sentido de «care» que todos tivemos uns pelos outros. Os livros que produzimos merecem pessoas assim.

2 de abril de 2008

Gato virtual

Na barra lateral, o meu terceiro gato, o meu gato virtual. Especialmente para a Mary, umas dicas: vai passando o rato à volta dele, posiciona-o em cima da manchinha branca na barriga ou na cabeça, um pouco acima dos olhos. Mas com o som ligado (para a mancha branca tem de estar com o volume elevado). :)

1 de abril de 2008

Em digressão...

... para apresentar os novos manuais escolares. Esta semana, Curia, Fátima e Castelo Branco. Daqui a duas semanas, Madeira, e, no fim do mês, Guimarães.

Quero aproveitar para, em Fátima, conhecer a igreja da Santíssima Trindade, do arquitecto grego Alexandros Tombazis, com mais de 8000 lugares sentados. Não pela minha crença, mas pela minha curiosidade, acho que vai valer a pena.


31 de março de 2008

E também o cinema…

… merece ser posto em dia.

Na semana passada, vi The Lovebirds, de Bruno de Almeida. O filme passa-se em Lisboa e retrata as vidas de uma série de personagens: o taxista, a empregada da tasca, o realizador de filmes de baixo orçamento, o piloto de avião que se encontra com uma prostituta de luxo no Altis, os ladrões de ocasião... Durante o filme, e dada a distância/proximidade das personagens, cheguei a julgar tratar-se de uma daquelas produções em que no fim as vidas de todos se cruzam, um bocado na onda de Babel ou Colisão. Mas não, o ponto em comum é apenas a decadência que as atravessa a todas. A não ver por quem quer manter uma visão romântica de Lisboa. Porque a Lisboa branca e solar não está lá. Só as ruas sujas de Alfama, as paredes cheias de maus tags no Bairro Alto, os prédios devolutos ocupados por mendigos durante a noite… O elenco, além do já «parte da mobília» Joaquim de Almeida, conta ainda com os inesperados Joe Berardo (no papel do produtor), Fernando Lopes (a fazer de si próprio) e Michael Imperioli (dos Sopranos – Imperioli é mesmo a personagem com um ar mais «limpinho» de todo o elenco).

Ontem foi a vez de Este país não é para velhos, dos irmãos Coen, um verdadeiro thriller passado no oeste americano, com um verdadeiro psicopata e uma verdadeira sangria por onde quer que este passe. A história, muito resumida, anda à volta de uma mala bem recheada de dinheiro (provindo de droga) que um homem encontra e que outro quer recuperar. O problema é que quem o quer recuperar (Anton Chigurh, interpretado por Javier Bardem, premiado com o Óscar para melhor actor secundário) é uma personagem demoníaca, determinada e obcecada (e quase sobre-humana, uma vez que nunca morre apesar de se magoar bastantes vezes), que mata implacavelmente todos os que se lhe atravessam no caminho. Por vezes, ainda lhes dá uma hipótese de sobreviver, num irónico «cara ou coroa». E se a personagem já é assustadora o suficiente, a sua aparência não lhe fica atrás, com o olhar vazio, o cabelo à tigela» e um andar direito e impassível a carregar com uma pequena bilha de gás. Adorei o diálogo com o homem da estação de serviço, em que Chigurh trata o desgraçado por «friendo»… Muito pesado, mas gostei.

30 de março de 2008

Pôr a amizade em dia

É o que estou a tentar fazer desde há uma semana. A ligar e a enviar mails para aqueles com quem não falava há meses, a jantar e a sair com quem não via há semanas. Na 6.ª feira, jantar com colegas e ex-colegas em Alcântara. Ontem, jantarada com 2 amigas no Bairro Alto, seguida de deambulação pelo meio da multidão. A falarmos de tudo e de nada, a rirmo-nos estupidamente de parvoíces, a pôr a amizade em dia. Que bom!

25 de março de 2008

Barulhinhos de gato bom

São barulhos cujo nome eu inventei e que dificilmente conseguirei descrever. São uns barulhinhos que a minha gata faz - a TT, não a Vespa - quando está a dormir. Barulhinhos que parecem gemidos, suspiros ou pequenos rosnares, e que calculo que sejam emitidos quando está a sonhar. Adoro quando, no silêncio, a ouço a fazê-los, quando a meio da noite acordo e sinto que ela está a sonhar, quem sabe com ratos grandes e apetitosos, com embalagens inteiras de iogurte só para ela ou com raios de sol a aquecerem-lhe o pêlo durante todo o dia. Se calhar têm outro nome. Eu chamo-lhes barulhinhos de gato bom.

24 de março de 2008

Parabéns, Mary

Desejo o dobro de tudo o que desejo de bom para mim à minha amiga Mary.

A minha amiga de há 17 anos que me tem acompanhado no melhor e no pior até, tenho a certeza, que a morte nos separe.

22 de março de 2008

A propósito da Páscoa, a religião

Numa altura em que tantas famílias se juntam para o almoço pascal, penso em como na minha família nunca se deu grande importância a esta época. No Natal, juntamo-nos, mais para estarmos todos juntos e saborearmos o bacalhau numa ocasião única do que para celebrarmos o nascimento de Cristo.

Mas tenho alguma pena de não ser crente. De ir à igreja e ter fé, de participar em procissões (como a que no domingo de ramos passou por baixo da minha janela, em plena cidade), de ter mais justificações para tudo o que vai acontecendo.

O meu pai teve uma educação católica, com primeira comunhão e julgo que mais algumas coisas. A minha mãe não sei, penso que teve uma educação mais laica. Casaram-se pela igreja, por um padre que hoje se encontra casado e acho que com filhos. De 3 irmãos, fui a única baptizada. A partir de mim, os meus pais, devido a algumas atitudes da Igreja, decidiram não baptizar mais filhos.

Hoje, pais divorciados, a minha mãe começa a redescobrir a Igreja, mais por causa de um padre em específico do que por qualquer outra coisa. Vai à missa ao domingo, mas só semana sim, semana não, quando lá está o dito padre com a postura que lhe agrada. O meu pai mantém a postura de há 30 anos, laico e a acreditar acima de tudo no valor do Homem.

Também eu acredito no Homem mas, num misto de algo que se pode assemelhar com uma religião, acredito também que aquilo que fazemos como seres vivos trará os seus resultados em nós próprios, hoje ou em qualquer outra altura. Não consigo acreditar que a morte seja o fim, não consigo acreditar que sejamos apenas uma amálgama de músculos, ossos, sangue e veias que deixa de funcionar e pronto. Muitas vezes sinto-me protegida pelos meus familiares queridos que já cá não estão. E sei que este sentimento não está só na minha cabeça.

Sim, acredito em algo superior, ou em nós, seres vivos como seres superiores.

21 de março de 2008

Tempo

Adoro trava-línguas. E este, tirado de um livro do 1.º Ciclo, é um dos meus preferidos:

«O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu ao tempo que o tempo tem tanto tempo quanto o tempo tem.»

É lindo.

20 de março de 2008

3584 páginas depois...

... acabei finalmente a campanha escolar. Desde o início de Janeiro, foram 3584 páginas lidas, de História e Geografia, Economia e Filosofia, Inglês e Francês. Páginas que, graças aos coordenadores editoriais e a toda uma equipa editorial e de produção, darão nova motivação a quem ensina e a quem aprende. Páginas que não me deixaram viver a minha vida durante estes 2 meses, mas que agora me dão orgulho e novo alento para aproveitar os outros tantos meses que o ano ainda tem.

A Primavera...

... antigamente começava no dia 21 de Março, também dia da árvore. Agora, vá lá saber-se porquê, começa a 20. Foi o Google quem mo disse, com esta imagem fantástica no motor de busca:

19 de março de 2008

Maravilhas da língua inglesa...

... ou como uma palavra de 9 letras vai perdendo uma a uma, mantendo sempre palavras com sentido.

12 de março de 2008

Leituras

Penso na quantidade de coisas que lemos diariamente que não livros. E porque os livros já são a minha vida, penso em tudo aquilo que leio que não se enquadra na categoria.

À espera no dentista: todo o tipo de revistas, não só as cor-de-rosa como as revistas do Unibanco, suplementos temáticos que vêm com o Expresso e que ninguém se digna a abrir, folhetos sobre como tornar os dentes mais brancos...

À espera de um autocarro ou do metro: os diagramas da rede, de preferência aqueles que contêm os nomes de todas as ruazinhas à volta para que haja mais matéria de entretenimento.

A tomar o pequeno-almoço (em casa): a Net.

A tomar o pequeno-almoço (fora): qualquer lista que haja em cima da mesa, sobre sumos naturais ou outra coisa qualquer.

Na casa-de-banho: o correio que estava por abrir, folhetos de promoções de grandes superfícies, embalagens de shampoo ou o que estiver à mão.

A conduzir (parada no trânsito): à falta de um livro, folhetos de publicidade, inlays de CD, facturas de gasóleo.

A conduzir (em andamento em vias rápidas): os letreiros de entradas e saídas, a publicidade nas carrinhas por que passo. Nota: ontem passei por um reboque propriedade de um tal «Zé Mau»...

A conduzir (em andamento na cidade): outdoors, nomes de lojas, nomes de ruas...

E mais não digo porque tenho de ir trabalhar. Em livros.

8 de março de 2008

Ultimato

Sou workaholic, mas estou à beira de uma overdose.

Um ultimato a mim própria: se não acabar a campanha editorial até ao final da próxima semana, vou ter de recorrer a mais do que café para me manter desperta. Porque, com o mau humor com que ando, já me sinto uma sacana... agora só me falta transformar-me no resto.

3 de março de 2008

Está marcada...

... finalmente, a minha operação à miopia, para colocação de lentes intra-oculares. 28 de Maio, de manhã.

Rói-me um misto de medo e de desejo. Medo da anestesia geral, de não ficar bem anestesiada e sentir tudo, de não acordar depois, de estar internada num quarto cheio de desconhecidos, de não conseguir dormir de noite, de as lentes não ficarem bem postas, de o meu corpo as rejeitar, de surgirem infecções.

Desejo de poder acordar de manhã e ver tudo nítido, de não ter de esticar o braço para agarrar nos óculos, de à noite me poder deitar sem tirar as lentes, de dar mergulhos no mar sem medo de as perder. Desejo de liberdade.

2 de março de 2008

Disfarçados...

... será que estão?



Pausa para ver Momix

As pausas tornam-se mais frequentes. A vida retoma um curso mais perto do normal. Desta vez, fui ver a estreia de Momix, no Casino de Lisboa. Antes, jantei com a S., e soube-me tão bem, parar um bocado para falar de tanta coisa, umas importantes, outras triviais.

Quanto aos Momix, sabia apenas que ia ver algo que misturava dança e mímica. Mas foi muito mais do que isso.

No espectáculo Opus Cactus, a companhia norte-americana homenageia o deserto, ou os desertos. Os desertos norte-americanos, com os tufos de ervas a rolar, lagartos e cobras. Os desertos árabes, com as suas músicas sentidas e escorpiões. Os desertos da África profunda, com as suas tribos e rituais. Jogando com música, luz e corpos, retratam-se animais, plantas, coisas... Até nos esquecermos de que o que estamos de facto a ver são pessoas. Uma surpresa muito boa.