16 de junho de 2010

Mudam-se os tempos...

Eu, que há 2 anos não podia ver estas sandálias à frente, agora estou apaixonada pelas minhas... Comecei a olhar para elas duas vezes, depois a achar piada às que tinham padrões, e depois às simplesmente coloridas. Estas são «peridot green», com brilho envernizado. E ficam o máximo depois de calçadas.

12 de junho de 2010

Roma - 7, Lisboa - 9

Já regressei há 3 semanas, mas precisei de algum tempo para me ajudar a combater o deslumbramento/desapontamento da minha viagem a Roma. Porque tenho a certeza de que se tivesse escrito logo teria sido muito mais mázinha.

Tinha estado em Roma há talvez uns 15 anos e não tinha gostado, julgava que pelo choque de ali aterrar vinda de Veneza e Florença. Por isso voltei, agora só a Roma e durante uma semana, para não haver termo de comparação.

Mas comparo-a, é inevitável. Com Lisboa.

As esplanadas: 1-0
Os romanos sabem tirar partido de qualquer cantinho ao ar livre. Qualquer bocado de passeio serve para estender uma esplanada, e se não houver passeio passa para a estrada.

A limpeza das ruas: 0-1
Beatas, papéis, sacos do lixo abertos, ausência de caixotes do lixo, Roma é uma cidade suja. Em pleno centro, andei mais de 15 minutos (o equivalente a cerca de 1 km) com um papel na mão até encontrar um caixote para o deitar.

Os gelados: 1-0
Geladarias por todo o lado, sabores escolhidos ao dedo (o de Baci é fenomenal) e preços que põem os senhores do Santini e da Häagen Dazs a um canto. Pagava por duas bolas generosas o que cá pago por uma mirradinha.

As igrejas: 1-0
Ainda não tive coragem de entrar numa igreja em Lisboa depois de voltar. Porque acho que me vou sentir muito pobrezinha.

O trânsito: 0-1
Em Roma é caótico, como já previa. Os peões atravessam onde calha e, surpreendentemente, conseguem sempre passar. As scooters parecem enxames (infelizmente, as Vespas já não dominam, foram ultrapassadas pelos modelos japoneses) e conseguem o respeito dos carros. É difícil encontrar carro ou mota sem riscos, amolgadelas ou para-choques presos por cordéis.

A comida: 1-1
Pizas, massas, risotto, mozarela, tomate… Quem disse que a comida italiana engorda? A verdade é que comi à grande, por pouco dinheiro, e voltei com o mesmo peso. E a verdade também é que em Roma não vi obesos.

A simpatia: 0-1
De um modo geral, os romanos pouco se importam com o próximo. Se nos cai uma coisa ou chão, se nos atrapalhamos com uma expressão... who cares? Mas há excepções. Como duas ou três pessoas que nos deram indicações sem lhes pedirmos e a família do restaurante Santi, não esfuziante mas com uma simpatia discreta que nos fazia sentir em casa.

A ladroagem: 0-1
Há muitos e ainda por cima são cobardes, porque os carteiristas «atacam» no metro e em hora de ponta. Ao meu pai quem roubou a carteira foi uma mulher, apesar de não o termos conseguido provar. Três dias depois voltámos a cruzar-nos com ela num autocarro.

As ruínas: 1-0
Roma bate todos os recordes, tudo é grandioso, tudo é enorme, tudo é esmagador. O coliseu, os fóruns, o teatro de Marcelo, os mercados de Trajano, as termas de Caracala.

O rio: 0-1
O Tibre atravessa toda a cidade, bem perto da zona central, mas a cor das suas águas (castanho, faça chuva ou faça sol) transmite tristeza e mostra que os romanos não lhe dão a importância e o valor que podiam dar.

O sossego: 0-1
Os turistas não deixam Roma em paz. Andam em bandos, em hordas, japoneses e não só. A Piazza Navona, a Fonte de Trevi e a Praça de Espanha, mal as consegui ver. Tive a sorte de levar boas dicas para explorar bairros e atracções menos concorridos.

O planeamento urbano: 0-1
Pareceu-me que em Roma não existe. Os carros andam e estacionam por onde calha, as scooters ainda mais. Os peões, esses, vão para a estrada ou por onde conseguirem passar. Os passeios são estreitos, sujos e esburacados.

As fontes: 1-0
São tantas, e tão grandiosas, que aquelas que estão ao nível das nossas passam completamente despercebidas. Há fontanários de água fresca e potável por todo o lado e, em Roma, a venda de garrafas de água não deve ser um negócio muito lucrativo.
O Papa: 1-1
Ah pois é, aqui houve empate. Porque se não fui ver o Papa em Lisboa, fui vê-lo a Roma, onde por sorte assisti a uma missa inteirinha ao ar livre a elogiar e a falar da visita a Portugal.

As maiores surpresas: os mercados de Trajano, o gueto, o Trastevere, o Aventino, as basílicas, o Panteão, o Coliseu e os fóruns.

As maiores desilusões: a Capela Sistina (onde a multidão e os guardas constantemente a pedir silêncio não nos deixam estar em paz ), a Piazza Navona (muito descaracterizada com estruturas montadas pelo meio e gente que nunca mais acaba), o Castel Sant'Angelo (onde dei €8 para entrar, com os interiores muito descuidados e umas exposições miseráveis) e a desmistificação das Vespas reluzentes e coloridas por todo o lado.

Lisboa ganha, se não na perspectiva dos turistas com tantas coisas grandiosas para ver, pelo menos na minha. A que avalia a qualidade de vida.

11 de junho de 2010

É inédito, saiu hoje e já é meu

Grande surpresa tive hoje à hora de almoço, quando o meu irmãozinho me ligou a dizer que tinha uma coisa para me dar. Quando eu julgava que me ia aparecer com uma guloseima, tipo travesseiros da Piriquita ou pastéis de Belém, ofereceu-me algo ainda maior, porque com muito mais valor e inesperado.

Leitora apaixonada desnaturada, nem sequer sabia que estava para sair o único romance inédito do espólio de Vergílio Ferreira, Promessa, escrito em 1947.

Um dia, em Conta-corrente, Vergílio Ferreira escreveu: «Se um artista não quer que se lhe conheça a obra, destrua-a ele.» E se não destruiu este inédito antes de morrer, aos 80 anos, é porque não se importava que fosse publicado. Fico-lhe agradecida. A ele e ao meu irmão.

9 de junho de 2010

Tudo é relativo

Um promotor de um qualquer produto ou serviço à saída das caixas de pagamento do Continente, com um folheto na mão:
- Posso oferecer-lhe um pouco do meu tempo?

E eu que julgava que ele queria o meu...

Como Deus manda, de Niccoló Ammaniti

Tenho lido muito ultimamente, e tenho-me esquecido de vir aqui relatar o quê, mas este não posso deixar de recomendar. É violento, muito. Bastante cheio de palavrões também. Mas intenso como há muito tempo não me lembrava de ler algo, daqueles livros que me fazem resistir ao sono e, de manhã, ansiar pela hora de voltar a casa para continuar a ler. Com um ritmo rápido, com personagens agressivas mas humanas, capaz de me provocar riso, ternura e repulsa ao mesmo tempo. Um daqueles livros que, ao ler, imaginava em filme. Que entretanto descobri que já há.

Em resumo: numa pequena cidade italiana, um rapaz de 13 anos mora sozinho com o pai, um desempregado neonazi que vive de biscates, depois de a mãe os ter deixado. O pai tem dois amigos, um com problemas mentais e neurológicos obcecado por uma personagem de um filme porno, e outro também abandonado pela mulher depois de a filha ter morrido com uma tampa de champô entalada na garganta. Todos desempregados que um dia planeiam roubar uma caixa multibanco. Só que na noite combinada cai um temporal daqueles, que muda tudo.

Eu sei que parece tudo um bocado exagerado e até «faca na liga». Mas ao ler Como Deus manda, de Niccoló Ammaniti, parece tudo extremamente real. Tal como na vida real, as coincidências acontecem. E, tal como na vida real, muitas vezes as personagens sentem simultaneamente amor e ódio pelo próximo.

Ganhou o Prémio Strega, o mais importante prémio literário em Itália, onde a produção literária é muita e boa. Prémio também já atribuído a escritores como Alberto Moravia, Primo levi, Sebastiano Vassalli, Sandro Veronesi e Umberto Eco. Acho que não é preciso dizer mais nada.

3 de junho de 2010

Perdemos João Aguiar

Há cerca de 13 anos, andava eu no curso de jornalismo do Cenjor, um dos trabalhos que tínhamos de fazer eram jornais e revistas diários e semanais, um bocadinho a sério e um bocadinho a brincar. Para uma dessas «edições» quis entrevistar João Aguiar, um dos meus autores preferidos na altura e cujos livros ainda hoje compro logo que saem(saíam).

Já não sei muito bem através de que artimanha, mas alguém do Jornal de Letras deu-me o contacto do escritor. Lembro-me de estar no meu quarto, com o meu telefone vermelho (sim, eu tinha uma extensão do telefone lá de casa no meu quarto...), nervosa antes de marcar o número. Liguei-lhe para um fixo e João Aguiar logo se dispôs a receber-me em sua casa.

Era algures para os lados de Oeiras, recebeu-me numa sala com uma grande janela e muitos livros, e durante umas duas horas fiz-lhe perguntas sobre a sua escrita. De A voz dos deuses, o primeiro que li, até A encomendação das almas, num registo totalmente diferente. Um gato preto passeava pela casa, com um nome africano de que já não me recordo. João Aguiar recebeu-me com toda a humildade e com toda a simpatia, e respondeu-me a tudo o que lhe perguntei para um gravador ainda dos velhinhos.

Mais tarde, em Outubro de 2006, voltei a estar com ele num curso de escrita criativa, e por brincadeira levei-lhe uma cópia da «notícia» que sobre ele tinha escrito. Por essa altura já tinha lido tudo o que tinha publicado, e continuei a fazê-lo até hoje.

E digo até hoje porque hoje João Aguiar morreu. Com 66 anos, vítima de cancro. Morreu um dos escritores portugueses mais humildes e acessíveis, alguém sempre pronto para conversar e que não tinha medo de com outros partilhar as suas técnicas e as suas ideias.

Vou ter saudades.

24 de maio de 2010

Invasão

Não pode uma pessoa ausentar-se durante uns dias que, quando chega, depara com o seu blog invadido por comentários a essa mesma ausência.

Seus cuscos, para verem fotografias já podem ir ao facebook. Para as histórias, aqui em breve e pessoalmente mais brevemente ainda.

13 de maio de 2010

Resposta à papoila...

A. A minha flor preferida: flores silvestres, miudinhas e abundantes, amarelas, brancas e de todas as cores que encontrar.

B. Uma mezinha caseira: não é propriamente caseira mas resolve muita coisa aqui por casa. São os famosos dodots (ou um produto branco por eles). Limpam-me a pele depois de mexer na terra, limpam manchas no sofá e no tapete, limpam as orelhas das gatas, limpam as esquinas das paredes e as ombreiras das portas. Verdadeiros tudo-em-um.

E já agora gostava que estes bloggers respondessem ao mesmo. Tenho especial curiosidade acerca das mezinhas caseiras:

6 de maio de 2010

Até que a morte nos separe

Era uma vez um cão de peluche. Que nos seus melhores tempos deve ter sido uma espécie de Snoopy (digo isto apenas pelas cores, porque quanto à forma, coitado...). E que me ofereceram num dia muito próximo do dia em que nasci.

A primeira vez que tive consciência da existência dele já se chamava Nique (se calhar seria Nick, mas na minha cabeça sempre foi com «q de nove»), julgo que por influência de um cão a sério que era dos meus avós. O Nique foi diversas vezes à máquina, teve olhos de vidro muito variados, até que para o fim desistiu-se de cosê-los novamente. Sempre com o pêlo ligeiramente encardido. E, durante muitos anos, o Nique nunca saiu do meu quarto. Não que estivesse em exposição em cima da cama, porque nunca gostei de bonecos de peluche, mas do armário não saía.

Quando passei uma temporada no Sul de Inglaterra levei o Nique na mala. E o Nique fez-me passar uma vergonha quando no regresso me inspeccionaram a bagagem e o tiraram de lá com cara de gozo. Escusado será dizer que o Nique nunca mais viajou...

Mas quando saí de casa dos meus pais o Nique foi comigo e lá ficou num armário. Quando mudei novamente de casa, veio comigo e no novo armário passou a viver. Há 2 dias fiz arrumações, reorganizei o armário, e lá estava ele, quieto e vigilante. Deve ter-me escapado à reorganização, deve ter ficado atirado para um canto, e hoje, quando cheguei a casa, parece que a minha empregada tinha dado com ele. E foi assim que o encontrei:


Vinha com a neura. Passou-me logo.

1 de maio de 2010

Instantes de Aveiro

Nada como pegar numa bicicleta para ficar a conhecer alguns dos recantos mais bonitos de uma cidade. Em pouco mais de 3 horas, Aveiro ficou-me assim gravado:

27 de abril de 2010

Detector de mentiras

E se eu conseguisse, através da simples análise corporal, perceber quando é que alguém está a mentir? Quando alguém demonstra raiva, desprezo, medo, culpa, surpresa genuína? Às vezes dava jeito, outras nem por isso. Se algumas expressões já conheço, como o cruzar os braços numa posição defensiva, confesso que tenho alguma inveja de Cal Lightman e da sua equipa.

Para mim, Lie to me é uma das séries do momento, com uma brilhante interpretação de Tim Roth na pele do expert obcecado e cheio de tiques, sentido de humor q.b. e muitas mentiras e verdades apanhadas pelo meio.

O trailer ajuda:



E o genérico também:

25 de abril de 2010

Dia importante

Ainda não tinha 4 meses no dia 25 de Abril de 1974, por isso faço apenas uma pequena ideia de como se terá vivido antes.

Histórias contadas pelos meus pais e pelos meus avós, histórias de senhas ditas pelo telefone e de depósitos de combustível escondidos em subterrâneos, histórias de suspeitas que nunca se vieram a confirmar. Numa fotografia na parede da minha sala, o meu avô, jornalista «à antiga», aponta notas num bloco em pleno Largo do Carmo, ao lado de um tanque e de uma multidão dividida entre medo e curiosidade.

Notas que devem ter servido para compor a notícia publicada neste jornal:

19 de abril de 2010

Reviravoltas

Há 3 anos, precisamente no dia dos meus anos, fiquei muito impressionada com o enforcamento de Saddam Hussein. Porque me parecia frágil, velho, acabado, sem qualquer hipótese de se defender. Porque por princípio sou contra a pena de morte. Porque me pareceu um gesto sádico a transmissão televisiva da execução. Fazia uma pequena ideia das atrocidades que o ditador havia cometido. Mas uma ideia mesmo muito pequena.

Acabei há dias de ver «House of Saddam», uma série da HBO em 4 episódios que passou há meses e que tinha aqui gravada. E aconselho-a a toda a gente. Em primeiro lugar, porque está muitíssimo bem interpretada por um elenco israelita e iraniano. Em segundo, porque nos dá uma perspectiva muito mais próxima e clara das coisas. Mostra-nos Saddam desde o dia em que tomou o poder até ao dia do seu enforcamento, depois de ter sido encontrado num buraco, escondido como um animal. Um homem que adorava os seus filhos e filhas mas que era capaz de matar o seu melhor amigo só para parecer ainda mais forte. Um homem que dizia reconhecer um traidor ainda antes do o próprio saber que o era.

Recordo as imagens da execução de Saddam. Mas recordo também os rostos dos milhares de homens mortos com uma bala na testa, após julgamentos sumários. E tenho pena de um e dos outros.

Foram-me (outra vez) ao bolso

Quando comprei a minha primeira casa pedi um empréstimo ao BBVA. Porque era o banco que tinha acordo com a EPUL e porque supostamente tudo seria mais fácil. Não tenho memória de grandes facilidades ou de grandes dificuldades, apesar de me lembrar que o meu pai já estava pelos cabelos com a quantidade de papelada que lhe pediram por ser meu avalista.

Durante 6 anos, andei a pagar esse empréstimo com um spread de 0,9%, nada meigo e que nunca me deixaram negociar. É claro que quando decidi trocar de casa nem uma simulação lhes pedi. Ao aperceberem-se de que estava a pedir um empréstimo a outro banco, foi com grande descaramento que me ligaram a «pedir satisfações». Disse-lhes que não tinham nada a ver com isso e acabou.

Só que através do BBVA ainda tinha um empréstimo automóvel (que há muito que não está comigo) que só terminei de pagar em Janeiro deste ano. Alegria! Satisfação! Alívio! Mal pude, fui tentar fechar a dita conta. Sublinho: tentar. Porque, como pelos vistos ainda havia cheques na minha posse, teria de os procurar e só depois avançar com o encerramento da conta. E é claro que não os encontrei, devo tê-los rasgado entretanto. Hoje lá fui de novo ao banco, tentar mais uma vez o dito encerramento. E consegui. Ah pois consegui. Não sem antes ter pago €6,00 por cada um dos cheques que não encontrei, não vá alguém aparecer no banco com a minha assinatura para os levantar. Foram €66,00 por 11 cheques emitidos entre 2002 e 2007.

E foram 8 anos em que estes senhores me roubaram. Até ao último dia. Não sei o que se passará com o banco em que agora tenho conta. Pelo menos sei que ainda nada sei.

14 de abril de 2010

À la mode

Uma das melhores amigas da minha mãe descobriu isto e eu tenho de divulgar: segundo o Le Figaro, a Vespa está mesmo na moda em Paris. Mais ou menos potentes, mais ou menos coloridas, as Vespinhas já se vêem por todo o lado, sobretudo agora com o bom tempo a chegar. E eu, que ainda só fiz 500 km com a Vespa nova, mal posso esperar para que Lisboa também adira à moda.

10 de abril de 2010

Então, não atendes?

Desafio quem me lê a encontrar aqui o telemóvel. Encontraram? Eu também, e ainda bem que isto é virtual, senão não estaríamos agora aqui, uma a escrever e outros a ler.

E não é por já ter apanhando duas multas de €120,00 por falar ao telemóvel enquanto conduzia que publico isto. Não, não é (até porque essas devem ter sido as duas únicas vezes na vida em que não usei auricular...).

É porque acredito mesmo que com um telemóvel na mão se conduz pior (para dizer a verdade, o simples facto de falarmos ao telemóvel, ainda que com auricular, já distrai q.b.). E para que se saiba porque é que às vezes não atendo o telemóvel. Porque não tenho o auricular posto ou ali à mão. Por muito irritante que seja o som do telemóvel a tocar sem parar.

5 de abril de 2010

Amor de pai

Se alguma vantagem posso encontrar em ter trabalhado que nem uma moura durante os últimos 3 meses e também durante os 3 dias da Páscoa, terá a ver com pequenas surpresas que me fizeram sentir que, apesar de enclausurada, houve gente lá fora que não se esqueceu de que eu estava lá dentro.

Depois de uma 5.ª feira com tolerância de ponto que para mim não existiu, na véspera de um sábado na expectativa de continuar na empresa, a meio de uma 6.ª feira-santa que me parecia uma 6.ª feira qualquer, o meu telemóvel toca e o meu pai pede-me para ir lá fora. Vou, em stress, a pensar no paginador que fica à minha espera. O meu pai traz na mão dois ramos de flores: «Um para ti e outro para a tua colega que também cá está, para o dia não vos custar tanto.» E um pacote de amêndoas de chocolate. Um beijinho e vai-se embora a correr para não me tomar mais tempo.

Não tive tolerância de ponto, não tive a 6.ª feira nem o sábado para descansar. Mas tenho um pai que com um gesto tão simples e tão dele alegrou o nosso o dia e mudou mais um bocadinho a nossa vida.

Posso meter uma cunha para o clonar?

Restart

A Vespa está de volta, com novas histórias, novas críticas, novas queixas, novos gostos e desgostos. A partir de agora.

14 de março de 2010

Paragem técnica

Até ao final do mês.

Não que não tenha coisas interessantes para contar, mas o fecho de uma campanha escolar, com revisões, validações e congressos pelo meio, não está a deixar tempo para mais. Quem me conhece sabe bem o que isto é...

Só um pequeno resumo do que aí virá:
- 7 primos novos no Brasil para apresentar;
- 1 Vespa nova para mostrar;
- pequenas coisas sobre filmes para contar.

6 de março de 2010

Coisas relativas

Com a cabeça esgotada de imagens terríveis das cheias na Madeira e dos sismos no Chile e no Haiti, quando achava que já quase nada me podia chocar, dou por mim impressionada com estas imagens da movimentação de areias na praia do Guincho captadas no passado fim-de-semana:

Tenho medo do que possa ter acontecido na Adraga.

27 de fevereiro de 2010

Queridos diários

Já tinha visto 2 ou 3, mas hoje descobri um site sobre e com diários gráficos, e assim já posso mostrar o que é. Há quem ande com um caderninho onde vai tomando notas acerca do que vê e do que sente. E há quem ande com caderninho para tomar as mesmas notas mas sob a forma de desenhos.

Em Diário gráfico.com podem ver-se vários exemplos. Diários gráficos com desenhos de pessoas ou de partes do corpo, de ruas ou de casas ou de quartos, de receitas culinárias, de animais, de peças de roupa. Diários com impressões de um dia. Diários com impressões de viagens. O site é de Eduardo Salavisa, designer e professor de uma escola secundária que se apaixonou por esta forma de registo.

E não vale a pena dizer mais nada, o melhor é mesmo navegar no site e descobrir todas as possibilidades. Para mim, cada página de um destes diários é uma verdadeira obra de arte.

25 de fevereiro de 2010

Em campanha

A Vespinha está em campanha mas desta vez não é política. Por isso, vamos lá votar nos Super Blog Awards:

1. Cliquem no logotipo na barra aqui ao lado.
2. Registem-se no site.
3. Cliquem em «Vota nos teus blogs favoritos».
4. Escolham a categoria «Generalista»... a Vespinha está lá na página 21!

Wish me luck... e toca a votar!

PS: Eu já votei em mim própria.

24 de fevereiro de 2010

Coisas parvas que já fiz

Porque não posso estar sempre aqui a criticar o comportamento dos outros, ou talvez por, por isso mesmo, ter reflectido sobre o meu, lembrei-me de duas das coisas mais parvas que já tive por hábito fazer como transeunte e como condutora:

- como transeunte - esta aprendi-a com um amigo que reencontrei há pouco tempo e fazíamo-la antes dos 20 anos: no passeio, quando víamos um carro a vir aproximávamo-nos da berma e fingíamos que íamos atravessar de forma repentina. O objectivo era assustar o condutor e fazê-lo travar bruscamente. Felizmente, as consequências nunca foram mais do que isso mesmo, sustos. Mas podiam ter sido muito piores;

- como condutora: esta não me lembro de onde veio, mas pelo menos 20 anos já tinha. Desligava as luzes exteriores do carro e ligava as de dentro. O objectivo era conduzir «no vazio», sem conseguir ver a estrada nem o que por lá andava. As luzes de dentro ligadas aumentavam a impossibilidade de ver para fora. Fi-lo algumas vezes na serra de Sintra, e felizmente também nunca houve consequências.

Hoje, que critico tudo o que tenha a ver com falta de civismo rodoviário, tenho muita, muita vergonha daquilo que fazia.

Condutores dos CTT

Há cerca de um ano, ia eu na 2.ª Circular, na Vespa, quando uma carrinha dos CTT se colou nas minhas traseiras, buzinando e fazendo sinais de luzes. Porque eu lhe tinha ter buzinado quando quase me abalroou. Entre o nó de Pina Manique e as bombas da Repsol, transpirei um bom bocado, sempre sob grande pressão, com medo de cair e de a carrinha me passar por cima. Acabei por escapar para a estação de serviço, conseguindo ainda fixar a matrícula.

Envei um mail para o provedor dos CTT e semanas mais tarde recebi uma carta respondendo que iam averiguar o que se tinha passado. Passados uns meses, mais uma carta com o mesmo teor. E a partir daí mais nada.

Hoje já não ia na Vespa mas no jipe, na avenida junto à RTP, na faixa da direita. Mais uma vez, desde a 2.ª Circular que era pressionada por uma carrinha. Sem máximos, sem buzinadelas, mas colada na mesma. Passei para a faixa da esquerda, onde teria inevitavelmente de andar mais depressa. Consegui ver a carrinha. Vermelha. Com o arauto branco. Desta vez não lhe vi a matrícula. Mas tenho pena. A provedoria anda muito distraída.

18 de fevereiro de 2010

Uma questão de oportunidade

Acabo de me aperceber de que Mário Crespo lançou a semana passada o livro «A última crónica», com a crónica da discórdia e mais de 100 publicadas ao longo dos últimos 3 anos no Expresso, no Diabo e no Jornal de Notícias. Diz que é uma «resposta à censura». Diz que nunca pensou em publicar um livro de crónicas mas que é um «dever ético em termos jornalísticos».

Independentemente do desfecho que o caso Face Oculta e afins venha a ter, a verdade é que a publicação tão rápida deste livro de Mário Crespo foi no mínimo estranha. Escolher, compilar, editar, paginar e rever mais de 100 crónicas em 15 dias parece-me de facto tarefa difícil. Fazer uma boa capa e imprimir o livro com qualidade também. E do prefácio de Medina Carreira nem se fala. E da editora Alêtheia, de Zita Seabra, também não.

Com este livro, o jornalista Mário Crespo mata dois coelhos de uma só cajadada: republica as ditas crónicas (embora me pareça que não se pode chamar jornalista a quem publica o que «alguém» ouviu dizer acerca de si próprio) e ganhará com certeza uns trocos de alguns leitores portugueses ávidos de mais sangue.

Que jeito que este escândalo vem dar.

Não resisto a publicar esta fotografia da revista Lux com Manuela Moura Guedes a dar um beijinho na cabeça do colega enquanto ele assina o livro na sessão de autógrafos...


12 de fevereiro de 2010

Parabéns ao meu pai...

... que depois de duas semanas a encher-se de pastilhas por causa de uma hérnia, de se armar em valentão quando soube que ia ser operado, de dizer que aquilo ia ser uma coisa simples, como bom médico que é... se encheu de medo no dia anterior à operação, com pavor de ter uma paragem cardíaca, já a imaginar desfibrilhadores à sua volta, no fundo com medo de já não acordar, como ser humano que acima de tudo é.

Na 4.ª feira à noite, antes de o levarem para o bloco, ainda me enviou uma mensagem: «é agora. até breve.» Três horas depois, quando liguei para a clínica, passaram-me de serviço em serviço até alguém me dizer: «Vou passar ao seu pai.» Foi mesmo até breve. 12 horas depois, subia a pé do recobro para o quarto. Mais 6 horinhas e ligava-me a dizer para não ir à clínica, que já tinha saído.
Acho que hoje queria acordar em casa, no dia dos seus 57 anos. E agora só não dança porque não sabe dançar.

7 de fevereiro de 2010

O fenómeno h3

Para quem não sabe, o h3 é uma loja de hambúrgueres. Mas não de uns hambúrgueres quaisquer. São hambúrgueres gourmet. Sim, o conceito já não é novidade, mas quando o primeiro h3 abriu era.

O h3 tem hambúrgueres melhores do que os feitos em casa, no ponto de cozedura que cada um prefere, acompanhados com arroz thai (era capaz de comer um prato só disto), batatas fritas «verdadeiras» cortadas às rodelas, salada ou esparregado. O meu preferido é o benedict, com um ovo escalfado e espinafres cozidos. Mas também gosto do que traz cogumelos frescos e do cheese, com duas fatias de queijo, cebola confitada e maionese com mostarda antiga.O h3 tem sempre filas de espera gigantes. E quando era novidade nem se fala: no Monumental ou no Amoreiras Plaza, era preciso paciência, mas o resultado sempre o mesmo: excelente. Com o tempo, muito mais lojas foram abrindo, e já não preciso de ir aos primeiros dois para me deliciar.

Quando estou em casa, e apenas por uma questão de proximidade e comodidade, vou ao Spacio. O Spacio é o antigo Olivais Shopping. E no Spacio a fila não é gigante. Aliás, grande parte das vezes eu sou mesmo a única da fila. No Spacio as pessoas peferem ir ao McDonald's (contra o qual nada tenho contra, até gosto - não havendo um h3 por perto, claro), à Pizza Hut ou às lojas de baguetes. Po acaso, muitos dos frequentadores do Spacio fariam bem melhor em ir ao h3 almoçar hambúrguer com arroz e uma limonada (verdadeira) em vez de irem almoçar hambúrguer com batatas fritas pré-feitas e uma Coca-Cola só açúcar. Não porque a primeira opção saiba melhor. Mas porque a primeira opção é bem mais saudável. Se calhar se trocassem mais vezes estas pessoas não seriam tão gordas. E estas pessoas que observo a passar pelo h3 com um ar de indiferença até o são bastante.

Perdoem-me o classismo, mas este é mesmo um fenómeno mensurável. Senhores do h3, se calhar o Spacio não vos merece. Porque não vão para o Alegro (para os meus dias de semana) ou para o Vasco da Gama (para o fim-de-semana)? É só uma sugestão, e eu não me importava de esperar um bocadinho na fila.

6 de fevereiro de 2010

De Vespinha a Vespa

A Vespinha vai trocar de Vespa e está confusa. Há quase um ano que tinha decidido que ia ser uma GTV 250, cinzento-escura com o banco em pele castanha. Mas a Vespinha não sabia que essa cor já tinha sido descontinuada...

Hoje, a Vespinha foi ao stand ver ao vivo as restantes cores. E saiu de lá ainda mais baralhada, porque descobriu um outro modelo para que ainda não tinha olhado de perto e que ao vivo lhe encheu as medidas.

Estas duas são a GTV 250, a tal que havia em cinzento e agora já não há. Da verde, não gosto da cor (e o branco-marfim também não me convence...). Da azul, não gosto dos bancos. Além de que, depois de ter visto a mota bem de perto, a achei demasiado «artilhada» de cromados.
E esta é GTS 300, a tal cuja fotografia não lhe faz jus. O preto é lindo, deve ter um toque de metalizado. E o banco preto com o debrum a branco surpreendeu-me.

Ambos os modelos têm a mesma velocidade máxima e o mesmo tamanho, apesar de a segunda ter melhor arranque e ser uns 700 ou 800 euros mais barata.

E agora?

31 de janeiro de 2010

Prefiro as sextas-feiras 13...


... porque não me apetece ter mais nenhuma como a última sexta-feira 29. Senão, vejamos:

Até às 17h00: A fazer um relatório bem aborrecido, em contra-relógio para não ter de o levar para o fim-de-semana. Queria acima de tudo um fim de dia descansado.

17h00: Telefonema da minha mãe. Está no hospital desde o meio-dia porque caiu, coisa frequente devido a alguma da medicação que toma. Vou ter com ela, acaba de fazer uma TAC cerebral - como toma heparina, uma pancada na cabeça pode causar um derrame. Um pouco de ansiedade à espera dos resultados.

18h00: TAC normal. Vamos esperar pela consulta de ortopedia por causa de um dedo inchado e dorido.

19h00: Luxação no dedo médio, ponta do nariz partida. Vamos esperar pela consulta de medicina interna. O hospital está um caos, com a greve dos enfermeiros. Os doentes com mais dificuldades têm de ser assistidos por familiares ou por um ou outro auxiliar (estes cheios de boa vontade).

20h30: Consulta de medicina interna. O médico pede análises, sobretudo de rotina para se certificar de que nada de estranho poderá ter causado a queda. Vou para casa, supostamente já não faço ali nada.

20h45: 2.ª circular entupidíssima nos dois sentidos.

21h3o: Duas barreiras policiais para conseguir chegar a casa. Na rua é o caos, com a manifestação dos donos dos carrosséis. Barulho infernal, de pessoas, camiões e helicóptero.

23h00: Telefonema da minha mãe. Um dos valores das análises é duvidoso. A troponina, proteína que pode indiciar atrofia cardiomuscular, está fora do normal. Ligo para o meu pai para me esclarecer melhor. Pode ser tudo ou pode não ser nada. Pode ser o início de um enfarte ou uma atrofia de qualquer outro músculo que gerou um falso positivo.

23h45: Chego de novo ao hospital, depois de ter tido de passar novamente pelas duas barreiras policiais e pelo ambiente de motim. Vão repetir a análise para ver a evolução da troponina. A minha mãe está cansadíssima.

01h00: Nova consulta de medicina interna. O valor baixou bastante, o falso positivo estava mesmo à espreita. Respiramos fundo, foi só mais um susto dos muitos que a saúde da minha mãe já nos pregou.

02h00: Chego finalmente a casa, visto finalmente o pijama e tiro finalmente do punho a fita cor-de-rosa do hospital, que antes não tinha tirado por sentir que ainda teria de lá voltar.

Esta semana há consulta de neurologia. A ver se as quedas acabam.

27 de janeiro de 2010

O fim do pesadelo

Data assinalável, 65 anos depois da libertação de Auschwitz pelo Exército Vermelho. Lá terão sido assassinadas e eclipsadas cerca de um milhão de pessoas. Acho que lhes senti a presença quando há uns anos visitei os campos.

É que, segundo se diz, em Auschwitz nem os pássaros cantam.

25 de janeiro de 2010

90 + 5 minutos de extrema felicidade

Depois de ter assistido a um filme que me conseguiu transportar à minha infância, e ao valor que devemos dar à ausência de responsabilidades dessa época, tive um encontro que me transportou até ao início da minha independência e que me fez chorar de alegria como há muito não me acontecia.

Tal como previa, O sítio das coisas selvagens é fantástico, apresentando uma criança que, revoltada com a vida que tem, viaja para uma ilha desconhecida onde vivem monstros felpudos mas com características muito humanas, com invejas e ciúmes, amizade e amor. Uma criança que, ao ser confrontada com a necessidade de ter de tomar medidas e decisões, se apercebe de que a infância é para ser vivida em cheio, sem responsabilidades nem preocupações, dando valor àquilo que tem.
Mas o melhor de tudo ficou para o fim, quando, ao sair da sala, ouço alguém a chamar por mim. Volto-me e de dou de caras com a «nossa Joaninha», uma miúda que conheço há 10 anos e com quem, sabe-se lá por que motivos, perdi o contacto há cerca de quatro. Uma miúda que se calhar nem sonha (ou talvez sonhe...) com a importância que teve para a minha família, uma miúda que associo a alguns dos melhores momentos da minha vida. A Joaninha que conheci adolescente e que espero agora conhecer melhor já adulta. A Joaninha com olhos brilhantes e que deixou os meus também molhados, ansiosa pelos encontros que aí vêm.

Bendita a hora em que decidi ir à sessão das 20h ver este filme antes que desaparecesse das salas.

Quereria a Polícia também ver os Ídolos?

Vinha eu agora na 2.ª Circular com pressa para acabar de ver os Ídolos, a 90 km/h (sim, a transgredir um pouco e acima do meu hábito...), e aparece-me atrás um carro a fazer sinais de luzes para ultrapassar. Sem pisca nem nada. Saí da frente logo que pude, como normalmente faço para não arranjar confusão (embora os sinais de máximos me irritem solenemente porque os piscas não servem apenas para indicar a mudança de direção).

Quando me ultrapassou, era um carro da Polícia. A fazer máximos. Sem as luzes azuis de cima ligadas. E julgava eu que essas luzes serviam para abrir caminho. Que não eram precisos máximos. Julgava eu. Mas se calhar as luzes estavam fundidas. Ou se calhar a Polícia também estava com pressa.

23 de janeiro de 2010

E num instante tudo pode mudar

Sábado de manhã, programa calmo, ver a casa nova da Mary. Sem stress, pequeno-almoço nas calmas, café com eles e com os miúdos. Ao entrarmos na avenida da Índia, passa por nós um Audi A6 ou A8, nitidamente desvairado. Seguimos atrás dele, sempre com comentários de que o condutor não pode estar bem. Passamos o semáforo do Egas Moniz, estamos quase a chegar ao semáforo do Museu dos Coches. Vemo-lo vermelho bastante antes de lá chegarmos. O sujeito do Audi nem trava.

Da direita, ao sinal verde, arranca um monovolume Peugeot com mãe e filha lá dentro. Assistimos a tudo como que em câmara lenta. O Audi arranca a parte da frente do Peugeot. Derrapa. Galga o passeio. Arranca meia dúzia ou mais de pilaretes do Jardim do Império. Acaba enrolado num poste numa verdadeira bola de chapa amarrotada. Vamos à Polícia, regressamos ao local, mãe e filha encontram-se bem. A miúda chora, a mãe está surpreendemente calma, provavelmente na sequência da sua presença de espírito que a fez olhar para a esquerda e travar a fundo, mesmo tendo prioridade. Ao longe, a uns 100 metros, a bola de chapa lá está, nem me atrevo a olhar para ela.

Começam a chegar Polícia, bombeiros, INEM, com alguma descoordenação devido à quantidade de autoridades ali presentes. O condutor do Audi também sobreviveu, apenas com um ou outro arranhão. O carro topo de gama deve ter-lhe salvado a vida. «Graças a Deus», diz a senhora do Peugeot. Aliviada pela sobrevivência deste homem que provocou o acidente, que esteve a meio metro de lhe ter destruído a vida e a família, mas que não viu o acidente em câmara lenta como nós vimos. Nunca terá noção do que poderia ter causado.

Fomos ver a casa nova, distraímo-nos durante algum tempo. Mas continua comigo a sensação de enjoo que me tomou ao fim da manhã.

PS: Relembro os meus tópicos de 06.11.07, 05.05.08 e 19.11.09.

19 de janeiro de 2010

Lamento, mas não consigo ficar calada

Em 2004, um presidente da República dissolveu um governo liderado por Pedro Santana Lopes. Em 2010, outro presidente da República (sim, do mesmo país...) decide condecorar a mesma pessoa pelas mesmas funções. Alegando que está a cumprir «um acto de justiça em relação aos portugueses que serviram o País».

Hoje, Pedro Santana Lopes foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, que distingue «destacados serviços prestados ao País». De acordo com o PR, para fazer justiça. Segundo a comunicação social, porque era o único primeiro-ministro que ainda não havia sido condecorado. Mas onde é que está escrito que ser primeiro-ministro (ainda por cima não diretamente eleito) traz uma faixa vermelha agarrada? E que destacados serviços prestou este senhor ao País, para além de ter sido uma verdadeira anedota e de nos ter feito rir e chorar tantas vezes?

Se eu algum dia tivesse sido agraciada (e só não o fui porque nunca fui primeiro-ministro...), sentir-me-ia embaraçada com esta condecoração. Tão embaraçada quanto orgulhosa por a mesma condecoração já ter sido atribuída a nomes como Aristides de Sousa Mendes, Lucas Pires, José Cutileiro, Freitas do Amaral, Alçada Baptista, Cavaco Silva, António Guterres, Ribeiro Telles, Sá-Carneiro, Mário Soares...

Comparável, não?

18 de janeiro de 2010

Há vida por cima da minha cama

Desculpem-me os senhores da Casa d'art, mas a facilidade de colocação deste vinil não existe. Não fosse a paciência de chinês do meu irmão e esta entrada de dicionário estaria agora no lixo. Mas não está. Está na parede por cima da minha cama, impecavelmente colocada, perfeita, apenas a aguardar as andorinhas pretas que procuro por um preço aceitável. Espero não ter de esperar pela primavera para as ver a partir cheias de vida em direcção à minha janela.

17 de janeiro de 2010

«Casa onde não há pão...»

Aqui deste lado do mundo onde se vive «a crise», onde a minha casa está quente e eu também, não me saem da cabeça as imagens de seres humanos a lutar com quem lhes dá comida porque querem mais. Seres humanos que, enquanto lutam por algo comestível, respondem às câmaras: «Eu não luto, eu sou um pai, eu sou um adulto, eu não luto.» O Haiti já era muito pobre e violento, agora é extremamente pobre e violento.

Esvaziei-me

Ausência de luz. Ausência de som. Ausência de estímulos. Ausência de cheiro. Privação sensorial. Parece algo saído de um filme de Sci-Fi ou de um livro de Dan Brown (o seu último livro fala de algo parecido…). Mas não é. É algo bem real e está bem perto. Chama-se flutuação.

No dia 30, os que me aturam todos os dias ofereceram-me uma sessão de 50 minutos, porque pelos vistos há muito tempo que eu andava a dar sinal de que gostava de experimentar. Entre o Rato e o Jardim das Amoreiras fica o float in, uma experiência que aconselho a todos porque vai para além de tudo o que tenha imaginado.

Uma sala branca com luz ténue e uma grande banheira «quase tanque» ao centro. Antes de entrar na água, um duche. Depois, entro na banheira com 600 litros de água quente e 300 quilos de sal. Flutuo automaticamente, sem qualquer tipo de esforço. Três botões permitem-me comandar o resto: um desliga a luz, outro desliga a música, o último serve para uma emergência. O que sinto a seguir é difícil de descrever: vazio. Tão vazio que me permite adormecer sem pensar em nada. Duas ou três vezes, abro os olhos e vejo nada. Ouço nada. Sinto nada.

Até que, 50 minutos depois, três flashes trazem-me de novo para a realidade, num acordar em que me sinto da mesma forma: vazia. No final, novo duche para libertar todo o sal. Quando saio da sala, tenho um chá à minha espera num sala bastante zen, tudo com um timing perfeito.

Flutuei ontem e quero flutuar mais vezes.

10 de janeiro de 2010

Tão bonito que ele é...

Holmes rules

Há 6 meses há espera dele e não me dececionou. Guy Ritchie no seu melhor a virar Sherlock Holmes do avesso e a transformá-lo num anti-herói muito mais interessante e hilariante do que o que estamos habituados a ver. Em resumo:

- Um Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) alucinado que não gosta de tomar banho, que ganha dinheiro em lutas corpo a corpo e que precisa de Watson para o trazer à tona. Mas que não perde o seu poder dedutivo.

- Um Dr. Watson (Jude Law) muito british, muito cheio de charme e que deve cheirar bem.

- Um Lord Blackwood (Mark Strong) sinistro que nos faz duvidar do que os nossos próprios olhos vêem.
- Piadas com piada e outras que nos fazem ter vontade de as rever em mais uma sessão.

- O ambiente sombrio da Londres da revolução industrial, cheia de carvão, ferro e maquinaria.

- Uma fotografia impecável.
- Planos à Guy Ritchie que nos apanham sempre desprevenidos.

Há mais algo que se possa pedir? Sim, a sequela, que parece que já está na calha.

Avatar: muito barulho por muito pouco

Eu sei que vou contra a corrente, apesar de nem sempre ser do contra. E aqui repito o que disse no Facebook: eu não gostei do Avatar. Dizem que mudou a história do cinema, que é lindo, inesquecível, etc.

Para mim, foi uma seca. Sim, fui vê-lo na versão 3D. Sim, os meus óculos especiais funcionavam. Sim, algumas imagens são de enorme beleza. Mas não fiquei deslumbrada. Tecnicamente dizem que é bom, que não há uma única falha nas imagens computadorizadas. Acredito. Mas, mais uma vez, não fiquei de boca aberta. Quanto à história, fala de um terráqueo que através do seu avatar se apaixona por uma nativa. Os nativos são os bons da história, os terráqueos são os maus. O mau dos maus é um cliché, fala através de clichés e é daqueles que no fim demora uma eternidade a morrer. Os bons têm olhinhos brilhantes e comoventes.

E o filme nunca mais acaba. A terminar com uma música que se não é da Celine Dion está lá perto (resquícios de Titanic de que James Cameron não se livrou). Bastante irritante para os meus ouvidos que gostam de sossego.

Chamem-me insensível, mas se tivesse de escolher o filme de ficção científica do ano, District 9 estaria bem lá em cima, Watchmen a seguir e Avatar bem mais abaixo. Pormenores técnicos à parte.

6 de janeiro de 2010

Companheiros de infância

Quando era pequenino, o meu irmão não vivia sem um macaquinho castanho, que metia o dedo na boca e já estava todo encardido. Não sei que aventuras imaginava com ele, mas não o largava. Eu tinha o «Nique», uma espécie de Snoopy muito mal feitinho, que cedo ficou sem olhos e que também encardido estava. Não faço ideia de quantas vezes terá ido à máquina... Do macaquinho não sabemos. O Nique ainda vive comigo, no fundo do armário do meu quarto (um dia contarei a vergonha que o Nique me fez passar...).

Por me lembrar destes bonecos de infância, não poderei deixar de ir ver «O sítio das coisas selvagens», de Spike Jonze e cujo trailer podem ver aqui (o YouTube não me deixa incorporar aqui o trailer, com muita pena minha). Atenção também à música dos Arcade Fire - assenta-lhe na perfeição.